Processo de Rotomoldagem ganha espaço na fabricação de peças

Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas e de grandes dimensões

Não há estatísticas oficiais que deem ideia de como andam as vendas das empresas que trabalham com processo de rotomoldagem. Para se ter noção do nível de negócios do setor precisamos nos valer de declarações de alguns representantes de empresas que atuam na área.

A maioria destaca que o ano, até agora, não atingiu o mesmo patamar de faturamento do ano passado. O principal motivo apresentado para o desempenho pífio é a desconfiança de como seria gerido o país pelo governo que assumiu no início do ano. Com o passar do tempo houve melhora na percepção da condução da economia. Por isso, os representantes demonstram otimismo em relação ao que vai ocorrer nos próximos meses e, em especial, em 2024.

Com ou sem informações completas sobre como os negócios das empresas, o segmento tem importância. De acordo com informações prestadas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), o nicho representou 2% do total dos plásticos transformados em 2020. Projetando esse número para os resultados financeiros da indústria de transformação no ano passado, essa porcentagem significa faturamento próximo dos R$ 2,3 bilhões.

O desempenho de cada transformador que trabalha com o processo de rotomoldagem depende muito dos segmentos aos quais seus clientes estão ligados. No Brasil, os principais usuários atuam no setor da construção civil, com destaque para os compradores de peças de grande porte, como caixas d´água e reservatórios. Vários fabricantes de grande porte atuam nesse setor.

Uma das marcas tradicionais é a Fortlev, que tem nas caixas d’água seu carro-chefe, mas também fornece tanques de armazenamento, tubos e conexões e outros itens. A empresa produz caixas d’água termoformadas feitas de polietileno com de 100 a 15 mil litros de capacidade e conta com sete unidades fabris no Brasil, situadas nos estados do Espírito Santo, Bahia (duas unidades), São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Goiás.

Outro nome de destaque é a Tigre, marca bastante conhecida no ramo da construção civil. A empresa se apresenta como líder brasileira na transformação de plásticos e uma das maiores empresas do ramo no mundo. Seus produtos são comercializados em mais de 90 mil pontos de venda no país e no exterior, com presença em cerca de 30 países, contando com onze fábricas no Brasil e treze no exterior.

Atua nos segmentos de hidráulica, elétrica, drenagem, acessórios sanitários, infraestrutura, indústria, irrigação, ferramentas para pintura, metais sanitários e em soluções para água e efluentes no tratamento de reutilização da água. A área de tubos e conexões é o seu carro chefe, mas a participação das caixas d’água rotomoldadas de polietileno é significativa em seu portfólio.

Outro mercado valioso para os transformadores é o agrícola. Para esse nicho são destinados, entre outros exemplos, tanques de armazenagem e peças para máquinas agrícolas, em geral itens de grande porte. Também pode ser destacada, entre os clientes, a indústria de brinquedos, que usa a técnica para fabricar velocípedes, bonecas e bolas, ou cavalinhos presentes em carrosséis, além de muitos outros itens.

Para as montadoras de veículos automotores são destinadas peças técnicas, como tanques de combustível para ônibus, por exemplo. No segmento de motocicletas, muitos veículos são equipados com baús nos quais motociclistas de todo o país depositam as encomendas que levam em milhões de viagens de entrega feitas diariamente. As peças rotomoldadas também são aproveitadas em outras aplicações, a exemplo da fabricação de caiaques, lustres em forma de globo e lixeiras, entre outras.

O processo de rotomoldagem

O meio de transformação, também conhecido como fundição rotacional ou moldagem rotacional, é utilizado para a produção de peças ocas ou abertas. Ele opera a partir do abastecimento de resina em pó ou líquida em um molde oco, instalado em máquinas dotadas de câmaras aquecidas que giram em dois movimentos com rotações baixas e distintas.

O processo de rotomoldagem apresenta vantagens em relação a outros métodos de transformação do plástico em determinadas aplicações. Com esta técnica, por exemplo, se obtêm peças ocas com grande variedade de formas e tamanhos – no nicho de peças de grande porte, a técnica é imprescindível. O processo de romoldagem permite de forma fácil a substituição de materiais ou cores na obtenção das peças. Como não há pressão sobre o material durante o processo de moldagem, as tensões residuais nas peças são mínimas. Dessa forma, são produzidos itens com boa resistência mecânica e livres de stress, emendas e soldas.

