Reciclagem: Demanda de pós-consumo avança e pede equipamentos automatizados

Plástico Moderno, Reciclagem: Demanda de pós-consumo avança e pede equipamentos automatizados
Mais que simples demonstração de interesse pela sustentabilidade, a reciclagem dos plásticos presentes nos bens de consumo com vida útil encerrada – ou dos resultantes de sobras e descartes de processos produtivos – consolidou-se como necessidade imposta tanto por exigências legais quanto por motivações econômicas e financeiras. Já em 2012, informam as estatísticas da Plastivida, entidade composta pelos representantes dessa atividade, o índice nacional de reciclagem do plástico pós-consumo bateu na casa dos 21%.

Isso significou o reaproveitamento, naquele ano – o último para o qual já há estatísticas disponíveis –, de aproximadamente 684 mil toneladas de plástico, e o consequente faturamento de R$ 2,5 bilhões. Agregando-se a esse valor a certeza de seu crescimento, também pela necessidade de atender os preceitos da recente Política Nacional de Resíduos Sólidos, torna-se clara a existência de um mercado suficientemente atrativo para justificar a ampliação da oferta, no mercado nacional, de equipamentos e tecnologias para reciclagem de plásticos.

Uma das mais novas entre as principais concorrentes desse mercado é a Amut, multinacional de origem italiana que há cerca de dois anos estabeleceu uma joint venture com a brasileira Wortex. Nasceu dessa união a Amut-Wortex, que desde o final do ano passado produz, em uma planta localizada em Campinas-SP, diversos equipamentos destinados à reciclagem de plásticos, dos itens necessários à separação dos resíduos até às extrusoras, que começaram a ser produzidas no Brasil em maio último, e podem trabalhar também com matéria-prima reciclada.

Plástico Moderno, Milani: equipamento facilita a separação dos materiais
Milani: equipamento facilita a separação dos materiais

Entre as principais apostas dessa fase inicial de atuação da Amut-Wortex destaca-se a sua versão do chamado ‘rompe-sacos’, um sistema concebido para separar os materiais provenientes tanto da coleta urbana de resíduos quanto de materiais já pré-selecionados: esse sistema faz a abertura mecânica dos sacos plásticos em que são conduzidos habitualmente os materiais pós-consumo. O conteúdo dos sacos é conduzido à etapa denominada trommel (ou tumbulador), na qual uma espécie de uma grande peneira separa itens como cacos de vidro, terra e lixo orgânico, entre outros.

O material resultante desse processo pode então seguir adiante para uma etapa de separação mais precisa, realizada manualmente ou mediante o uso de equipamentos de leitura óptica passíveis de acoplamento ao sistema. Modular, o sistema rompe-sacos da Amut-Wortex está disponível em diversas versões, tamanhos e capacidades, e pode ser ampliado de acordo com a necessidade do usuário. “Já temos plantas desse sistema vendidas no Brasil”, comenta Angelo Milani, diretor-comercial da empresa.

Referindo-se não apenas ao portfólio da sociedade entre ambas, mas também as ofertas individuais de Amut e de Wortex, Milani lembra haver, nesse conjunto, vasto arsenal de itens específicos para a reciclagem dos vários gêneros de plásticos (sistemas rompe-sacos podem trabalhar também com outros materiais de resíduos sólidos urbanos, como metais e papel). Por exemplo, banheiras de flotagem onde, após a moagem, o PET de garrafas é separado do polietileno das respectivas tampas e do polipropileno dos rótulos. Ou então, ainda para a reciclagem de PET, os sistemas incluem banhos de água quente próprios para eliminar a cola que prende os rótulos às garrafas. “Sem essa eliminação da cola, a resina reciclada fica amarelada”, explica Milani.

Plástico Moderno, De Filipis: tecnologia consegue 10 reciclar ráfia e tecidos de PA
De Filipis: tecnologia consegue 10 reciclar ráfia e tecidos de PA

Por sua vez, a Wortex mantém ativa e atualizada com as demandas do mercado a sua produção independente de equipamentos e sistemas completos para reciclagem. “Recentemente, adicionamos à nossa linha Challenger sistemas para a reciclagem de materiais cujo processamento sempre foi muito difícil, seja pela complexidade da moagem, seja porque era difícil realizar a extrusão sem aglutinação prévia, por exemplo, com o PE e o PSAI expandidos, além de tecidos de poliamida 6 e 6.6, provenientes de retalhos de tecidos contendo maior ou menor quantidade de elastano”, informou Paolo De Filipis, diretor geral da Wortex.

