Uso de aditivos na plasticultura cresce e testemunha seu avanço

Substâncias essenciais para o bom desempenho dos filmes agrícolas, os aditivos direcionados ao segmento  da plasticultura testemunham o seu crescimento. Esse termômetro mostra um setor aquecido, com a procura de produtos capazes de embutir mais tecnologia e de melhorar o desempenho do plástico nas plantações.

“O produtor está buscando a plasticultura para conseguir manter o cultivo o ano inteiro e mantê-lo próximo do mercado consumidor”, opina Pedro Caldari, coordenador de negócios de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf.

Com mais de cinquenta anos de participação no mercado de aditivos, com foco especial na estabilização de filmes agrícolas em geral, a Cytec também tem crescido sua participação no país na oferta de soluções para esses filmes (em particular os de longa duração e os de alta resistência aos agroquímicos). “Sempre tivemos forte atuação em plasticultura, com investimentos pesados nesse setor na Europa, onde a empresa é bem posicionada, e também na América Latina”, ressalta o gerente de vendas Cássio Martins. Segundo ele, os filmes são altamente aditivados, da ordem de 1%, chegando até 2%, dependendo do local onde o agrofilme se insira.

Plástico Moderno, Cássio Martins, Gerente de vendas, Plasticultura - Uso de aditivos na plasticultura cresce e testemunha seu avanço
Martins aposta em formulação que embute sinergia de aditivos

Fabricante de masterbatches, a Cromex também contempla o rol de fornecedores de insumos para a cadeia do agronegócio. A empresa formula concentrados de aditivos e de cores (preto e branco) para o setor. Mesmo com os rescaldos da crise econômica, 2009 deixou bons resultados, nos quais o segmento agrícola respondeu por 10% dos volumes de vendas, nos cálculos de Enio A. Ferigatto, gerente de projetos e produtos. E as projeções para este ano são de mais crescimento.

Segundo Martins, a Cytec, de origem americana, foi uma das criadoras de alguns aditivos para suprir o segmento dos agrofilmes no mercado mundial. “A atuação nesse setor requer a união de várias técnicas e conhecimentos, agrícola inclusive”, comenta.

Do negócio de aditivos da empresa, o volume de vendas destinado à plasticultura representa entre 18% e 20%, em âmbito mundial, e de 9% a 10% no país. Na América Latina, chega a 40%, graças à sua grande atuação nesse segmento na Argentina, Chile, Colômbia e México.

O forte da Cytec se destina a promover proteção contra raios ultravioleta: absorvedores e estabilizantes. “A molécula que absorve oferece proteção superficial do filme, a estabilizadora confere retenção das propriedades mecânicas”, explica Martins. A melhor sinergia corresponde à união dos dois tipos: a tecnologia das Hals (aminas estericamente bloqueadas), eficiente tecnologia de estabilização, mais os absorvedores.

Por muito tempo a Cytec forneceu ao mercado mundial um quencher de níquel que confere às formulações alta resistência a agroquímicos e uma cor esverdeada ao filme, o que condicionou os agricultores brasileiros a associar a cor a propriedades de resistência ultravioleta. “O verde não é sinônimo de garantia de proteção UV porque o aditivo que conferia essa cor era o quencher de níquel, que está sendo substituído por substâncias de última geração isentas do metal pesado”, comenta Martins.

Por conta de seus efeitos deletérios no meio ambiente, a substância baseada em metal pesado está sendo banida das formulações em âmbito global. A Cytec mesmo já descontinuou a produção do quencher de níquel, mas, de acordo com Martins, alguns países como Chile, Argentina e Colômbia ainda o usam como base de estabilização de filmes agrícolas, em especial para estufas, por conta de culturas com alto consumo de agroquímicos, que em alta concentração desativam as moléculas das Hals.