Quase sempre feitos de alumínio (o aço também é utilizado conforme a exigência da aplicação), os moldes operam em regimes de pressão mais baixa, o que os torna mais baratos do que os usados em outros processos – eles não exigem ângulos de saída para a retiradas das peças. Há poucas sobras de material, pois o peso desejado da peça é controlado na adição da matéria-prima ao molde. Há algumas desvantagens, é verdade. Os tempos de ciclo são mais lentos, menos competitivos no caso de itens que necessitam de altos volumes de produção, e as peças apresentam precisão dimensional menos rigorosa do que as obtidas em outros processos.

Na teoria, todos os termoplásticos e até alguns termofixos podem ser rotomoldados. Na prática, porém, a seleção recai, na esmagadora maioria das vezes, no polietileno. O PVC é outro material aproveitado com regularidade. Também são usadas outras resinas, como polipropileno ou poliamidas, quando as especificações técnicas das peças exigem. É comum a resina selecionada passar pelo processo de micronização e receber aditivos.

Processo de rotomoldagem Brasil/USA

Conforme as propriedades das peças a serem fabricadas, são disponibilizadas máquinas com diferentes características. A seleção é feita a partir de parâmetros como formato das peças, capacidade de aquecimento, tamanho do forno, tempo médio desejado por ciclo e velocidade de rotação do molde, entre outros.

Uma das fornecedoras de máquinas, a brasileira Rotoline, vem obtendo resultados significativos. A empresa iniciou suas operações em 2000, em Chapecó-SC. Em 2013, inaugurou sede nos Estados Unidos, na cidade de Kent (Ohio). Hoje atende o mercado global com diversas séries e modelos e conta com quase 600 máquinas instaladas.

A Rotoline oferece várias séries de máquinas com características diferenciadas: Shuttle, equipadas com um forno central e dois carros operados individualmente; Carrossel, ideal para produção sequencial e em escala; LAB, indicada para laboratórios na realização de testes com peças pequenas; Open Flame, com sistema de chama aberta e indicada para a produção de peças cilíndricas; Sphere Oven, modelo inovador para essa técnica dotado com forno esférico e focado na fabricação de pequenas peças e oferecido com opção de automação completa, da pesagem do material até a alimentação, abertura e fechamento dos moldes; e Rotolite, que opera com um forno central, duas estações de operação e dois carros com braços retos. “A série Rotolite foi projetada para oferecer melhor relação entre produtividade, economia e flexibilidade”, garante Raphaeli de Luccas, diretor comercial.

Rotomoldagem: Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Modelo Rotoline com forno esférico produz peças pequenas

De acordo com o diretor, a Rotoline investe de forma constante em lançamentos e aperfeiçoamentos. Entre eles, cita um sistema automático de pesagem, com capacidade de dosagem que varia de 200 g a 10 kg.

“Trata-se de equipamento completo e preciso que contribui para a redução de desperdícios de matéria-prima e agiliza o processo de abastecimento dos moldes, além de gerar relatórios diários, com informações como peso, data e hora da pesagem, acessíveis por meio da tela”, disse. Outro destaque vai para um controle que funciona como extensão remota dos comandos presentes no painel. “Ele elimina a necessidade do operador se movimentar constantemente ao redor das estações de rotomoldagem”.

As vendas da Rotoline neste ano, até agora, estão reduzidas em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, o diretor comercial se diz otimista em relação ao cenário futuro, com perspectivas promissoras para o final deste ano e para 2024. Os clientes mais ativos no momento se encontram nos setores agropecuário, de brinquedos e peças técnicas. Por outro lado, os de construção civil e de móveis externos se encontram em momento mais desafiador. “Esse cenário não é constante, sofre variações ano a ano”. Os modelos mais procurados pelos clientes são os da linha Carrossel.

