Plástico

Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

Maria Aparecida de Sino Reto
23 de março de 2010
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    “A única desvantagem é no inverno, porque atrasa um pouco o desenvolvimento da cultura por causa da baixa temperatura”, pondera. O filme preto e prata, no entanto, resolve essa questão: assegura os mesmos benefícios do preto e branco, sem, no entanto, baixar tanto a temperatura.

    Na opinião do gerente, hoje, a maioria dos produtores consegue enxergar os benefícios de uma tecnologia diferenciada e se dispõe a pagar pelo custo maior. Para ele, o processo de extrusão dos filmes agrícolas, aliado às matérias-primas (resina e aditivos) empregadas na Electro Plastic, confere alta qualidade e durabilidade aos seus produtos, acima de doze meses.

    Sem falsa modéstia, Iida acredita oferecer o máximo também no campo das coberturas para estufa. Afirma categórico: “Temos o melhor filme difusor (de luz) do mercado; mesmo o importado não atinge difusão semelhante à do nosso, que consegue atingir melhor difusão, em torno de 5% a mais, que os filmes disponíveis no mercado.” Como resultado, explica, o agricultor consegue o desenvolvimento mais uniforme de plantas e menos manchas nas pétalas, no caso de rosas.

    Entre os filmes fabricados pela empresa, ele considera o difusor antivírus o mais técnico, por conta do bloqueio à passagem de algumas faixas de luz visíveis para os insetos transmissores de vírus. O bloqueio desorienta esses vetores, impedindo a sua atuação dentro das estufas (como a mosca branca e o trips). A retenção da passagem dos raios infravermelhos também melhora as condições climáticas dentro da estufa, sinônimo de desenvolvimento mais saudável das plantas.

    Problema antigo dos agricultores que se habilitavam a investir em tecnologia diferenciada, os filmes antigotejos nacionais perdiam boa parte da propriedade muito antes de um ano de uso. A aditivação continua semelhante, mas a engenharia se desdobrou para acabar com o problema. A estrutura da estufa com angulação adequada à aplicação do filme permite o escoamento das gotículas. Iida explica como: “Em sete metros de largura de estufa, a flecha precisa ter 1,40 m de altura, o que elimina o problema de gotejo.”

    Na opinião de Sganzerla, o filme antigotejo é bem útil na maioria das culturas, porém não é comercializado por ele justamente por causa da baixa durabilidade do efeito. “O aditivo é o mesmo usado aqui e no resto do mundo e ainda se espera melhorias na sua performance, pois há uma gradativa migração do aditivo e o efeito acaba em aproximadamente oito meses”, atesta.

    Oliveira prefere não comentar a questão porque a Nortene não tem demanda para filmes antigotejo. O forte da transformadora são os filmes com proteção ultravioleta, difusores de luz e antivírus. A preocupação da empresa se voltou para uma dificuldade em prolongar a vida útil dos agrofilmes, evitando sua degradação pelo ataque de substâncias químicas derivadas dos defensivos agrícolas. Fruto desse interesse, a Nortene lançou uma linha de filmes resistentes ao enxofre e ao cloro com durabilidade (e garantia) de três anos, contra dois, no máximo dois anos e meio, dos convencionais, dependendo da cultura.

    Outra novidade fica por conta de uma família de produtos dirigida a agricultores que buscam soluções mais técnicas. Trata-se da linha Maxilux, elaborada com uma formulação especial de polímeros e aditivos de última geração, resultado de doze anos de pesquisa em filmes com efeito difusor. “A aditivação é maior em concentração e variedade”, informa Oliveira. Esses filmes empregam a mesma tecnologia de processo da linha convencional Tricapa (produzida em três camadas, com opções variadas de aditivos) e são indicados para qualquer tipo de cultura.

    Os agricultores interessados em repelir vetores de vírus associado ao efeito difusor podem optar pelo filme Maxilux A.V., que tem a capacidade de dificultar a entrada na estufa de insetos transmissores de doenças, pelo bloqueio do tipo de luz que orienta a locomoção desses vetores, acrescida às suas propriedades. Hoje, os filmes técnicos e as telas para sombreamento representam 40% dos negócios, estima Oliveira.

    Atuante no setor desde 1986, a Poliagro tem nas vendas de filmes agrícolas e mantas especiais 70% de seus negócios. Dispõe de ampla linha de filmes agrícolas, até mesmo para aplicações em ambientes críticos e com garantia igual à de sua concorrência para a durabilidade de três anos. A família dos agrofilmes ainda incorpora tecnologias como difusão de luz, fotosseleção antivírus e antibotrytis. Este último é um dos diferenciais da Poliagro. “Evita o desenvolvimento nas plantas do fungo botrytis, que depende da luz, numa radiação entre 280 e 320 nanômetros. Este plástico tem uma aditivação que absorve esta radiação, evitando o desenvolvimento deste fungo”, explica Sganzerla. Segundo ele, o filme é indicado para estufas climatizadas e justifica: “Não pode ser aberta para que não entre a luz solar.”

    Em sua larga bagagem conquistada no ramo, o diretor da Poliagro lamenta que esse mercado nunca tenha acompanhado o crescimento de outros setores usuários de plásticos, justificativa para muitas empresas desistirem de produzir filmes agrícolas e migrarem para a fabricação de filmes técnicos e embalagens. O persistente trabalho de formiguinha, porém, ampara as perspectivas alentadoras do mestre em plasticultura. “Há otimismo no setor de que o crescimento passe a acompanhar nos próximos anos o mesmo ritmo dos outros segmentos do plástico.”

     

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