Economia

Pólo da Bahia – Maior complexo petroquímico do País amarga o desinteresse em sua modernização

Jose Valverde
28 de setembro de 2007
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    A baixa mais recente é a desativação da unidade de 70 mil t/ano de polietileno tereftalato (PET) da Braskem, juntamente com a produção da matéria-prima, o DMT – uma rendição à fábrica concorrente da Mossi & Ghisolfi (M&G) inaugurada neste ano em Pernambuco. Tal fábrica, uma single line de 450 mil t/ano, foi apresentada como a maior do mundo, juntamente com a irmã gêmea, construída no México.

    O diretor de relações institucionais da Braskem, Marcelo Lyra, revelou que a possibilidade de a produção do PET ser reativada em Camaçari continua sendo avaliada – e, se for aprovada, não será com base no DMT, cuja produção foi definitivamente encerrada. A rota será a mesma da M&G, a do paraxileno, aromático produzido na própria Braskem.

    Uma análise da Solver Consultoria Empresarial para a Agência de Desenvolvimento da Bahia (Desenbahia) constatou a tendência de o 2º Pólo perder densidade, mediante estagnação e declínio na produção das resinas que apresentam maiores taxas de crescimento, como PP e PET. A análise conclui que a alta escala de produção, caracterizadora das fábricas que estão se instalando no Sul e Sudeste, é garantia de menores custos, fixo e variável, e perspectiva mais ampla de mercado, incluindo a prevista substituição das produções do 2º Pólo.

    Plástico Moderno, Marcelo Lyra, diretor de relações institucionais da Braskem, Pólo da Bahia - Maior complexo petroquímico do País amarga o desinteresse em sua modernização

    Lyra destaca planos de expansão nas unidades de resinas vinílicas

    Investimentos da Braskem – No âmbito da Braskem, Lyra aponta seguidos investimentos para rebater a percepção de que o 2º Pólo não merece prioridade, a começar pela aquisição da fábrica de polietileno da Suzano, a então Politeno, seguida de expansão de 360 mil t/ano para 400 mil.

    Lyra apresenta aplicações de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, nos recentes quatro a cinco anos, em atualização tecnológica, melhorias ambientais, suprimentos, energia e outros itens. Refere-se aos acréscimos ocorridos nas produções de paraxileno e isopreno; às reformas nos reatores das unidades de vinílicos (MVC/PVC) na Bahia e Alagoas; e à substituição do metanol pelo etanol na produção do aditivo oxigenado que aumenta a octanagem na gasolina – antes Metil-terc-Butil-Éter (MTBE), agora Etil-terc-Butil-Éter (ETBE), sucedâneo ambientalmente aceito. Quanto ao futuro, lembra as previstas expansões das unidades de vinílicos – na Bahia, mais 80 mil t/ano, em Alagoas, mais 70 mil; e, para 2011, a inauguração da recentemente anunciada fábrica de 300 mil t/ano de polipropileno.

    O executivo admite dois fatores que estariam realmente comprometendo a competitividade da Braskem no 2º Pólo:

    1. a deficitária, segundo ele “lastimável”, situação da infra-estrutura de transporte, fator causador de crescentes custos de logística na entrada e saída de mercadorias, pelos modais rodoviário, ferroviário e marítimo;

    2. a questão fiscal, expressa na impossibilidade de compensar plenamente, nas vendas internas, os créditos acumulados na compra de nafta à Petrobrás, como manda a Lei Kandir – e, como conseqüência, uma bolada de R$ 580 milhões a R$ 600 milhões a receber do governo do Estado, que reconhece a dívida, mas não sabe como pagar.

    Marcelo Lyra revela e o governo confirma a ocorrência de entendimentos, no âmbito de uma comissão formada por representantes da Braskem e da Secretaria da Fazenda, com vistas à superação da questão fiscal. O governo, segundo Lyra, já se comprometeu a impedir que a bolada continue aumentando, mas ainda não há uma fórmula para saldar o acumulado. Entre as imaginadas, estão: a emissão de certificados lastreados no crédito, para negociação no mercado secundário – hipótese que, mediante deságio, interessaria a empresas com ICMS a recolher; vincular o pagamento à execução de novos investimentos da Braskem no 2º Pólo.

     

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