Produção de PVC: PVC mantêm ritmo de vendas e de novos usos

Mercado de construção civil segue instável, mas PVC mantêm ritmo de vendas e de novos usos

A escassez de crédito combinada com juros altos e inflação elevada estão entre os maiores inibidores do ritmo da construção e, por consequência, da demanda por plásticos no segmento. O chamado “consumo fora da curva” impulsionado pela pandemia, entre 2019 e 2020, esgotou-se em 2021, e o consumo de resinas pelos transformadores voltou à “normalidade” em 2022, mas os fabricantes tiveram seus estoques reduzidos.

Atualmente, o setor convive com estabilidade, seguida por picos de movimentação no consumo em materiais consolidados, como o PVC. Destaca-se também a procura por alguns insumos ainda pouco explorados, como o acrílico, que vem conquistando espaços em projetos específicos e ganhando maior visibilidade na construção civil.

A avaliação sobre o desempenho imobiliário desses materiais resultou de dados levantados por meio de sondagens de mercado realizadas por duas entidades distintas, que agregam representantes da indústria de transformação de plásticos. Trata-se do Instituto Brasileiro do PVC (IBPVC) e Instituto Latino-Americano do Acrílico (Ilac).

A produção de PVC virgem subiu 5,5% em 2022, comparada com 2021, mas a sua capacidade de produção instalada não cresce há cinco anos, mantendo-se na faixa de um milhão de toneladas/ano, o segundo IBPVC. O consumo aparente de 2022, que inclui importações, ficou em 1.024 mil t ante as 1.221 t consumidas em 2021, informa o presidente Alexandre de Castro.

Em relação à utilização de chapas de acrílico, o movimento do mercado é considerado positivo, porém, “bastante lento”, como classificou o consultor executivo João Orlando Vian, do Instituto Latino-Americano do Acrílico (Ilac). Os dados disponíveis indicam que, em 2022, foram comercializadas 12 mil toneladas do produto, sendo 5% destinadas à construção civil. Esse percentual é puxado principalmente pelo chamado mercado de comunicação visual, responsável por 60% da demanda, com aplicações variadas.

Para Vian, engenheiros civis e arquitetos deveriam estudar mais a fundo as propriedades técnicas e potencialidades do acrílico, inclusive motivados pelo Ilac. Ao justificar a necessidade desse aprendizado, o executivo deu a entender que, considerando-se o escopo de determinados projetos construtivos, o uso do acrílico acaba decidindo a viabilidade do empreendimento.

Hoje, o vidro é “o queridinho da construção civil”, definiu o consultor, lembrando que o material vem sendo usado em grande escala em guarda-corpos de sacadas, escadas ou divisórias. Mas vale ressaltar, segundo ele, que o acrílico é de longe a melhor opção no que se refere a obras em que a leveza pode ajudar não apenas reduzir custos, mas também tornar o projeto viável como um todo. Ele acrescentou que a densidade (ou o peso) do material corresponde à metade da do vidro.

Vian cita como exemplo a obra do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, considerada pelo Ilac como a maior cobertura retrátil da América Latina. Sua base composta de perfis de aço e chapas de acrílico acabou viabilizando o projeto, pois o uso do acrílico evitou que o peso comprometesse a abertura e fechamento da estrutura, criada para integrar o ambiente interno com o externo.

Por sua vez, o PVC vem ganhando cada vez mais espaços nos ambientes construtivos, atendendo às exigências técnicas e estéticas de diversos projetos, tanto relativos a novos empreendimentos, como de reformas, segundo Castro. Essa evolução foi constatada por análise de desempenho do produto no mercado brasileiro de construção, em 2022, incluindo o acompanhamento da cadeia produtiva como um todo, cujos indicadores foram divulgados recentemente pelo IBPVC.

Considerando-se as fontes de consumo aparente de PVC em 2022, 62% do total foram destinados à construção civil, seguida pela infraestrutura, com 9%; e o agronegócio, com 6%. O restante do material foi distribuído entre os setores de transportes, automobilístico, alimentos, higiene, limpeza, remédios etc. Em termos geográficos, 48% do consumo aparente se concentrou na região Sudeste. A região Sul ficou com 28%, Nordeste, 13%, Norte, 6% e Centro-Oeste, 5%.

Ainda de acordo com a pesquisa do IBPVC, a produção de PVC reciclado, em 2022, alcançou 23 mil t ante as 24 mil t produzidas em 2021, representando, portanto, um acréscimo de 3%. Por sua vez, a balança comercial do PVC, em 2022, foi deficitária: as importações registraram 330 mil t e as exportações, 28 mil t. No ano anterior, as importações foram de 571 mil t e as exportações, 34 mil t.

Castro explica que a divulgação desses dados integra a nova estratégia de comunicação do instituto, colocada em prática a partir deste ano, visando tornar públicos os principais indicadores de desempenho do PVC no mercado brasileiro e o acompanhamento da cadeia produtiva. “Este trabalho, realizado em parceria com a MaxiQuim, consultoria especializada no segmento industrial químico e de plásticos, passa a estabelecer um monitoramento periódico do setor”, afirmou o presidente.