Aos usuários dos filmes agrícolas vale um aviso. Os aditivos responsáveis pela resistência aos raios ultravioleta não imprimem cor ao plástico. Mas como os agricultores ainda vinculam o verde à propriedade, muitos transformadores incorporam pigmento ao filme. “Essa coloração, porém, reduz a permeação do filme à luminosidade”, alerta Martins.

A linha de produtos da empresa incorpora vários estabilizantes, inclusive os resistentes a pesticidas, mas a principal novidade chegou ao mercado mundial no ano passado: a família Cyasorb Cynergy Solution, especialidades no formato de blendas com estabilizantes e absorvedores em um só produto. “São considerados one pack product, buscando a melhor sinergia de estabilizantes, absorvedores e antioxidantes, colocados em um único grão”, explica Martins.

De acordo com a aplicação, muda apenas a concentração das substâncias. Segundo o gerente, a formulação A-400 estabiliza filmes para estufas em prazo acima de dois anos, com alta resistência a agroquímicos, excelente transmissão de luz e estabilidade térmica, além de ser também apropriada para mulching. Neste caso, assegura quinze meses com ótima estabilidade térmica e de luz UV, bem como alta resistência à desativação por agentes de fumigação.

Outra opção consiste na A-430, composição destinada a filmes de estufas com ambiente muito agressivo. “Este produto confere uma excelente estabilização UV, para três e até quatro anos de serviço, e possui altíssima resistência a agroquímicos, excelente transmissão de luz, bem como ótima resistência térmica nos suportes e na sustentação das estufas”, destaca Martins. Essa família deve substituir as antecessoras (a linha THT, Hals e absorvedores tradicionais da empresa). Segundo ele, a indústria de plasticultura pode aguardar mais novidades ainda neste ano.

Plástico Moderno, Pedro Caldari, Coordenador de negócios de aditivos e pigmentos para plásticos da Basf, Plasticultura - Uso de aditivos na plasticultura cresce e testemunha seu avanço
Caldari assegura bloqueio acima de 80% à sua linha antiUV

Aditivos na plasticultura: bloqueio de UV


Também a Basf concorre no segmento de aditivos para garantir aos agrofilmes resistência aos raios ultravioleta, bloqueadores em especial. “Bloqueia acima de 80% dessa radiação e promove o efeito antivírus”, assevera Caldari. A linha ainda engloba estabilizantes, antioxidantes e pigmentos especiais para gerenciamento de luz e de temperaturas. “Somos grandes provedores de estabilizantes do tipo Hals e Nor-Hals, capazes de suportar os agentes de degradação catalisada pelos componentes dos agroquímicos.” Entre esses agentes, o enxofre e o cloro são as principais substâncias que catalisam o ciclo de degradação do agroplástico.

Na avaliação do coordenador, a maior demanda pela tecnologia Nor-Hals é uma tendência, pois ela propicia melhores condições de cultivo, assim como os aditivos especiais para gerenciamento de luz e/ou temperatura. Incorporados ao polietileno, promovem a absorção de radiação solar da região do UV e sua conversão em comprimentos de ondas na faixa fotossinteticamente ativa no interior da estufa, potencializando o crescimento da planta. “O aditivo transforma uma luz que não é aproveitada pela planta em outra que ela utiliza, aumentando, assim, a fotossíntese e a produtividade, pois há mais fotoconversão e a planta responde com maior produção por m²”, pormenoriza Caldari.

Os produtos especiais para gerenciamento de temperatura atuam na radiação infravermelha e constituem uma das novidades da Basf. Em fase de lançamento, começam a chegar aos transformadores os primeiros produtos colocados à venda. E essa postura constitui uma das estratégias da empresa, na avaliação de Caldari. Segundo ele, o perfil desse segmento de negócios é atuar também na ponta, entre os convertedores, para avaliar as necessidades desses clientes finais. As informações coletadas são transportadas para dentro da empresa e direcionadas para o desenvolvimento de novos produtos, a fim de suprir essas lacunas de mercado. “A Basf considera o negócio de plasticultura estratégico”, declara.

