Plasticultura – Plásticos tornam cultivos mais produtivos

Plásticos tornam cultivos mais produtivos e reduzem a aplicação de pesticidas

Plasticultura – A economia nacional em baixa impacta de maneira negativa os negócios das empresas dedicadas a esse nicho de mercado; mesmo assim, percebe-se o crescimento contínuo da presença do plástico nas atividades agrícolas.

Na raiz dessa expansão, não está o custo – ainda considerado elevado, ao menos na fase de implantação dos projetos –, mas a expectativa de alcançar benefícios relacionados à produtividade e à qualidade dos produtos mediante:

  • redução dos efeitos climáticos nas culturas;
  • controle da luz e temperatura;
  • dificultar o acesso de pragas e doenças aos cultivos, com a respectiva diminuição do uso de agrotóxicos;
  • proteção das colheitas de modo mais ágil e eficiente, entre outros.

Conceito de Plasticultura

Abrangido de maneira genérica pelo conceito de plasticultura – embora alguns reservem o termo apenas a cultivos integralmente desenvolvidos em ambientes estruturados com esses materiais –, esse uso do plástico na produção rural tem no Brasil aplicações já razoavelmente consolidadas (ao menos no universo dos maiores produtores de regiões onde predominam os agronegócios).

Casos, por exemplo, das estufas e dos túneis de cultivo, das lonas para silagem e armazenamento, dos sistemas de irrigação, dos silos-bolsas, do mulching (cobertura de solo).

E, estimuladas pelas empresas dedicadas ao plástico, surgem também novas possibilidades de uso, não apenas na agricultura, mas também na pecuária.

Mas evoluem também as categorias de produtos com usos já consagrados, como os filmes para mulching, até há pouco tempo empregados apenas em culturas cujos ciclos são rápidos, caso do morango, tomate e pepino, mas ingressam também em lavouras mais permanentes, como como café, cítricos e uvas.

“Nessas culturas perenes, o mulching requer filmes mais resistentes: mais espessos e com melhor proteção anti-UV”, destaca Antonio Bliska Junior, engenheiro agrônomo e vice-presidente do Cobapla (Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura).

Ana Paiva, especialista em desenvolvimento de mercado da Braskem, também fala sobre o avanço do mulching nas culturas demandantes de filmes mais resistentes, cuja vida útil pode superar 24 meses.

Plástico Moderno, Ana: cobertura de solo reduz em 28% o consumo de água
Ana Paiva, especialista em desenvolvimento de mercado da Braskem

“Um cafezal produz aproximadamente por dez anos; o mulching não precisa ficar na lavoura durante todo esse período, mas deve desempenhar seu papel durante os dois primeiros anos, os mais críticos para a formação dos cafeeiros”, explica.

Surgem novos aproveitamentos do plástico em situações mais específicas:

“Um uso mais recente é o ensacamento de frutos nos pés, usando um não-tecido de PP: isso já é feito com tomates, e vem sendo testado para outros frutos”, relata a especialista da Braskem, empresa fornecedora de resinas de PE, PP e PVC para transformadores que elaboram produtos direcionados para os agronegócios.

Linhas expandidas – Filmes usados na Plasticultura

Apontados como indicadores importantes do avanço do uso de plástico nas atividades agrícolas, os filmes de mulching próprios para lavouras que demandam períodos mais longos são produzidos há dois anos pela Electro Plastic, que os comercializa com a marca Ecomulching.

Esses filmes, detalha Nelson Iida, diretor de marketing da Electro Plastic, têm espessura de 40 micrômetros – filmes normais de mulching geralmente têm 25 micrômetros –, e uma aditivação mais intensiva para proteção anti-UV.

O fabricante oferece garantia de dezoito meses – embora a vida útil possa superar dois anos –, contra oito meses dos filmes convencionais para a mesma aplicação.

Além de produtos para mulching, o portfólio da Electro Plastic – sempre usando o PEBD – inclui itens como filmes para estufas, minitúneis, lonas para silagens e silos-bolsa.

Há um silo-bolsa denominado Super silo, feito com cinco camadas e comprimento que pode chegar a 75 metros.

“Além das cores diferenciadas dos filmes com três camadas – que servem para repelir o calor na parte externa, e evitar que ela chegue ao interior –, as cinco camadas permitem também aditivações que possibilitem, entre outros benefícios, elaborar filmes mais resistente e com proteção de barreira para impedir ainda mais a passagem de gases”, explica Iida.

Já a Pacifil, pioneira na fabricação de silos-bolsa no mercado nacional

A Pacifil – iniciou em 2010 –, pode produzi-los com três e com cinco camadas, diz o diretor Álvaro Tashiro. Segundo ele, cresce bastante a demanda por esse tipo de produto, hoje utilizado nas culturas de praticamente todos os gêneros de grãos, das mais diversas regiões do país.

