Plástico

PVC – Demanda da resina cresce atrelada ao bom momento da construção civil no país

Jose Paulo Sant Anna
11 de fevereiro de 2012
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    O diretor da empresa ressalta o período conturbado atravessado pela economia mundial, o que pode trazer reflexos para o Brasil em 2012. Mas não perde o otimismo. Sua expectativa é de crescimento de 4% a 5%. O Brasil vive momento estável na economia, o que fortalece a expectativa positiva.

    Os representantes das duas fabricantes da resina contestam as críticas dos transformadores sobre os preços praticados pelos fornecedores da matéria-prima. “O mercado de resina é globalizado e a indústria brasileira de PVC tem continuamente inovado no sentido de garantir a competitividade numa visão integrada de cadeia produtiva, oferecendo ao mercado produtos de excelente qualidade e preços adequados”, garante Cerqueira.

    Opinião semelhante tem Tieghi. “O PVC é uma commodity e os preços praticados aqui seguem a tendência mundial. O mercado brasileiro é aberto”, defende. Ele aponta o conjunto de dificuldades conhecido como “custo Brasil”, com ênfase na carga tributária excessiva e no preço elevado da energia elétrica, para justificar as dificuldades das fabricantes brasileiras da resina em investir o necessário para acompanhar a demanda. Há também problemas específicos, como o alto preço por aqui da nafta e de seus derivados.

    Promotoria– A indústria de transformação de plásticos não alivia quando fala sobre as condições do mercado de fornecimento do PVC. José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast e falando também em nome da Associação Brasileira da Indústria de Laminados Plásticos e Espumas Flexíveis (Abrapla), é dos que não poupam críticas. Para ele, os preços da resina praticados no mercado brasileiro estão entre 20% e 30% acima dos internacionais.

    Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, PVC - Demanda da resina cresce atrelada ao bom momento da construção civil no país

    Coelho reclama dos preços da resina, até 30% acima do mercado externo

    A discrepância se deve à proteção tarifária adotada pelo governo contra os fabricantes dos Estados Unidos, México, China e Coreia. “Apesar desta longa proteção, o setor ainda não ajustou sua oferta e competitividade”, dispara. Para o dirigente, a prolongada proteção somente favoreceu a manutenção da baixa competitividade da indústria brasileira de PVC. “Isso gera consequências negativas para os fabricantes de peças, responsáveis por agregar valor à matéria-prima e gerar empregos.”

    Na atual situação, a importação não é vista como uma opção vantajosa, considerando-se as questões logísticas, custos de movimentação e outras, acrescidas de alíquotas de direito antidumping de 16% contra os USA, 18% contra o México e os impostos cobrados da matéria-prima vinda da China e Coreia. “Toda esta proteção permite ao produtor nacional precificar seus produtos para obter o máximo resultado financeiro”, critica.

    De acordo com o presidente da Abiplast, o cenário de incerteza para a indústria de transformação se evidencia com a defasagem entre o crescimento da demanda interna e os investimentos produtivos anunciados pelos produtores nacionais de PVC. “Apesar da Braskem estar investindo na expansão de sua capacidade de produção, o volume previsto é insuficiente para atender às projeções de crescimento do mercado”, avalia.

    A situação da Solvay Indupa gera preocupação ainda maior. “Depois de ter anunciado aumento de sua capacidade em mais 100 mil toneladas via rota do álcool, a empresa não apresentou evidências objetivas de que de fato este projeto esteja sendo conduzido e não há informações oficiais sobre a data de sua conclusão. Há dúvidas quanto à sua viabilidade econômica”, afirma.

    O cenário se agrava se considerarmos as projeções de aumento de demanda para o período 2012/2015, feitas pela consultoria internacional Chemical Market Associates Inc. (CMAI). Pelos números, o desabastecimento atual, de 280 mil toneladas/ano, vai perdurar pelos próximos cinco anos. “Essa quantidade terá de ser importada com sobrecustos e tarifas de proteção”, reclama. Uma consequência nefasta de tal dificuldade vem da Ásia: “Nos últimos anos, a China tem sido o principal exportador de transformados de PVC para o Brasil”, destaca Coelho.

    A Mexichem Brasil, subsidiária da multinacional mexicana do ramo químico e petroquímico Mexichem, é grande consumidora de PVC. Detentora da marca Amanco, cujo carro-chefe é a produção de tubos e conexões para a construção civil, a empresa consome, em suas fábricas brasileiras, mais de 150 mil toneladas da matéria-prima.



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