Compósitos

Proteção – Resinas permitem criar barreiras contra a Covid-19

Antonio Carlos Santomauro
11 de setembro de 2020
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    Outra resina cuja demanda aumentou é o policarbonato; utilizado, relata Edson Simielli, gerente da Unidade de Resinas de Engenharia da distribuidora Piramidal, especialmente para a produção das máscaras faciais dotadas de respiradores e filtros de ar, muito utilizadas pelos profissionais de saúde. Essas máscaras são produzidas por injeção; mas PC também é fornecido na forma de chapas que servem para a fabricação das divisórias que vêm sendo utilizadas em estabelecimentos comerciais para separar atendentes e público.

    São inúmeras, ressalta Simielli, as vantagens do policarbonato nessas aplicações. Entre elas, estão suas características de elevadíssima transparência e resistência mecânica – principalmente resistência ao impacto –, que o tornam matéria-prima já amplamente empregada em produtos como viseiras, lentes de motociclistas e óculos de segurança, entre outros itens injetados.

    Além disso, também é interessante o fato de ser essa resina facilmente utilizável tanto nos processos de injeção, quanto em chapas extrudadas. “Diferentemente do PET-G, que também é bem transparente, mas é trabalhada apenas na forma de chapas”, acrescenta Simielli.

    Considerando esses vários atributos, ele considera o PC hoje bastante competitivo nesses gêneros de aplicações; mesmo no quesito custo, tradicionalmente um dos principais entraves a seu emprego em escala mais ampla. “É uma das resinas cujo uso mais cresceu em todo o mundo e, por isso, surgiram muitas grandes plantas de produção de PC; com isso, seu preço caiu bastante”, afirma o profissional da Piramidal, que para esses produtos distribui a linha de policarbonatos Lexan, da Sabic.

    Plástico Moderno - Vian: chapas de acrílico são mais atraentes e aceitam furos

    Vian: chapas de acrílico são mais atraentes e aceitam furos

    Potencial do mercado – Ainda crescente, a demanda por resinas para face shields e divisórias de estabelecimentos comerciais em algum momento deverá se estabilizar, prevê Alessandra, da Eastman. Mas, para ela, ao menos esse segundo gênero de aplicações seguirá sendo utilizado por um bom tempo, até porque transmite sensação de maior segurança para quem frequenta os estabelecimentos.

    Essas duas aplicações, diz Alessandra, têm gerado negócios importantes, tanto para a Eastman, quanto para seus clientes. “Algumas empresas de outros setores – por exemplo, fabricantes de eletrodomésticos, ou de artigos esportivos – destinaram a elas parte de sua capacidade”, observa.

    Para Souza, da Unigel, “essa nova demanda sanitária, muito aquecida neste momento para equipar o varejo, deverá continuar no futuro, para a reposição das peças. E crescerá a demanda para essa aplicação”.

    Também Vian, do Indac, crê em uso mais duradouro das barreiras de estabelecimentos comerciais. “Alguns de nossos associados estão realizando negócios com essas aplicações. Aliás, alguns estão fazendo praticamente apenas isso, pois a comunicação visual, que responde por aproximadamente dois terços dos negócios do setor, praticamente parou”, ressalta.

    Plástico Moderno - Marçon: chapas de PET grau garrafa atendem esse nicho ©QD Foto: Divulgação

    Marçon: chapas de PET grau garrafa atendem esse nicho

    Resina empregada em volumes grandiosos em diversas indústrias, o polipropileno, diz Grave, da Braskem, tem nessas aplicações “um novo nicho”. Não há, ele ressalta, necessidade de nenhuma certificação específica para as resinas destinadas para a sua confecção; porém, até mesmo como um cuidado adicional com a matéria-prima de produtos que eventualmente podem ter contato com regiões sensíveis do organismo das pessoas – como boca e nariz –, existe uma recomendação: “Utilizam-se resinas aprovadas pela Anvisa para contato com alimentos e/ou para fabricação de brinquedos”, ressalta Grave.

    Marçon, da Abipet, aponta a existência de normas específicas, anteriores à pandemia, apenas para uma aplicação similar, porém mais específica: “As únicas resinas aprovadas pela Anvisa para as máscaras cirúrgicas são o PET-G e o acetato de celulose, que têm índices menores de distorção óptica”. No caso de face shields e divisórias de lojas, ele complementa, há apenas uma recomendação da própria Anvisa para que os filmes ou chapas tenham no mínimo 0,5 mm de espessura.

    A indústria do PET, lembra Marçon, trabalha com volumes de produção muito grandes; dessa maneira, fica difícil pressupor que essas aplicações que ganharam uso mais massivo possam constituir mercado adicional muito relevante. “Mas é um nicho, no qual estão atuando algumas empresas de laminação de bobinas e chapas que têm tradição no uso da resina PET padrão”, finaliza.



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