Processo de Rotomoldagem USA/Brasil

Marca de máquinas de rotomoldagem de renome mundial, a norte-americana Ferry conta com boa presença no mercado brasileiro. Ela é representada com exclusividade no Brasil por Celedônio Santos, no momento está afastado das atividades por problemas de saúde. Os interessados, até a sua pela recuperação, devem realizar negociações diretamente com a sede da empresa nos Estados Unidos.

Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
A Ferry apresenta a RotoSpeed RS3-3300 IA HR

A Ferry Machine Company foi fundada em 1927 como uma pequena oficina mecânica para peças especializadas de engenharia. Com o passar dos anos, a empresa cresceu e passou a oferecer produtos próprios. Em 1982, sofreu uma guinada ao celebrar um contrato de licença com a inglesa Orme Polymer Engineering e passar a produzir máquinas de rotomoldagem. Naquele ano, construiu o seu primeiro modelo e hoje já conta com mais 1,3 mil máquinas instaladas mundo afora.

O Brasil é considerado pela empresa como mercado importante, muitas vendas já foram realizadas por aqui. Nos últimos anos, os negócios esfriaram um pouco por conta da valorização do dólar, explica Ann Rowland, gerente internacional de vendas.

Rotomoldagem: Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Ann: clientes querem automação e soluções de energia alternativa

“Com uma taxa de câmbio um pouco mais favorável, os quase 40% de direitos e impostos cobrados do comprador se justificam pelos benefícios e longevidade das nossas máquinas”.

Ann informa que a empresa oferece grande variedade de modelos de máquinas, dotadas com diferentes tecnologias e de portes os mais variados, “Qualquer peça plástica oca pode ser moldada por elas”. Os principais clientes brasileiros da empresa se encontram nos setores de infraestrutura (armazenamento de água ou de produtos químicos), produtos agrícolas, de brinquedos, industriais e comerciais.

“Os clientes hoje cobram por produção com intervenção mínima do operador, facilidade de recuperação de métricas da máquina e soluções de energia alternativa”, comentou.

Linha diversificada

Transformadores que se encontram entre os principais do país contam em suas linhas de produtos com peças rotomoldadas as mais variadas. Um exemplo é a Unipac, empresa nacional, há 47 anos no mercado, que além da termoformagem também atua com sopro, injeção e extrusão. A empresa opera plantas em Pompeia-SP (matriz) e Limeira-SP (filial), além de sítios instalados em clientes por meio do modelo in house nas cidades de Regente Feijó-SP, Paulínia-SP e Maracanaú-CE. Entre os mercados atendidos se encontram o automotivo, de agronegócio, logístico e alimentício. Ela é uma unidade do Grupo Jacto, um dos maiores conglomerados empresariais do país.

Rotomoldagem: Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Fernandes: produção de tanques para Arla-32 começou em 2012

“No campo da rotomodagem, temos capacidade para produzir peças de pequeno a grande porte, desde as mais simples até as de alto nível de complexidade”, informa o diretor comercial Mauro Fernandes.

Os principais mercados atendidos por esse método de transformação são o automotivo, de logística e agrícola.

No campo automotivo, entre muitos itens oferecidos, o diretor comercial destaca o tanque presente nos veículos a diesel para armazenamento de Arla 32, agente que reduz a emissão de poluentes – Arla é uma abreviatura para Agente Redutor Líquido Automotivo e o número 32 se refere à concentração de ureia dissolvida em água desmineralizada presente no tanque. “A Unipac detém o know-how para desenvolver tanques para armazenamento de Arla 32 desde 2012”, informou.

Para a área de logística, um dos itens de destaque é um container técnico, feito de PEBD e preenchido de poliuretano como isolamento térmico. “No interior do container são colocadas placas eutéticas frias, para gerar ambiente de temperatura baixa e controlada para transporte de alimentos”.

Para o setor agrícola, a empresa produz reservatórios de 15 a 4 mil litros para defensivos e água, utilizados em pulverizadores tratorizados e automotrizes, reservatórios para adubos e sementes, e outras peças. As matérias-primas utilizadas pela empresa nas operações de rotomoldagem são o polietileno e o polipropileno, este último exige diferentes parâmetros de processo.

Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Unipac usa a técnica para fabricar contêiner térmico

Em relação às vendas, o ano tem sido desafiador para a Unipac, não só no campo da rotomoldagem, mas em todos os negócios em que a empresa atua. O setor automotivo, em particular, deve registrar uma retração importante nas encomendas em relação ao volume comercializado em 2022.

“Apesar do cenário da economia, mantivemos nos últimos anos os investimentos em tecnologia e inovação”. Fernandes ressalta algumas inovações no âmbito da rotomoldagem resultantes desse esforço, como a transformação de peças multicamadas e o uso de células robotizadas indicadas para usinagem e acabamento dos produtos com dispositivos automáticos.

Mil itens

A Rotoplastyc, de Carazinho-RS, é fabricante de peças indicadas para variadas aplicações, quase sempre voltadas para os mercados agrícolas ou de construção civil. Essas peças estão presentes em plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores, tratores e outras máquinas. Além de peças técnicas por encomenda, a empresa fabrica produtos próprios, indicados para soluções de transporte e armazenagem de líquidos, armazenagem de diesel e biodiesel e preparo de calda para pulverização. Também oferece caixas de sementes, caixas de adubo, entre outros.

Ao todo, conta em seu portfólio com mais de mil produtos. Desde que entrou no mercado, já projetou e produziu mais de dois mil itens.

Rotomoldagem: Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Huliana: portfólio amplo lista mais de 2 mil itens produzidos

“Somos uma das maiores empresas brasileiras especializadas em rotomoldagem”, diz Huliana Formentini, gerente de projetos.

Ela destaca a linha de tanques para armazenamento e transporte de líquidos, que vão de 250 a 20 mil litros, que podem ser utilizados para trabalhar com diesel, biodiesel e preparadores de calda para pulverização. Os tanques são produzidos em polietileno.

Huliana informa que este ano, até agora, o volume de vendas está 15% menor do que o verificado no mesmo período do ano passado. Entre os clientes, as vendas destinadas para o segmento agrícola se mantêm estáveis. “Há previsão de retomada nos próximos anos, quando o setor deve bater novos recordes de produção”. O segmento mais impactado de forma negativa é o da construção civil.

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Processo de Rotomoldagem em Tanques e transporte de alimentos

Especializada na fabricação de tanques plásticos rotomoldados em polietileno, a RottoTanques, de Guararema-SP, conta com equipe de profissionais que desenvolvem projetos especiais para a fabricação de modelos verticais, horizontais, planos, cônicos, esféricos e retangulares nas mais variadas dimensões, voltados para o armazenamento de produtos químicos corrosivos, óleo diesel, defensivos agrícolas e água.

Rotomoldagem: Técnica ganha espaço na fabricação de peças ocas ©QD Foto: Divulgação
Tânia: setor agrícola está demandando mais produtos

“Os tanques são destinados aos mais variados segmentos, com destaque para os agrícola, alimentício, náutico e industrial”, informa Tânia Souza, vendedora sênior.

Dentro da diversidade disponível no portfólio, a empresa ressalta a elevada procura no ano passado pela linha dos cilíndricos.

“Nos últimos anos, o destaque foi para o aumento expressivo na procura por parte do setor agrícola para tanques de armazenamento seguro de defensivos e fertilizantes”.

Outra linha da RottoTanques, chamada de Hotbox, é composta por itens voltados para transportar e conservar alimentos e refeições de forma prática e sustentável. Nessa linha, a empresa lança no início de novembro o modelo HB30S.

De acordo com Tânia, “a novidade tem como diferencial o design inovador, especialmente projetado para garantir fácil manuseio e travamento eficaz”.

©QD Foto: Divulgação
Caixas HB 30S dispensa fechos metálicos e borracha de vedação

A HB30S dispensa o uso de fechos metálicos e da borracha de vedação e foi projetada para atender grandes distribuidores de comida pronta, que necessitam de agilidade em suas operações.

“Por não possuírem fechos de aço e borrachas de vedação, elas são muito indicadas para uso no transporte de alimentos para presídios, onde é proibida a entrada de caixas que contenham qualquer parte removível”, explicou.

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