Plasticultura – Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva

Disseminar no país o uso dos filmes agrícolas, considerados uma ferramenta de alta tecnologia e indutora de elevada produtividade no cultivo das mais variadas culturas (flores, hortaliças, frutas, entre outras), exige um trabalho de formiguinha, mas a persistência de especialistas nessa área e de instituições como o Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla) contribui há anos para a evolução contínua e crescente desse mercado. Pelas estimativas do comitê, os agrofilmes destinados à cobertura de estufas consomem atualmente cerca de 20 mil toneladas/ano de poliolefinas e os filmes para mulching, outras 2.500 toneladas anuais. Especialistas avaliam o crescimento da plasticultura brasileira na casa dos 10% ao ano e consideram o nicho muito atraente e de forte potencial.

O cultivo protegido compensa por muitos aspectos além do resguardo das intempéries. Sob o abrigo dos agrofilmes, o agricultor consegue evadir a proliferação de vírus (por impedir o vetor de agir) e pragas, controlar a temperatura, a disseminação de luz e de calor, entre outras tantas variáveis climáticas. A cobertura plástica também protege o solo (mulching), contribuindo para restringir a aplicação de agroquímicos, (inibe o crescimento de ervas daninhas), impede a erosão, diminui a perda de adubo por lixiviação, retém água (reduz a perda de umidade por evaporação) e impede o contato de frutos e folhas com o solo – vantagens traduzidas em menor custo, maior produtividade e qualidade dos produtos.

Plástico Moderno, Antonio Bliska Júnior, Vice-presidente da Cobapla, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Para Bliska, quem busca alta tecnologia, opta pelos plásticos

O último levantamento de amplo espectro do setor data de cinco anos atrás. O mapeamento, elaborado pelo Cobapla, registra os gargalos da plasticultura brasileira e a dimensiona. As informações, colhidas ao longo de dois anos, detectaram à época mais de 13 mil hectares de produção sob estufas e acima de 7 mil hectares cultivados com a aplicação de plástico como cobertura de solo.

A carência de informações sobre a técnica e a falta de formação com foco na área explicam em boa parte porque o uso do plástico no cultivo protegido ainda não se disseminou em larga escala na agricultura brasileira. O estudo do Cobapla estima que de toda a resina processada no país apenas 2,5% corresponda ao consumo agrícola, mas o potencial de crescimento na área é alto e tende a ser mais explorado nos próximos anos, também em outros braços da tecnologia, como a irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) e nos silos-bags (ou silos-bolsas), só para mencionar alguns exemplos.

Para o vice-presidente do Cobapla, Antonio Bliska Júnior, as empresas estão encarando o setor agrícola como um bom negócio e buscando novos mercados – o que deve impulsionar a plasticultura. “Quando se envolve alta tecnologia, coloca-se plástico no meio produtor rural”, pontua.

Plástico Moderno, Jair A. de Oliveira, Responsável pelos negócios dos agrofilmes da Nortene, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Silos-bolsas vendem bem e Oliveira já admite a sua nacionalização

Prova da maior anuência dos agricultores brasileiros às benesses da plasticultura está na demanda crescente de uma nova tecnologia: os silos-bags, bolsas gigantes e flexíveis para acondicionamento e armazenamento de grãos.

Ainda pouco explorada no Brasil, embora muito difundida em outros países da América do Sul, como Argentina, a novidade começa a despertar interesse nos usuários e a encorajar os fabricantes nacionais de agrofilmes a investir na nacionalização dos silos-bolsas. Por ora, os argentinos alimentam a maior parte da demanda brasileira.

Nome tradicional no ramo brasileiro de agrofilmes, a Nortene descobriu o filão e comercializa produto que leva o nome da DuPont, que já fabricou silo-bag no passado, mas declinou do negócio, hoje continuado por uma de suas parceiras, terceirizada, que manufatura os silos com as especificações determinadas pela multinacional renomada. Jair A. de Oliveira, gestor de carteira de clientes, responsável pelos negócios dos agrofilmes da Nortene, admite o interesse da empresa em negociar com a DuPont o uso da tecnologia para produzir os silos, com vistas a nacionalizar o produto até 2011.

“Um filão muito grande de mercado.” É assim que Oliveira avalia a oportunidade de fabricar as bolsas armazenadoras de grãos. A empolgação se sustenta nos negócios realizados no país. Só no ano passado, ele vendeu 20 mil unidades. “Esperamos atingir 30 mil neste ano”, enseja. Há cerca de cinco anos no negócio, a Nortene acredita deter, atualmente, 40% do mercado.

