Economia

Pólo da Bahia – Maior complexo petroquímico do País amarga o desinteresse em sua modernização

Jose Valverde
28 de setembro de 2007
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    Empresas de segunda geração, que já deveriam estar duplicadas ou ampliadas há vários anos, salvo desgargalamentos e reformas, permanecem com a mesma produção inaugurada há quase trinta anos. São exemplos a Acrinor (Acrilonitrila), e a ex-Suzano (polipropileno) e agora Petroquisa, ambas consumidoras de propeno, olefina ainda fartamente disponível na unidade de insumos básicos da Braskem – e, por isso, largamente exportada. O fechamento iminente de outras plantas de segunda geração é sempre comentado.

    Há também a percepção de desinvestimento, causada pelo encerramento, nos dois anos recentes, de várias produções de resinas e matérias-primas intermediárias para a indústria de plástico. São apontadas: a fábrica de compósitos de PP da Basell; a da Lanxess, ex-Bayer, formuladora de resinas ABS e SAN; a da Ciba, produtora de aditivos diversos; a da Metanor, de metanol; e, por último, a planta da Braskem, que produzia resina PET, a ex-Proppet, paralisada, juntamente com a produção de DMT, em razão da inauguração da concorrente M&G, em Pernambuco.

    Por fim, o próprio desejo da Braskem de transformar-se em petroquímica global, com investimentos na produção de polietileno (PE) e polipropileno (PP) em países como Bolívia e Venezuela, onde há oferta abundante de gás natural/etano, restringe a expectativa da terceira ampliação do 2º Pólo, com a instalação de um terceiro cracker na unidade de insumos básicos.

    A escassez de matéria-prima em condições adequadas ao suprimento do terceiro cracker é a principal fragilidade à tal expansão, antes tão cogitada para reverter o obsoletismo e a decorrente queda de indicadores de competitividade; restaurar o poder de atrair novos empreendimentos; e ampliar as atuais unidades produtoras de resinas e outras matérias-primas intermediárias.

    Em razão do terceiro cracker, engenheiros e consultores que fizeram carreira no 2º Pólo, entre eles o ex-superintendente da Copene (atual unidade de insumos básicos da Braskem), Ary Silveira, imaginam soluções como a integração de toda a cadeia de hidrocarbonetos no Estado para assegurar a matéria-prima. Silveira há vários anos aponta algumas possibilidades:

    1. Segregar toda a faixa pesada (C2+) do gás natural (GN) produzido na Bahia, incluindo as correntes procedentes das reservas históricas do Recôncavo (5,5 milhões de metros cúbicos/dia com 8% de etano) e o da emergente produção do campo de Manati (6 milhões de metros cúbicos/dia, com 3% de etano).

    2. Instalar no porto de Aratu uma unidade de recebimento e liquefação de gás natural liquefeito (GNL), preferivelmente rico em C2+, acoplada à unidade de separação de C2+ das correntes locais de GN – acoplamento que possibilitaria a recuperação do frio gerado na regaseificação do GNL.

    3. Ajustar o processo da Refinaria Landulpho Alves de Mataripe (RLAM) para converter, por meio de craqueamento por hidrogenação (HCC), o excesso de óleo pesado (fuel oil) lá produzido e exportado a preço gravoso, em destilados médios, como querosene, nafta e gasóleo.
    Sobre a RLAM, em recente carta ao jornal A Tarde, alusiva a uma reportagem sobre a tendência à concentração da petroquímica no Sudeste, José Sérgio Gabrielli indicou que estariam em curso providências para fortalecer o 2º Pólo. Anunciou a possibilidade de revisão no plano de negócios da Petrobrás no Estado, onde seriam investidos em torno de 1,5 bilhão de dólares, até 2010, e 2,9 bilhões de dólares até 2011, incluindo a modernização da refinaria, possivelmente via instalação do craqueamento por hidrogenação.

    Plástico Moderno, Adary Oliveira, ex-diretor do BNDES Participações e ex-presidente de duas empresas petroquímicas, Pólo da Bahia - Maior complexo petroquímico do País amarga o desinteresse em sua modernização

    Oliveira sugere ampliar a 3ª geração na Região Nordeste

    PP e PET – A estagnação no 2º Pólo Petroquímico pode ser simbolizada na fábrica de polipropileno (PP), que recentemente passou para o controle da Petrobrás, juntamente com todo o ativo da Suzano Petroquímica – uma velha fábrica que, desde 1978, quando foi inaugurada, produz as mesmas 125 mil t/ano. Não foi duplicada como quase todas, embora as vendas do PP sejam as que crescem mais explosivamente.

    E, apesar de recente reforma no sistema catalítico, não produz grades de alto desempenho, alto fluxo etc. Permanece à margem do progresso e do desenvolvimento do mercado.A penúria de polipropileno no 2º Pólo contrasta com a fartura no 3º Pólo, o do Rio Grande do Sul, onde a produção alcança 800 mil t/ano – 650 mil t/ano na Braskem e o restante na ex-Ipiranga. É para sua produção no Rio Grande do Sul que a Braskem envia parte do enorme excedente de propeno que há em Camaçari, situação que promete reverter a partir de 2009, data estabelecida para a construção de sua primeira fábrica de polipropileno no 2º Pólo, anunciado projeto de 300 mil t/ano.

    Além de propeno, outros dois petroquímicos de primeira geração também são enviados para fora do Estado: o paraxileno, que poderia ser usado na fabricação de PTA; e o benzeno, que viabilizaria a implantação da fábrica de poliestireno que chegou a ser imaginada, no âmbito da joint Dow-Basf.

    Há quinze anos houve a primeira baixa na produção de um termoplástico no 2º Pólo: a Estireno do Nordeste desativou a unidade de polimerização e desde então envia o monômero para o Guarujá-SP, onde é polimerizado – procedimento que persistiu mesmo depois de a empresa ser adquirida pela Dow Química, no leilão de privatização.



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