Máquinas e Equipamentos

Reciclagem: Demanda de pós-consumo avança e pede equipamentos automatizados

Antonio Carlos Santomauro
27 de outubro de 2014
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    Plástico Moderno, Reciclagem: Demanda de pós-consumo avança e pede equipamentos automatizados
    Mais que simples demonstração de interesse pela sustentabilidade, a reciclagem dos plásticos presentes nos bens de consumo com vida útil encerrada – ou dos resultantes de sobras e descartes de processos produtivos – consolidou-se como necessidade imposta tanto por exigências legais quanto por motivações econômicas e financeiras. Já em 2012, informam as estatísticas da Plastivida, entidade composta pelos representantes dessa atividade, o índice nacional de reciclagem do plástico pós-consumo bateu na casa dos 21%.

    Isso significou o reaproveitamento, naquele ano – o último para o qual já há estatísticas disponíveis –, de aproximadamente 684 mil toneladas de plástico, e o consequente faturamento de R$ 2,5 bilhões. Agregando-se a esse valor a certeza de seu crescimento, também pela necessidade de atender os preceitos da recente Política Nacional de Resíduos Sólidos, torna-se clara a existência de um mercado suficientemente atrativo para justificar a ampliação da oferta, no mercado nacional, de equipamentos e tecnologias para reciclagem de plásticos.

    Uma das mais novas entre as principais concorrentes desse mercado é a Amut, multinacional de origem italiana que há cerca de dois anos estabeleceu uma joint venture com a brasileira Wortex. Nasceu dessa união a Amut-Wortex, que desde o final do ano passado produz, em uma planta localizada em Campinas-SP, diversos equipamentos destinados à reciclagem de plásticos, dos itens necessários à separação dos resíduos até às extrusoras, que começaram a ser produzidas no Brasil em maio último, e podem trabalhar também com matéria-prima reciclada.

    Plástico Moderno, Milani: equipamento facilita a separação dos materiais

    Milani: equipamento facilita a separação dos materiais

    Entre as principais apostas dessa fase inicial de atuação da Amut-Wortex destaca-se a sua versão do chamado ‘rompe-sacos’, um sistema concebido para separar os materiais provenientes tanto da coleta urbana de resíduos quanto de materiais já pré-selecionados: esse sistema faz a abertura mecânica dos sacos plásticos em que são conduzidos habitualmente os materiais pós-consumo. O conteúdo dos sacos é conduzido à etapa denominada trommel (ou tumbulador), na qual uma espécie de uma grande peneira separa itens como cacos de vidro, terra e lixo orgânico, entre outros.

    O material resultante desse processo pode então seguir adiante para uma etapa de separação mais precisa, realizada manualmente ou mediante o uso de equipamentos de leitura óptica passíveis de acoplamento ao sistema. Modular, o sistema rompe-sacos da Amut-Wortex está disponível em diversas versões, tamanhos e capacidades, e pode ser ampliado de acordo com a necessidade do usuário. “Já temos plantas desse sistema vendidas no Brasil”, comenta Angelo Milani, diretor-comercial da empresa.

    Referindo-se não apenas ao portfólio da sociedade entre ambas, mas também as ofertas individuais de Amut e de Wortex, Milani lembra haver, nesse conjunto, vasto arsenal de itens específicos para a reciclagem dos vários gêneros de plásticos (sistemas rompe-sacos podem trabalhar também com outros materiais de resíduos sólidos urbanos, como metais e papel). Por exemplo, banheiras de flotagem onde, após a moagem, o PET de garrafas é separado do polietileno das respectivas tampas e do polipropileno dos rótulos. Ou então, ainda para a reciclagem de PET, os sistemas incluem banhos de água quente próprios para eliminar a cola que prende os rótulos às garrafas. “Sem essa eliminação da cola, a resina reciclada fica amarelada”, explica Milani.

    Plástico Moderno, De Filipis: tecnologia consegue 10 reciclar ráfia e tecidos de PA

    De Filipis: tecnologia consegue 10 reciclar ráfia e tecidos de PA

    Por sua vez, a Wortex mantém ativa e atualizada com as demandas do mercado a sua produção independente de equipamentos e sistemas completos para reciclagem. “Recentemente, adicionamos à nossa linha Challenger sistemas para a reciclagem de materiais cujo processamento sempre foi muito difícil, seja pela complexidade da moagem, seja porque era difícil realizar a extrusão sem aglutinação prévia, por exemplo, com o PE e o PSAI expandidos, além de tecidos de poliamida 6 e 6.6, provenientes de retalhos de tecidos contendo maior ou menor quantidade de elastano”, informou Paolo De Filipis, diretor geral da Wortex.

    A moagem dos tecidos de poliamida exigiu desenvolver um moinho especial e promover várias modificações na linha Challenger. Embora a vista externa não indique as modificações, elas incluem uma rosca especial, um sistema próprio de degaseificação, um compactador (crammer) diferenciado. O material granulado obtido é utilizado principalmente na composição de materiais de engenharia, usados basicamente em peças de automóveis e componentes eletrônicos, segundo o diretor geral.



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    2 Comentários


    1. theodoro martinelli

      boa tarde, gostaria de saber mais sobre fornos para queima de telas de extrusoras



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