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Polo Sul – Transformação gaúcha discute o fortalecimento da indústria do plástico e a união dos ela da cadeia

Fernando C. de Castro
22 de outubro de 2009
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    A extrusão em Caxias consome 27% das resinas; a termoformagem, outros 11%. Os quatro por cento restantes se dividem entre outros processos, sendo que 20% das empresas que atuam na transformação do plástico promovem mais de um tipo de processo.

    Recentemente, uma pesquisa apontou as consequências da queda na atividade econômica proporcionada pela crise financeira, em fase de superação, para os transformadores de plásticos gaúchos. Na opinião de 64,8% dos executivos, houve redução dos investimentos previstos na expansão de novos negócios. Para 71,6% dos entrevistados, ocorrerá reposição de preços ao longo da cadeia na ordem de 5% a 10%. As perdas financeiras também irão ocorrer por conta da pressão da carga tributária — quesito com maior poder de desestímulo à atividade produtiva para 66,7% dos entrevistados.

    Como obstáculos ao desenvolvimento do setor aparecem ainda os custos financeiros (33,3%) e a competitividade desleal (29,6%). A saída, na visão de executivos e empresários, é a busca por novos mercados (59,3%) e segmentos de produtos específicos (42,6%).

    A sondagem ouviu executivos de empresas com faturamento anual acima de R$ 100 milhões (90,7%) e com mais de mil funcionários (66,7%). Ainda assim, o Rio Grande do Sul lidera o ranking dos investimentos previstos para este ano (37%). Outro ponto forte da economia gaúcha é a qualidade da mão-de-obra.

     

    Engenharia de Superfícies e Simplás firmam convênio

    O Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás) e as demais entidades lotadas na Câmara da Indústria e Comércio de Caxias do Sul irão injetar aproximadamente R$ 500 mil de um total de R$ 6 milhões, para ajudar na decolagem das pesquisas do recém-criado Instituto Nacional de Engenharia de Superfícies (Ines), uma iniciativa do Ministério da Ciência e Tecnologia e de diversas universidades públicas, privadas e entidades empresariais, supervisionado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

    O instituto articula recursos humanos e infraestrutura em todo o país na área de produção científica em engenharia de superfícies, interligando uma rede de laboratórios de pesquisa das principais universidades do país, entre as quais a Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Estadual de Campinas, Universidade do Estado de Santa Catarina, Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Universidade de Caxias do Sul (UCS).

    No caso dos plásticos, a mudança de superfícies diz respeito à obtenção de novas propriedades físicas como transparência, produção de plásticos quimicamente ativos com propriedades antibióticas, ou inativos para algumas substâncias que possam reduzir problemas ambientais e contaminantes. Com relação ainda a polímeros, a engenharia de superfícies pode estudar tratamentos para fins de proteção, decoração, aumento da dureza superficial, resistência ao desgaste e controle da adesão com metais, por exemplo.

    Segundo o coordenador nacional do Ines, Israel Baumvol, existem inúmeras funções possíveis na área de polímeros, tais como a metalização de filmes de ligas com função protetora da superfície. Ele argumenta que a Universidade de Caxias do Sul já reúne há mais tempo uma área de processamento de polímeros, desde a injeção até a reciclagem reconhecida internacionalmente. O coordenador ressaltou o esforço em diversas áreas como tintas, materiais para impressão e outras tecnologias gráficas. Entre as empresas do segmento plástico já beneficiadas por pesquisas constam a Fras-le, Tramontina, Marcopolo, Randon, Autotravi, o Sindicato Calçadista de Três Coroas, a Grendene, a Borrachas Vipal e a Braskem.

    Por conta dessas pesquisas, a Plásticos Soprano, empresa de Caxias, obteve recentemente uma patente que contempla pesquisa em nanotecnologia e por meio da qual foi possível desenvolver um plástico endurecido para a injeção de estrutura de cadeados. O endurecimento de plásticos beneficia também o setor de transporte de cargas, que está sofrendo grandes modificações. Atualmente, na parte de carrocerias, a madeira e o metal são materiais dominantes, mas futuramente a substituição de partes grandes e pesadas por estruturas poliméricas mais leves será uma realidade.

    Baumvol diz ainda que a indústria de matrizes e moldes para plásticos também deve se beneficiar. Ele explicou que o desgaste dos moldes de injeção, decorrentes do forte atrito, poderá ser reduzido significativamente com a colocação de revestimentos de polímeros sobre a camada de aço. Ele explica que futuramente o Instituto de Engenharia de Superfícies terá pesquisas específicas para atender diversos segmentos como as indústrias de álcool e biodiesel.
    Outro benefício concedido aos sindicatos participantes do consórcio se relaciona com o acesso aos laboratórios da seção caxiense do instituto com 30% de desconto. Localizados na UCS, esses laboratórios contam com equipamentos de alta tecnologia que, operados pelos pesquisadores do Instituto, podem ser de grande utilidade para resolver problemas da indústria regional, tais como questões tecnológicas, redução de custos e aumento na competitividade.

    Baumvol explica que o Ines nasceu sob inspiração de um edital da pasta da Ciência e Tecnologia e capta recursos de outros setores de fomento da pesquisa científica, tais como o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do governo federal. As entidades de Caxias do Sul aportam recursos por meio de um documento assinado e chancelado pela UCS, por meio do qual esses segmentos industriais irão usufruir os benefícios práticos das pesquisas; isto é: descobertas tecnológicas que venham a ser aplicadas nas indústrias de transformação.



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