Poliuretano Consumo per Capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão

Em condição oposta à do mercado internacional, o fato de depender pouco da construção civil tornou a indústria brasileira de poliuretano menos suscetível aos trancos impostos pela crise econômica mundial e contribuiu para amargar menos perdas. Empatar os resultados deste ano com os apurados no ano passado é sinônimo de bom desempenho e motivo de comemoração. O ritmo favorável nos negócios, até os reflexos do colapso econômico global baterem às portas brasileiras, salvou a lavoura. O consumo do Poliuretano conseguiu fechar 2008 na casa das 350 mil toneladas, volume 7% acima do registrado no ano anterior, enquanto a produção ficou em 250 mil toneladas, de acordo com estimativas da Comissão Setorial de Poliuretanos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

O segmento automotivo, o de linha branca e o de espumas flexíveis (no qual predomina o mercado de colchões) capitanearam as melhores pontuações. Segundo o coordenador da comissão, Fernando Rodriguez (também diretor-comercial América Latina de Poliuretano e Termofixos da Dow), a indústria de automóveis e a de linha branca mantiveram o nível de demanda de poliuretano na fase econômica mais crítica.

Plástico, Fernando Rodriguez, diretor-comercial América Latina de Poliuretano e Termofixos da Dow, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Construção civil é a bola da vez, acredita Rodrigues

Em comparação com os países desenvolvidos, o consumo nacional de poliuretano ainda engatinha.

Não chega sequer a um quilo e meio (é da ordem de apenas 1,3 quilo) per capita, enquanto na Europa e nos Estados Unidos a taxa por habitante suplanta em ao menos cinco vezes a brasileira.

Lá fora, pesa mais a favor do PU a sua forte penetração na construção civil, em especial nos isolamentos térmicos. Sua participação também é expressiva no setor automotivo.

Não à toa, uma das principais apostas dos fabricantes do polímero aponta na direção da indústria de isolamento térmico para a construção civil. De acordo com Rodriguez, a procura imobiliária pelos projetos ditos sustentáveis, com arquitetura privilegiando a redução no consumo energético, sinaliza um movimento nesse sentido – indício de um potencial de expansão do material nesse segmento de mercado brasileiro.

Atualmente, o isolamento térmico baseado em poliuretano predomina nas indústrias de linha branca e de refrigeração industrial.

A propósito, um dos trabalhos em andamento na comissão tem por objetivo definir uma norma técnica para a fabricação de painéis rígidos e outra para a aplicação de spray de PU, ambas endereçadas à construção civil. As propostas para normatização se estendem, ainda, à produção de colchões e constam de desenvolvimento em parceria com o Inmetro, com previsão de serem implementadas no início de 2010.

principais mercados de PU no Brasil

Por falar em colchões, o segmento de flexíveis, no qual essas espumas se inserem, também sobressai como um dos mercados crescentes. Nele se destacam colchões e mobiliários (sofás, por exemplo) com parcela importante de participação na demanda de poliuretano. As espumas flexíveis, proporcionalmente, têm no Brasil e nos países da América Latina maior relevância no mercado de poliuretano do que nos Estados Unidos e Europa.

O mercado brasileiro também atribui representatividade diferente às especialidades, inseridas em um nicho denominado de sistemas – formulações desenvolvidas para aplicações específicas.

“Os volumes são menores, porém, envolvem mais novidades tecnológicas”, diz Rodriguez.

O coordenador da Comissão de PU presume em cerca de 25% a parcela pertinente às receitas elaboradas sob encomenda no país, enquanto no exterior essa fatia sobe para uma faixa entre 35% e 40%. A diferença expõe o forte potencial do mercado de isolamento térmico para construção civil no país, um segmento consumidor das casas de sistemas ainda a ser desenvolvido.

Berço tecnológico

Um elenco de vantagens posiciona as casas de sistemas no topo das inovações. Inseridos no mercado de poliuretano como especialidades, os sistemas embutem alta tecnologia e são formulados de modo que correspondam às exigências técnicas específicas das peças que o transformador queira produzir. Os especialistas desenvolvem a receita e a entregam pronta ao cliente. Suprem esse mercado os grandes fabricantes mundiais das principais matérias-primas, entre as quais poliol e isocianato, e casas de sistemas independentes.

O mercado brasileiro conhece bem as formulações sob encomenda ramificadas da Basf, da Bayer e da Dow.

 Sigilosas quanto às suas capacidades, todas possuem várias casas, instaladas estrategicamente próximas dos mercados consumidores.

Plástico, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Calçado conceitual da Basf feito de PU e TPU

A fábrica brasileira de formulações da Basf fica em Mauá-SP. Ainda na América do Sul, opera uma unidade em Buenos Aires, na Argentina. Mundialmente, tem espalhadas outras tantas, da ordem de 34 casas. “São especialidades, produtos de alto valor agregado, feitos para o cliente, para as características do equipamento e do produto”, explica o diretor-geral Antonio M. J. Riera Costa.

Segundo ele, a atividade desenvolvida dentro das casas de sistemas é muito orientada às inovações e carreadas também por novas aplicações. Essas receitas ainda envolvem melhoria no processo, nos produtos e na relação custo/benefício. “As novidades tecnológicas normalmente nascem dentro das casas de sistemas, que estão orientadas com posicionamento estratégico e agregam conhecimento tecnológico das matérias-primas”, comenta Riera.

Ele estima que as formulações sob medida representem entre 85% e 90% do consumo de PU da indústria de calçados e que supram 100% do mercado de refrigeração. A constante evolução tecnológica desses segmentos de mercado motiva, acima de outras razões, a confiança nos especialistas para o desenvolvimento de suas receitas.

Plástico, Antonio M. J. Riera Costa, diretor-geral, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Riera: formulações embutem tendência tecnológica global

Entre os últimos produtos criados, o diretor-geral da Basf menciona um sistema específico para a linha branca, lançamento na América do Sul, com foco principal no Brasil. Entre as principais características, o produto reduz o consumo de energia, promove ciclos de injeção de PU mais rápidos, permite consumir menos material por unidade produzida e, ainda, confere maior poder de resistência à compressão (para receber carga).

Outro desenvolvimento recente refere-se a uma formulação de baixa densidade para atender à produção de palmilhas, com vantagens como leveza e conforto físico e térmico dos pés. O material para entressolas confere até 40% de redução de peso em comparação aos sistemas convencionais e possui resistência à hidrólise e a micro-organismos. Com maior fluidez, o sistema criado pela Basf também propicia vantagens ao transformador, agilizando o seu processo produtivo. Já conhecida da Europa, essa receita chega agora ao mercado brasileiro para suprir os fabricantes de calçados esportivos e de lazer.

Em processo de conquista de mercado, as formulações que atribuem às espumas de poliuretano propriedades viscoelásticas ganham espaço na chamada indústria de conforto (travesseiros e colchões, principalmente), e avançam em produtos especiais para a indústria da saúde, com aplicações, entre outras, em camas hospitalares para doentes de longa permanência.

Também a indústria brasileira de construção civil passa por um reposicionamento conceitual. Os novos projetos envolvem preocupações com maior conforto térmico e redução de energia e essas

buscas potencializam o uso dos sistemas de PU. Outro mercado promissor fica por conta das necessidades de conservação de produtos industriais. “O PU tem vantagem competitiva por sua facilidade de aplicação; a indústria pode fornecer painéis de grandes dimensões, autoencaixáveis e que requerem equipamentos simples”, pondera Riera.

Embora ainda usufrua menos dos benefícios dos poliuretanos em seus veículos produzidos no país (sabe-se que as matrizes e filiais de países mais desenvolvidos aproveitam muito mais), a indústria automotiva também incorpora os sistemas em diversas aplicações. “A tecnologia atualizada das formulações acompanha a tendência mundial dos mercados europeus, americano e asiático”, assegura Riera.

Sistemas à parte, o diretor-geral da Basf ressalta uma outra variedade de poliuretano de alto desempenho e com grande potencial nos mercados de injeção e extrusão. A aposta contempla o PU termoplástico, por sua característica particular de suportar temperaturas variáveis de negativa a positiva sem perda de propriedades. Além disso, o polímero alia resistência à abrasão, ao impacto, ao rasgo, a óleo e graxa. Um exemplo de aplicação em crescimento são os cabos umbilicais de grandes diâmetros, para transporte em plataformas marítimas.

O material também vem crescendo na indústria de calçados, em filmes (embalagens para produtos de alto valor agregado) e ainda na agroindústria, usado em equipamentos de pulverização, colheitadeiras e máquinas de implementos agrícolas. Riera lembra um outro emprego bastante nobre do filme de TPU: no formato de lençol, aplicado sobre queimados, não adere nas feridas e promove a recuperação da pele.

Produção diversificada Poliuretano Dow e Outros Plásticos

A Dow controla em torno de 27 casas de sistemas mundo afora, entre as quais uma unidade no país, em Jundiaí-SP. Na América Latina, ainda possui mais duas produtoras de formulações: na Argentina e no México. Diretor de sistemas de poliuretano da Dow Brasil, Marco Antonio Fay considera a planta brasileira muito versátil e capaz de produzir todos os tipos de PU. “As novidades estão concentradas nas casas de sistemas, na busca de novas aplicações e criação de produtos”, opina.

Na avaliação dele, essas unidades são complexos menores, focados em clientes e próximos do mercado, onde especialistas elaboram, desenvolvem e respondem pela produção da fórmula.

Oferecem uma solução pronta. “O controle de qualidade é a espinha dorsal da casa de sistema, que é toda automatizada.

Plástico, Marco Antonio Fay, Diretor de sistemas de poliuretano da Dow Brasil, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Fay: PU melhora em 50% a eficiência energética

Isso também é um diferencial que dá confiabilidade ao sistema de poliuretano”, declara Fay.

O maior foco da sociedade em cuidados com o meio ambiente leva a Dow a apostar no crescimento do poliuretano em isolação térmica industrial (frigoríficos, galpões etc.) e na construção civil. Afinal, o PU é sinônimo de uso racional de energia, como atesta Fay: “O isolamento térmico permite melhorar a eficiência energética em 50%. A maior parte dos edifícios não se beneficia disso.” Os sistemas desenvolvidos para esses mercados primam pela melhora no coeficiente energético das espumas (coeficiente de troca térmica) e também na flamabilidade.

O diretor da Dow enxerga várias oportunidades de expansão de mercado, como revestimentos elastoméricos para tubulações. Um bom exemplo fica por conta das operações em águas profundas, que exigem revestimentos elastoméricos. “Esses desenvolvimentos vêm bem a calhar no caso do pré-sal”, destaca.

Outros segmentos ainda se beneficiam de novidades saídas da casa da Dow, como a indústria de calçados, agraciada com formulação baseada em poliol de fonte renovável. “Estamos buscando várias alternativas para aplicação dos poliuretanos derivados de fontes renováveis”, informa Fay. Os desenvolvimentos ainda contemplam espumas viscoelásticas, que apresentam desempenho superior em relação ao PU convencional.

Maior exigência técnica – A Bayer possui 30 casas de sistemas ao redor do mundo e a brasileira se insere no complexo industrial da empresa em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, onde também produz a matéria-prima diisocianato de tolueno (MDI). Ainda na América do Sul, a multinacional possui uma casa de formulações em Maracay, na Venezuela.

Para Adércio Savignani, gerente da área de sistemas de poliuretanos para a América Latina, soluções técnicas são sinônimos de sistemas, e o mercado está cada vez mais exigente e mais técnico, em particular a área de construção civil. “O segmento de sistemas concentra as inovações tecnológicas. É nessa área que estão as oportunidades para inovações”,

Plástico, Adércio Savignani, gerente da área de sistemas de poliuretanos para a América Latina, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Savignani: mercado está mais exigente e técnico

engrossa o coro dos produtores dessas formulações.

O gerente comemora a procura crescente da indústria de construção civil por sistemas formulados à base de poliisocianurato (PIR), apropriados para a fabricação de painéis do tipo sanduíche. A principal característica desse produto é a maior resistência à chama. A formulação, por ora, é importada, mas a empresa cogita projetos de produção local. “Tem potencial.”

Outro desenvolvimento recente do grupo alemão destacado pelo gerente tem como endereço as linhas ferroviárias. Sem revelar detalhes, o gerente menciona parceria com uma empresa japonesa, detentora de patente de processo de produção de dormentes por pultrusão baseada em sistema de PU com fibra de vidro – desenvolvido pela Bayer. Segundo Savignani, a fase é de prospecção no mercado brasileiro.

Na avaliação dele, a indústria automotiva, grande demandante de moldados flexíveis (tais como espumas para bancos, assentos), exige avanços constantes. Nesse contexto, os desenvolvimentos atuais visam, em particular, a atender às solicitações das montadoras por produtos livres de emissões (odor).

O gerente ainda ressalta um desenvolvimento brasileiro destinado ao mercado de refrigeração. Trata-se de uma formulação que confere à espuma grande resistência à compressão, com redução de densidade e ciclo rápido de produção – sinônimo de alta produtividade.

Na avaliação de Savignani, as solicitações do mercado brasileiro atentam para maiores cuidados com o meio ambiente, tais como produtos que contribuam para reduzir os níveis de ruído, as emissões deletérias na atmosfera, o consumo energético e, preferencialmente, aliar tudo isso com aumento de produtividade. O desenvolvimento de produtos baseados em fontes renováveis faz parte desse contexto. As pesquisas da Bayer nessa direção se concentram em seu Centro Tecnológico dos Estados Unidos, na obtenção de biopolióis derivados da soja, em particular.

Dedicada às receitas– Inserida na classe de formuladores independentes, a Purcom, instalada em Barueri-SP, considera-se a maior da América Latina.

A produtora de formulações ostenta evolução de fazer inveja desde sua criação, em 2002. Apenas dois anos depois já expandia em 200% a sua capacidade instalada para algo entre 600 e 800 toneladas mensais (entre 7.200 e 9.600 toneladas anuais). Um crescimento anual de 25%, nos cálculos do diretor tecno-industrial, Gerson Silva, justificou fortes investimentos e hoje a produtora de formulações ostenta uma capacidade anual da ordem

Plástico, Gerson Silva, diretor tecno-industrial, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Silva credita seu sucesso a conhecimento tecnológico

de 30 mil toneladas, com espaço de sobra para alargar seu mercado. Hoje, a produção da Purcom gira em torno de 9 mil toneladas no ano e, nas estimativas do diretor, o mercado brasileiro de sistemas demanda da ordem de 90 mil toneladas anuais.

A crise econômica estancou o avanço da empresa, mas Silva acredita que irá, no mínimo, repetir a produção registrada em 2008. Tanta certeza se baseia em novos projetos conquistados. O diretor da Purcom não hesita em revelar o segredo de seu sucesso, atribuído em especial à detenção de profundo conhecimento das matérias-primas e investimentos .

Silva credita seu sucesso a conhecimento tecnológico em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Além disso, ele ressalta a proposta da empresa de oferecer soluções, desde o desenvolvimento da fórmula até a orientação ao cliente do processo produtivo.

Há quem se pergunte como a Purcom consegue o prodígio de crescer tanto; aí vai a resposta: sua estratégia consiste em converter tecnologia de composites e outros plásticos em poliuretano. O diretor da Purcom relata vários desenvolvimentos recentes. Um deles substituiu polipropileno usado para revestir colchões. Essa indústria costuma aplicar PP espalmado sobreposto em camadas de pillow top, como um revestimento externo do colchão. A fibra, porém, fadiga com o tempo e essa camada fica irregular. Um novo sistema de PU resolve o problema: não deforma. E o convertedor aproveita o mesmo processo de fabricação do colchão. “Em termos de custo, acredito que empata”, diz Silva.

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Inúmeras receitas (amostras à esq.) saem da formuladora independente Purcom

O poliuretano também avançou com vantagens sobre o látex (sintético ou natural) no mercado de travesseiros. Nesse caso, os transformadores são favorecidos com maior processabilidade e ausência de resíduos (gerados na lavagem obrigatória do látex), além da economia no consumo energético.