Plástico Moderno, Nelson M., gerente de marketing da Electro Plastic, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Anúncios de expansão de Nelson Iida também contemplam os silos

A variedade de silos-bolsas ofertada pela Nortene alimenta duas áreas: a de silagem e a de acondicionamento de grãos. Os produtos direcionados à primeira medem cerca 1,5 m de diâmetro por 60 metros de comprimento e dispõem de capacidade entre 90 e 100 toneladas. Para o segundo segmento, comportam até 180 toneladas, ou 3 mil sacos, e medem 60 metros de comprimento por 2,75 m de largura.

Outro nome de peso dos agrofilmes nacionais, a Electro Plastic engrossa o rol das pretendentes a introduzir os silos-bolsas à sua linha produtiva. A intenção se inclui nos projetos de investimentos idealizados para expandir as vendas da empresa no mercado do agronegócio (hoje da ordem de 30% das atividades) e também envolve a aquisição de novas máquinas, como atesta o gerente de marketing da Electro Plastic, Nelson M. Iida. Segundo ele, os planos de expansão contemplam filmes para mulching, cobertura de estufas e também inserem os silos-bags. Os projetos, porém, de longo prazo se estendem para os próximos dez anos. “A produção dos silos-bolsas envolve a união de forças tecnológicas, não basta ter equipamento, é preciso ter tecnologia”, justifica.

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Plantação de flores deu o pontapé inicial para o avanço do cultivo protegido

Fartura e qualidade – O sucesso do modelo de cultivo de flores em ambientes de estufa contamina cada vez mais produtores de hortaliças, legumes e frutas interessados em plantar ao longo de todo o ano, mesmo em condições climáticas desfavoráveis, e melhorar a rentabilidade de suas lavouras.

Segundo Bliska, como se mostrou bem-sucedida, a tecnologia dos plásticos empregada na produção de flores em Holambra, em São Paulo, agora se estende também às plantações de hortaliças da região. Entre as flores, o crescimento anual dos agroplásticos oscila de 10% a 15%. Holambra serve de referência em cultivo protegido, mas, em âmbito nacional, as estufas abrigam apenas 25% das plantações de flores.

Baseada nos resultados da cidade-modelo, a implantação de floricultura coberta no Ceará, com sucesso até mesmo nas exportações diretas, tem incentivado estados como Piauí, Rio Grande doNorte e Maranhão a ingressar também no campo da plasticultura, como pontua o estudo do Cobapla.

Ainda há, porém, 75% de plantio em campo aberto. A conversão para o modelo protegido abriria uma oportunidade ímpar para aumentar as exportações. Bom exemplo são as flores tropicais. Segundo observações de Bliska, essas variedades têm grande aceitação no exterior e com o apoio do Ministério da Agricultura, capacitação para a tecnologia e financiamento, seria possível atingir volumes de produção em escalas capazes de atender ao interesse crescente do mercado internacional por essas flores.

As chuvas atípicas que castigaram diversas regiões do país também redundaram em incentivo à adoção dos agroplásticos no cultivo de hortaliças e legumes. Foi assim com muitos donos de plantações em campo aberto no cinturão verde de São Paulo. Prejudicados com o excesso de água e granizo, muitos produtores decidiram pesar as vantagens e investir no plantio sob estufas. Por conta disso, o cultivo protegido deve avançar acima de 10% no campo das hortaliças, que tradicionalmente evolui a taxas de 5% ao ano.

O engenheiro agrônomo Gilberto J. B. de Figueiredo, da Casa de Agricultura de Guararema, um braço da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, testemunha avanço significativo da utilização de plástico nos últimos anos no Alto Tietê (região de Mogi das Cruzes), principalmente mulching no cultivo de hortaliças e telados para fruticultura, o caqui em especial. “Não tenho o volume de crescimento, mas com certeza é algo em torno de 20% ao ano, no mínimo”, diz. Também os ganhos de produtividade e qualidade motivam os produtores, que se tornam empresários rurais. “Percebo que no estado de São Paulo vem aumentando o interesse dos produtores, principalmente de hortaliças, por essa técnica, por causa do número crescente de consultas de colegas de outras regiões do estado sobre o assunto”, conta.

A Cati já desempenhou importante papel na divulgação dos benefícios dos agrofilmes, com comissões técnicas de plasticultura e especialistas sediados nas casas de agricultura. Por falta de recursos financeiros, porém, esse trabalho minguou até cessar anos atrás. Agora, sinaliza uma retomada. Segundo Figueiredo, a Cati está reorganizando a comissão técnica para o fomento da atividade.