Plástico Moderno, Enio A. Ferigatto, Gerente de projetos e produtos, Plasticultura - Uso de aditivos na plasticultura cresce e testemunha seu avanço
Ferigatto: concentrados, os aditivos têm melhor desempenho

Aditivo concentrado

A Cromex se considera uma das principais fornecedoras de masterbatches para a cadeia do agronegócio, com atuação em mais de 60 países. Bem abrangente, a linha envolve concentrados pretos, brancos e de aditivos de alto desempenho, como a linha de produtos para proteção aos raios ultravioleta, com absorvedores, antiUVs convencionais e com alta resistência a pesticidas. Segundo Ferigatto, este último master possui em sua formulação um aditivo apropriado para assegurar maior vida útil a filmes em contato com pesticidas, que entram em reação com a molécula do antiUV, que protege a cadeia polimérica da degradação.

Outro concentrado importante confere aos filmes redução do calor no ambiente interno da estufa – são os absorvedores de raios infravermelhos. A Cromex também formula em seus concentrados difusores de luz (responsáveis por difundir a luz de modo homogêneo), antigotejo e antiestáticos.

Para o transformador, a aplicação direta de aditivos ou o uso dos concentrados pode fazer diferença, sim. A composição de ativos na forma de masterbatches leva a vantagem de oferecer melhores condições de dispersão e homogeneização no processo. “A incorporação do aditivo direto pode prejudicar essa dispersão e homogeneização”, pondera Ferigatto.

Os concentrados da empresa suprem as diversas ramificações do agronegócio. Além do mercado de filmes (para cobertura e mulching), as formulações de aditivos e também os pretos e brancos especiais entram na composição da nova vedete do mercado, os silos-bolsas, de tubos e mangueiras para irrigação, gotejadores e outros itens variados.

Ele ressalta a possibilidade de adotar o poliácido láctico (PLA), resina biodegradável proveniente do milho, como substrato para masterbatches destinados à fabricação de filmes (mulching) e tubetes injetados para a produção de mudas.

Outro nome de peso no ramo dos concentrados de aditivos para o mercado de plasticultura é a americana Ampacet, há mais de setenta anos no mercado, com 18 plantas industriais espalhadas pelo planeta, além de escritórios comerciais em 80 países e centros de desenvolvimento em cada continente. Responsável pelo marketing na América do Sul, Débora Costa informa que a empresa dispõe de uma ampla linha de produtos desenvolvidos para o segmento agrícola. As opções abrangem concentrados antiultravioleta e formulações com filtro UV e fotosseletivas. Neste último caso, Débora explica que a composição protege os filmes das radiações UV e podem atuar especificamente sobre a visão de certos insetos transportadores de vírus dentro da estufa, eliminando, assim, sua presença.

A linha também conta com masterbatches de barreira aos raios infravermelhos e de ação antifog. Estes últimos, segundo Débora, conseguem manter a propriedade antigotejo por período máximo de um ano.

Ainda constam do cardápio concentrados brancos especiais para uso em produtos sujeitos a intempéries (formulados com insumos resistentes à radiação ultravioleta), negros com diferentes graus de absorção de UV e coloridos com alta resistência à luz, estes, formulados para aplicações que precisem barrar determinados comprimentos de onda prejudiciais às culturas, ou em mulching para busca de diferentes alterações das condições do solo.

Leia Mais:

Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Plasticultura : Materiais sintéticos ganham novos usos na agricultura
Plasticultura – Agronegócio em alta busca novos usos dos plásticos
Aditivos e Cargas – Mercados buscam aumentar eficiência
Plasticultura – Plásticos tornam cultivos mais produtivos
Plasticultura: Investimentos da indústria e esforço de especialistas ajudam no avanço da técnica
Cana-de-açucar responde ao controle de déficit hídrico : Plasticultura

Acesse o www.GuiaQD.com.br, o mais eficiente Guia de Compra e Venda do setor de transformação do plástico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios