Plástico

Pólo Sul – Sinplast tem nova direção, mas os desafios são antigos

Fernando C. de Castro
21 de março de 2009
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    A boa notícia é que todos os sindicatos do país liderados pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) estão unidos. A entidade promoveu quatro viagens para Brasília no ano passado junto com os sindicatos para expor os pleitos dos transformadores. “Precisamos de vontade política para voltar a produzir como indústria e não como caixa de impostos”, completa Galléas.

    Na visão do presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin, o setor plástico não foge em nada aos demais segmentos atingidos pela crise dos mercados. O marco zero, para ele, foi o mês de novembro.

    O primeiro segmento a perceber a crise foi o de fornecimento de peças e componentes automotivos, quando as montadoras do centro do país começaram a brecar a produção naquele mês. Em dezembro, as fábricas de ônibus e caminhões acionaram o freio.

    Depois veio a suspensão das encomendas da indústria de móveis e refrigeração. De acordo com Marin, janeiro conheceu uma pequena recuperação, pois essas indústrias precisaram reabastecer o mercado de peças de reposição. Em fevereiro, voltou a cair, mas foi sazonal por conta do feriado de Carnaval e de férias coletivas programadas.

    Os setores menos atingidos foram os de utilidades domésticas e construção civil. A expectativa é de que em março comece a fase de retorno do crescimento, ainda lento, gradual e sequencial, mas positivo. Apesar da situação de crise, o segmento plástico deverá terminar o ano com um crescimento médio de três a quatro pontos percentuais em relação à média da economia.

    Plástico Moderno, Orlando Marin, presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Pólo Sul - Sinplast tem nova direção, mas os desafios são antigos

    Marin prevê a desativação de plantas petroquímicas obsoletas

    De acordo com Marin, a indústria entrou em um período de cautela, porque a primeira sinalização da crise, a alteração no câmbio, não permitiu o repasse do preço de insumos importados aos produtos. Com isso, ninguém comprou. Cada empresa tinha seu estoque e foi usando até janeiro, quando os preços de plásticos de engenharia voltaram a cair. Na carona do excedente de resinas e no exterior, Marin prevê uma deflação no setor.

    Na base do Simplás, o momento é de realinhamento de preços para baixo. As resinas plásticas estão sofrendo uma forte queda dos preços e essa situação deve continuar. O PVC caiu 30% em relação a novembro, de R$ 3,76 para R$ 2,61, o quilo. Hoje os transformadores compram a resina a R$ 3,70 o quilo e com probabilidade de baixar ainda mais. O ABS estava R$ 5,40 o quilo em outubro. Chegou a custar R$ 8,00 e agora retornou para os patamares de outubro, mesmo sendo produto importado. Segundo Marin, os transformadores estão repassando a redução de custos para clientes.

    Ele ressalta o aumento de oferta de resinas no mercado, com a entrada em cena das petroquímicas do Oriente Médio e a redução de preços dos plásticos de engenharia na China, por conta da queda interna da economia mais dinâmica do mundo. Além disso, as plantas novas foram construídas com tecnologia avançada e estão produzindo mais, com menor consumo de energia.

    Com relação ao novo desenho da petroquímica brasileira, o presidente do Simplás afirma que não havia outra saída. Ele prevê a desativação de algumas plantas mais antigas e o surgimento de outras mais modernas. “Algumas das empresas, reunidas na Quattor, estariam em liquidação, se não ocorresse a fusão.”

    O presidente do Simplás acredita ainda numa segunda fase desse redimensionamento com a fusão da distribuição. “As grandes devem engolir as pequenas”, completa Marin. Por conta do oligopólio de duas corporações, Marin aponta o aumento da importação como recurso de regulação dos preços.

    Na área de domínio do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc), o vice-presidente da entidade, Oswaldo Kieseweter, confia na atividade da construção civil como propulsora da transformação de termoplásticos de Santa Catarina, mas adverte que o segmento de embalagens para alimentos irá crescer menos. “Se o país crescer dois por cento, os transformadores irão crescer no mínimo 5%”, aposta Kieseweter.

    Industrial do segmento de poliestireno expandido, Kieseweter anota que em particular esse será afetado negativamente. Em primeiro lugar porque já houve retração de diversas indústrias consumidoras, como embalagens descartáveis. Além disso, o ano é avesso ao consumo de televisão (não tem Copa do Mundo nem Jogos Olímpicos), outro segmento cativo para essas embalagens.

    O outro problema é o projeto da TV digital, que se encontra muito atrasado. Os clientes de Kieseweter estão concentrados na Zona Franca de Manaus. Pesquisas mostram que em São Paulo, o primeiro estado a implantar a tecnologia, o interesse pela transmissão de alta resolução atinge 1% da população economicamente propensa a gastar com aparelhos de última geração.

    Nos cálculos de Kieseweter, para chegar em 6% de crescimento este ano, a terceira geração petroquímica precisará faturar pelo menos uns três meses nos dois dígitos no segundo semestre, pois, em sua opinião, no primeiro semestre, não irá crescer mais do que 3%. “O mar está turbulento. Caíram os preços em dezembro. Tem a chance de melhorar as margens que estavam negativas.”

    Na opinião de Kieseweter, é preferível vender menos volume com a margem normal do que promover sacrifícios nas empresas para produzir mais. Assim como outros segmentos, o vice-presidente do Simpesc detecta o aumento da inadimplência no segmento de poliestireno expandido. No mercado asiático as resinas já começaram a baixar.



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