Porta-moldes – Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas

Agregar valor à atividade. Essa tem sido a atual estratégia dos principais fornecedores de porta-moldes. A ideia é atender à crescente demanda do mercado por ferramentas quase prontas. Para tornar mais rápida a fabricação do molde e reduzir os custos, as empresas do ramo estão utilizando suas estruturas de usinagem de aço para entregar aos clientes conjuntos já com todas as furações e componentes necessários. O papel dos transformadores e ferramenteiros, nesses casos, se resume a desenvolver os projetos de ferramentas e usinar as cavidades.

Plástico Moderno, Estevam Horvate, gerente de vendas da MDL-Danly, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Porta-moldes propiciam ganho de tempo e dinheiro, diz Horvate

A nova tendência é mais um passo importante para esse nicho de negócios, bastante promissor nos últimos anos. Há umas duas décadas, o uso de porta-moldes no Brasil era bastante incipiente. Ao criar o desenho de um molde de injeção, os projetistas partiam de ideias abstratas. As placas eram fabricadas pelas próprias ferramentarias. Hoje, estima-se que 70% das ferramentas produzidas no Brasil se utilizam de porta-moldes. O número não é oficial. Entre os especialistas, poucos duvidam do crescimento constante desse índice.

A praticidade ajuda muito a difundir o uso dos padronizados. Hoje, para as ferramentarias, é difícil e caro manter estrutura de máquinas de usinagem para fabricar todos os componentes dos moldes. Com o avanço da tecnologia, equipamentos como fresas, retíficas e outros são constantemente atualizados e os investimentos necessários para adquiri-los são incompatíveis para quem produz um número limitado de ferramentas. A agilidade oferecida pelos modelos de “prateleira” é evidente.

Outra vantagem se encontra no custo da matéria-prima. Como as fornecedoras de porta-moldes adquirem grandes quantidades de aço, conseguem melhores negociações. Além disso, acostumadas com o produto, trabalham com desperdício mínimo de material e não cometem erros, como o superdimensionamento de determinada placa, entre outros. “Os porta-moldes proporcionam economia de tempo e dinheiro”, resume Estevam Horvate, gerente de vendas da MDL-Danly.

O uso de padronizados recebeu grande impulso há quatro anos, quando os fabricantes multiplicaram as opções de venda. Como exemplo, podemos citar o caso da Polimold, principal fornecedora nacional. Seguindo o conceito europeu, a empresa passou a disponibilizar 53 famílias de modelos com tamanhos diferentes, contra as 17 oferecidas antes. “Essa foi uma grande sacada, muitos possíveis clientes não compravam porta-moldes por não acharem as medidas mais adequadas”, revela Cleber Jesus Silva, gerente do departamento de desenvolvimento e marketing da empresa. Outras empresas participantes desse segmento, casos da MDL-Danly, da Miranda e da Tecnoserv, seguiram o exemplo e ajudaram a multiplicar as opções existentes no mercado.

Plástico Moderno, Alexandre Fix, diretor da Polimold, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Crise provocou alto índice de inadimplência e preocupa Fix

Hoje, a diversidade oferecida é impressionante. Existem desde modelos simples até os muito complexos, voltados para a instalação de múltiplas cavidades e oferecidos com sistemas de câmaras quentes. Sem falar nos preparados para projetos de moldes dotados com modernos sistemas valvulados, para facilitar a fabricação de peças cujo formato dificulta o preenchimento dos moldes.

Crise – Se a praticidade ajuda a expandir o mercado, os ventos da economia podem atrapalhar o desempenho dos fornecedores. A crise econômica mundial, iniciada em outubro, é um exemplo. Os problemas enfrentados por setores usuários de grandes quantidades de peças plásticas, caso das montadoras ou da indústria eletroeletrônica, inibem investimentos. O número de moldes fabricados cai e prejudica os fabricantes de padronizados.