A moagem dos tecidos de poliamida exigiu desenvolver um moinho especial e promover várias modificações na linha Challenger. Embora a vista externa não indique as modificações, elas incluem uma rosca especial, um sistema próprio de degaseificação, um compactador (crammer) diferenciado. O material granulado obtido é utilizado principalmente na composição de materiais de engenharia, usados basicamente em peças de automóveis e componentes eletrônicos, segundo o diretor geral.

A extrusão dos materiais expandidos exigiu mudança muito significativa nos equipamentos da linha Challenger. “A dificuldade maior se apresentou no sistema de alimentação e moagem, porém a rosca foi um fator preponderante para solucionar o problema, que consiste em conservar as propriedades físico-químicas para que o material pudesse voltar imediatamente à linha de produção”, afirmou De Filipis.

Plástico Moderno, Máquina rompe-sacos elimina o contato humano com o lixo
Máquina rompe-sacos elimina o contato humano com o lixo

A Wortex recentemente desenvolveu e já entregou mais de oito equipamentos para a reciclagem de ráfia, igualmente modificados para que esse material pudesse voltar rapidamente ao sistema de produção sem perder suas características, podendo até ser reutilizado 100%, em vez de 10% a 15% que era possível quando processado em outros tipos de equipamentos. “Resolvemos também o problema de reciclagem de contêineres e bombonas de agrotóxicos, multicamadas ou não. Esta solução como as outras já descritas também dependem de uma engenharia específica para obter resultados qualitativos e quantitativos”, afirmou.

A Wortex desenvolveu um sistema de lavagem para filmes e materiais rígidos, incluindo embalagens de óleo automotivo. Com isso, passou a oferecer a linha de lavadoras para filmes pós-consumo, capaz de lavar 500 kg/hora, consumindo um total de 40 kW. “As tecnologias existentes consomem de 160 kW a 200 kW para atingir a mesma produtividade, e mesmo assim, possuem problemas de secagem”, afirmou De Filipis. A empresa também criou a linha para lavagem de ráfia pós-consumo, proveniente de agrotóxicos, embalagens agrícolas ou industriais, garantindo um material limpo e seco.

Tecnologias diferenciadas – Alguns gêneros de plásticos já reaproveitados em maiores volumes e também mais valorizados recebem atenção mais profunda dos fornecedores de tecnologias para reciclagem. É o caso do PET, foco da atenção da Gneuss, empresa de origem alemã totalmente dedicada ao mercado da revalorização e reciclagem de plástico, no qual atua em três etapas: extrusão, controle de processo e filtragem.

Plástico Moderno, Grunewald: alta degasagem pode retirar mau odor de reciclados
Grunewald: alta degasagem pode retirar mau odor de reciclados

Para a reciclagem de PET a Gneuss disponibiliza uma tecnologia patenteada denominada MRS, que dispensa os secadores empregados em tecnologias concorrentes para retirar a umidade dessa resina. “O sistema MRS trabalha com múltiplas roscas, em vez de uma ou duas, como geralmente acontece. Isso aumenta a área de exposição ao vácuo da massa que está sendo reciclada e, pela tensão do vácuo, elimina-se tanto a água gerada após a fusão quanto os contaminantes químicos”, explica Andres Grunewald, diretor da Gneuss para a América do Sul. “Com isso, além de obter um material muito mais puro, essa tecnologia reduz o consumo de energia, por dispensar o secador, e agiliza muito o processo, pois elimina essa etapa da secagem, que pode durar horas”, explica.

O processo de trabalho do sistema MRS, prossegue Grunewald, é extremamente simples: os flocos de PET entram no equipamento ainda úmidos e contaminados, saindo de lá puros e na forma de massa fundida, pronta para o uso final. Essa tecnologia conta com uma carta na qual a FDA (Food and Drug Administration, agência de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos) garante não ter nenhuma objeção a seu uso, em caráter “irrestrito”, ou seja, independentemente das condições de utilização, na produção de PET reciclado passível de aproveitamento na fabricação de embalagens de alimentos. “O índice de degasagem dessa tecnologia chega a ser cem vezes superior ao de concorrentes”, afirma Grunewald.

Já a BY Engenharia produz, entre outros itens demandados para a reciclagem de plásticos, um sistema de granulação imerso em água fabricado sob licença da empresa norte-americana Gala. Nesse sistema – conhecido como tecnologia de ‘corte na cabeça’ –, tanto a placa matriz como as facas permanecem dentro d´água, onde é feita a operação de corte e solidificação dos grãos, evitando desse modo que eles se colem uns aos outros. “Entre outras vantagens, esse processo propicia a formação de grãos mais semelhantes aos grãos da resina virgem, maior automatização e economia de mão de obra, pois um mesmo operador pode cuidar de duas ou mais linhas, enquanto no sistema convencional é necessário um para cada linha”, destaca Antonio Azevedo Alves, sócio-diretor da BY Engenharia.

