Plástico

Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

Maria Aparecida de Sino Reto
23 de março de 2010
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    Daí resulta outro problema apontado por ele: a centralização da comercialização das hortaliças, com mais de 70% afluindo para o Ceagesp, de onde se espalham para todos os estados do país pelas mãos de intermediários. “É muito comum que tomates produzidos na safra do Rio Grande do Sul viajem até São Paulo e de lá voltem para os mercados gaúchos.” Sganzerla lembra ainda os custos adicionais dos longos transportes e do rateio dos custos das perdas, da ordem de quase 40%, sobre a parte boa que resta. Perdem os produtores e os consumidores. Segundo estimativas do diretor da Poliagro, o brasileiro entra para o rol dos mais baixos consumos de hortaliças – inferior a 25 quilos per capita ao ano, contra mais de 160 quilos na maior parte do mercado europeu.

    Também falta interesse público em pesquisar e estimular o uso do plástico na agricultura, na opinião de Sganzerla. “O que existe de conhecimento na área da plasticultura se deve em grande parte à extensão rural, prima pobre da pesquisa oficial, e de iniciativas de petroquímicas, transformadores e dos experimentos dos próprios agricultores”, lamenta.

    Problemas à parte, o cultivo sob plásticos cresce sem intervenções públicas, à medida que os agricultores percebem seus benefícios, ampliam o uso e outros copiam. Sganzerla menciona duas culturas nas quais o plástico domina: morango e alface. Primeiro os produtores descobriram as vantagens de plantar morangos sobre solo protegido pelo mulching plástico. Depois, incrementaram os benefícios resultantes da utilização da cobertura plástica. “Os produtos resultam melhor aspecto, são mais saborosos, a produção é maior e há uma diminuição na aplicação de defensivos químicos na ordem de 70%”, infere.

    Segundo atesta Sganzerla, a cultura de alface também não dispensa mais a proteção do plástico. Além da melhor qualidade e maior produtividade, os agricultores conseguem até onze safras por ano na mesma área, contra cinco colheitas sob céu aberto. “Quando São Pedro estava disposto a ajudar”, brinca.

    Jair de Oliveira, da Nortene, ainda lembra o avanço da técnica no Nordeste brasileiro, onde o cultivo protegido beneficia a produção de melão, uvas e rosas, na região de Petrolina, em Pernambuco. No sul do país, ele destaca um grande projeto para plantação de uva sob estufas plásticas. “Os compradores estão valorizando e pagando melhor por culturas protegidas, pois as frutas são mais saudáveis e de melhor qualidade”, atesta. No estado de São Paulo, ele nota forte avanço no uso de mulching e estufas na região do Cinturão Verde, e ainda no sul de Minas Gerais, no cultivo de hortaliças em geral, tomate, pimentão e pepino.

    O gerente da Electro Plastic reforça a observação de crescimento do cultivo protegido para hortaliças. Um bom exemplo fica por conta da região de Faxinal, no Paraná, onde mais de mil estufas abrigam o cultivo de tomate. Para ter uma ideia da área, cada estufa ocupa cerca de 2.200 metros quadrados. “As estufas têm sido bem requisitadas para o cultivo de folhosas, tomate, pimentão e pepino”, comenta Iida.

    Considerando as estufas e o mulching, a maior expansão de mercado ainda incide sobre este último. Na avaliação de Iida, a cobertura de solo cresce a taxas de 12% a 13% ao ano, em particular nas plantações de folhosas e frutas, e a de estufas, entre 7% e 8% ao ano. Para o gerente, o mulching se tornou uma ferramenta indispensável em diversos cultivos. No Nordeste, seu uso contempla produções de melão, melancia, mamão e abacaxi – estes dois últimos com adesão mais recente.

    A produção do melão nobre “pele de sapo” tem um viés bem interessante. O contato com o solo gera no fruto uma mancha branca, que o desvaloriza comercialmente. Para impedir essa ocorrência, os agricultores utilizavam uma bandeja para proteger cada melão. Iida conta que a implantação nas lavouras de mulching dupla face (preto e branco) resolveu esse problema e também o de ataque da broca do melão. Uma das vantagens do mulching preto e branco é justamente a de refletir a luz e repelir vetores, como o que provoca a broca. Hoje, o cultivo de melão com mulching na Região Nordeste abrange cerca de 5 mil hectares.

    Diferenciais – O mulching preto e branco, a propósito, é uma novidade da Nortene. “Propicia melhores condições de temperatura do solo e, para algumas culturas, melhora a qualidade e a produtividade”, ressalta Oliveira. A empresa prepara novos voos no setor com planos de produzir mulching com resina biodegradável: um diferencial da empresa no mercado agrícola.

    Ainda em termos de filmes plásticos para cobertura de solo, o gerente da Electro Plastic acredita oferecer um dos poucos produtos capazes de suportar o processo de mecanização, mantendo suas propriedades originais. “Mesmo sem rompimento, qualquer tensionamento leva à perda de opacidade e, portanto, da proteção do filme contra as ervas daninhas, que é um dos seus principais benefícios”, pondera Iida.

    Na avaliação dele, o filme preto e branco é o mais técnico disponível no mercado e o seu, em particular, supera a concorrência. “O mesmo filme permite produzir cinco ciclos de alface americana”, assegura. O lado preto confere opacidade e o branco reflete a luz, ofuscando a visão dos principais vetores, que carregam vírus. Além disso, impede o aquecimento excessivo do canteiro e evita que folhas e frutas se queimem.



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