Pouco divulgada, uma linha de financiamento por meio do Feap – Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista/Banagro, disponibilizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, contempla, entre outros empreendimentos, a utilização do plástico no agronegócio. “Existe, mas o produtor não sabe”, lamenta Bliska.

Com taxas de juros de 3% ao ano, podem pleitear o empréstimo diferenciado produtores rurais pessoas físicas com renda agropecuária anual de até R$ 400 mil, considerados como classe média rural. O agricultor deve procurar a Casa de Agricultura do seu município, que orienta na organização do pedido e dá entrada na agência mais próxima do Banco Nossa Caixa. A linha de crédito ainda contempla produtores rurais pessoas jurídicas, associações e cooperativas de produtores rurais (consulte mais informações no site www.agricultura.sp.gov.br/linhasdefinanciamento.asp).

Plástico Moderno, Sérgio Mitsuaki Maejima, Proprietário do sítio, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Maejima provou, aprovou e investe em mais estufas

Outra opção, mais indicada para os pequenos agricultores, fica por conta da linha de crédito oferecida pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Mais Alimentos), que destina recursos para a infraestrutura da propriedade rural. O programa atende agricultores com renda bruta familiar anual de até R$ 110 mil e abrange variados itens, entre os quais a implantação de estufas, irrigação e armazenagem de diversas culturas. O financiamento pode ser pago em até dez anos, com três de carência e juros de 2% ao ano.

Atraído pela oportunidade de aumentar a sua produtividade, Sérgio Mitsuaki Maejima, proprietário do sítio que leva o seu sobrenome na região de Mogi das Cruzes, decidiu investir pela primeira vez na tecnologia. A conversa com produtores conhecidos e usuários do cultivo protegido o convenceu dos seus benefícios. O investimento de quase R$ 50 mil, totalmente financiado pelo Pronaf Mais Alimentos, reverteu em uma estufa de 1.260 m², onde ele já colheu pepino japonês e agora cultiva pimentões. Satisfeito com os resultados, está cotando orçamentos para implementar uma nova estufa, na qual pretende plantar pepinos japoneses. Suas culturas também empregam mulching. “Consegui reduzir o uso de agroquímicos em torno de 35% e acredito que vou diminuir mais ainda”, diz animado.

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Plantações de abacaxi se rendem às benesses do mulching

A propósito, o uso de estufas e de mulching acompanha uma constante de crescimento no cultivo de pimentão. No entorno de Brasília, a produção de uma cooperativa segue de vento em popa, em mais de 30 hectares. Na fruticultura, o uso da cobertura plástica de solo já favorece além dos morangos. Melão e abacaxi também descobriram o quanto seu uso pode ser benéfico. E até mesmo os morangos têm elevado a escala de uso do plástico, aplicado em novas regiões de cultivo, como o sul de Minas, nada tradicional nessa área. Segundo Bliska, esses produtores adotaram o modelo de minitúneis e mulching. A propósito, entre as principais culturas usuárias dos mulchings estão as frutas, plantações de pimentão, tomate, pepino, alface e fumo.

Cuidado com a reputação – A comercialização de filmes de qualidade ruim, tanto para cobertura de estufas como de solo, denegriu a técnica e manchou por muito tempo a imagem do uso de plásticos na agricultura. No caso do mulching, a proliferação de filmes processados com material reciclado, além de não conferir ao agricultor os benefícios esperados, dificultou a disseminação de avanços tecnológicos, como os filmes de dupla face.

O esforço para reverter esse quadro culminou em 2008 com a homologação de normas técnicas. Desde então, as produções de filmes agrícolas para cobertura de estufas e de solo devem seguir padrão de certificação estabelecido por normas publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A ABNT NBR 15560-1 “Filmes Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido – Parte 1: Cobertura de estufas” demandou três anos até a sua conclusão e a elaboração de seu texto envolveu uma comissão de estudo com representantes de toda a cadeia (até mesmo de agricultores), que se baseou em uma norma já existente e amplamente utilizada na Europa (a UNE-EM 13206:2002).

A norma brasileira padroniza requisitos e métodos de ensaio de desempenho físico e mecânico dos agrofilmes plásticos de polietileno e/ou copolímeros de etileno para cobertura de estufas (durabilidade, espessura, largura, tração, resistência ao impacto por queda de dardo e haze) e visa a uniformizar a qualidade desses filmes, assegurando produtos mais duráveis para o agricultor.