Segundo ele, o sistema de granulação imerso em água é empregado principalmente por empresas de compostagem e masterbatches com resinas virgens, mas aumenta a utilização por recicladores de maior porte e de reciclados mais nobres.

Também para o mercado da reciclagem a BY fornece conjuntos de canhões e roscas bimetálicas de longa durabilidade para extrusoras e injetoras que processam material recuperado, além de troca-telas hidráulicos fabricados nos Estados Unidos pela Nordson Xaloy. O troca-telas, ressalta Alves, é fundamental para uma boa reciclagem: “No caso de plástico pós-consumo, mesmo depois da lavagem, o material lavado carrega contaminantes. Mas também as sobras industriais normalmente trazem poeira, areia, lascas de madeira, pois é comum seu armazenamento no chão ou em áreas abertas, daí a importância desse periférico também nesse gênero de reciclagem”, ele ressalta.

Plástico Moderno,Autosort pode classificar até 2 t/h de resinas por tipo e cor
Autosort pode classificar até 2 t/h de resinas por tipo e cor

Separação é a base – Fundamental para a geração, via reciclagem, de materiais com características mais similares às das resinas virgens, com as quais eles muitas vezes serão misturados, a separação precisa dos resíduos pelos respectivos tipos plásticos dispõe hoje de tecnologias concebidas para automatizar e agilizar essa tarefa tradicionalmente realizada de forma manual. Casos dos separadores ópticos dotados de sensores que leem as informações relativas ao espectro da reflexão de luz infravermelha – específicas para cada material – e, com base nesses dados, enviam para as fases seguintes do processo apenas os objetos feitos de uma resina específica, estejam eles íntegros ou fracionados.

Além de apartar uns dos outros os diversos tipos de materiais – como plásticos, papel e madeira –, esses equipamentos permitem a separação de várias espécies de plásticos, como PET, PVC, PE, PP, PS e ABS, entre outros. Podem aprofundar esse processo de seleção considerando também as cores, e isolam filmes de objetos tridimensionais. Sua capacidade depende da largura da correia transportadora dos materiais a serem analisados.

Uma das fornecedoras desse gênero de equipamento é a Tomra, empresa de origem norueguesa desde 2011presente no Brasil através de uma filial onde atuam profissionais de vendas e de prestação de serviços. Inserida também nos mercados da mineração e da produção de alimentos, no setor da reciclagem a Tomra atua com a marca Titech, cujo portfolio inclui um equipamento de identificação e separação denominado Autosort.

Plástico Moderno, Carina: uso de infravermelho permite identificar as resinas
Carina: uso de infravermelho permite identificar as resinas

Em média, um equipamento Autosort com correia de um metro de largura útil pode identificar e separar – por tipo e por cor – entre 1,5 mil e 2 mil quilos de plásticos rígidos a cada hora. E, quando comparada com o processo tradicional, essa separação é mais precisa: “manualmente, há alguma dificuldade para distinguir alguns tipos de plástico, por exemplo, o PE do PP, ou o PET do PVC, que são precisamente identificados por essa tecnologia”, especifica Carina Arita, gerente de vendas da Tomra.

E há, ela prossegue, além da separação ágil e precisa dos diferentes tipos de plásticos, benefícios adicionais decorrentes do uso desses equipamentos: “Um cliente que trabalha com transformação de PE reciclado me disse que, ao substituir a separação manual pela nossa tecnologia, conseguiu também diminuir a manutenção dos moinhos e melhorou o desempenho das extrusoras”, destaca a profissional da Tomra.

Segundo ela, equipamentos Autosort podem identificar e separar qualquer tipo de plástico, bastando para isso estabelecer o espectro gráfico da reflexão de luz infravermelha sobre ele. “Para um cliente, desenvolvemos um gráfico de reflexão específico para a separação de poliamidas”, exemplifica Carina.

Plástico Moderno, Titech Finder, da Tomra, é usado para separar metais
Titech Finder, da Tomra, é usado para separar metais

Por trabalhar com informações referentes à reflexão de luz, esse gênero de equipamentos não serve, porém para separar plásticos de cor preta. Em muitos países onde a atividade de reciclagem se encontra em estágio mais avançado, resíduos pretos são geralmente destinados à geração de energia mediante queima. “Em alguns casos, como os cancerígenos boro e cromo, é usada a separação eletrolítica. A Tomra tem soluções para essa separação”, ressalta Carina.