No setor calçadista, uma palmilha viscoelástica em densidade 80, moldada por injeção, garantirá ao seu fabricante custo inferior ao do EVA e até mesmo ao do PU convencional de densidade 30, comumente usado nessa aplicação. Fruto de uma parceria com um grande fabricante de chinelos – que a Purcom prefere manter em sigilo por ora –, o produto não gera perdas e oferece maior conforto, na comparação com os materiais usuais. De início, essas palmilhas entram apenas na composição de peças destinadas à exportação. “Mas já existe projeto para o mercado nacional”, diz Silva.

A Nasa, a agência espacial norte-americana, criou essa variedade de espumas com o objetivo de propiciar maior

Plástico, Poliuretano - Com consumo per capita ainda pífio, setor esbanja espaço para sua expansão
Travesseiros elaborados com poliuretano viscoelástico não deformam

conforto aos astronautas. Tempos depois, essa tecnologia foi adquirida pela empresa sueca Tempur. Silva postula para si a primeira incursão do país nas formulações viscoelásticas. O mercado, porém, não entendeu, na época, os benefícios do produto. Só depois que a Tempur trouxe seus travesseiros para o mercado brasileiro é que a Purcom conseguiu a aceitação para suas formulações.

Hoje, contudo, ele se queixa de enfrentar outro problema: a proliferação de formulações inadequadas, prejudiciais à imagem da tecnologia. As recomendações de Silva aos transformadores idôneos: procurar fornecedores confiáveis, estabelecidos no mercado e que ofereçam garantias por escrito.

Produtos elaborados com base em matéria-prima de fonte renovável também estão na pauta dos negócios da Purcom. Resulta dessa preocupação um novo poliuretano para aplicação em teto de ônibus, produzido com poliol obtido da mamona.

Diferentemente dos polióis tradicionais petroquímicos, os de base vegetal têm limitações. As restrições são inerentes à sua cadeia química, diminuindo a janela de aplicação. “A compensação exige o uso de aditivos para modificar essa estrutura”, explica Silva.

Outro produto de cunho ecologicamente correto entra na composição para expandir as espumas. Trata-se de agente expansor não ofensivo à camada de ozônio. O diretor da Purcom assegura dispor, hoje, para o mercado brasileiro, do único produto 100% inofensivo à atmosfera do planeta. Desenvolvido e patenteado pela empresa americana Foam Supplies, a formuladora comprou os direitos de comercialização do aditivo, o Ecomate, na América Latina. “É zero de ataque à camada de ozônio e zero de contribuição para o aquecimento geral”, reforça Silva.

Das formulações de PU rígido desenvolvidas na empresa, 40% incorporam o agente expansor ecológico. “A tendência é atingir toda a nossa produção e atender apenas os mercados que têm essa consciência ecológica”, diz.

Reação rápida – Assim como o seu processo químico, a reação do mercado de PU aos efeitos da crise financeira foi rápida. Como em vários segmentos da economia, o setor sentiu também sua demanda murchar no final do ano passado, com contração mais acentuada no primeiro trimestre deste. Abastecido de estoque e com dificuldades, a preocupação maior dos empresários foi a de administrar os inventários, antes de voltar às compras.

Passado o susto maior, porém, a indústria retomou os negócios e o desempenho já se aproxima dos níveis de 2008, na avaliação de Riera, da Basf. O diretor nutre boas perspectivas para o segundo semestre e acredita que os segmentos de calçados, refrigeração e automobilístico devam promover os melhores desempenhos.

Para o gerente da Bayer, as projeções de bons negócios apontam na direção da construção civil, especialmente aplicações em isolamento térmico. “Está engatando no país, por questão de redução no consumo de energia”, justifica Savignani. Ele também aposta no segmento de refrigeração, já cativo das formulações de PU. Os poliuretanos elastoméricos, dos tipos cast e spray de base poliureia, constituem outra carta na manga da Bayer. Os primeiros atendem as aplicações técnicas e o spray, a construção civil. “Os elastômeros tipo cast têm grande potencial de crescimento, especialmente no segmento de extração de petróleo e mineração.”

Disposição e investimentos não faltam para expandir o mercado brasileiro de poliuretano e elevar o consumo per capita a níveis menos distantes dos patamares internacionais. Agora cabe à indústria avaliar os benefícios e acelerar o processo.

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