Plástico

PVC e compostos – Construção civil acelera os negócios e alavanca os projetos para expandir a produção do polímero

Domingos Zaparolli
15 de março de 2008
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    PVC verde – O programa de expansão da capacidade da Solvay Indupa, na verdade, teve início em 2006, quando a empresa deu partida a um investimento de US$ 165 milhões aplicados em sua unidade de Santo André. Com o aporte, projeta ampliar, até o final deste ano, sua capacidade anual de produção de cloro das atuais 106 mil toneladas para 150 mil toneladas; a produção de soda cáustica, de 120 mil toneladas para 170 mil; e de MVC, de 270 mil toneladas para 310 mil toneladas. A produção de PVC-S (suspensão) irá de 220 mil toneladas para 275 mil toneladas e a capacidade de PVC-E (especial) será mantida em 25 mil toneladas/ano.

    A segunda fase do plano de expansão, aprovada no final de 2007, prevê aumentar a capacidade de produção de soda cáustica para 235 mil toneladas ano. Já a planta de MVC irá para 360 mil toneladas/ano, enquanto a unidade de PVC-S receberá uma nova autoclave que permitirá à produção chegar a 330 mil toneladas, formando um total, quando somada à de PVC-E, de 355 mil toneladas anuais. A previsão é de que a nova capacidade esteja disponível no segundo semestre de 2010.

    Os investimentos da Solvay Indupa em Santo André também darão vez a uma novidade. Para viabilizar a expansão da capacidade de MVC, a empresa decidiu construir uma planta de etileno via rota do etanol, em substituição à nafta, com capacidade para 60 mil toneladas ano. “Vamos oferecer aos clientes um PVC ‘verde’, produzido 100% com insumos renováveis. É um diferencial na medida em que a sociedade cada vez mais demanda por produtos sustentáveis”, afirmou Schirch, que revela ter sido procurado por três grandes clientes interessados no material com apelo ecológico.

    A produção de etileno via etanol não é uma inovação tecnológica. A própria Solvay já utilizou o sistema no Brasil entre 1962 e 1980, quando a produção foi descontinuada devido à melhor oferta e ao melhor custo/benefício da rota via petróleo. Schirch relata que a decisão de voltar com essa operação é decorrência do sucesso brasileiro na produção do álcool, o que reduziu o custo do insumo e gerou garantia de oferta. Mas também responde aos elevados preços internacionais do petróleo. “Hoje, o etileno de etanol é bastante competitivo e não vemos perspectivas desta situação mudar”, disse o executivo. O fornecimento de etanol para a nova planta de Santo André está garantido por meio de um contrato com a Copersucar, encarregada da entrega de 150 milhões de litros de álcool por ano, durante dez anos.

    Em Bahía Blanca, na Argentina, o investimento da Solvay Indupa será de US$ 60 milhões e prevê a expansão da capacidade de produção de MVC em 20 mil toneladas anuais, chegando a um total de 260 mil toneladas/ano; e a ampliação da produção de PVC-S, das atuais 220 mil toneladas para 260 mil toneladas/ano até 2012. A Solvay Indupa também estuda instalar naquele país uma usina geradora de energia elétrica de 165 mW com o objetivo de garantir o fornecimento para a unidade de cloro-soda. O investimento estimado é de US$ 135 milhões. Direcionar recursos para a geração de energia no Brasil também está sendo pensado, mas ainda não há um projeto definido.

    Nova planta em Alagoas – A reação da Braskem não tardou. A empresa brasileira, maior produtora de resinas PVC no país, com capacidade nominal de 490 mil toneladas e produção, em 2007, de 450 mil toneladas, obtidas por meio das fábricas em Camaçari, na Bahia, e Maceió, Alagoas, anunciou um investimento, estimado em US$ 250 milhões, em uma nova linha produtiva em Alagoas, com capacidade de 200 mil toneladas anuais de PVC–S, a partir de 2010.

    Além disso, como informou o diretor de marketing estratégico, Marcelo Nunes, também iniciou um investimento de R$ 100 milhões na modernização das linhas atuais. Entre as principais medidas, consta a troca de reatores, o que permitirá aumentar sua capacidade nominal em 50 mil toneladas.

    Plástico Moderno, Luciano Nunes, gerente de desenvolvimento de mercado, PVC e compostos - Construção civil acelera os negócios e alavanca os projetos para expandir a produção do polímero

    Nunes aposta alto nos perfilados em sistemas para a construção de casas

    Além da expansão, a Braskem também tem dedicado esforços ao desenvolvimento tecnológico da resina e das aplicações do PVC, conforme relata o gerente de desenvolvimento de mercado, Luciano Nunes. Com este objetivo, inclusive, o executivo embarca no final de abril para a Inglaterra, onde participará da Conferência Internacional PVC 2008, em Brington Dome, com a expectativa de trocar experiências nas áreas de nanotecnologia, PVC reforçado com fibra de vidro e tubo de PVC orientado. Temas, disse Nunes, constantes das prioridades de desenvolvimento nos laboratórios da Braskem e no Projeto Núcleo de Estudos Orientados em PVC (NEOPVC), mantidos pela empresa em associação com uma rede de pesquisadores universitários brasileiros. “Estamos trabalhando para desenvolver um PVC com melhor desempenho mediante ao fogo, aos impacto e com maior rigidez”, contou o executivo. Na área de tubo de PVC-O (orientado), o objetivo é permitir que o produto, mantendo a mesma espessura atual, suporte uma pressão acima dos atuais 10 bar, alcançando 16 bar, para poder competir com os tubos de ferro fundido.

    Novos mercados – Mas são nos novos usos do PVC, na construção civil, que Luciano Nunes acredita que esteja o maior potencial de crescimento das vendas da resina no Brasil. “Em dez anos, a construção civil aumentará a sua fatia no mercado de PVC dos atuais 65% para 75% do consumo como decorrência de novas aplicações.”



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