Polo Plástico Sul – Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento

Segundo o consultor, diversas empresas não estavam preparadas para essa nova realidade e entraram em crise ou fecharam. Outras, pelo contrário, com mais vigor, partiram em busca dos mercados no terreno global, desfavorecendo

Plástico, Polo Plástico Sul - Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento
Sul atende diversos mercados, como o setor de linha branca

os negócios na economia regional. Essas empresas mais robustas estão preparadas no sentido de enfrentar o quadro de pressão da petroquímica sobre os transformadores, em favor de aumentos reais das resinas, que agora são frequentes.

Trocando em miúdos, o mercado tende a ficar mais seletivo, cedendo espaço para um novo perfil empresarial marcado por firmas de médio e grande porte, em lugar dos pequenos empreendimentos, esses últimos guindados ao mundo dos negócios quase que por iniciativas românticas.

De acordo com Zuñeda, o sul ainda será uma região capaz de atender diversos mercados, desde escovas de dente, cosméticos, peças técnicas de linha branca, linha marrom, automotiva, brinquedos, máquinas agrícolas, equipamentos agrícolas, embalagens de alimentos e de bens duráveis até indústrias de ponta, como a da aviação. “Não tem carro brasileiro sem peças produzidas em um desses estados”, diz o consultor, ressaltando ainda que o sul continuará como berço de produtos inovadores, como o PP para calçado full inject, desenvolvido em Santa Catarina, entre outros produtos.

Pelo lado dos transformadores, o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado de Santa Catarina (Simpesc), Albano Schmidt, comenta o tema do monopólio da Braskem/Petrobras. “O monopólio criou um mercado forte de importações de resinas, uma competição para a qual muitos não estavam preparados.

“Apareceram novos materiais e tecnologias e a lógica do mercado mudou bastante. As regiões de Criciúma, Joinville, Chapecó e a Grande Florianópolis seguem sendo nossos grandes polos de produção de plásticos”, ressalta Schmidt, enfatizando que Santa Catarina concentra um cluster gerador de R$ 10,9 bilhões somente em pesquisa, pois o segmento de embalagens está se modificando, em favor de produção de peças técnicas.

Já o segmento de sopro vem experimentando um momento único, com a demanda por cosméticos e produtos de limpeza para a classe C, confirmando a análise de Zuñeda. Isto é: “Há muitas mudanças em andamento. Aqui no estado temos algumas das maiores empresas em seus segmentos. Schmidt cita a consolidação de pesos-pesados do plástico em Santa Catarina, entre eles: Tigre, Amanco, Tecnoperfil, Rafitec, Copobras, Copozan, Minaplast, Incoplast, Plasc, Canguru, e Videplast.

Números gaúchos – Nos cálculos do Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS), a indústria do plástico gaúcha cresceu 3% ao ano na última década, praticamente o dobro da média dos três estados do sul. De acordo com o presidente do Sinplast-RS, Alfredo Schmitt, a história da cadeia produtiva no RS se divide em antes e depois das duas gestões do falecido ex-presidente da entidade, Atílio Bilibio, ainda nos anos 90, quando foi implantado o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Transformação de Produtos Petroquímicos e Químicos do RS (Proplast), que beneficiou as empresas do segmento de plásticos e permitiu um crescimento consistente das indústrias. “Foi um período que deixou um grande legado para o setor” disse.

Alfredo Schmitt destaca que, na média, a indústria gaúcha responde por 8% da produção nacional, tendo um crescimento no consumo de resina de 30% nos últimos oito anos. O industrial ressalta que a variável que mais influenciou na “alavancagem” dos negócios foi o cenário macroeconômico, principalmente pelo fortalecimento da classe C, que nos últimos anos passou a consumir mais, agregando 50 milhões de consumidores.

Em relação aos processos industriais que mais se desenvolveram na última década, Schmitt aponta as aplicações feitas com injeção, sopro e filmes. O presidente do Sinplast observa que com o encerramento da Copesul e da Petroquímica Ipiranga, o Brasil passou a ter um único fornecedor de olefinas, através da Braskem, em compensação surgiram outros fornecedores do mesmo tipo de matéria-prima. “Passou também a ocorrer um avanço de outros fornecedores, como os importados, que passaram de 16% para 30% do total dos insumos”, revelou.

Como entraves ao crescimento da indústria do plástico, Alfredo Schmitt aponta questões ligadas à competitividade,

Plástico, Alfredo Schmitt, presidente do Sinplast-RS, Polo Plástico Sul - Vários entraves induzem a indústria transformadora da região ao encolhimento
Ações do governo gaúcho ajudam o setor plástico e animam Schmitt

incentivos fiscais oferecidos por estados (Rio de Janeiro) e o ingresso de produtos transformados importados, principalmente da China, além de outros países, que estão com a economia desaquecida e que ofertam produtos para o Brasil com preços muito baixos, na expectativa de conquistar um mercado em crescimento. O dirigente do Sinplast aponta que os problemas maiores residem nos gargalos da infraestrutura, a falta de uma política industrial e a necessidade da desoneração da folha de pagamento dos salários.