“O silo-bolsa não é mais visto apenas como alternativa de armazenamento, mas como ferramenta logística, pois entre outras coisas permite o armazenamento na própria fazenda e a minimização dos custos do frete, sempre mais elevados nas épocas de safra”, justifica Tashiro.

No Brasil, ele relata, são usados basicamente silos-bolsa com 5, 6 e 9 pés de diâmetro, mas a Pacifil – com fábrica em Sapiranga-RS – os produz também com tamanhos entre 10 e 14 pés, para exportar para países como EUA e Ucrânia.

Plástico Moderno, Silo-bolsa da Pacifil armazena grãos no campo com segurança
Silo-bolsa da Pacifil armazena grãos no campo com segurança

Está também ampliando o comprimento de seus silos, inicialmente oferecidos com 61 metros, depois com 75 metros, e mais recentemente com 100 metros. “Esses silos maiores estão sendo muito demandados em regiões onde as fazendas são grandes, como em Mato Grosso”, conta Tashiro.

Por sua vez, a Nortene lançou em julho um filme de PEBD para estufas, comercialmente denominado Termofilm que, mediante aditivação específica, não apenas difunde a luz, mas também repele o calor.

“Esse tipo de produto é muito importante para plantas muito sensíveis ao calor, e no Brasil já está sendo usado em culturas como flores, tomates, pepinos e hortaliças folhosas”, destaca Matheus Nitta, consultor técnico do departamento de marketing da Nortene, empresa que anuncia o Termofilm como “o primeiro filme difusor térmico do Brasil”.

Com um portfólio rural com filmes para estufas, mas também lonas para silagem, telas para sombreamento e telas antigranizo, entre outros itens, a Nortene hoje posiciona para os agronegócios também uma geomembrana de PEBD, com a qual é possível impermeabilizar reservatórios para armazenamento de água e de resíduos de hidroponia ou de biodigestores. “Isso é ainda pouco usado no Brasil, mas crescerá o consumo desse produto; essa geomembrana dura cerca de vinte anos, muito mais que a lona comum geralmente usada nesse tipo de aplicação”, compara Nitta.

 

Plasticultura – Telas, ráfia, multifilmes

Em áreas mais secas de estados como Minas Gerais e Distrito Federal, o plástico se torna mais presente na agricultura na forma de telas de polietileno, relata Bliska, do Cobapla.

Nesses casos, têm como função reduzir a incidência da luz solar e proteger de pragas culturas como o tomate, entre outras. “Já em Santa Catarina e em outras regiões mais frias, usa-se esse tipo de telas para proteger frutas como maçã e caqui contra o granizo”, ressalta Bliska.

Paralelamente, começa a se expandir o uso de ráfia para cobertura de solos de estufas e mesmo de áreas externas, como forma de evitar o acúmulo de barro e o crescimento de ervas daninhas, bem como facilitar a limpeza e circulação de pessoas e máquinas, como explicou Bliska.

Mas as empresas brasileiras fabricantes desse tipo de ráfia, observa o dirigente do Cobapla, geralmente a produzem na cor preta, mais adequada para regiões frias, onde ela precisa ajudar a manter o calor.

Isso porque em outros países – Estados Unidos, por exemplo –, é maior o mercado para esse tipo de produto. “No Brasil, o ideal é a ráfia branca, aqui muito difícil de encontrar”, argumenta.

Bliska lembra ainda serem comuns, na cobertura de estufas, o uso de plásticos multicamadas, com os quais se consegue difundir a luz de modo a acentuar o ritmo de realização da fotossíntese por parte das plantas, e assim incrementar a produtividade da cultura.

No Brasil, todas as camadas são feitas de PE, mas em outros países alguns filmes incluem também EVA para preservar o calor. “Mas isso não é usado no Brasil, pois aqui não é necessário preservar o calor, pelo contrário”, pondera.

A tecnologia multicamadas, destaca Ana, da Braskem, estabeleceu-se também entre os filmes destinados a cobrir o solo. “Filmes de mulching de alta tecnologia têm hoje camadas com cores diferentes: branco ou prateado em cima – para refletir o calor -, e preto na parte destinada a ficar em contato com a terra, para evitar que o calor chegue até ela”, relata.

A Braskem desenvolveu com a Universidade Federal de Uberlândia um estudo no qual um terço do solo de uma plantação foi coberto com mulching dupla-face nas cores branco e preto, outro terço com filme nas cores prata e preto, e o restante da área cultivada ficou sem cobertura, para servir como controle. “Houve redução de 38% nos custos com manejo de erva daninha na área com mulching, graças à eliminação da necessidade de capinas e aplicação de herbicidas”, informa.

Em alguns filmes de mulching e em lonas, lembra Ana, os agronegócios utilizam plásticos reciclados, mas a formulação do mulching para culturas de ciclo longo exige resina virgem e aditivação UV diferenciada, para garantir que ele desempenhe sua função no campo por períodos maiores, sem apresentar degradação.

