PP x PET – Polipropileno persegue maior transparência e brilho, atinge novos segmentos e penetra mais no mercado do PET

A pioneira foi a Braskem, em 2001, com o anúncio de uma parceria com a Milliken, produtora dos aditivos clarificantes; a Sidel (sopradoras) e a Packpet, que fabrica as embalagens. Ao ser moldado pela tecnologia de ISBM, o PP clarificado confere à embalagem uma aparência muito similar à processada em PET.

Agora, a Nova Petroquímica revela projetos nessa direção. “Temos produtor de equipamento, fornecedor de aditivo, transformador e também usuário na área de cosméticos”, antecipa Fittipaldi, sem especificar outros detalhes. Informa apenas que o projeto está bem encaminhado, com previsão de lançamento nos próximos seis meses.

Plástico Moderno, Claudia Kaari Sevo, gerente território Brasil, PP x PET - Polipropileno persegue maior transparência e brilho, atinge novos segmentos e penetra mais no mercado do PET
Claudia: novo clarificante visa a indústria cosmética

Quase vidro – Aliada das petroquímicas na obtenção de polímeros cada vez mais transparentes, a Milliken oferece ao PP a oportunidade de um salto importante na conquista de novas aplicações. A empresa lançou, em outubro do ano passado, na K – maior feira mundial da indústria do plástico, realizada na Alemanha –, a última geração do clarificante Millad, o NX 8000. “Reduz a opacidade à metade, em relação ao Millad 3988”, diz Claudia Kaari Sevo, gerente território Brasil – aditivos poliméricos, comparando a novidade com o aditivo tradicional. O produto assegura um nível de transparência muito bom também no processo convencional de sopro.

Essa nova geração de aditivos também permite processar o polipropileno em temperaturas mais baixas (190ºC) sem perder transparência e, ainda, facilita a processabilidade da resina. “Tem maior janela de processo, consistência de qualidade em ampla faixa de temperatura de processo”, explica o gerente Albarici.

Outra evolução embutida na série NX8000 consiste no baixo nível de migração do aditivo nas peças submetidas à autoclavagem, abrindo novo campo de aplicação nas embalagens médicas sujeitas ao processo. O clarificante antecessor (o 3988) não é recomendável, nesse caso, pelos níveis mais elevados de migração.

O objetivo do novo produto, diz Claudia, é preencher a lacuna existente entre a atual geração de PP clarificado e os polímeros de alta transparência. O PP aditivado com o clarificante de última tecnologia poderia substituir resinas como o acrilonitrila butadieno estireno (ABS), o estireno acrilonitrila (SAN), o copoliéster e o policarbonato, entre outras. A indústria de cosméticos é um dos alvos.

A apresentação oficial do produto para o mercado brasileiro ocorrerá na manhã de 7 de abril, no Centro Britânico, em São Paulo, durante o 3º Fórum Milliken de Inovação em Embalagem de Polipropileno, que discutirá as propriedades e aplicações do novo clarificante, entre outros temas. Na ocasião, haverá uma exposição de embalagens internacionais.

Pole position – Depois de sair na frente com a tecnologia de injeção-estiramento-sopro para pré-formas de polipropileno clarificado, a Braskem desponta de novo como pioneira e anuncia o lançamento de uma geração de polipropileno ultraclarificado, denominada Prisma 3410.

Plástico Moderno, Rui Chammas, diretor do negócio polipropileno, PP x PET - Polipropileno persegue maior transparência e brilho, atinge novos segmentos e penetra mais no mercado do PET
Chammas: novidade amplia a linha de resinas diferenciadas

Segundo Luis Fernando Cassinelli, diretor de tecnologia e inovação, o principal diferencial dessa resina consiste no novo patamar de desempenho em propriedades de transparência e resistência mecânica conferido à peça final. Por sua transparência, 50% superior à do polipropileno clarificado convencional, e alta rigidez, é indicada, em especial, na produção de peças transparentes com paredes grossas.

