Produção limpa e reciclagem influenciam Design das Embalagens

Economia circular - Design contribui para melhorar sustentabilidade

Conceitos ambientais influenciam design das embalagens

Há tempos o design de um produto não cuida apenas das questões formais e estéticas, capazes de destacá-lo no ponto de venda, ou simplificar seu manuseio.

Atualmente, ele também considera – ou deveria considerar – a matéria-prima utilizada, a maneira como ele será consumido, a tecnologia de fabricação, e o descarte após encerrada a sua vida útil.

Essa proposta mais abrangente fez do design um dos pilares de qualquer estratégia que pretenda conduzir à economia circular (e até lhe rendeu denominações específicas, como ‘design circular’ e ecodesign).

E exige que ele se fundamente nos conhecidos 3R’s que resumem as práticas básicas de um mundo mais sustentável: reduzir, reutilizar e reciclar.

Na indústria do plástico, isso pode significar, entre outras coisas, uso de quantidades menores de resinas – incluindo percentuais elevados de resinas recicladas – e de produtos feitos com menor diversidade de materiais, se possível, com um único material. Melhor ainda se esse material contar com uma cadeia de reciclagem bem consolidada.

Na verdade, antes de tudo um designer deve avaliar se há realmente a necessidade do produto – ou de parte dele, sua embalagem, ou rótulo –, recomenda Levi Girardi, CEO e cofundador da Questonnò Manyone (empresa de design com sedes em São Paulo e Nova York).

Feito isso, deve considerar:

Plástico Moderno - Levi Girardi, CEO e cofundador da Questonnò Manyone Conceitos de produção limpa e reciclagem influenciam design de embalagens ©QD Foto: Divulgação
Levi Girardi, CEO  Questonnò Manyone

Esse produto pode se valer de práticas como as embalagens retornáveis, ou deve ser de uso único? E o que fazer com ele depois do consumo?

“Nenhum produto deve virar lixo. Se isso acontecer, ou aquele produto não deve existir, ou há um erro de design”,

ressalta Girardi.

Embalagens – Design Circular – Linha Sou, da Natura

Entre as manifestações de design circular ele cita a linha Sou, da Natura, cujas embalagens, desenvolvidas por seu escritório, são flexíveis e utilizam menos matéria-prima que as embalagens rígidas predominantes no mercado da beleza e higiene pessoal.

Plástico Moderno - Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens Conceitos de produção limpa e reciclagem influenciam design de embalagens ©QD Foto: Divulgação
Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens

Também é necessário conceber produtos “verdadeiramente” recicláveis, recomenda Assunta Napolitano Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, instituição focada no ensino e na pesquisa sobre embalagens.

“Hoje há muita mistura de materiais diferentes e produtos com uma quantidade de camadas que torna praticamente impossível a reciclagem”, critica.

Para Assunta, a busca pela redução das quantidades de materiais e de sua mistura pode se valer de medidas como a eliminação de rótulos, como fez a Danone com sua água mineral Bonafont, hoje vendida em garrafas sem rótulos, trazendo informações impressas em relevo no seu corpo.

Ou então, de rótulos que se encaixem na embalagem sem a necessidade de adesivos, por exemplo, rótulos do tipo manga, cuja fixação decorre de caracteres construtivos e não de produtos químicos, ou com zíperes que facilitam a retirada.

Ou, ainda, de rótulos feitos do mesmo material da embalagem.

Integração de elos – Embalagens plásticas, sempre com Design mais compatível com a Economia Circular

Marcas relevantes de mercados de consumo massivo anunciam a disponibilização de produtos feitos de plásticos ou com embalagens plásticas, sempre com design mais compatível com a economia circular.

Essa atitude exige envolver os diversos componentes de uma cadeia industrial, pois significa não apenas um produto com formato ou visual mais atrativo, mas também feito com materiais mais amigáveis ao meio ambiente, e com melhor reaproveitamento: casos, na cadeia do plástico, das resinas fornecidas pelas petroquímicas.

A petroquímica Braskem mantém desde 2013 o Desafio de Design Braskem que resultou no redesign das embalagens de produtos como o creme dental da Colgate-Palmolive, o papel higiênico Neve, um batom do Boticário e pizza delivery da BRF.

Também desenvolveu uma metodologia baseada no conceito Design for Environment que avalia itens como ciclo de vida, jornada do produto, rotas de circularidade e manufatura, entre outros, no desenvolvimento de embalagens.

Plástico Moderno - Américo Bartilotti, diretor dos negócios de embalagens e bens de consumo da Braskem Conceitos de produção limpa e reciclagem influenciam design ©QD Foto: Divulgação
Américo Bartilotti –  Braskem: design pode evitar 80% do impacto ambiental

“80% do impacto ambiental das embalagens pode ser previsto e evitado nessa etapa de projeto”, ressalta Américo Bartilotti, diretor dos negócios de embalagens e bens de consumo da Braskem.

A Braskem investe ainda na expansão das opções monomateriais (mesmo que em multicamadas). Nessa vertente, desenvolveu em parceria com a unidade de flexíveis da fabricante de embalagens Antilhas uma solução stand up pouch 100% feita de PE, para uso tanto em alimentos quanto em produtos de higiene pessoal e doméstica.

Além de ser totalmente reciclável, essa embalagem, destaca Bartilotti, gera outros benefícios, como a eliminação do processo de laminação e a redução dos gases causadores de efeito estufa e do consumo de energia elétrica na impressão.

“Ainda neste primeiro semestre, uma grande marca começará a utilizar essa embalagem”, adianta.

 

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