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Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

Maria Aparecida de Sino Reto
23 de março de 2010
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    Plástico Moderno, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

    Plantação de flores deu o pontapé inicial para o avanço do cultivo protegido

    Fartura e qualidade – O sucesso do modelo de cultivo de flores em ambientes de estufa contamina cada vez mais produtores de hortaliças, legumes e frutas interessados em plantar ao longo de todo o ano, mesmo em condições climáticas desfavoráveis, e melhorar a rentabilidade de suas lavouras.

    Segundo Bliska, como se mostrou bem-sucedida, a tecnologia dos plásticos empregada na produção de flores em Holambra, em São Paulo, agora se estende também às plantações de hortaliças da região. Entre as flores, o crescimento anual dos agroplásticos oscila de 10% a 15%. Holambra serve de referência em cultivo protegido, mas, em âmbito nacional, as estufas abrigam apenas 25% das plantações de flores.

    Baseada nos resultados da cidade-modelo, a implantação de floricultura coberta no Ceará, com sucesso até mesmo nas exportações diretas, tem incentivado estados como Piauí, Rio Grande doNorte e Maranhão a ingressar também no campo da plasticultura, como pontua o estudo do Cobapla.

    Ainda há, porém, 75% de plantio em campo aberto. A conversão para o modelo protegido abriria uma oportunidade ímpar para aumentar as exportações. Bom exemplo são as flores tropicais. Segundo observações de Bliska, essas variedades têm grande aceitação no exterior e com o apoio do Ministério da Agricultura, capacitação para a tecnologia e financiamento, seria possível atingir volumes de produção em escalas capazes de atender ao interesse crescente do mercado internacional por essas flores.

    As chuvas atípicas que castigaram diversas regiões do país também redundaram em incentivo à adoção dos agroplásticos no cultivo de hortaliças e legumes. Foi assim com muitos donos de plantações em campo aberto no cinturão verde de São Paulo. Prejudicados com o excesso de água e granizo, muitos produtores decidiram pesar as vantagens e investir no plantio sob estufas. Por conta disso, o cultivo protegido deve avançar acima de 10% no campo das hortaliças, que tradicionalmente evolui a taxas de 5% ao ano.

    O engenheiro agrônomo Gilberto J. B. de Figueiredo, da Casa de Agricultura de Guararema, um braço da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, testemunha avanço significativo da utilização de plástico nos últimos anos no Alto Tietê (região de Mogi das Cruzes), principalmente mulching no cultivo de hortaliças e telados para fruticultura, o caqui em especial. “Não tenho o volume de crescimento, mas com certeza é algo em torno de 20% ao ano, no mínimo”, diz. Também os ganhos de produtividade e qualidade motivam os produtores, que se tornam empresários rurais. “Percebo que no estado de São Paulo vem aumentando o interesse dos produtores, principalmente de hortaliças, por essa técnica, por causa do número crescente de consultas de colegas de outras regiões do estado sobre o assunto”, conta.

    A Cati já desempenhou importante papel na divulgação dos benefícios dos agrofilmes, com comissões técnicas de plasticultura e especialistas sediados nas casas de agricultura. Por falta de recursos financeiros, porém, esse trabalho minguou até cessar anos atrás. Agora, sinaliza uma retomada. Segundo Figueiredo, a Cati está reorganizando a comissão técnica para o fomento da atividade.

    Pouco divulgada, uma linha de financiamento por meio do Feap – Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista/Banagro, disponibilizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, contempla, entre outros empreendimentos, a utilização do plástico no agronegócio. “Existe, mas o produtor não sabe”, lamenta Bliska.

    Com taxas de juros de 3% ao ano, podem pleitear o empréstimo diferenciado produtores rurais pessoas físicas com renda agropecuária anual de até R$ 400 mil, considerados como classe média rural. O agricultor deve procurar a Casa de Agricultura do seu município, que orienta na organização do pedido e dá entrada na agência mais próxima do Banco Nossa Caixa. A linha de crédito ainda contempla produtores rurais pessoas jurídicas, associações e cooperativas de produtores rurais (consulte mais informações no site www.agricultura.sp.gov.br/linhasdefinanciamento.asp).

    Plástico Moderno, Sérgio Mitsuaki Maejima, Proprietário do sítio, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

    Maejima provou, aprovou e investe em mais estufas

    Outra opção, mais indicada para os pequenos agricultores, fica por conta da linha de crédito oferecida pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Mais Alimentos), que destina recursos para a infraestrutura da propriedade rural. O programa atende agricultores com renda bruta familiar anual de até R$ 110 mil e abrange variados itens, entre os quais a implantação de estufas, irrigação e armazenagem de diversas culturas. O financiamento pode ser pago em até dez anos, com três de carência e juros de 2% ao ano.

    Atraído pela oportunidade de aumentar a sua produtividade, Sérgio Mitsuaki Maejima, proprietário do sítio que leva o seu sobrenome na região de Mogi das Cruzes, decidiu investir pela primeira vez na tecnologia. A conversa com produtores conhecidos e usuários do cultivo protegido o convenceu dos seus benefícios. O investimento de quase R$ 50 mil, totalmente financiado pelo Pronaf Mais Alimentos, reverteu em uma estufa de 1.260 m², onde ele já colheu pepino japonês e agora cultiva pimentões. Satisfeito com os resultados, está cotando orçamentos para implementar uma nova estufa, na qual pretende plantar pepinos japoneses. Suas culturas também empregam mulching. “Consegui reduzir o uso de agroquímicos em torno de 35% e acredito que vou diminuir mais ainda”, diz animado.



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