Produção limpa e reciclagem influenciam Design das Embalagens

Economia circular - Design contribui para melhorar sustentabilidade

Mais PET

Usuária de grandes volumes de plásticos, a indústria de embalagens para alimentos inclui, em sua estratégia de desenvolvimento do ecodesing, a expansão da presença do PET, única resina que no Brasil pode ser utilizada pelo setor após reciclagem.

Por enquanto, esse uso de PET reciclado nas embalagens de alimentos ainda está restrito às bebidas (inclusive lácteas).

Mas na Europa ele abrange também embalagens termoformadas de produtos como massas, carnes, frios e queijos frescos, informa Luciano Papeschi, diretor comercial da fabricante de filmes de PET de capital português Evertis.

Luciano Papeschi, diretor comercial da fabricante de filmes de PET de capital português Evertis Luciano Papeschi: PET reciclado vai embalar alimentos no Brasil ©QD Foto: Divulgação
Luciano Papeschi: PET reciclado vai embalar alimentos no Brasil

Até por já haver no mercado brasileiro o PET reciclado qualificado com ‘grau alimentício’, presente nas garrafas das bebidas, também esses outros usos chegarão ao Brasil, prevê Papeschi, pois eles só dependem de questões burocráticas de certificação de processos. “Já estamos desenvolvendo projetos nessa área aqui no Brasil”, informa.

“Na Europa, lançamos um filme 100% de PET, denominado Ecoseal, que tem propriedades de selagem melhoradas, permitindo eliminar o uso de outras resinas como adjuvantes, e tornam o material totalmente reciclável, além de facilitar o desenvolvimento de embalagens monomateriais”, ressalta o profissional da Evertis.

DPA Nestlé

A DPA Nestlé, que antes utilizava PE nas embalagens de seus iogurtes líquidos, substituiu essa resina por PET, afirma Alexandre de Lucca, diretor comercial da Logoplaste

(empresa sediada em Portugal que no Brasil mantém sete unidades fabris, onde produz embalagens e tampas de PET, PE e PP para diversos clientes, entre eles, a própria DPA Nestlé).

Alexandre de Lucca: PET reduz peso e ganha espaço em leite e derivados ©QD Foto: Divulgação
Alexandre de Lucca: PET reduz peso e ganha espaço em leite e derivados

Além de permitir o uso de reciclados, essa substituição de matéria-prima também reduziu o peso das embalagens:

“Ele caiu de 31 para 24 gramas nas embalagens para 900 gramas, e de 10 para 6 gramas nas embalagens para 170 gramas”, detalha Lucca.

“Existe uma forte migração para o PET.”

Outro cliente da Logoplaste, a Shefa, recentemente passou a utilizar PET reciclado nas embalagens de seus leites, especificamente, na camada interna, que deve ser escura para proteger o produto da ação da luz.

No total, a resina reciclada representa 23% da matéria-prima dessas embalagens.

“Outras marcas de leite com as quais trabalhamos, como Jussara e Parmalat, também estão usando PET reciclado nas embalagens”, destaca Lucca.

Plástico Moderno - Conceitos de produção limpa e reciclagem influenciam design ©QD Foto: Divulgação
Corte expõe camada interna de PET reciclado em preforma

 

Design das Embalagens – Possibilidades diversas

Fabricante de embalagens flexíveis e outros produtos feitos de PP, PS e EPS, o grupo Copobras prioriza o desenvolvimento de embalagens desenhadas para economia circular, diz Morgana Bon, coordenadora de Engenharia de Produto do grupo.

Esse foco, ela ressalta, já rendeu o desenvolvimento, em parceria com clientes, de diversos desenhos de estruturas monomateriais, seja para substituir estruturas já existentes, seja para lançamento de novos produtos.

Morgana Bon Copobras - estruturas monomateriais ©QD Foto: Divulgação
Morgana Bon: design favorece estruturas monomateriais

“Além de embalagens destinadas ao mercado de pet food alta barreira monomaterial, também desenvolvemos stand up pouch 100% em PE, que pode ser utilizado para envase de alimentos e de produtos para home e personal care”, enfatiza Morgana.

Sediada em São Ludgero-SC, a Copobras, relata Morgana, mantém um grupo denominado Green Wings, composto por representantes de diversas áreas, cujo objetivo é desenvolver e implementar uma visão global de economia circular e sustentabilidade.

Deve-se, porém, considerar, ressalta Luciana Pellegrini, diretora-executiva da Abre, a existência de particularidades capazes de influir nas trajetórias das diferentes empresas e dos vários segmentos da indústria, em direção ao design circular: casos da disponibilidade de tecnologias, dos modos de consumo dos produtos, das questões regulatórias, entre outros.

Luciana inclui a indústria de bebidas entre os setores nos quais essa trajetória já avançou mais.

Luciana Pellegrini, diretora-executiva da Abre ©QD Foto: Divulgação
Luciana Pellegrini, diretora-executiva da Abre

“Esse é um setor cujos consumidores podem se programar mais, tanto para a compra quanto para a devolução das embalagens”,

ela justifica.

“Também é intensa a busca pelo design mais circular na indústria de produtos de cuidados pessoais, que hoje desenvolve caminhos, como o uso de materiais reciclados e o desenvolvimento de refis, que consomem menos matérias-primas que as embalagens principais”, complementa.

Além das embalagens retornáveis, dos refis e do uso de resinas recicladas, há movimentos que, embora possam não aparentar uma relação direta com o design circular, também conduzem a ele, como explicou Luciana.

Um deles é o desenvolvimento de produtos mais concentrados, que exigem menos embalagens, e ganham espaço na indústria de produtos de limpeza doméstica; outro, as novas formas de apresentação de produtos: sabão em barra, por exemplo.

“O importante é combinar as diferentes possibilidades, até porque cada indústria lida com questões específicas, às quais deve se adequar”, recomenda Luciana.

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