Plasticultura – Plásticos tornam cultivos mais produtivos

Plásticos tornam cultivos mais produtivos e reduzem a aplicação de pesticidas

 

Plasticultura – Telas, ráfia, multifilmes

Em áreas mais secas de estados como Minas Gerais e Distrito Federal, o plástico se torna mais presente na agricultura na forma de telas de polietileno, relata Bliska, do Cobapla.

Nesses casos, têm como função reduzir a incidência da luz solar e proteger de pragas culturas como o tomate, entre outras. “Já em Santa Catarina e em outras regiões mais frias, usa-se esse tipo de telas para proteger frutas como maçã e caqui contra o granizo”, ressalta Bliska.

Paralelamente, começa a se expandir o uso de ráfia para cobertura de solos de estufas e mesmo de áreas externas, como forma de evitar o acúmulo de barro e o crescimento de ervas daninhas, bem como facilitar a limpeza e circulação de pessoas e máquinas, como explicou Bliska.

Mas as empresas brasileiras fabricantes desse tipo de ráfia, observa o dirigente do Cobapla, geralmente a produzem na cor preta, mais adequada para regiões frias, onde ela precisa ajudar a manter o calor.

Isso porque em outros países – Estados Unidos, por exemplo –, é maior o mercado para esse tipo de produto. “No Brasil, o ideal é a ráfia branca, aqui muito difícil de encontrar”, argumenta.

Bliska lembra ainda serem comuns, na cobertura de estufas, o uso de plásticos multicamadas, com os quais se consegue difundir a luz de modo a acentuar o ritmo de realização da fotossíntese por parte das plantas, e assim incrementar a produtividade da cultura.

No Brasil, todas as camadas são feitas de PE, mas em outros países alguns filmes incluem também EVA para preservar o calor. “Mas isso não é usado no Brasil, pois aqui não é necessário preservar o calor, pelo contrário”, pondera.

A tecnologia multicamadas, destaca Ana, da Braskem, estabeleceu-se também entre os filmes destinados a cobrir o solo. “Filmes de mulching de alta tecnologia têm hoje camadas com cores diferentes: branco ou prateado em cima – para refletir o calor -, e preto na parte destinada a ficar em contato com a terra, para evitar que o calor chegue até ela”, relata.

A Braskem desenvolveu com a Universidade Federal de Uberlândia um estudo no qual um terço do solo de uma plantação foi coberto com mulching dupla-face nas cores branco e preto, outro terço com filme nas cores prata e preto, e o restante da área cultivada ficou sem cobertura, para servir como controle. “Houve redução de 38% nos custos com manejo de erva daninha na área com mulching, graças à eliminação da necessidade de capinas e aplicação de herbicidas”, informa.

Em alguns filmes de mulching e em lonas, lembra Ana, os agronegócios utilizam plásticos reciclados, mas a formulação do mulching para culturas de ciclo longo exige resina virgem e aditivação UV diferenciada, para garantir que ele desempenhe sua função no campo por períodos maiores, sem apresentar degradação.

“As aplicações de maior volume neste segmento – como filme para cobertura de estufas e silos-bolsa -, também não permitem a utilização de plástico reciclado”, ressalta.

Aliado hídrico

Difícil precisar, com as informações hoje disponíveis, as dimensões do uso do plástico no agronegócio brasileiro: afinal, data de 2007 a mais recente quantificação das áreas de estufas e mulching existentes no país.

Agora, conta Bliska, o Cobapla vem desenvolvendo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) um projeto de mensuração dessas áreas com base em imagens captadas por satélites.

Mas mesmos sem tais números, ele ressalta, pode-se perceber incremento apenas atentando para os segmentos nos quais ele já é intensivo.

Por exemplo, no cultivo de flores, a mais de duas décadas registrando crescimentos anuais na casa dos dois dígitos, e nos principais centros do país dedicados a essa cultura hoje conduzida predominantemente em ambientes controlados. Ou seja: em ambientes definidos pelo plástico, como as estufas.