Equipamentos ópticos para identificação e separação de materiais para reciclagem via reflexão de infravermelho são fornecidos também pela Steinert, empresa de origem alemã que no Brasil mantém uma unidade no município de Belo Horizonte-MG. Seus equipamentos trazem as marcas Unisort – relacionada ao trabalho com objetos maiores, como embalagens e potes –, e Flakesorter, dedicada a materiais já fracionados. “Os equipamentos Unisort separam materiais com dimensões entre 10 e 300 mm, classificados numa proporção de 1:3 (ou seja, as dimensões dos objetos maiores não podem ser mais que três vezes superiores às dos menores). No Flakesorter, é possível separar materiais de 3 a 40 mm”, detalha Leandro Araújo, gerente de desenvolvimento de negócios da Steinert.

Plástico Moderno, Unisort, da Steinert, separa peças entre 10 e 300 mm
Unisort, da Steinert, separa peças entre 10 e 300 mm

E a brasileira Tecscan Recibel produz em Betim-MG um tipo de equipamento conhecido como shredder, uma espécie de pré-triturador destinado a um primeiro fracionamento de objetos maiores, posteriormente encaminhados a moinhos: por exemplo, para-choques, bombonas e tambores (tanto plásticos quanto metálicos).

De acordo com Ronaldo Carvalho de Souza, diretor geral da Tecscan/Recibel, esse pré-fracionamento aumenta a produtividade do processo de reciclagem de plástico, além de reduzir o consumo de energia, insumo muito demandado por moinhos quando trabalham com peças maiores. “Um shredder, diferentemente de um moinho, trabalha com baixa rotação e alto torque. Além disso, a pré-trituração economiza as facas dos moinhos”, acrescenta Souza.

Segundo ele, tais benefícios foram comprovados pela fabricante de autopeças Plascar que, em um processo de reciclagem das borras remanescentes de sua atividade produtiva, substituiu um moinho com potência de 120 HP por um equipamento proveniente de sua empresa com potência quatro vezes inferior a essa. “Isso não apenas reduziu bastante o consumo de energia, como duplicou a produtividade do moinho que seguiu recebendo as peças já fracionadas”, destaca.

Novos usos – A atividade de reciclagem não evolui atualmente apenas pela quantidade de material processado, mas também pelo seu reaproveitamento, estimulado por grandes usuários de produtos confeccionados com esses materiais. As montadoras de automóveis, por exemplo, no desenvolvimento de novos veículos, hoje consideram também o conceito conhecido como ‘design for recycling’, cujo objetivo é conscientizar a indústria da necessidade de pensar um novo produto também como algo a ser adequadamente descartado após sua utilização.

Exemplo de plástico cuja reciclagem é hoje impulsionada pela indústria automobilística é a poliamida reforçada com fibra, presente em peças de motores, como algumas tampas, cuja reciclagem é relativamente complexa, e até agora é pouco reaproveitado. “As montadoras vêm solicitando que seus fornecedores incluam também material reciclado na poliamida reforçada com fibra”, conta Alves, da BY Engenharia.

Plástico Moderno, Sistema MRS, da Gneuss, usa múltiplas roscas sob vácuo
Sistema MRS, da Gneuss, usa múltiplas roscas sob vácuo

Segundo ele, com as tecnologias adequadas, é possível reaproveitar praticamente todos os termoplásticos; mas muitos recicladores menos informados ou com menor poder de investimento, tentam trabalhar materiais mais complexos com tecnologias muito simples. “Para reciclar PE basta uma extrusora monorrosca, disponível até mesmo em ferros-velhos, enquanto um material como a poliamida reforçada exige máquinas em cascata ou dupla rosca, mais caras, e dificilmente encontradas no mercado de usados”, especifica Alves. “Já vi gente tentando utilizar o mesmo maquinário de PE em poliamida com fibra ou PBT e isso não deu certo, também porque os usuários de plásticos de engenharia são mais exigentes e requisitam testes e laudos”, afirma.

Já a tecnologia da Gneuss, conta Grunewald, vem sendo utilizada para a reciclagem de outros gêneros de plásticos, além de PET: entre eles, as poliolefinas e as poliamidas. Mesmo nesses casos, ele destaca, há vantagens no uso dessa tecnologia, pois seu elevado poder de degaseificação permite, entre outras coisas, eliminar do processo os gases formados pela supressão da impressão realizada em filmes de poliolefinas, ou ingredientes responsáveis pelo odor de determinados gêneros de embalagens. “Temos hoje o uso da tecnologia MRS pra a produção de matéria-prima para sacolas de supermercados com plástico reciclado de embalagens frigoríficas, cujos odores são totalmente eliminados”, exemplifica.

