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Poliuretano – Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

Maria Aparecida de Sino Reto
24 de setembro de 2009
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    O gerente ainda ressalta um desenvolvimento brasileiro destinado ao mercado de refrigeração. Trata-se de uma formulação que confere à espuma grande resistência à compressão, com redução de densidade e ciclo rápido de produção – sinônimo de alta produtividade.

    Na avaliação de Savignani, as solicitações do mercado brasileiro atentam para maiores cuidados com o meio ambiente, tais como produtos que contribuam para reduzir os níveis de ruído, as emissões deletérias na atmosfera, o consumo energético e, preferencialmente, aliar tudo isso com aumento de produtividade. O desenvolvimento de produtos baseados em fontes renováveis faz parte desse contexto. As pesquisas da Bayer nessa direção se concentram em seu Centro Tecnológico dos Estados Unidos, na obtenção de biopolióis derivados da soja, em particular.

    Dedicada às receitas– Inserida na classe de formuladores independentes, a Purcom, instalada em Barueri-SP, considera-se a maior da América Latina. A produtora de formulações ostenta evolução de fazer inveja desde sua criação, em 2002. Apenas dois anos depois já expandia em 200% a sua capacidade instalada para algo entre 600 e 800 toneladas mensais (entre 7.200 e 9.600 toneladas anuais). Um crescimento anual de 25%, nos cálculos do diretor tecno-industrial, Gerson Silva, justificou fortes investimentos e hoje a produtora de formulações ostenta uma capacidade anual da ordem

    Plástico, Gerson Silva,  diretor tecno-industrial,  Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

    Silva credita seu sucesso a conhecimento tecnológico

    de 30 mil toneladas, com espaço de sobra para alargar seu mercado. Hoje, a produção da Purcom gira em torno de 9 mil toneladas no ano e, nas estimativas do diretor, o mercado brasileiro de sistemas demanda da ordem de 90 mil toneladas anuais.

    A crise econômica estancou o avanço da empresa, mas Silva acredita que irá, no mínimo, repetir a produção registrada em 2008. Tanta certeza se baseia em novos projetos conquistados. O diretor da Purcom não hesita em revelar o segredo de seu sucesso, atribuído em especial à detenção de profundo conhecimento das matérias-primas e investimentos .

    Silva credita seu sucesso a conhecimento tecnológico em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Além disso, ele ressalta a proposta da empresa de oferecer soluções, desde o desenvolvimento da fórmula até a orientação ao cliente do processo produtivo.

    Há quem se pergunte como a Purcom consegue o prodígio de crescer tanto; aí vai a resposta: sua estratégia consiste em converter tecnologia de composites e outros plásticos em poliuretano. O diretor da Purcom relata vários desenvolvimentos recentes. Um deles substituiu polipropileno usado para revestir colchões. Essa indústria costuma aplicar PP espalmado sobreposto em camadas de pillow top, como um revestimento externo do colchão. A fibra, porém, fadiga com o tempo e essa camada fica irregular. Um novo sistema de PU resolve o problema: não deforma. E o convertedor aproveita o mesmo processo de fabricação do colchão. “Em termos de custo, acredito que empata”, diz Silva.

    Plástico,  Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

    Inúmeras receitas (amostras à esq.) saem da formuladora independente Purcom

    O poliuretano também avançou com vantagens sobre o látex (sintético ou natural) no mercado de travesseiros. Nesse caso, os transformadores são favorecidos com maior processabilidade e ausência de resíduos (gerados na lavagem obrigatória do látex), além da economia no consumo energético.

    No setor calçadista, uma palmilha viscoelástica em densidade 80, moldada por injeção, garantirá ao seu fabricante custo inferior ao do EVA e até mesmo ao do PU convencional de densidade 30, comumente usado nessa aplicação. Fruto de uma parceria com um grande fabricante de chinelos – que a Purcom prefere manter em sigilo por ora –, o produto não gera perdas e oferece maior conforto, na comparação com os materiais usuais. De início, essas palmilhas entram apenas na composição de peças destinadas à exportação. “Mas já existe projeto para o mercado nacional”, diz Silva.