“Ficarei muito feliz se em janeiro de 2010 constatar que mantivemos o desempenho de 2008. Mas o começo do ano não foi bom, estimo uma queda do faturamento em 2009 em torno dos 15%”, revela Alexandre Fix, diretor da Polimold. Um outro fator vem preocupando o dirigente. A falta de crédito, característica resultante da crise econômica mundial, provocou índices de inadimplência alarmantes. “Estamos enfrentando um índice de inadimplência muito elevado, clientes de porte estão com problemas para nos pagar”, revela. A empresa cresceu 10% no ano passado.

Plástico Moderno, José de Oliveira Miranda Neto, gerente-comercial da Miranda, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Para Miranda Neto, o mercado volta a se aquecer a partir de abril

A preocupação com a queda de encomendas também atinge o gerente-comercial da Miranda, José de Oliveira Miranda Neto. “Esse ano começou fraco, muito fraco. A crise assustou o pessoal”, afirma. Ele ainda comemora os mais de 30% de crescimento verificado no ano passado e torce para passar logo o momento difícil. “É susto mesmo, a falta de investimentos não tem fundamento, ao menos no nosso mercado”, avalia. Ele acredita que a partir de abril a economia deva voltar a se aquecer. “Só não sei o quanto esse índice de aquecimento vai atingir”, define.

Opinião mais otimista é dada por Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv. A empresa, que cresceu 12,6% em 2008, já detectou, no final do ano passado, uma pequena queda nas vendas. “Começamos o ano temerosos e as duas primeiras semanas de janeiro foram fracas, muito fracas”, informa Teixeira. A luz no final do túnel deu o ar da graça a partir da terceira semana de janeiro, quando o número de consultas voltou a crescer. “Foi uma semana quase normal, começamos a recuperar o fôlego”, acredita.

Para Teixeira, a crise trouxe pelo menos um aspecto positivo. Os moldes importados, com a valorização do  dólar, ficaram menos competitivos. Para ele, os moldes chineses de boa qualidade hoje contam com preços muito próximos dos similares nacionais. Os orientais ainda levam alguma vantagem nos prazos de entrega, mas a proximidade do fornecedor conta a favor dos fabricantes nacionais. “Os clientes passaram a procurar alternativas aqui no Brasil”, ressalta.

Plástico Moderno, Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Teixeira: molde local ficou mais competitivo com dólar valorizado

Horvate, da MDL-Danly, também acredita que o dólar valorizado pode colaborar com os fabricantes nacionais. “Por uma questão de custo, muitos transformadores de grande porte, como a indústria automobilística, passaram a pensar em produzir aqui peças antes importadas”, explica. A empresa conta com diferencial em relação aos concorrentes, possui equipamentos de usinagem de metais de grande porte, o que permite a fabricação de porta-moldes de maiores dimensões. Isso facilita as conquistas de encomendas e teve grande peso no fato da MDL crescer 18% no ano passado. Mas a empresa não despreza o mercado dos moldes de menores dimensões e está trabalhando para multiplicar as combinações de dimensões oferecidas.

Mudanças de perfil – Criada nos anos 80, a Polimold ocupava, no início, um pequeno pedaço da transformadora de plástico Bracofix, que pertencia à família de Fix e representava no Brasil a fabricante norte-americana de porta-moldes DME. Como conta o dirigente, naquela época a própria Bracofix relutava em utilizar porta-moldes.

O  tempo passou, o mercado se desenvolveu e a empresa cresceu. Hoje ocupa uma área de 15 mil m², onde estão construídos cinco prédios, e emprega 380 colaboradores, e ainda conta com uma fábrica no México. “Hoje a DME se tornou representante da Polimold em vários países do mundo”, orgulha-se o diretor. A empresa norte-americana enfrentou problemas econômicos e deixou de produzir porta-moldes.

Historicamente, em torno de 20% do faturamento da Polimold vem de exportações. Esse valor se manteve no ano passado, mas os ventos da economia provocaram mudanças no perfil desses negócios. A valorização do real e o preço do aço prejudicaram as vendas externas dos porta-moldes. Em compensação, a empresa passou a comercializar com sucesso no exterior suas câmaras quentes e sistemas valvulados. “São produtos mais caros que os porta-moldes, nós agregamos valor às exportações”, revela Fix.