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Silos-Bolsas despertam grande interesse no setor

A segunda parte da norma, a NBR 15560-2, trata dos filmes do tipo mulching (de polietileno e/ou copolímeros de etileno), especificando características físicas e mecânicas e os métodos de ensaio para películas monocamadas ou coextrudadas, em cores únicas ou em combinação de duas cores (preto/branco, preto/prata).

“A normatização foi extremamente positiva. Deu uma chacoalhada nos fabricantes, que passaram a se preocupar com essas especificações, a fim de zelar pelo seu nome”, comemora Bliska. Há ainda outros textos em desenvolvimento acerca dos filmes plásticos agrícolas no Organismo de Normalização Setorial de Embalagem e Acondicionamento Plástico (ABNT/ONS-51), abrigado no Instituto Nacional do Plástico. De acordo com a representante do organismo, Marília Tarantino, o projeto 51:002.04-001-3 “Filmes Plásticos Agrícolas para Cultivo Protegido – Requisitos e métodos de ensaio – Parte 3: Telas para sombreamento e proteção” estabelece os requisitos de desempenho, incluindo a identificação de acordo com o fator de cobertura, ou seja, a porcentagem da área coberta pela tela. Entre outros quesitos, o projeto prevê parâmetros de resistência à tração e alongamento, bem como marcações e identificações (tais como nome ou logotipo do fabricante etc.).

Marília destaca ainda outro projeto que envolve a normatização do setor. O 51:002.05-001 “Filmes Plásticos (lonas plásticas) para Silagem – Requisitos e métodos de ensaio” visa à especificação de características físicas e mecânicas e ainda aos métodos de ensaio.

Segundo ela, a norma deve estabelecer parâmetros de qualidade (resistência à tração e alongamento; ao impacto; ao rasgo e à perfuração e ainda à transmissão de luz) para lonas para silagem de polietileno e/ou copolímeros de etileno, com durabilidade de seis meses ou um ano. O projeto também prevê marcações e identificação do material de acordo com a ABNT NBR 13230 com o propósito de auxiliar na separação e posterior reciclagem.

Plástico Moderno, Edilio Sganzerla, da Poliagro, Plasticultura - Plásticos propõem aos agricultores explorar seus benefícios além do simples abrigo do tipo guarda-chuva
Sganzerla: filme ruim ainda atrapalha os negócios

Mesmo com a padronização, o setor agrícola ainda convive com plásticos fora das especificações. Edilio Sganzerla, à frente da Poliagro, empresa dedicada à produção de filmes agrícolas, chama esse mercado de “submundo dos filmes agrícolas”, comercializados por atacadistas mais preocupados em oferecer preços baixos. Segundo ele, geralmente são os pequenos agricultores, sem conhecimento da tecnologia, que compram esses produtos nas lojas agrícolas, achando que plástico é tudo igual. No entanto, esses filmes com espessura menor que a declarada e meia aditivação, por sua baixa eficiência, frustram os usuários e freiam o desenvolvimento da plasticultura.

Referências nacionais – Há cerca de quatro fabricantes nacionais renomados no mercado dos filmes agrícolas: Poliagro e Plastisul, ambas no sul do país; e as paulistas Nortene e Electro Plastic. Edilio Sganzerla acumula longa experiência na plasticultura e aponta vários gargalos para o deslanche da técnica. Um deles é a diversidade de climas. “Quando é inverno no Sul, planta-se no Sudeste; quando chove muito no Sudeste, surge a safra do Centro-Oeste”, diz ele. Essa flexibilidade dificulta a propagação da plasticultura, que tem o controle climático e a plantação durante o ano todo como seus principais pilares.

Daí resulta outro problema apontado por ele: a centralização da comercialização das hortaliças, com mais de 70% afluindo para o Ceagesp, de onde se espalham para todos os estados do país pelas mãos de intermediários. “É muito comum que tomates produzidos na safra do Rio Grande do Sul viajem até São Paulo e de lá voltem para os mercados gaúchos.” Sganzerla lembra ainda os custos adicionais dos longos transportes e do rateio dos custos das perdas, da ordem de quase 40%, sobre a parte boa que resta. Perdem os produtores e os consumidores. Segundo estimativas do diretor da Poliagro, o brasileiro entra para o rol dos mais baixos consumos de hortaliças – inferior a 25 quilos per capita ao ano, contra mais de 160 quilos na maior parte do mercado europeu.