Plástico Moderno, Granulador submerso da BY Engenharia, sob licença da Gala
Granulador submerso da BY Engenharia, sob licença da Gala

Resultados e perspectivas – Atentas ao potencial do setor, empresas fornecedoras de tecnologias para reciclagem de plástico – ou que nesse mercado realizam ao menos parte de seus negócios – projetam e realizam alguns investimentos. Caso da BY Engenharia, que está equipando seu laboratório com uma nova extrusora dupla rosca, cuja operação deve começar no início do próximo ano. “Já temos sistemas de extrusão para testes com PP e PE, e essa nova máquina será dedicada a plásticos de engenharia, como PA, PBT, PMMA, pois o mercado vem solicitando desenvolvimento de processos especiais de reciclagem em plásticos de engenharia com aditivações e cargas diferenciadas, e essa linha piloto poderá impulsionar novos negócios”, observa Alves.

A Amut-Wortex, conta Milani, prepara o lançamento de uma linha de equipamentos para a produção de chapas próprias para produtos termoformados. “Apesar de sermos uma empresa recém-formada, temos já uma estrutura moderna e completa, e estamos planejando o aumento dos recursos com a contratação de pessoal e ampliação da área física”, relata. “Além da linha de rompe-sacos, apresentamos ao mercado de processamento de plásticos, em maio deste ano, a linha de produção de tubos de saída dupla”, lembra Milani. (vide PM-476, de junho)

E a Gneuss trabalha na ampliação de sua planta localizada na cidade alemã de Bad Oeynhausen, onde produz os equipamentos que comercializa em todo o mundo. “Essa ampliação será inaugurada em outubro: com ela, a área de produção crescerá 30%, e a área administrativa em 50%”, detalha Grunewald. Segundo ele, na América do Sul operam atualmente cerca de duzentas plantas de reciclagem montadas com tecnologia da Gneuss: cerca de três quartos delas estão instaladas no Brasil. “E somos líderes em processos contínuos de filtragem, fornecendo sistemas capazes de remover qualquer tipo de contaminação, de quaisquer dimensões, de todos os tipos de polímeros”, complementa o diretor.

A Tomra, ressalta Carina, lançou no ano passado a mais nova versão de seus separadores Autosort: pela redução da quantidade de lâmpadas e aumento da sua potência individual no processo de infravermelho, associadas a um sistema capaz de concentrar essa iluminação exclusivamente na área a ser analisada, nesses novos equipamentos o consumo de energia foi reduzido em aproximadamente 70%. “A empresa investe 8% de sua receita em pesquisa e desenvolvimento, atualmente concentrada na Alemanha”, ressalta Carina.

Segundo ela, no Brasil já estão em operação cerca quinze equipamentos de reciclagem da Tomra (computando também os equipamentos fornecidos pela empresa para outros gêneros de separação, essa quantia sobe para 75). E, mesmo na atual conjuntura pouco favorável à indústria brasileira, ela projeta números grandiosos para a evolução dos negócios da Tomra: “Relativamente a 2013, este ano os negócios da empresa no mercado brasileiro de reciclagem devem crescer cerca de 40%”, calcula Carina.

Plástico Moderno, Shredder da Tecscan aumenta a produtividade dos moinhos
Shredder da Tecscan aumenta a produtividade dos moinhos

Também Araújo, da Steinert, trabalha com números impactantes: “Cresceremos 15% este ano e, para 2015, esperamos um crescimento situado na faixa entre 20% e 30%”, revela. No Brasil, a Steinert já fabrica alguns equipamentos, como separadores magnéticos e separadores de metais não-ferrosos; mas os equipamentos dotados de sensores – caso dos separadores ópticos –, são importados da Alemanha. “Pretendemos começar a fabricá-los aqui em 2015 ou 2016”, adianta o gerente da empresa.

Esses planos mais ousados para o mercado brasileiro parecem respaldados pela perspectiva de realização de negócios mais significativos, como aquele que a Steinert agora finaliza para o fornecimento de um conjunto de 36 equipamentos de separação óptica para três plantas de reciclagem. “Serão plantas para tratamento de resíduos sólidos urbanos com um conceito totalmente inovador, mesmo quando comparados aos padrões europeus”, garante Araújo.

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