Plástico Moderno, Cleber Jesus Silva, gerente do departamento de desenvolvimento e marketing, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Projetista acessa os desenhos via internet, ressalta Silva

Essa alteração trouxe consequências também nas vendas realizadas no mercado interno. Com a redução do comércio internacional de porta-moldes, a ociosidade nas máquinas de usinagem gerou a oportunidade para a empresa explorar a prestação de serviços, aproveitando a demanda dos clientes pelos moldes quase prontos. “Dessa forma, também conseguimos agregar valor às vendas nacionais”, emenda Fix.

A Polimold oferece aos clientes em torno de um milhão de opções possíveis, levando-se em conta a combinação entre as dimensões das placas e as características dos diversos componentes. As dimensões máximas das placas dos modelos são de 696 mm x 996 mm. “Todos os desenhos dos nossos porta-moldes estão disponíveis na internet. O projetista pode acessar as informações e iniciar o projeto da ferramenta de forma mais ágil”, explica Silva.

Uma das vantagens importantes da empresa apontadas por Fix se encontra na excelência da empresa na fabricação de câmaras quentes, componentes cada vez mais procurados pelos clientes. Elas foram desenvolvidas pela engenharia da Polimold. “Prova da qualidade de nossas câmaras se encontra no fato de as exportarmos para vários países”, orgulha-se. Além do mercado latino-americano, onde os clientes mais significativos são a Argentina e o México, a empresa vende para vários países europeus, Estados Unidos e China. As vantagens proporcionadas pelas câmaras, como a transformação de peças sem galhos, entre outras, fazem com que a venda desses componentes nos últimos anos tenha curva ascendente também no território nacional.

Outra linha destacada é a de sistemas valvulados para câmaras quentes, também projetados pela Polimold, que igualmente fazem sucesso no mercado externo. “O sistema valvulado é bastante sofisticado e indicado para a fabricação de peças em moldes onde existam mais de um ponto de injeção”, diz Silva. Ele permite a fluência “inteligente” do material dentro do molde, e tem como finalidade evitar o surgimento de linhas de emenda ou de pontos com menor resistência mecânica.

Pequenos e gigantes – De origem norte-americana e hoje controlada por investidores brasileiros, a MDL-Danly participa do mercado nacional como fabricante de bases para estampos há 35 anos. Na área de injeção de plásticos, passou a oferecer ferramentas pré-fabricadas há 18 anos. A empresa possui três fábricas no Brasil. Duas delas, localizadas na capital paulista e em Mairinque-SP, são voltadas para a produção das estruturas dos porta-moldes.

Em Sorocaba-SP, a empresa conta com unidade voltada apenas para a fabricação de componentes para ferramentas, como buchas, pinos e outros. “Essa estrutura nos permite a pronta entrega de qualquer pino ou bucha solicitado pelo cliente”, destaca o gerente de vendas. As peças fabricadas em Sorocaba, além de atender o mercado nacional, são utilizadas pelas plantas que a empresa mantém na França e no México, além de serem exportadas para os Estados Unidos e diversos países da Europa e Ásia.

A empresa oferece milhares de combinações de porta-moldes, com placas de dimensões de até 2.500mm x 2.000mm. O filão dos moldes gigantes é motivo de sucesso. Com equipamentos como uma retífica plana tangencial usada em placas de aço com dimensões de 3.000mm x 1.500m x 1.000m ou uma furadora que produz furos de até 32mm de diâmetro e 2 metros de profundidade, tem conquistado muitas encomendas entre representantes de segmentos que utilizam peças plásticas de grande porte, como as indústrias automobilísticas, de linha branca e de eletrodomésticos. Nessas dimensões, os porta-moldes, em geral, são acompanhados de prestação de serviços extras de usinagem.

