Pólo Camaçari 30 anos – Investimentos anunciados

Braskem – No evento da Associação Comercial, Marcelo Lyra, na condição de presidente do Cofic, contabilizou: dos mais de US$ 4,2 bilhões que devem ser investidos em algumas importantes empresas da Grande Salvador nos próximos quatro anos, US$ 2,3 bilhões serão em empresas da cadeia química e petroquímica; US$ 1,35 bilhão na cadeia automotiva; US$ 425 milhões em uma fábrica de papel e celulose; e US$ 150 milhões na metalurgia.

No mesmo evento, José Carlos Grubisich revelou que do montante previsto para a química e a petroquímica, a Braskem investirá quase US$ 1,05 bilhão, dos quais US$ 440 milhões na fábrica para 300 mil t/ano de polipropileno. A matéria-prima será o propeno ainda disponível no 2º Pólo.

Outro importante investimento apontado por Grubisich, orçamento de US$ 131 milhões, será no aumento da produção do aromático paraxileno, o insumo requerido na síntese do polietileno tereftalato, a resina PET.

Em diferentes ocasiões, o então presidente da Braskem e o atual vice-presidente de Insumos Básicos se referiram também a outros investimentos: US$ 109 milhões em uma unidade de “resinas hidrocarbônicas”, matéria-prima de plásticos de engenharia usados principalmente na indústria automotiva; US$ 60 milhões na troca dos reatores da fábrica de PVC, para atender ao crescimento do mercado dessa resina, “que em 2007 aumentou 14%”; US$ 30 milhões em uma cogitada unidade de “solventes especiais” para tintas e plásticos.

“É um novo ciclo de investimentos que estaremos realizando no pólo baiano”, valorizou Grubisich. O novo ciclo exige também US$ 60 milhões para substituir a produção do MTBE, aditivo à base de metanol que aumenta a octanagem da gasolina, pelo ETBE, o similar ambientalmente recomendado, à base de etanol. O projeto começará a ser executado em julho de 2009. Além da mudança na formulação, inclui aumento na escala, de 120 mil para 160 mil t/ano.

Sobre a escolha do Rio Grande do Sul em detrimento da Bahia para a instalação da fábrica de 200 mil t/ano de polietileno verde, obtido do etanol, Carnaúba justifica: “Os aspectos técnicos foram os principais fatores.” E sai pela tangente: “Temos unidades de polietileno com diversas tecnologias de produção, e com diversas escalas de produção, que poderão nos dar uma grande flexibilidade de produtos para atender a este mercado em desenvolvimento.”

O secretário de Planejamento da Bahia, Ronald Lobato, tem uma explicação mais precisa: houve disputa entre os dois estados. Ambos ofereceram os mesmos incentivos. Empataram. O Rio Grande do Sul desempatou na questão da retenção do ICMS – prometeu restituir o crédito acumulado sem deságio, condição que o governo da Bahia não pôde assegurar. “Mas duvidamos que eles consigam honrar isso”, desabafou o secretário em entrevista ao jornal A Tarde, referindo-se aos gaúchos.

Unigel – Dos US$ 2,3 bilhões que segundo o Cofic serão investidos no ramo químico e petroquímico até 2012, US$ 200 milhões estão previstos para a duplicação, já em andamento, da produção de acrilatos e metacrilatos do grupo Unigel, investimento que reforçará sua posição de único produtor dessas resinas na América Latina, com fábricas no Brasil e México. “A fábrica já é um canteiro de obras”, festeja o vice-presidente do grupo Unigel, Roberto Noronha Santos, que também esteve no evento da Associação Comercial da Bahia.

Outro provável investimento do grupo Unigel será a ampliação e modernização da fábrica de monômero de estireno, a ex-Estireno do Nordeste (EDN), que está adquirindo da Dow Química, negócio ainda dependendo da aprovação dos órgãos reguladores – que não têm motivo para impor restrições – e também da conclusão das diligências e aprovações corporativas usuais.

Plástico Moderno, Roberto Noronha Santos, vice-presidente do grupo Unigel, Pólo Camaçari 30 anos - Investimentos anunciados
Noronha anuncia planos de investimento

Para a Dow, que enviava o monômero para polimerização ou uso na produção de látex (estireno-butadieno) no Guarujá-SP, contribuíram para a alienação da fábrica de 160 mil t/ano, fechada desde janeiro: a baixa escala da produção; idade da planta; e o excesso de estireno no mercado global.

Para esta mesma fábrica, uma das que não foram duplicadas desde a partida em 1978, Roberto Noronha anuncia altos planos de crescimento. “Vamos dotá-la da tecnologia mais moderna do mundo.” A matéria-prima – eteno e benzeno – está assegurada sob contrato. Pondera, entretanto, que “não será do dia para a noite”. Quanto ao mercado, hoje caracterizado pelo excesso de oferta, argumenta que ocorreram fechamentos recentes, também de alcance global. “Mas o importante mesmo para nós é que o Brasil é importador.” E arremata: “Vamos substituir importações.”

Noronha avalia que as importações possam estar alcançando 200 mil t/ano; e lembra que há apenas dois fabricantes: a própria Unigel, dona em São Paulo da Companhia Brasileira de Estireno (CBE), e a Innova, agora da Petrobras, no Rio Grande do Sul.

