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Polo Sul – Transformação gaúcha discute o fortalecimento da indústria do plástico e a união dos ela da cadeia

Fernando C. de Castro
22 de outubro de 2009
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    Na petroquímica, 80% da comercialização de resinas está nas mãos de duas empresas. Os 20% restantes correspondem às importações, as quais podem até aumentar. “O processo de calibração do setor não contempla uma explosão de preços e abre espaço para a criação de uma agenda positiva”, avalia Schmitt.

    Outra preocupação são as campanhas orquestradas contra as sacolas plásticas, as quais passaram a receber a resposta por parte da cadeia produtiva. Como Schmitt também preside a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief), ele quer promover sinergia entre as ações da entidade nacional com as demais entidades ligadas ao plástico no Brasil, sejam regionais ou nacionais.

    Embora a Abief tenha tomado iniciativas desde o começo do ano passado, quando as campanhas de mídia contra as embalagens de polietileno tomaram conta do horário nobre da televisão aberta do país, Schmitt acredita que neste momento toda a imagem negativa que tentaram produzir contra o plástico começa a ser revertida. Ele informa que o site na internet criado para defender os interesses da indústria de sacolas plásticas registrou quatro mil acessos nas primeiras vinte e quatro horas de veiculação.

    Trata-se de uma campanha perene, pois a indústria aprendeu que tem inimigos institucionais e políticos e precisa se defender ao longo do tempo dentro de uma construção positiva, sem ofender ninguém, mas colocando as questões práticas que envolvem o tema. “Sacola plástica é o único meio de transporte capaz de transportar mil e quinhentas vezes o seu próprio peso, pois tem massa de quatro gramas e suporta seis quilogramas, ou seis mil gramas, desde que processada dentro da norma ABNT específica”, pondera Schmitt.

    Eleito para um mandato completo à frente do Sinplast-RS em 15 de setembro último, Alfredo Schmitt quer promover a competitividade do setor e aprofundar o debate sobre como melhorar a situação dos impostos. Promete criar um comitê de energia elétrica porque se avizinha um aumento de 50% real nas tarifas. A majoração nessa proporção simplesmente inviabilizará a indústria de transformação como um todo no Brasil.

    “Queremos rediscutir isso, porque será um momento preocupante para toda a indústria de transformação no Brasil”, adverte. Recentemente, a convite do Sinplast-RS, esteve em Porto Alegre um diretor da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia para informar o atual panorama, o qual aponta para uma posição majoritária dentro da Agência Nacional de Energia Elétrica, favorável a mudar os patamares do preço da energia.

    Schmitt pontua: é preciso entender o problema da energia, pois toda vez que se reivindica algo de modo inadequado o insucesso é previsível. “Desafios importantes já aparecem no nosso horizonte: clusters de transformação no Oriente Médio, preços de energia, alterações maléficas na legislação trabalhista, fatos que levarão a um novo mundo de negócios logo ali adiante. Precisamos nos preparar, ter consciência de que para sobreviver e perpetuar nossos negócios, termos dentro de nós o conceito da cadeia produtiva do plástico será fundamental.”

    O presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), com sede em Caxias do Sul, Orlando Marin, harmoniza o discurso com Alfredo Schmitt quanto ao tema da possibilidade de formação de monopólio petroquímico no país. “Se confirmada a compra da Quattor, não muda nada no mercado porque de uma situação de duopólio para monopólio o quadro é o mesmo.”

    Plástico,  Orlando Marin,  presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Polo Sul - Transformação gaúcha discute o fortalecimento da indústria do plástico e a união dos ela da cadeia

    Marin enfatiza a necessidade de resguardar a imagem do plástico

    Marin reforça a tese de Schmitt. Se o governo tem condições de amortizar a dívida pública por ser sócio do passivo da Quattor, não haverá obstáculo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “O fato é que tem de arrumar a casa. Se o país comporta apenas uma petroquímica forte que assim o seja”, propõe Marin. Entretanto, o presidente do Simplás adverte: a importação irá regular o setor. “Se ficar apenas uma petroquímica com bandeira nacional, o jeito é trazer concorrência de fora para equilibrar o mercado”, pondera Marin.

    Da mesma forma que o Sinplast, o Simplás se preocupa com a imagem do plástico. Marin reforça que a questão ambiental é muito importante para a entidade. “Eu sempre digo que hoje a gente enterra material. Amanhã vamos desenterrar para produzir energia. Há um desafio de conduta da sociedade que é parar de jogar fora e encontrar novas utilidades para os materiais advindos de fontes naturais. O cara passa na gôndola do supermercado e tudo é plástico e depois joga tudo numa sacola de pano para agradar um ecologista”, condena Marin.

    Em Caxias do Sul, a estratégia do Simplás consiste em responder aos ataques em diversas frentes, principalmente por meio da participação em debates e palestras em emissoras de rádio local e promovidas por instituições da sociedade. Além disso, o Simplás organizou palestras sobre o tema das sacolas plásticas e convidou os ambientalistas da região com o objetivo de mostrar que uma sacola de polietileno é ao contrário do que se pensa uma solução ambientalmente amigável. Conforme Marin, depois do supermercado a sacola é empregada como saco de lixo e poderia ir para a usina de reciclagem. Então o problema é o descarte e não o material.



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