“Antes, os transformadores produziam peças plásticas menores e depois as montavam ou soldavam para obter um projeto de grandes dimensões. Hoje, cada vez mais eles estão se utilizando de grandes moldes para fabricar peças de maior porte”, diz. Por esse motivo, a empresa adquiriu novos equipamentos de grande porte para aprimorar a estrutura da fábrica de Mairinque.

O sucesso entre os gigantes não faz a MDL-Danly descuidar dos pequenos. A empresa está dedicando neste ano especial atenção aos menores, a fim de ampliar sua participação nesse nicho de mercado. “Estamos preocupados em aumentar o leque de produtos padronizados para entrega rápida”, revela Horvate. Nessa faixa de atuação, oferece modelos com dimensões de 180mm x 200mm a 600mm x 500 mm.

Plástico Moderno, Porta-moldes - Segmento lucra com a crescente exigência dos transformadores por ferramentas semiprontas
Os porta-moldes da Miranda seguem padronização européia

Endereço único – Oferecer aos clientes porta-moldes e todos os seus componentes é a estratégia adotada pela Miranda. “Isso gera muitas vantagens para os clientes: da agilidade que eles obtêm de encontrar tudo em um único endereço à condição de pagamento mais favorável”, defende Miranda Neto. Para o dirigente, a estratégia vem se mostrando muito acertada, como prova o excepcional desempenho das vendas obtido no ano passado.

Outro trunfo da Miranda é o de ampliar constantemente seu catálogo de produtos. Na última edição da Brasilplast, realizada em 2007, a empresa lançou novo catálogo, com mais de 500 mil combinações. “Hoje adotamos as normas de padronização europeias, nosso catálogo apresenta as mesmas opções oferecidas pela Polimold”, garante o dirigente.

A atividade de origem da Miranda, atuação na qual a empresa permanece até hoje, foi o fornecimento de bases de estampo e outros produtos para a indústria metalúrgica. Os porta-moldes para plástico representam em torno de 35% do faturamento da empresa, que conta com 150 funcionários.

Para atender à demanda crescente, a empresa investiu, nos últimos anos, na compra de novas máquinas de usinagem de aço. Seus modelos padronizados contam com dimensões até 1.500mm x 1.500mm, no caso das ferramentas quadradas, ou com diâmetros de até 600mm, no caso de moldes redondos. “Os moldes redondos estão cada vez menos sendo usados, mas algumas ferramentarias caseiras ainda os adquirem”, explica.

Com 60 funcionários e no mercado desde 1995, a Tecnoserv tem como carros-chefe de sua linha de produção os porta-moldes e as câmaras quentes, oferecidos em vários tamanhos e combinações. “Entre os padronizados, nós oferecemos 600 mil possibilidades de combinações de montagem, levando-se em conta as dimensões das placas e de seus componentes. Também fazemos modelos especiais, com dimensões diferenciadas, de acordo com a necessidade dos clientes”, diz o diretor técnico Teixeira.

Da mesma forma que seus concorrentes, o executivo enfatiza o sucesso das vendas de produtos totalmente equipados e com serviços extras de usinagem, já prontos para receber as cavidades. “Os clientes estão muito interessados em receber os porta-moldes já com furos de refrigeração e outros trabalhos, além dos acessórios necessários, como molas, pinos extratores e, em alguns casos, câmaras quentes”, ressalta.

Para ele, as vantagens dessa compra para os ferramenteiros são claras. “Os porta-moldes usinados e equipados diminuem o tempo da fabricação da ferramenta. Hoje, a redução dos prazos é fundamental para a realização dos negócios”, defende.

Todos os componentes são de fabricação própria. A Tecnoserv também comercializa resistências elétricas para bicos e manifolds destinados à reposição de peças, itens que oferece no regime de pronta entrega, além de outros acessórios dirigidos à operação de injeção. A empresa produz placas com dimensões de até 900mm x 2.000mm. “Um de nossos pontos fortes é a assistência técnica, ajudamos os clientes em todas as etapas de desenvolvimento do projeto”, garante Teixeira.

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