Reciclagem: Crise aproxima preços das resinas virgens e recicladas

Projetos e produtos – Embora os últimos anos não lhe tenham sido favoráveis, o mercado brasileiro de reciclagem de plástico, que por razões financeiras e ambientais certamente deverá se expandir, segue sendo alvo de projetos destinados a aproveitar seu potencial de negócios. Alguns, bem ousados.

A distribuidora carioca MMS, por exemplo, comercializa mensalmente perto de 1,5 mil de t de resinas virgens de PS, acrílico, ABS, SAN e SBS; simultaneamente, coloca no mercado 300 t de produtos reciclados de PP, PS, PE, ABS, PETG e acrílico (90 toneladas provenientes de uma operação própria de reciclagem, no Rio de Janeiro). “No ano passado, iniciamos um projeto para que nos próximos dez anos coloquemos no mercado a mesma quantidade de plásticos reciclados que hoje vendemos de resinas virgens”, destaca Rafael Sette, gerente comercial e de sustentabilidade da MMS.

A MMS também mantém, no município paulista de Guarulhos, uma planta de extrusão de laminados de PS, ABS e PETG, entre outras resinas. “Em alguns casos usamos reciclados nessa planta: por exemplo, em chapas com uma camada de PS reciclado entre duas camadas de PS virgem, utilizadas em aplicações como comunicação visual”, conta Sette.

Plástico Moderno, Sette quer vendas iguais de resinas virgens e recicladas em 10 anos
Sette quer vendas iguais de resinas virgens e recicladas em 10 anos

Outra empresa, a Wise, opera em Itatiba-SP uma unidade capaz de reciclar 25 mil t/ano de resinas de PEBD, PEAD e PP. Comercializa parte de sua produção, que também utiliza para fabricar peças tradicionalmente feitas de madeira, como dormentes e cruzetas. “Nossa matéria-prima é flake moído e lavado, fornecido basicamente por cooperativas e fornecedores cadastrados”, diz Amarildo Bazan, diretor comercial da Wisewood.

Produtos feitos com plásticos reciclados, observa Bazan, podem apresentar problemas como elevados índices de contaminantes, odor desagradável e grande incidência de pintas, decorrentes de lavagem ineficiente. “Estamos agora dando partida em um novo sistema de lavagem, europeu e de alta tecnologia, que elevará sobremaneira a qualidade de nosso produto”, afirma. “A reciclagem vem evoluindo no Brasil, mas ainda sofre com alta informalidade e falta de especificação técnica”, acrescenta.

Plástico Moderno, Daniela: mudanças estratégicas mantêm a operação competitiva
Daniela: mudanças estratégicas mantêm a operação competitiva

Diferentes resinas – Manter a competitividade no mercado brasileiro de plásticos reciclado pode exigir o desenvolvimento de novas estratégias, como faz agora a Alassia, empresa sediada em Sorocaba-SP que, após mais de duas décadas reciclando apenas PVC, desde o final do ano passado começou a trabalhar também com PE e PP. E não apenas por problemas de demanda: “estava difícil conseguir matéria-prima de PVC”, explica Daniela Silvestrini, gerente de marketing da Alassia (a crise vivida nos últimos anos pela construção civil – maior usuária dessa resina – reduziu a oferta de PVC para reciclagem).

Podendo processar mensalmente duzentas t/mês de resina, a Alassia ainda realiza a maior parte de seus negócios no mercado do PVC reciclado; mas também aí ajustou seu foco: “Estamos investindo muito em serviços para fabricantes de produtos de PVC que querem reprocessar sobras para reaproveitá-las”, destaca Alessandra.

Plástico Moderno, Barbosa Jr.: bottle to bottle é tendência para PET reciclado
Barbosa Jr.: bottle to bottle é tendência para PET reciclado

Já a Global PET produz PET reciclado apto a ser utilizado em embalagens de alimentos (aplicação conhecida como ‘bottle to bottle’). “Crescerá a demanda por esse gênero de PET, grandes multinacionais de alimentos e bebidas estão ampliando globalmente o uso de reciclados nas embalagens”, ressalta Irineu Barbosa Junior, diretor comercial da empresa.

Sediada em São Carlos-SP, a Global PET tem sua capacidade de 1,8 mil t/mês totalmente ocupada, mas isso decorre principalmente de uma redução de oferta, consequência do fechamento de outras plantas que também produziam PET reciclado em grau alimentício no Brasil (caso de uma unidade da multinacional M&G desativada em janeiro). “Em novembro, estávamos com 35% de ociosidade”, lembra Barbosa.

Para ele, variações desse gênero seriam amenizadas com uma política que favorecesse a resina reciclada nos momentos de queda de preço das virgens, algo importante especialmente no Brasil, que tem sua matriz de produção de preformas localizada em regiões como Manaus-AM e Pernambuco, onde normas tributárias e fiscais barateiam o custo da resina virgem. “Vemos que o custo das embalagens sempre prevalece sobre premissas ecológicas”, enfatiza Barbosa.

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