    A Nasa, a agência espacial norte-americana, criou essa variedade de espumas com o objetivo de propiciar maior

    Plástico,  Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

    Travesseiros elaborados com poliuretano viscoelástico não deformam

    conforto aos astronautas. Tempos depois, essa tecnologia foi adquirida pela empresa sueca Tempur. Silva postula para si a primeira incursão do país nas formulações viscoelásticas. O mercado, porém, não entendeu, na época, os benefícios do produto. Só depois que a Tempur trouxe seus travesseiros para o mercado brasileiro é que a Purcom conseguiu a aceitação para suas formulações.

    Hoje, contudo, ele se queixa de enfrentar outro problema: a proliferação de formulações inadequadas, prejudiciais à imagem da tecnologia. As recomendações de Silva aos transformadores idôneos: procurar fornecedores confiáveis, estabelecidos no mercado e que ofereçam garantias por escrito.

    Produtos elaborados com base em matéria-prima de fonte renovável também estão na pauta dos negócios da Purcom. Resulta dessa preocupação um novo poliuretano para aplicação em teto de ônibus, produzido com poliol obtido da mamona.

    Diferentemente dos polióis tradicionais petroquímicos, os de base vegetal têm limitações. As restrições são inerentes à sua cadeia química, diminuindo a janela de aplicação. “A compensação exige o uso de aditivos para modificar essa estrutura”, explica Silva.

    Outro produto de cunho ecologicamente correto entra na composição para expandir as espumas. Trata-se de agente expansor não ofensivo à camada de ozônio. O diretor da Purcom assegura dispor, hoje, para o mercado brasileiro, do único produto 100% inofensivo à atmosfera do planeta. Desenvolvido e patenteado pela empresa americana Foam Supplies, a formuladora comprou os direitos de comercialização do aditivo, o Ecomate, na América Latina. “É zero de ataque à camada de ozônio e zero de contribuição para o aquecimento geral”, reforça Silva.

    Das formulações de PU rígido desenvolvidas na empresa, 40% incorporam o agente expansor ecológico. “A tendência é atingir toda a nossa produção e atender apenas os mercados que têm essa consciência ecológica”, diz.

    Reação rápida – Assim como o seu processo químico, a reação do mercado de PU aos efeitos da crise financeira foi rápida. Como em vários segmentos da economia, o setor sentiu também sua demanda murchar no final do ano passado, com contração mais acentuada no primeiro trimestre deste. Abastecido de estoque e com dificuldades, a preocupação maior dos empresários foi a de administrar os inventários, antes de voltar às compras.

    Passado o susto maior, porém, a indústria retomou os negócios e o desempenho já se aproxima dos níveis de 2008, na avaliação de Riera, da Basf. O diretor nutre boas perspectivas para o segundo semestre e acredita que os segmentos de calçados, refrigeração e automobilístico devam promover os melhores desempenhos.

    Para o gerente da Bayer, as projeções de bons negócios apontam na direção da construção civil, especialmente aplicações em isolamento térmico. “Está engatando no país, por questão de redução no consumo de energia”, justifica Savignani. Ele também aposta no segmento de refrigeração, já cativo das formulações de PU. Os poliuretanos elastoméricos, dos tipos cast e spray de base poliureia, constituem outra carta na manga da Bayer. Os primeiros atendem as aplicações técnicas e o spray, a construção civil. “Os elastômeros tipo cast têm grande potencial de crescimento, especialmente no segmento de extração de petróleo e mineração.”

    Disposição e investimentos não faltam para expandir o mercado brasileiro de poliuretano e elevar o consumo per capita a níveis menos distantes dos patamares internacionais. Agora cabe à indústria avaliar os benefícios e acelerar o processo.



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