Schmitt manifesta otimismo com as recentes medidas, anunciadas pelo governo gaúcho no dia 28 de março, que estabeleceram o setor do plástico como um dos prioritários para o desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul. Conforme Alfredo Schmitt, depois de quase um ano de reuniões, chegou-se a um acordo que prevê incentivos para o segmento, como a elaboração de um plano estratégico de ações de marketing, o que inclui a participação em feiras, road show e rodadas de negócios, além do apoio ao arranjo produtivo local com relação à sua estrutura de governança e elaboração de plano de desenvolvimento.

Em 2012, o sindicato comemora 30 anos de fundação, e o presidente da entidade acredita que o setor irá crescer 4% no Rio Grande do Sul. Para tanto, aposta no crescimento do mercado interno e na conquista de novos mercados no exterior. “É preciso que se busque sempre a inovação para que possamos continuar enfrentando os desafios de um mercado muito competitivo”, finalizou.

A diretoria do Sinplast-RS argumenta que o volume de recursos aplicados em 2011 e contratados para 2012 mostra que, apesar da piora no cenário econômico no ano passado, as mais de 700 empresas associadas ou filiadas ao Sinplast-RS mantiveram investimentos fortes e constantes em seus parques industriais. Ainda de acordo com o balanço de 2011, apresentado por Schmitt, no ano passado o desembolso do BNDES para o setor foi de R$ 100,9 milhões, abaixo dos R$ 142,3 milhões repassados em 2010, mas acima dos R$ 62,8 milhões de 2009. Schmitt afirma, também, que no ano passado o consumo de resinas caiu em 2,6%, passando de 524 mil toneladas em 2010 para 511 mil toneladas em 2011.

Com isso, o RS ficou com uma fatia de 7,9% do consumo de resinas no país. Já a geração de empregos subiu 1,2% e chegou a 29,2 mil postos de trabalho com os investimentos feitos, que elevaram a capacidade produtiva das empresas gaúchas. Mas com a desaceleração da demanda, sobretudo no segundo semestre, o nível operacional das empresas caiu de 76% em 2010 para 72% em 2011.

O grau de ocupação era de 69% em 2009. Para o líder setorial, as empresas nacionais estão ficando reféns do Custo Brasil, o que leva muitas delas a trabalhar com matérias-primas importadas (34% do mercado de resinas é atendido pela importação), a usar máquinas importadas e, também, a abrir unidades no exterior (principalmente na China), para fazer a importação e conseguir enfrentar a concorrência. “É uma situação perigosa”, avalia o industrial. “A evolução da indústria plástica no RS nos últimos dez anos registra um aumento destacado de postos de trabalho, de tecnologia, produtividade, modernização dos parques fabris e principalmente da cultura organizacional de nossos funcionários. Crescemos mais que a média da economia, pois nosso setor, além de fazer parte de todos os outros setores, também substitui muito outro componente metálico, da madeira, do vidro e tantos outros.”

“É preciso antever as mudanças tecnológicas, comportamentais e reposicionar a estratégia. Temos de observar exemplos, como o da Kodak, que já teve 40 fábricas, mas neste ano pediu concordata. Isso serve para mostrar como a indústria precisa se renovar ao longo do tempo”, alerta Marcus Coester, presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento. Das ações propostas pelo governo, 36% são destinadas à nova economia. A mais arrojada é a isenção de ICMS sobre importação de insumos, equipamentos e matéria-prima para a fabricação de semicondutores.

A medida deve dar novo vigor ao Vale dos Sinos, região que pretende ser um polo de microchips. A HT Micron faz os últimos testes para iniciar o encapsulamento de semicondutores em escala comercial. Outras duas empresas negociam uma possível vinda para o estado. E ainda existe a sondagem para a instalação de centros de pesquisa e desenvolvimento.

A estratégia faz parte de um esforço coordenado para apresentar as qualidades do Rio Grande do Sul a grandes fabricantes de chips nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Entre os pontos que pesam favoravelmente estão a integração com universidades, que já formam profissionais neste campo altamente especializado, a presença de duas empresas que lidam com essa tecnologia e um mercado interno que necessita de chips, mas os traz de longe.

“O Brasil é um grande player por causa do seu mercado interno, estabilidade política e econômica. Mas existe uma grande competição interna a superar. Os estados lançam mão de isenções fiscais que a gente nem sempre consegue acompanhar. Mas temos vantagens competitivas a explorar”, aponta Cleber Prodanov, secretário da Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico.

A transformação no Rio Grande do Sul, um estado que valoriza a alta tecnologia em uma série de segmentos, começou a tomar força tardiamente, com o impulso dos parques tecnológicos que nasceram no entorno de grandes universidades, há uma década. Apesar de recentes, esses espaços têm crescido rapidamente. Além de chips, ganham prioridade setores como petróleo e gás, energias limpas, biotecnologia, tecnologia da informação e a indústria criativa.

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