Os ambientes controlados, prossegue o dirigente do Cobapla, ganham maior espaço também na produção de mudas e no cultivo de hortaliças.

E são mais demandados até como consequência da escassez de água em grande parte do país, que amplia o interesse por técnicas de irrigação capazes de reduzir o desperdício desse insumo, e que são ainda mais eficazes quando adotadas em ambientes controlados.

Plástico Moderno, Mulching de lavouras perenes exige filmes mais resistentes
Mulching de lavouras perenes exige filmes mais resistentes

“Em ambientes controlados o consumo de água é reduzido ainda mais – até 30%, ou mesmo 40% –, relativamente à aplicação das técnicas de irrigação em ambientes abertos”, compara Bliska.

Iida, da Electro Plastic, observa que o plástico pode ajudar na economia de água na lavoura não apenas através dos sistemas de irrigação, mas também na forma de reservatórios, e também com o mulching que, contendo a evaporação da água e mantendo a umidade do solo, em regiões mais secas pode reduzir a necessidade desse insumo em até 70%.

“E ainda existem muitas culturas e muitas regiões do país onde essa tecnologia do plástico pode ganhar ainda mais espaço”, observa Iida.

Ana, da Braskem, confirma esse potencial do mulching também como ferramenta de economia de água. “Em nosso estudo com a Universidade Federal de Uberlândia, a área com filme plástico consumiu 28% menos água de irrigação que a área controle, que permaneceu sem cobertura”, detalha.

Pecuária – Cresce o uso do Plástico

Também na pecuária cresce o uso do plástico, nesse setor já presente em produtos como os silos-bolsa e as lonas para acondicionamento dos ingredientes da silagem, como é denominado o produto resultante da fermentação de forragens e grãos destinados à nutrição animal.

Agora, essa mesma aplicação ganha mais uma opção com o Agriflex, filme stretch de PEBD especialmente desenvolvido para envelopamento da silagem que, em meados do próximo ano, a Manuli Fitasa começará a produzir em Curitiba-PR – em outros países, o grupo Manuli Stretch, controlador dessa empresa, já disponibiliza essa alternativa há duas décadas.

O Agriflex pode acondicionar e proteger a forragem destinada à nutrição animal, que antes de ser recoberta por esse filme é envolta por uma rede – também de PE – dedicada a conferir resistência ao fardo.

E o grupo Manuli Stretch já testa um produto chamado Agrostiff: um filme especial capaz de substituir essa rede, e assim tornar o Agriflex apto a acondicionar também grãos moídos.

Além de elevada resistência à radiação UV – que lhe permite proteger os produtos acondicionados mesmo permanecendo sempre ao ar livre –, o Agriflex tem elevada capacidade de selagem, para impedir o ingresso de ar no alimento colocado em seu interior.

De acordo com Valerio Mazzocco, gestor da área de agricultura da Manuli Fitasa, comparativamente às modalidades tradicionais de armazenamento, o Agriflex aumenta significativamente a produtividade das culturas, pois entre outras coisas permite que a silagem seja embalada e mantida no próprio campo até o momento do uso, e facilita seu transporte e sua comercialização.

É ainda benéfica para o alimento nele armazenado. “Mantido em um ambiente anaeróbico, ele preserva suas características nutricionais”, destaca Mazzocco.

Plástico Moderno, Filme stretch Agriflex protege fardos de feno para uso futuro
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Com capacidade para produção de 20 tonelada por dia, a máquina encomendada para a fabricação do Agriflex, adianta Mazzocco, deve chegar à Manuli Fitasa até março próximo, e sua operação terá início cerca de três meses depois.

“Devido às características da atividade pecuária, esse produto é hoje mais usado para alimentação de gado leiteiro”, ressalta o profissional da Manuli Fitasa, empresa provedora de produtos e equipamentos de empacotamento e paletização dirigidos a diversos setores de atividade.

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