O desempenho técnico diferenciado e a competitividade em custos prenunciam uma revolução no mercado. Com esse novo patamar de transparência, o polipropileno promete expandir sua atuação em diversas aplicações dominadas por resinas como PET, policarbonato, acrílico, poliestireno, SAN e vidro, segundo o gerente de engenharia de aplicação, Adilson Arli da Silva.

O produto atende os segmentos de embalagens, tampas, as indústrias de cosméticos, eletroportáteis, eletrodomésticos, utilidades domésticas, entre outras. Nas estimativas de Rui Chammas, diretor do negócio polipropileno, o mercado potencial para a resina é da ordem de 10 mil toneladas. “Em 2007, o PP cresceu mais de 10%, o que comprova a sua versatilidade e potencial de substituição de outros materiais”, opina. A meta dele para 2008 é atingir um volume de vendas de mais de 1.200 toneladas de PP ultraclarificado.

Essa novidade amplia o portfólio da família Prisma, composta por produtos premium, de desempenho diferenciado na aplicação de peças com elevada transparência e resistência mecânica. De acordo com a Braskem, a resina foi desenvolvida em tempo recorde, no seu Centro de Tecnologia e Inovação, em Triunfo-RS, onde conta com uma equipe formada por doutores, pesquisadores e técnicos qualificados, além de equipamentos de última geração e plantas piloto.

Nesse cabo de guerra tecnológico, a nanotecnologia entra como principal munição da Nova Petroquímica na composição de seus últimos desenvolvimentos. No final de dezembro, a empresa anunciou o lançamento de quatro resinas produzidas com base na nanotecnologia, cada uma com propriedades específicas.

Uma delas é nanoestruturada com argila, que tem a função de melhorar a propriedade mecânica do polímero. A resina ganha forte resistência ao impacto e pode ser aplicada em peças que, além dessa característica, requeiram resistência a baixas temperaturas, em soluções de engenharia, entre outras.

De olho no mercado de cosméticos, a Nova Petroquímica desenvolveu um polipropileno nanoestruturado que alia transparência e proteção contra a ação dos raios ultravioleta. Segundo Cláudio Marcondes, gerente de desenvolvimento de novos produtos, esse material deverá substituir embalagens atuais no tom âmbar. “O produto ficará à mostra sem nenhum risco de dano.” A resina também se destina à indústria química e de alimentos.

A Nova Petroquímica também obteve resinas nanoestruturadas com características antichama, apropriadas para uso em automóveis, televisores, microcomputadores, fios, cabos e móveis, na avaliação de Marcondes. A indústria automotiva vai se beneficiar de um lançamento anunciado em parceria com o fabricante de autopeças Muller. Trata-se de um PP nanoestruturado com propriedade antimicrobiana para uso em dutos de sistemas de ar condicionado veicular.

Plástico Moderno, Hermes Contesini, responsável pelas relações com o mercado da Abipet, PP x PET - Polipropileno persegue maior transparência e brilho, atinge novos segmentos e penetra mais no mercado do PET
Contesini: pré-formas de PET estão mais leves e resistentes

A Nova Petroquímica também aposta na nanotecnologia como um caminho provável para superar a questão da barreira a gases. Segundo Marcondes, a idéia é obter um polipropileno nanoestruturado com argila para aplicação em embalagens capazes de prolongar a conservação de produtos, e também em autopeças. Como resultado final, o gerente espera conseguir um polipropileno com melhora significativa nas propriedades finais de barreira física e química, principalmente ao oxigênio e ao dióxido de carbono.

O projeto recebeu aporte de R$ 508 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O gerente de marketing, Sinclair Fittipaldi, prevê crescimento da ordem de 20% ao ano em volume para as resinas nanoestruturadas.

Em ritmo menos acelerado, o polietileno tereftalato também conquistou aperfeiçoamentos, impulsionados pela penetração da resina em novos mercados. O responsável pelas relações com o mercado da Abipet enumera vários aspectos melhorados na resina: índices de viscosidade mais adequados às aplicações, menores teores de acetaldeído, evoluções no design das embalagens e alívio no peso das pré-formas.

Contesini, da Abipet, ressalta que o alívio no peso das pré-formas foi acompanhado de aumento na resistência mecânica, o que permite envasar produtos de pressão maior. “Hoje, a direção dos desenvolvimentos está nos gargalos, onde se concentra a resina que não é estirada nem soprada”, informa. A diminuição do tamanho do gargalo resultará em importante economia de resina, redução de peso e menor custo nas embalagens.

Palavra de usuário – Responsável por transformar cerca de 30 mil toneladas anuais de resinas em mais de um bilhão de embalagens por ano, a Sinimplast, de Diadema-SP, é usuária tanto do polipropileno como do PET, entre outros polímeros.

Na comparação entre o PET e o PP, Ricardo David, gerente de engenharia da empresa, diz que o PET tem boa barreira ao dióxido de carbono, mas nem tanto ao oxigênio; enquanto o PP biorientado apresenta baixa barreira ao CO2, mas melhor barreira ao O2, em relação ao PET. “O PP também tem melhor propriedade de barreira à umidade.” Conteúdos especiais que requerem envase a quente têm restrições no PET, que funde sob temperaturas inferiores à do PP.

A nova tecnologia de injeção-estiramento-sopro para pré-formas de PP ainda não deslanchou e ele explica os principais motivos: o ciclo de sopro é maior porque a resina tem condutibilidade térmica menor, ou seja, conduz calor mais lentamente, portanto, demora mais para esfriar. Além disso, por razões técnicas, a mudança do PET para o PP exige mudança de rosca no equipamento.

Plástico Moderno, Ricardo David, gerente de engenharia, PP x PET - Polipropileno persegue maior transparência e brilho, atinge novos segmentos e penetra mais no mercado do PET
David: ficou mais fácil processar o polipropileno

No entanto, a taxa de estiramento do polipropileno é superior, sinônimo de maior resistência mecânica e transparência. Por isso, a pré-forma de PP é menor e tem maior espessura. “Na biorientação molecular, as moléculas se orientam melhor no frasco, se entrelaçam, e esse entrelaçamento aumenta a resistência mecânica e a transparência. Esse conceito vale para o PET e para o PP”, explica David.

Tecnicamente, diz, a embalagem de PP obtida por esse processo é muito bonita e apresenta boas características. Mas o preço do PET, que historicamente foi bem mais elevado, já não dista tanto do PP. “Então, a diferença de ciclo empata os custos”, pondera.

Na opinião dele, o avanço do polipropileno processado por injeção-estiramento-sopro deve ser vagaroso, porém, no sopro convencional, a resina está conquistando bom espaço em produtos de maior valor agregado. “As temperaturas de processamento do polipropileno estão mais baixas, ficou mais fácil processá-lo”, pondera.

Segundo o testemunho de David, a migração para o PP em projetos novos está deslocando o polietileno nas embalagens de higiene pessoal (cremes, xampus, protetor solar etc) e de limpeza doméstica. “O PP tem a chamada transparência de contato, assim, com um conteúdo colorido, a embalagem ganha maior transparência, oferecendo vantagem sobre o PE.” Ele ainda destaca o recurso dos aditivos clarificantes, que aumentam esse quesito.

O anúncio da tecnologia de ponta incorporada à família Millad NX8000 de aditivos clarificantes da Milliken, a nova geração de polipropileno ultraclarificado da Braskem, e as investidas da Nova Petroquímica na nanotecnologia e no processo de injeção-estiramento-sopro deixam clara a disposição dos fabricantes em apostar todas as fichas no PP como a resina da vez. Começa um novo round. Os adversários que se cuidem.

Página anterior 1 2

Um Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios