Preços do Polipropileno tendem a ficar mais baixos

Demanda pós-pandemia recua, produção global sobe e preços tendem a ficar mais baixos

O polipropileno (PP) tem uso disseminado, em muitas aplicações: embalagens flexíveis e rígidas, movelaria, autopeças, componentes de eletrodomésticos, utilidades domésticas, não tecidos, ráfia, são algumas delas.

Disseminação decorrente, entre outras razões, de sua característica de plástico reconhecidamente versátil, até porque pode ser aplicado combinando-se percentuais variáveis de seus diferentes tipos, como PP homopolímero (resultante apenas do monômero de propeno), ou PP copolímero e PP random, que a partir da adição de ingredientes como eteno no processo de polimerização, adquirem, respectivamente, maior resistência a impacto e mais transparência.

Sem contar com versões como o EPP (polipropileno expandido, em forma de espuma), entre outras.

Aceitando bem reforços, aditivos e cargas, concorre até com aplicações tradicionalmente destinadas aos plásticos de engenharia, relativamente aos quais tem preço mais favorável; há até quem, dependendo do contexto, refira-se a ele hora como uma commodity, hora como uma resina de engenharia. Independentemente de como seja categorizado, o polipropileno (PP) tem hoje demanda e preços submetidos ação de dois poderosos fatores: um deles, decorrente da conjuntura global; outro, especificamente brasileiro.

Em âmbito global, o crescimento da demanda por essa resina deve este ano atingir no máximo metade daquele registrado no ano passado, quando houve uma expansão de 4% sobre 2020, prevê Joel Morales Jr, vice-presidente nas Américas da área de poliolefinas da CMA (Chemical Market Analytics, consultoria global para os setores químico, petroquímico e petrolífero integrante do grupo Dow Jones).

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Morales: preços baixaram quase 20% desde o começo de 2022

“A pandemia elevou bastante essa demanda, pois o PP passou a ser muito mais utilizado em máscaras, uniformes de profissionais de saúde, embalagens de entrega de alimentos, entre outras aplicações, mas essa demanda vem decrescendo”, justifica.

Essa redução da demanda se manifesta no mercado brasileiro, onde, segundo dados da consultoria Maxiquim, a demanda por PP registrou no primeiro semestre deste ano queda de 2% em comparação com a segunda metade de 2021, e de 18% relativamente aos primeiros seis meses do ano passado.

Ao menos até o final deste ano deve persistir o movimento de queda nos preços do polipropileno que, pelos dados da CMA, no conjunto das Américas já baixaram cerca de 20%, em comparação aos valores registrados no início do ano.

“Há uma grande capacidade global de produção de PP, especialmente na China, onde estão entrando em operação várias novas plantas produtivas de PP”, relata Morales Jr.

No Brasil, especificamente, os preços do polipropileno e talvez a demanda devem ser impactados também pela recente decisão de redução da tarifa de importação da resina.

Válida por doze meses a partir do início do último mês de agosto, essa decisão baixou a tarifa dos anteriores 11,2% para 6,5% e 4,4% nos casos, respectivamente, do PP homopolímero e do copolímero (houve redução também em PEBDL e em algumas modalidades de PVC).

Essa medida “torna o mercado mais competitivo e eficiente, e aproxima o imposto de importação de resinas no Brasil, cujas alíquotas estão entre as mais altas de todo o mundo, dos padrões praticados internacionalmente”, avalia Paulo Teixeira, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Em 2021, detalha Teixeira, a importação supriu 27% da demanda nacional por PP (homo e copolímero) que somou 1,7 milhão de toneladas.

A indústria nacional tem capacidade para ofertar 1,8 milhões de t, mas nesse período produziu 1,5 milhão de t, tendo exportado 26% desse total.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Teixeira: redução de imposto torna setor mais competitivo

“Devido à existência dessa capacidade produtiva direcionada à exportação, entendemos que a medida não vem para impactar no aumento da participação do PP importado no consumo doméstico, servindo para estabelecer uma base mais competitiva para preços domésticos mais próximos aos internacionais, tornando o produto internacional uma alternativa competitiva à resina produzida aqui”, pondera.

Preços do polipropileno e Novas possibilidades

Embora atualmente menos demandado para as aplicações sanitárias que se expandiram quando teve início a pandemia da covid-19, o PP vem sendo crescentemente utilizado para substituir resinas de engenharia em aplicações de eletrodomésticos, relata Fabio Agnelli Mesquita, gerente de suporte técnico e desenvolvimento da Braskem na América do Sul.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Mesquita: baixa densidade do PP permite fazer peças mais leves

“Uma grande vantagem dessa resina é que ela tem baixa densidade e proporciona ganhos em redução de peso”, ressalta Mesquita.

