Compósitos

Proteção – Resinas permitem criar barreiras contra a Covid-19

Antonio Carlos Santomauro
11 de setembro de 2020
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    Espaço para o acrílico – Chapas de acrílico também foram incluídas entre os materiais empregados nessas aplicações, principalmente na confecção das barreiras de lojas, pois essa é uma resina menos indicada para as chapas mais finas e flexíveis das máscaras faciais.

    Plástico Moderno - Souza: demanda fez reativar a extrusão de acrílico na BA ©QD Foto: Divulgação

    Souza: demanda fez reativar a extrusão de acrílico na BA

    Assim como a própria pandemia, o aumento da demanda pelas chapas de acrílico atingiu escala global, e até levou a Unigel a reativar, em abril último, uma fábrica em Candeias-BA, onde as produz por extrusão. Com capacidade para fornecer mensalmente mil toneladas de chapas, essa planta não operava desde 2015; agora, grande parte de sua produção está comprometida com a exportação.

    Diversos fatores, explica Wendel Souza, diretor-geral de operações de comerciais da Unigel, justificavam a interrupção das operações dessa fábrica de chapas: entre elas, aparecem a baixa demanda no mercado interno e a dificuldade de concorrer com as chapas importadas da China. A necessidade de atender à demanda para aplicações de combate ao coronavírus alterou essa situação. “Estamos com vendas realizadas até o fim de outubro e correndo para atender à demanda que, até dezembro, estará extremamente alta”, ressalta o profissional da Unigel, empresa que também fornece, para outros transformadores, a resina PMMA e o monômero MMA.

    Mas, ao menos em um primeiro momento, no Brasil não foi o acrílico o material mais utilizado nas barreiras dos estabelecimentos comerciais: essa primazia coube ao PET-G, reconhece João Orlando Vian, consultor executivo do Indac (Instituto Nacional para Desenvolvimento do Acrílico). Isso aconteceu, ele explica, porque embora uma chapa acrílica tenha preço similar ao de uma de PET-G de mesma área e espessura, essa segunda resina possibilita produzir chapas mais finas e, portanto mais baratas, embora visualmente menos atrativas; por sua vez, o acrílico é menos resistente em espessuras muito finas.

    Resultado: “Foram fabricadas muitas chapas de PET-G de apenas dois milímetros de espessura, muito flexíveis. O acrílico, embora haja quem também o use em espessuras finas, exige um pouco mais que isso: geralmente, a partir de 3 mm, para uma divisória de mesas de restaurantes, ou 5 ou 6 mm para uma barreira de caixa de supermercado, que deve ser maior”, destaca Vian.

    Mas ele acredita que, finda a urgência que exigiu sua colocação imediata, essas aplicações aproveitarão muito mais o acrílico. “Barreiras de acrílico são esteticamente muito mais atraentes, permitem a feitura de furos, de uma dobra diferenciada, de uma gravação, de uma abertura para o pagamento através de cartão”, enfatiza o diretor do Indac.

    Atentas a essas características, ele afirma, várias empresas já acionaram associados do Indac em busca de barreiras de acrílico, destinadas não apenas a supermercados e lojas, mas também a clínicas, a restaurantes que irão utilizá-las para separar mesas e clientes, a locadoras de automóveis que se servem delas para apartar motoristas e passageiros em veículos que trabalham com aplicativos. “Em máscaras faciais para atividades profissionais, especialmente as coloridas, já se usava bastante acrílico”, ressalta Vian.

    PET e policarbonato – Assim como o acrílico, também o PET já era tradicionalmente empregado em aplicações destinadas a tarefas e atividades profissionais (sem relação direta com o combate ao coronavírus): por exemplo, para proteção contra fagulhas, para o trabalho em apiários, em óculos de segurança, entre outras.

    Plástico Moderno - Barreiras físicas no comércio devem permanecer após pandemia ©QD Foto: Divulgação

    Barreiras físicas no comércio devem permanecer após pandemia

    A pandemia expandiu esse uso para as face shields e para as barreiras de estabelecimentos comerciais. “Em vários restaurantes, principalmente na Europa, divisórias para isolamento de compartimentos e mesas – ou até colocadas sobre as mesas – estão sendo feitas de PET e de outros materiais transparentes”, diz Auri Marçon, diretor executivo da Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET). “As máscaras fabricadas com material têxtil (TNT), também podem conter poliéster em sua composição; desde que sua fabricação respeite as exigências da Anvisa para esse fim, esse poliéster pode ser produzido com PET reciclado”, acrescenta.

    De acordo com o representante da Abipet, vem se expandindo o uso, em face shields e barreiras de lojas, de filmes e chapas laminadas de PET padrão garrafa, fabricadas em diversas espessuras, desde filmes muito finos – em escala micrométrica –, até chapas de 2, 3 e até 5 mm. Alguns motivos do maior uso dessa resina: “Há a questão da disponibilidade – o PET-G sumiu do mercado – e também o custo: o PET tem preço muito inferior ao do PET-G”, compara.



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