Reciclagem apoia plasticultura – Economia Circular

Plástico Moderno - Plásticos da produção de frutas levaram a criar a Top Reciclagem
Plásticos da produção de frutas levaram a criar a Top Reciclagem

Plásticos são utilizados em escala bastante ampla e ainda crescente como ferramentas de incremento da produtividade da atividade agropecuária. A plasticultura se materializa no uso de polímeros como PE, PP e PVC em filmes de estufas e de mulching (filmes destinados à cobertura do solo), sistemas de irrigação, sistemas para colheita, silos-bolsa (grandes silos flexíveis), entre várias outras aplicações.

Após seu uso, esse plástico deve ter destinação adequada; seja para atender às exigências da sustentabilidade, seja porque, permanecendo na terra, ao invés de incrementá-la, o plástico prejudicará a produtividade da produção rural.

O Brasil já tem diversas operações de reciclagem – ou ao menos de correta destinação – dos resíduos da plasticultura, alguns ainda incipientes, outros, bem-estruturados e com porte significativo.

Plástico Moderno - Central de recebimento de embalagens de defensivos do inPEV em Unaí
Central de recebimento de embalagens de defensivos do inPEV em Unaí

Encaixa-se nesse segundo grupo a Top Reciclagem, empresa sediada no município potiguar de Tibau, criada há cerca de seis anos pelo grupo Agrícola Famosa, um dos maiores exportadores de frutas do país, que em quinze fazendas localizadas em diversos estados do Nordeste cultiva cerca de 10 mil hectares de melão, melancia, mamão e maracujá. “Mensalmente, processamos cerca de 180 toneladas de materiais”, diz Paulo Dantas, gestor da Top Reciclagem.

A grande maioria desse material, ele especifica, provém de peças de não-tecido de polipropileno utilizadas em coberturas que protegem os cultivos contra pragas e de filmes de mulching feitos de PEBD. Essas duas aplicações geram, respectivamente, cerca de 33% e 28% de todo o material processado na recicladora.

Os filmes de mulching, especifica Dantas, permanecem no campo por aproximadamente 75 dias e, depois desse período, seguem para a reciclagem. “O não-tecido de PP fica no campo aproximadamente 25 dias, e é reutilizado três vezes”, comenta.

Mas a Top também recicla outros itens plásticos utilizados pela Agrícola Famosa, como os filmes stretch com os quais recebe mercadorias, os tubos de PE de seus sistemas de irrigação, as bombonas nas quais recebe embalados os fertilizantes químicos e orgânicos (por exigência legal, as embalagens de agroquímicos são inseridas no sistema de logística reversa gerido pelo inpEV). “Embora as margens sejam cada dia mais enxutas, há demanda por esse plástico reciclado; o mais valorizado é o PP do não-tecido, que é branco”, relata o gestor da empresa. “Também reciclamos, ou damos correta destinação, a resíduos de outros materiais, como metais e papelão”, complementa.

Reciclagem é competitividade – Operações agropecuárias de menor porte também já conferem correta destinação aos plásticos empregados em suas atividades. É o caso do Rancho Raízes, que semanalmente produz 12 mil vasos de dálias no município paulista de Holambra (principal polo do mercado nacional de flores). Essa produção é feita em uma área de estufas de 42 mil m2 totalmente recoberta por filmes de polietileno “Em média, o plástico das estufas é trocado a cada dez anos, e os filmes que deixam de ser utilizados são coletados por uma empresa de reciclagem”, informa a sócia-proprietária Maritha Domhof.

Os filmes plásticos das estufas, observa Maritha, são fundamentais para o cultivo de flores pelo Rancho Raízes. “Sem eles, a única opção seria o vidro, inviável no Brasil não apenas pelos aspectos financeiros, mas também pela dificuldade em conseguir esse material”, destaca.

Também há o uso de filmes plásticos para recobrir os vasos que são enviados aos consumidores finais. “Eles retêm a umidade, protegem as flores contra impactos leves e as mantêm apertadas para evitar a quebra dos galhos”, justifica Maritha.

A Termotécnica incluiu em seu programa de logística reversa e reciclagem de produtos pós-consumo de EPS (poliestireno expandido) os integrantes de sua linha DaColheita, de soluções concebidas para acondicionar frutas, legumes e verduras no trajeto entre o produtor e os canais de distribuição, conferindo-lhes proteção contra variações térmicas.

Denominadas ‘conservadoras’, essas embalagens são produzidas pela Termotécnica em unidades localizadas em Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco. Batizado Reciclar EPS, o programa de logística reversa e reciclagem da empresa é mantido em parceria com outros integrantes da cadeia produtiva: caso do varejo, que armazena as embalagens de EPS, posteriormente coletadas e destinadas à reciclagem, cujo produto serve como matéria-prima para novas aplicações.

“Temos hoje conservadoras DaColheita produzidas no Nordeste, coletadas pós-consumo em rede de varejo no Rio Grande do Sul, e recicladas em nossa unidade de Santa Catarina”, diz Albano Schmidt, presidente da companhia.

Plástico Moderno - Schmidt: EPS reciclado tem aplicações em diversos setores
Schmidt: EPS reciclado tem aplicações em diversos setores

Maior fabricante nacional de soluções em EPS, a Termotécnica informa já conseguir reciclar 1/3 de todo o EPS pós-consumo que circula no Brasil. “Com a marca Repor, nosso poliestireno reciclado vem conquistando mercado crescente, principalmente no segmento de construção civil, em elementos decorativos e de acabamento, como rodapés e molduras”, afirma Schmidt.

A correta destinação dos resíduos plásticos e de outros materiais tornou-se até fator de competitividade no mercado global da agropecuária. “A comprovação da sustentabilidade, mesmo na destinação de materiais e insumos, é fundamental para a presença no mercado internacional”, diz Dantas, da Top Reciclagem.

Segundo ele, a Agrícola Famosa exporta anualmente cerca de 150 mil toneladas de frutas para países como Inglaterra, França, Portugal, Holanda, China, Turquia, Emirados Árabes, entre outros. E atesta a sustentabilidade de seus processos com certificações globalmente reconhecidas, como a Rainforest e Global G.A.P. (essa última, específica para a sustentabilidade da produção agrícola).

A atuação da operação de reciclagem desse grupo pode brevemente até extrapolar suas fronteiras: “Por enquanto, reciclamos apenas materiais das unidades da própria Agrícola Famosa, mas futuramente queremos receber e reciclar também materiais de outras fazendas”, adianta Dantas.

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