A própria Braskem já obteve a homologação para utilização de grades de PP em diversas aplicações de eletrodomésticos convencionalmente feitas de ABS, poliestireno ou policarbonato, como hélices, filtros, topos de lavadores, protetores de pés de refrigeradores, entre outras.

“Quem trabalha com PP gosta bastante, é mais fácil de processar que outras resinas de engenharia e graças a essa grande processabilidade costumamos dizer que é um material vocacionado para a injeção”, destaca o profissional da empresa.

Marcus Vinícius Trisotto, gerente de vendas da SM Resinas, projeta maior uso de PP também na indústria automobilística, especialmente com a disseminação dos veículos elétricos.

“Ele tem um custo mais interessante que as resinas de engenharia também utilizadas por esse setor, e com a evolução da tecnologia dos aditivos e de cargas de reforço, consegue hoje desempenho similar ao dessas resinas em algumas aplicações”, ressalta.

“Vejo ainda oportunidade para os transformadores brasileiros ampliarem a exportação de produtos acabados de PP para outros países da América Latina”, destaca o profissional da SM, que importa PP da argentina Petrocuyo.

Apesar dessa possibilidade – e com a redução na alíquota de importação –, a demanda total no Brasil, estima Trisotto, normalmente em torno de 1,65 milhão de t/ano não deve este ano ultrapassar a marca de 1,55 milhão de t.

“Aparentemente, os programas governamentais de concessão de renda inicialmente tiveram mais impacto na quitação e redução de dívidas das famílias, só agora começam a ter algum impacto no consumo de não duráveis”, pondera. “E o consumo de bens duráveis, que demandam mais PP, se mantém baixo”, acrescenta.

Preço volátil

O uso mais intenso de PP pela indústria automobilística com os veículos elétricos é visualizado também por Pedro Luiz Fortes, diretor para América Latina da Opis (empresa controladora da CMA).

Veículos elétricos trabalham com temperaturas inferiores às dos movidos por combustão interna, minimizando uma das desvantagens dessa resina no confronto com os plásticos de engenharia nessa aplicação: a menor resistência térmica.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Fortes: carros elétricos podem usar maior quantidade de PP

“Mas o maior volume da demanda deve permanecer nos mercados nos quais ele já tem mais uso, como embalagens de alimentos e fibras; especialmente no Brasil, onde a indústria automobilística está com nível de atividade inferior ao registrado em outros países”, pondera Fortes.

Embora tenha resistência térmica inferior à dos plásticos de engenharia, o PP suporta temperaturas elevadas mais que resinas como PE e PET, lembra Morales Jr., da CMA:

“Isso favorece seu uso em algumas aplicações da indústria alimentícia, por exemplo, embalagens que irão para micro-ondas, ou produtos que são envasados ainda aquecidos”, observa.

Mas no quesito custo, apesar de beneficiado no confronto com resinas engenharia, o polipropileno apresenta uma possível desvantagem quando comparado com esses mesmos plásticos de uso mais disseminado.

“Seu preço muda muito, comparativamente ao de outras commodities, pois sua principal matéria-prima, o propileno, tem um preço muito volátil no mercado global e isso causa alguma insegurança nos transformadores”, observa o profissional da CMA.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Grade frontal da Sprinter é feita de composto de PP

Atualmente, detalha Mesquita, da Braskem, o líder de vendas dessa resina refere-se ao tipo homopolímero, utilizado em aplicações como embalagens, ráfia, não-tecidos, entre outras.

Por sua vez, peças automobilísticas que precisam de maior resistência ao impacto recorrem aos copolímeros, enquanto aplicações mais transparentes, em utilidades domésticas, por exemplo, podem se valer do PP random.

“Um diferencial interessante dessa resina é a possibilidade de trabalhar com diferentes combinações: para uma utilidade doméstica à qual pretendo dar mais resistência ao impacto, posso combinar ao PP homopolímero um percentual de copolímero”, explica Mesquita.

Teixeira, da Abiplast, também exalta a versatilidade do PP e lembra da vasta extensão de seu uso em aplicações de diversos setores: nas embalagens da indústria de alimentos e de produtos de higiene pessoal, limpeza e cosméticos, em artigos médicos, na construção civil, entre outros.

“Contar com competitividade no fornecimento desses insumos representa tornar mais eficiente a produção de soluções em plástico para atender toda essa gama de aplicações, e a redução do imposto de importação foi oportuna”, enfatiza.

Preços do polipropileno e Aditivos

Conferindo novas características tanto às aplicações quanto ao processo de transformação, aditivos ampliam a escala e as possibilidades de uso de polipropileno.

Caso do clarificante Millad NX 800, da Milliken, que anuncia proporcionar alta transparência às aplicações com esse polímero, qualificado como semicristalino, sem prejudicar suas propriedades de durabilidade e resistência ao impacto, nem sua sustentabilidade.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Biaso: aditivo dá transparência sem prejudicar a resistência

“Isso é particularmente importante nesse momento de crescimento das embalagens de paredes finas, com a expansão do comércio eletrônico e dos serviços de entrega de alimentos”, destaca Marcio Biaso, gerente de aditivos para plásticos da Milliken.

O DeltaMax, prossegue Biaso, maximiza a resistência ao impacto e proporciona aumento de fluidez das resinas sem comprometer a rigidez.

Na modificação de reciclados dessas resinas pós-consumo e pós-industrial, eleva essas características a níveis similares, ou até superiores, às de resinas virgens.

“Isso permite incorporar até 100% de PP reciclado sem sacrificar o desempenho ou o processamento”, afirma.

“Essa linha pode ser utilizada em diversas aplicações, como utilidades domésticas, elementos para construção civil e componentes automotivos”, acrescenta o profissional da Milliken, cujo portfólio de aditivos para PP inclui ainda produtos para melhorar a resistência ao impacto em baixas temperaturas em aplicações transparentes, e soluções antifog, entre outros.

Na Basf, a linha de aditivos para aplicações em PP inclui, além de antioxidantes e estabilizantes à luz, também produtos como o Irgastab NA 287.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Daniella: nucleante aumenta produtividade na transformação

“É um novo agente nucleante de alto desempenho para polímeros semicristalinos, aos quais fornece propriedades mecânicas e ópticas aprimoradas, bem como alta resistência à deformação. Aumenta a temperatura de cristalização e proporciona maior produtividade de moldagem, permitindo tempos de ciclo mais curtos”, detalha Daniella La Torre, especialista técnica regional de Aditivos para Plásticos da Basf na América do Sul.

O Irgaclear XT 386, ela prossegue, é um clarificante de alta eficiência, que confere “excelência organoléptica e alta transparência” aos produtos feitos de polipropileno copolímero aleatório e polipropileno homopolímero.

E o Irgatec CR 76, para não-tecidos, “possibilita maior flexibilidade na seleção de matérias-primas, aumentando a eficiência de custos, além de ser um produto mais seguro de manusear do que alternativas contendo peróxido”, ressalta a profissional da Basf, que fornece ainda, entre outros produtos para PP, o Irgacycle PS 030, que em aplicações dessa resina e também de PE – embalagens rígidas, principalmente – mantém as propriedades do material reciclado e constante o índice de fluidez.

Compostos de PP

Apesar da conjuntura pouco aquecida de dois de seus principais mercados (automóveis e eletrodomésticos), os compostos de PP vêm observando bons volumes de demanda, relata Daniel Furió, gerente comercial da Borealis, petroquímica com atuação global no mercado de soluções em poliolefinas que mantém fábrica especializada em compostos de polipropileno no Brasil.

Afinal, justifica Furió, combinando desempenho com custo favorável e menos sujeito aos problemas de abastecimento e alta acentuada de preços que na pandemia afetaram materiais concorrentes, os compostos de PP vêm ganhando espaço como substitutos de outras resinas.

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Furió: compostos reduzem custo pela substituição de materiais

“Produtos de nossa linha Daplen, de copolímeros formulados com carga mineral, elastômeros e aditivos, estão substituindo resinas estirênicas em componentes de automóveis, como grades frontais e aerofólios de veículos”, exemplifica.

“E retrovisores de veículos, antes feitos de poliamidas, hoje utilizam produtos de nossa linha Fibremod, de compostos reforçados com fibra de vidro, que além de gerar redução de peso pela menor densidade, representam economia de custos na ordem de 30%”, acrescenta.

Furió também ressalta a versatilidade do PP que, a partir da combinação de diferentes bases (homopolímero, copolímero, random), cargas, aditivos e reforços, pode ser utilizado em um vasto leque de aplicações.

E, relativamente a concorrentes como poliamidas e resinas estirênicas, traz também outras vantagens, além do preço, como a menor densidade, que permite a produção de peças mais leves.

Temperaturas mais elevadas, acima de 130ºC, aproximadamente, ainda limitam seu uso. “Mas em veículos elétricos haverá menos pontos com essas altas temperaturas, abrindo espaço para o uso de PP, por exemplo, em caixas de baterias”, projeta.

A esses diferenciais, a Borealis agrega também o apelo da sustentabilidade, enfatizado em sua linha Borcycle, na qual há conteúdo de reciclado de PP pós consumo (PCR).

Polipropileno - Preços tendem a ficar mais baixos ©QD Foto: iStockPhoto
Garcia: tecnologia garante alta qualidade de reciclado

“Esse reciclado provém de um sistema de reciclagem mecânica avançada que conta com tecnologia proprietária para tratamento do reciclado, gerando assim um material de alta qualidade e estabilidade, próprio para utilização em aplicações que exijam desempenho”, diz Eide Garcia, diretor da operação sul-americana da empresa.

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