“As aplicações de maior volume neste segmento – como filme para cobertura de estufas e silos-bolsa -, também não permitem a utilização de plástico reciclado”, ressalta.

Aliado hídrico

Difícil precisar, com as informações hoje disponíveis, as dimensões do uso do plástico no agronegócio brasileiro: afinal, data de 2007 a mais recente quantificação das áreas de estufas e mulching existentes no país.

Agora, conta Bliska, o Cobapla vem desenvolvendo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) um projeto de mensuração dessas áreas com base em imagens captadas por satélites.

Mas mesmos sem tais números, ele ressalta, pode-se perceber incremento apenas atentando para os segmentos nos quais ele já é intensivo.

Por exemplo, no cultivo de flores, a mais de duas décadas registrando crescimentos anuais na casa dos dois dígitos, e nos principais centros do país dedicados a essa cultura hoje conduzida predominantemente em ambientes controlados. Ou seja: em ambientes definidos pelo plástico, como as estufas.

Os ambientes controlados, prossegue o dirigente do Cobapla, ganham maior espaço também na produção de mudas e no cultivo de hortaliças.

E são mais demandados até como consequência da escassez de água em grande parte do país, que amplia o interesse por técnicas de irrigação capazes de reduzir o desperdício desse insumo, e que são ainda mais eficazes quando adotadas em ambientes controlados.

Plástico Moderno, Mulching de lavouras perenes exige filmes mais resistentes
Mulching de lavouras perenes exige filmes mais resistentes

“Em ambientes controlados o consumo de água é reduzido ainda mais – até 30%, ou mesmo 40% –, relativamente à aplicação das técnicas de irrigação em ambientes abertos”, compara Bliska.

Iida, da Electro Plastic, observa que o plástico pode ajudar na economia de água na lavoura não apenas através dos sistemas de irrigação, mas também na forma de reservatórios, e também com o mulching que, contendo a evaporação da água e mantendo a umidade do solo, em regiões mais secas pode reduzir a necessidade desse insumo em até 70%.

“E ainda existem muitas culturas e muitas regiões do país onde essa tecnologia do plástico pode ganhar ainda mais espaço”, observa Iida.

Ana, da Braskem, confirma esse potencial do mulching também como ferramenta de economia de água. “Em nosso estudo com a Universidade Federal de Uberlândia, a área com filme plástico consumiu 28% menos água de irrigação que a área controle, que permaneceu sem cobertura”, detalha.

Pecuária – Cresce o uso do Plástico

Também na pecuária cresce o uso do plástico, nesse setor já presente em produtos como os silos-bolsa e as lonas para acondicionamento dos ingredientes da silagem, como é denominado o produto resultante da fermentação de forragens e grãos destinados à nutrição animal.

Agora, essa mesma aplicação ganha mais uma opção com o Agriflex, filme stretch de PEBD especialmente desenvolvido para envelopamento da silagem que, em meados do próximo ano, a Manuli Fitasa começará a produzir em Curitiba-PR – em outros países, o grupo Manuli Stretch, controlador dessa empresa, já disponibiliza essa alternativa há duas décadas.

O Agriflex pode acondicionar e proteger a forragem destinada à nutrição animal, que antes de ser recoberta por esse filme é envolta por uma rede – também de PE – dedicada a conferir resistência ao fardo.

E o grupo Manuli Stretch já testa um produto chamado Agrostiff: um filme especial capaz de substituir essa rede, e assim tornar o Agriflex apto a acondicionar também grãos moídos.

Além de elevada resistência à radiação UV – que lhe permite proteger os produtos acondicionados mesmo permanecendo sempre ao ar livre –, o Agriflex tem elevada capacidade de selagem, para impedir o ingresso de ar no alimento colocado em seu interior.

De acordo com Valerio Mazzocco, gestor da área de agricultura da Manuli Fitasa, comparativamente às modalidades tradicionais de armazenamento, o Agriflex aumenta significativamente a produtividade das culturas, pois entre outras coisas permite que a silagem seja embalada e mantida no próprio campo até o momento do uso, e facilita seu transporte e sua comercialização.

É ainda benéfica para o alimento nele armazenado. “Mantido em um ambiente anaeróbico, ele preserva suas características nutricionais”, destaca Mazzocco.

Plástico Moderno, Filme stretch Agriflex protege fardos de feno para uso futuro
Filme stretch Agriflex protege fardos de feno para uso futuro

Com capacidade para produção de 20 tonelada por dia, a máquina encomendada para a fabricação do Agriflex, adianta Mazzocco, deve chegar à Manuli Fitasa até março próximo, e sua operação terá início cerca de três meses depois.

“Devido às características da atividade pecuária, esse produto é hoje mais usado para alimentação de gado leiteiro”, ressalta o profissional da Manuli Fitasa, empresa provedora de produtos e equipamentos de empacotamento e paletização dirigidos a diversos setores de atividade.

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