A demanda crescente, a recente redução de 17% para 14% no ICMS – decisão do governo da Bahia no rastro de medida similar adotada em São Paulo – e a iminência da superação da questão causada pela retenção do ICMS nas exportações estão dando força a outros projetos no âmbito do Grupo Unigel. “A demanda agregada está alcançando um novo patamar”, anunciou.

Um dos projetos a que o executivo se refere é o da duplicação da Acrinor, a fábrica de acrilonitrila, única do Brasil – um projeto arquivado que tende a retornar às pranchetas. Antes da duplicação – quando alcançará o patamar de 200 mil t/ano – haverá um aumento de produção na fábrica atual, uma single line que desde a partida, em 1978, produz 90 mil t/ano. As duas matérias-primas – propeno, da Braskem, e amônia, da Fábrica de Fertilizantes do Nordeste (Fafen/Petrobras), também estão contratualmente asseguradas.

Outro projeto que está de volta às pranchetas é o da expansão da fábrica de policarbonato (PC), que chegou a ser anunciado para estar operando no primeiro semestre deste ano. Agora, anunciou Noronha, há duas opções: a ampliação da atual linha de produção (desgargalamento) e decorrente produção da resina no grau óptico, requerido na produção de mídias eletrônicas (CDs e DVDs), ou a instalação de uma segunda linha. “Mas o equipamento para a produção do grau óptico já foi comprado e poderá estar operando antes do desgargalamento ou da duplicação”, adiantou Noronha.

Ele revelou também que há planos para ampliar a produção em outra fábrica, a de sulfato de amônio, de 150 mil para 200 mil t/ano. E demonstrou entusiasmo: “Estamos apostando, acreditando.”

Na América Latina, o grupo Unigel é o único produtor de acrilonitrila e policarbonato, com fábricas no 2º Pólo; o principal produtor de acrilatos, com fábricas de monômero, resina e chapas no Brasil e México; e o maior fabricante de sulfato de amônio, com fábrica no 2º Pólo. Produz também monômero de estireno em São Paulo; e está presente no ramo das embalagens, filmes de polipropileno biorientado (BOPP), embalagens PET e latas de alumínio.

DOW – A boa notícia da Dow Química na Bahia foi anunciada pelo presidente da empresa para a América Latina, Pedro Suarez: o projeto, ainda na fase do estudo de viabilidade econômica, para a ampliação da Isopol, a fábrica de diisocianato de tolueno (TDI), a matéria-prima para espumas de poliuretano – expansão em 50%, de 60 mil para 90 mil t/ano. As obras estão previstas para ocorrer entre 2009 e 2011.

Nos últimos anos, marcados por boatos de iminente fechamento, a Dow vem recauchutando esta fábrica, a ex-Pronor, adquirida do grupo Mariani. A avaliação da empresa é de que pelo menos até 2015 a demanda de TDI na América Latina crescerá de 1% a 2% acima do Produto Interno Bruto médio da região.

A Dow, líder na produção de TDI na América Latina, mantém seis operações na Bahia: no município de Candeias estão as fábricas de óxido de propeno, polipropileno glicol, solventes clorados, e cloro-soda; em Camaçari, a fábrica de TDI e a Dow Automotiva, esta uma das fornecedoras de peças para a Ford, injetora de pára-choques e outras grandes peças. Em Vera Cruz, município situado na Ilha de Itaparica, mantém a mineração da salgema, que supre a produção do cloro.

No começo do ano, duas produções da Dow foram desativadas: a do monômero de estireno, cuja fábrica em Camaçari, depois de fechada, passou a ser negociada com o grupo Unigel; e a do hidroxietil celulose, em Candeias.

Ultra – O grupo Ultra realiza investimento de US$ 100 milhões na construção de uma fábrica para transformar 100 mil t/ano de óleos vegetais – de coco, babaçu e palmiste, este extraído da amêndoa de dendê – em 80 mil t/ano de álcoois graxos, com co-produção de ácidos graxos e glicerina. Desse volume, cerca de 30% substituirão as importações nas cinco fábricas da Oxiteno, do próprio grupo.

O álcool graxo pode ser etoxilado para uso em artigos de higiene pessoal, detergentes, amaciantes de roupas e têxteis. O óxido de eteno e seus derivados são os principais insumos produzidos na Oxiteno no 2º Pólo.

O grupo Ultra avisa: será a primeira fábrica de álcoois e ácidos graxos da América Latina, com tecnologia e escala à altura das similares, sob o controle de apenas cinco grupos no mundo. O grupo Ultra passa a ser o sexto.

“Este novo empreendimento reforça a posição da Oxiteno no mercado de tensoativos, no qual já possui forte atuação com sua linha de álcoois etoxilados e sulfatados, nonilfenol etoxilado e betaínas”, comemorou o grupo em um comunicado.

Outro acréscimo do grupo Ultra no 2º Pólo é a presente ampliação, de 45 mil para 110 mil t/ano, na produção de aminas, especiaria usada em defensivos agrícolas, cosméticos e material de limpeza.

Petrobras – O Cofic divulgou que a fábrica de fertilizantes nitrogenados Petrobras (Fafen) aprovou investimento de US$ 132 milhões para aumentar as produções de amônia, uréia e ácido nítrico.

 

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