Pressão ambiental valoriza mais as resinas recicladas – Economia circular

Resinas recicladas ficam ainda mais valorizadas

Interesse generalizado – O esforço da cadeia do plástico em prol da expansão do uso de resinas reciclada envolve não apenas os fornecedores, mas também grandes transformadores, como a multinacional fabricante de embalagens Amcor, que já anunciou um projeto de incorporar em âmbito global, até 2025, 10% de resinas PCR em seu portfólio.

A intenção, ressalta Carlos Trubacz, diretor de marketing e sustentabilidade da área de embalagens rígidas da Amcor na América Latina, é integrar resinas recicladas à maior quantidade possível de aplicações.

Plástico Moderno - Pressão ambiental valoriza mais as resinas recicladas - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Carlos Trubacz, diretor de marketing e sustentabilidade da área de embalagens rígidas da Amcor

“Temos o uso de matérias-primas recicladas como uma das ofertas de produtos mais sustentáveis para embalagens”, destaca.

“Mas ainda há limites de disponibilidade, de qualidade e também de regulamentações, uma vez que é preciso garantir que elas não tragam nenhum risco, por exemplo, para aplicações em contato direto com alimentos”, pondera Trubacz.

Mesmo em filmes flexíveis, expande-se o uso de plástico reciclado, complementa Juliana Seidel, gerente senior de sustentabilidade da área de flexíveis da Amcor na América Latina.

Mas, segundo ela, nesse segmento o uso de resinas recicladas em aplicações mais exigentes ainda precisa superar desafios em quesitos como qualidade e padronização: por exemplo, para uso em stand-up pouches e pillow bags para grandes volumes (também conhecida como ‘almofada’, uma embalagem pillow bag pode ser utilizada para produtos como detergentes em pó, por exemplo).

Plástico Moderno - Pressão ambiental valoriza mais as resinas recicladas - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Juliana Seidel, gerente senior de sustentabilidade da área de flexíveis da Amcor

“Esses filmes precisam ter grande resistência e as resinas recicladas disponíveis ainda não conseguem conferir essa característica”, diz Juliana.

Mas também os grandes distribuidores de resinas, tradicionalmente focados nos materiais virgens, agora olham atentamente para as resinas recicladas, que eles integram a unidades de negócios fundamentadas em um conjunto mais amplo de soluções associadas à economia circular.

Na Activas, essa área veio se juntar às duas unidades de negócios anteriores da empresa: commodities e resinas de engenharia.

Batizada BIO-PCR, ela disponibiliza, além de materiais reciclados, também biopolímeros e resinas compostáveis.

Plástico Moderno - Pressão ambiental valoriza mais as resinas recicladas - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Laércio Gonçalves, CEO da Activas

“Já temos resinas recicladas de PE, PP, PS e PET”, detalha Laércio Gonçalves, CEO da Activas.

A nova unidade, afirma Laercio, já responde por algo entre 8% e 10% dos negócios da Activas (computando-se também as vendas do PE de cana-de-açúcar da Braskem).

“Creio que não demora a chegarmos a um ponto em que a indústria do plástico venderá quantidades iguais de materiais reciclados e novos”, enfatiza.

Também na Piramidal as resinas recicladas foram integradas a uma nova unidade de negócios – denominada Soluções Circulares – que inclui também polímeros de origem renovável e compostáveis e pode até ir além do modelo convencional de negócios de um distribuidor.

Plástico Moderno - Pressão ambiental valoriza mais as resinas recicladas - Economia circular ©QD Foto: Divulgação
Fábio Koutchin, da Piramidal

“Com o foco em oferecer soluções completas para nossos clientes, podemos também desenvolver projetos específicos, como logística reversa e desenho de produtos”, destaca Fábio Koutchin, recentemente contratado pela Piramidal para desenvolver essa nova unidade de negócios.

Ainda persiste, nota Koutchin, uma visão do reciclado como produto de baixa qualidade, comprado principalmente pelo preço; a Piramidal não pretende atuar nesse mercado, e trabalhará basicamente com reciclados que priorizem a qualidade.

“Estamos observando no Brasil diversos investimentos direcionados não apenas ao aumento de capacidade, mas sobretudo à melhoria da qualidade do material reciclado”, enfatiza.

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