Plástico

Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

Maria Aparecida de Sino Reto
23 de março de 2010
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    Plástico Moderno, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

    Plantações de abacaxi se rendem às benesses do mulching

    A propósito, o uso de estufas e de mulching acompanha uma constante de crescimento no cultivo de pimentão. No entorno de Brasília, a produção de uma cooperativa segue de vento em popa, em mais de 30 hectares. Na fruticultura, o uso da cobertura plástica de solo já favorece além dos morangos. Melão e abacaxi também descobriram o quanto seu uso pode ser benéfico. E até mesmo os morangos têm elevado a escala de uso do plástico, aplicado em novas regiões de cultivo, como o sul de Minas, nada tradicional nessa área. Segundo Bliska, esses produtores adotaram o modelo de minitúneis e mulching. A propósito, entre as principais culturas usuárias dos mulchings estão as frutas, plantações de pimentão, tomate, pepino, alface e fumo.

    Cuidado com a reputação – A comercialização de filmes de qualidade ruim, tanto para cobertura de estufas como de solo, denegriu a técnica e manchou por muito tempo a imagem do uso de plásticos na agricultura. No caso do mulching, a proliferação de filmes processados com material reciclado, além de não conferir ao agricultor os benefícios esperados, dificultou a disseminação de avanços tecnológicos, como os filmes de dupla face.

    O esforço para reverter esse quadro culminou em 2008 com a homologação de normas técnicas. Desde então, as produções de filmes agrícolas para cobertura de estufas e de solo devem seguir padrão de certificação estabelecido por normas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

    A ABNT NBR 15560-1 “Filmes Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido – Parte 1: Cobertura de estufas” demandou três anos até a sua conclusão e a elaboração de seu texto envolveu uma comissão de estudo com representantes de toda a cadeia (até mesmo de agricultores), que se baseou em uma norma já existente e amplamente utilizada na Europa (a UNE-EM 13206:2002).

    A norma brasileira padroniza requisitos e métodos de ensaio de desempenho físico e mecânico dos agrofilmes plásticos de polietileno e/ou copolímeros de etileno para cobertura de estufas (durabilidade, espessura, largura, tração, resistência ao impacto por queda de dardo e haze) e visa a uniformizar a qualidade desses filmes, assegurando produtos mais duráveis para o agricultor.

    Plástico Moderno, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

    Silos-Bolsas despertam grande interesse no setor

    A segunda parte da norma, a NBR 15560-2, trata dos filmes do tipo mulching (de polietileno e/ou copolímeros de etileno), especificando características físicas e mecânicas e os métodos de ensaio para películas monocamadas ou coextrudadas, em cores únicas ou em combinação de duas cores (preto/branco, preto/prata).

    “A normatização foi extremamente positiva. Deu uma chacoalhada nos fabricantes, que passaram a se preocupar com essas especificações, a fim de zelar pelo seu nome”, comemora Bliska. Há ainda outros textos em desenvolvimento acerca dos filmes plásticos agrícolas no Organismo de Normalização Setorial de Embalagem e Acondicionamento Plástico (ABNT/ONS-51), abrigado no Instituto Nacional do Plástico. De acordo com a representante do organismo, Marília Tarantino, o projeto 51:002.04-001-3 “Filmes Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido – Requisitos e métodos de ensaio – Parte 3: Telas para sombreamento e proteção” estabelece os requisitos de desempenho, incluindo a identificação de acordo com o fator de cobertura, ou seja, a porcentagem da área coberta pela tela. Entre outros quesitos, o projeto prevê parâmetros de resistência à tração e alongamento, bem como marcações e identificações (tais como nome ou logotipo do fabricante etc.).

    Marília destaca ainda outro projeto que envolve a normatização do setor. O 51:002.05-001 “Filmes Plásticos (lonas plásticas) para Silagem – Requisitos e métodos de ensaio” visa à especificação de características físicas e mecânicas e ainda aos métodos de ensaio.

    Segundo ela, a norma deve estabelecer parâmetros de qualidade (resistência à tração e alongamento; ao impacto; ao rasgo e à perfuração e ainda à transmissão de luz) para lonas para silagem de polietileno e/ou copolímeros de etileno, com durabilidade de seis meses ou um ano. O projeto também prevê marcações e identificação do material de acordo com a ABNT NBR 13230 com o propósito de auxiliar na separação e posterior reciclagem.

    Plástico Moderno, Edilio Sganzerla, da Poliagro, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

    Sganzerla: filme ruim ainda atrapalha os negócios

    Mesmo com a padronização, o setor agrícola ainda convive com plásticos fora das especificações. Edilio Sganzerla, à frente da Poliagro, empresa dedicada à produção de filmes agrícolas, chama esse mercado de “submundo dos filmes agrícolas”, comercializados por atacadistas mais preocupados em oferecer preços baixos. Segundo ele, geralmente são os pequenos agricultores, sem conhecimento da tecnologia, que compram esses produtos nas lojas agrícolas, achando que plástico é tudo igual. No entanto, esses filmes com espessura menor que a declarada e meia aditivação, por sua baixa eficiência, frustram os usuários e freiam o desenvolvimento da plasticultura.

    Referências nacionais – Há cerca de quatro fabricantes nacionais renomados no mercado dos filmes agrícolas: Poliagro e Plastisul, ambas no sul do país; e as paulistas Nortene e Electro Plastic. Edilio Sganzerla acumula longa experiência na plasticultura e aponta vários gargalos para o deslanche da técnica. Um deles é a diversidade de climas. “Quando é inverno no Sul, planta-se no Sudeste; quando chove muito no Sudeste, surge a safra do Centro-Oeste”, diz ele. Essa flexibilidade dificulta a propagação da plasticultura, que tem o controle climático e a plantação durante o ano todo como seus principais pilares.



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