O objetivo do relatório, segundo ele, é ampliar o conhecimento sobre a cadeia de valor do material, no âmbito do Instituto Brasileiro do PVC. Disse também que esse primeiro documento com a análise do setor representa um marco na atuação da entidade e, segundo ele, reforça cada vez mais a intenção de o instituto ser percebido como referência, quando o assunto for PVC.

Construção: Mercado segue instável, mas PVC mantêm ritmo de vendas e de novos usos ©QD Foto: iStockPhoto
Chapas acrílicas aliviam o peso em estruturas móveis

 

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Produção de PVC: Vantagens competitivas

Tradição, versatilidade, sustentabilidade, resistência e durabilidade. Estas são algumas das principais características que vêm contribuindo para manter a atratividade do PVC e a ascensão do acrílico no mercado de construção civil. O primeiro é usado principalmente na fabricação de tubos e conexões para várias aplicações em projetos residenciais, comerciais, industriais e de infraestrutura. O segundo é mais voltado a obras em que a leveza se constitui em fator determinante na viabilidade de inovações arquitetônicas, com foco em decoração e ambientação de áreas externas, como piscinas, varandas e jardins de casas.

Mesmo operando em um cenário ainda pouco transparente em termos de perspectivas futuras, tanto o IBPVC como o Ilac apostam no reaquecimento do setor. O momento é de superação de desafios, como ressaltou Alexandre Castro, presidente do IBPVC, ao reiterar a necessidade da busca de novas fontes de financiamento para a construção civil e de recuperação do poder de consumo das famílias. Castro destaca, porém, que o potencial e o perfil técnico dos plásticos os tornam mais competitivos em comparação com outros insumos que também disputam espaço no mercado de construção civil.

Construção: Mercado segue instável, mas PVC mantêm ritmo de vendas e de novos usos ©QD Foto: iStockPhoto
Castro: IBPVC muda estratégia e divulga os dados do setor

“Por suas características, o PVC é amplamente utilizado na arquitetura e construção civil, com cerca de 70% da demanda mundial destinada a estes segmentos. Nas tubulações, sua principal aplicação, o PVC não se sujeita à corrosão e proporciona alta durabilidade, evitando a perda de água, recurso escasso em todo mundo. Os tubos são utilizados para condução de água potável e esgoto, seja em instalações prediais ou infraestrutura, drenagem, irrigação, entre outros, e também, em larga escala, na substituição de tubulação antigas”, justifica Castro.

O presidente do IBPVC ressaltou ainda que o material é extremamente versátil, podendo ser flexível ou rígido, e é disponibilizado em cores variadas, o que proporciona oportunidade de ser usado na fabricação de diversos produtos. Além disso, segundo ele, trata-se de um material leve, resistente, fácil de instalar, de limpar, não propaga chamas e tem ótimo isolamento termoacústico. Os produtos à base de PVC são 100% recicláveis, e oferecem excelente custo-benefício, visto que, quanto mais durável o produto, menos energia e recursos são gastos para sua substituição, diz ele.

“Todas essas características contribuem para que o PVC atenda às principais certificações ambientais, como o selo Leed, concedido pelo U.S. Green Building Council. Isso faz com que seja um dos materiais mais escolhidos pelos arquitetos na hora de construir ou reformar”, acrescenta Castro

As chapas de acrílico também se alinham aos requisitos da sustentabilidade ambiental, lembra o consultor executivo do Ilac, João Orlando Vian.

Construção: Mercado segue instável, mas PVC mantêm ritmo de vendas e de novos usos ©QD Foto: iStockPhoto
Vian: mais leve, acrílico disputa clientes com vidro

“As chapas podem ser recicladas e transformadas novamente no mesmo produto. Além disso, devido à sua capacidade de isolamento térmico, o acrílico pode contribuir para a eficiência energética de edifícios, reduzindo a necessidade de aquecimento ou resfriamento excessivo”, afirma o consultor.

O material é usado em coberturas, fechamento de sacadas ou outras áreas externas, assim como em divisórias de ambientes internos, em residências ou escritórios. E quando compostas com cargas minerais, as chapas também têm sido utilizadas em bancadas de cozinha ou laboratórios, substituindo o uso de pedras naturais, informa Vian.

Outra característica importante das chapas de acrílico, observa o consultor, é a resistência aos raios ultravioleta. Graças a esse diferencial, o material não fica amarelado nem se deteriora quando exposto à luz solar. Além disso, reduz pela metade a penetração dos raios do sol em uma cobertura transparente ou mesmo em domos, por exemplo.

As vantagens do acrílico em comparação com o vidro representam também um dos fatores mais significativos de seu posicionamento no mercado da construção, observa Marco Pie, do departamento técnico comercial da Cobertura Telescópica, responsável pelo desenvolvimento de coberturas retráteis no Brasil.

Em sua avaliação, o acrílico oferece excelente transparência e brilho, tornando-se uma escolha atraente para elementos arquitetônicos, como coberturas, claraboias, domos e divisórias, que buscam maximizar a entrada de luz natural. Além disso, oferece uma variedade enorme de cores, permitindo a personalização estética e criativa em projetos de construção.

“Outro ponto positivo do acrílico em relação ao vidro é seu alto percentual de transparência. As chapas permitem a passagem de 92% da luz, enquanto o vidro oferece um índice 8% menor. E como o material não sofre deterioração de cor, diferencia-se também em relação às chapas de policarbonato”, explica Pie.

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