Embalagens

2 de setembro de 2017

Produção de embalagens no país registra baixa emissão de CO2

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Publicado por: Jose Paulo Sant Anna
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    No caso do processo de injeção de plásticos, a média mundial de emissão na atmosfera é de 1,48 kg de dióxido de carbono por kg de peças produzidas. No Brasil, essa média cai para 0,46 kg de CO2 por kg de peças injetadas. Essa diferença se deve em especial à matriz energética brasileira, fortemente baseada na geração hidrelétrica. No exterior, vários países se utilizam de outras fontes de energia bem mais poluentes, caso de termoelétricas que atuam a partir da queima do carvão.

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    Numa época em que consumidores de todo o mundo valorizam produtos que agridem em menor escala o meio ambiente, essa é uma ótima notícia. Ela proporciona importante grau de competitividade à indústria brasileira de transformação interessada em incrementar suas exportações, em especial para países onde a ecologia tem influenciado os padrões de consumo de forma mais significativa.

    A informação foi apresentada pela consultoria ACV Brasil (Análise de Ciclo de Vida) durante a realização de um encontro organizado em maio pela Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief). A consultoria tem como foco principal auxiliar indústrias e empresas a visualizar impactos ambientais e socioeconômicos ao longo da cadeia produtiva. Seu principal objetivo é fornecer subsídios para ajudá-las a aprimorar os processos produtivos na direção de usos mais racionais de recursos.

    O cálculo da emissão de CO2 pela indústria de transformação do plástico no Brasil faz parte de um estudo iniciado pela ACV Brasil em 2015, projeto que conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão de incentivo à pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “Nossa proposta é desenvolver uma base de dados de desempenho ambiental para a cadeia de nacional de transformação de plásticos compatível com as bibliotecas internacionais”, explica Ricardo Dias, coordenador técnico do projeto.

    Dias informa que o setor do plástico foi selecionado como pivô do estudo por ser um dos que mais sofrem com questionamentos quando o assunto recai nas agressões ao meio ambiente. Para ele, trata-se de uma acusação injusta, pois ignora os vários aspectos nos quais o plástico colabora com a redução do aquecimento global. O aumento da duração de produtos os mais variados a partir do uso de embalagens plásticas é um dos aspectos esquecidos pelos detratores.

    Alguns casos apontados pelo consultor confirmam essa constatação. Ele citou o da uva de mesa, cuja vida útil ao ser embalada por plásticos salta de sete para setenta dias. A manga dobra o tempo de prateleira nos mercados, passando de 20 para 40 dias. A vida útil do queijo provolone vai de 190 para 280 dias. No caso das carnes, os cortes variados têm multiplicadas suas vidas úteis com índices importantes, um dado nunca citado. “Enquanto são emitidos 18,47 kg de CO2 na atmosfera por kg ganho de peso bovino, a produção de 1 kg de polipropileno, matéria-prima bastante usada para a conservação do produto, emite apenas 1,33 kg de CO2”.

    Outros dados obtidos pelo estudo foram divulgados. Ao todo, no Brasil, são consumidos 2,1 litros de água e 1,6 kWh de energia por kg de resina transformada, levando-se em conta o funcionamento das máquinas e os sistemas de arrefecimento. Perde-se 0,05 kg por kg de resina transformada devido a problemas relativos ao desempenho e configuração das máquinas de transformação e periféricas e dimensionamento dos moldes.

    Os números alcançados até agora pelo estudo resultam da avaliação de 107 máquinas presentes em 18 empresas. O estudo incluiu injetoras, extrusoras e termoformadoras. A pesquisa tem apoio garantido do CNPq para prosseguir nos próximos meses. “A amostra ainda é pequena, queremos avaliar 50 empresas, número que nos permitirá ter uma visão representativa do setor baseada em dados estatísticos”.

    A consultoria, no entanto, tem encontrado dificuldade para abordar as empresas. Elas nem sempre se mostram dispostas a abrir suas portas para que o trabalho seja realizado. “Pesquisamos alguns dados estratégicos, mas garantimos por contrato total confidencialidade. Só passamos ao mercado os dados relativos à média do funcionamento do setor”. Além de colaborar com o projeto, as empresas pesquisadas ganham acesso a um relatório com análise completa de sua situação, valioso por permitir a correção de possíveis falhas.


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