Também falta interesse público em pesquisar e estimular o uso do plástico na agricultura, na opinião de Sganzerla. “O que existe de conhecimento na área da plasticultura se deve em grande parte à extensão rural, prima pobre da pesquisa oficial, e de iniciativas de petroquímicas, transformadores e dos experimentos dos próprios agricultores”, lamenta.

Problemas à parte, o cultivo sob plásticos cresce sem intervenções públicas, à medida que os agricultores percebem seus benefícios, ampliam o uso e outros copiam. Sganzerla menciona duas culturas nas quais o plástico domina: morango e alface. Primeiro os produtores descobriram as vantagens de plantar morangos sobre solo protegido pelo mulching plástico. Depois, incrementaram os benefícios resultantes da utilização da cobertura plástica. “Os produtos resultam melhor aspecto, são mais saborosos, a produção é maior e há uma diminuição na aplicação de defensivos químicos na ordem de 70%”, infere.

Segundo atesta Sganzerla, a cultura de alface também não dispensa mais a proteção do plástico. Além da melhor qualidade e maior produtividade, os agricultores conseguem até onze safras por ano na mesma área, contra cinco colheitas sob céu aberto. “Quando São Pedro estava disposto a ajudar”, brinca.

Jair de Oliveira, da Nortene, ainda lembra o avanço da técnica no Nordeste brasileiro, onde o cultivo protegido beneficia a produção de melão, uvas e rosas, na região de Petrolina, em Pernambuco. No sul do país, ele destaca um grande projeto para plantação de uva sob estufas plásticas. “Os compradores estão valorizando e pagando melhor por culturas protegidas, pois as frutas são mais saudáveis e de melhor qualidade”, atesta. No estado de São Paulo, ele nota forte avanço no uso de mulching e estufas na região do Cinturão Verde, e ainda no sul de Minas Gerais, no cultivo de hortaliças em geral, tomate, pimentão e pepino.

O gerente da Electro Plastic reforça a observação de crescimento do cultivo protegido para hortaliças. Um bom exemplo fica por conta da região de Faxinal, no Paraná, onde mais de mil estufas abrigam o cultivo de tomate. Para ter uma ideia da área, cada estufa ocupa cerca de 2.200 metros quadrados. “As estufas têm sido bem requisitadas para o cultivo de folhosas, tomate, pimentão e pepino”, comenta Iida.

Considerando as estufas e o mulching, a maior expansão de mercado ainda incide sobre este último. Na avaliação de Iida, a cobertura de solo cresce a taxas de 12% a 13% ao ano, em particular nas plantações de folhosas e frutas, e a de estufas, entre 7% e 8% ao ano. Para o gerente, o mulching se tornou uma ferramenta indispensável em diversos cultivos. No Nordeste, seu uso contempla produções de melão, melancia, mamão e abacaxi – estes dois últimos com adesão mais recente.

A produção do melão nobre “pele de sapo” tem um viés bem interessante. O contato com o solo gera no fruto uma mancha branca, que o desvaloriza comercialmente. Para impedir essa ocorrência, os agricultores utilizavam uma bandeja para proteger cada melão. Iida conta que a implantação nas lavouras de mulching dupla face (preto e branco) resolveu esse problema e também o de ataque da broca do melão. Uma das vantagens do mulching preto e branco é justamente a de refletir a luz e repelir vetores, como o que provoca a broca. Hoje, o cultivo de melão com mulching na Região Nordeste abrange cerca de 5 mil hectares.

Diferenciais – O mulching preto e branco, a propósito, é uma novidade da Nortene. “Propicia melhores condições de temperatura do solo e, para algumas culturas, melhora a qualidade e a produtividade”, ressalta Oliveira. A empresa prepara novos voos no setor com planos de produzir mulching com resina biodegradável: um diferencial da empresa no mercado agrícola.

Ainda em termos de filmes plásticos para cobertura de solo, o gerente da Electro Plastic acredita oferecer um dos poucos produtos capazes de suportar o processo de mecanização, mantendo suas propriedades originais. “Mesmo sem rompimento, qualquer tensionamento leva à perda de opacidade e, portanto, da proteção do filme contra as ervas daninhas, que é um dos seus principais benefícios”, pondera Iida.

Na avaliação dele, o filme preto e branco é o mais técnico disponível no mercado e o seu, em particular, supera a concorrência. “O mesmo filme permite produzir cinco ciclos de alface americana”, assegura. O lado preto confere opacidade e o branco reflete a luz, ofuscando a visão dos principais vetores, que carregam vírus. Além disso, impede o aquecimento excessivo do canteiro e evita que folhas e frutas se queimem.

“A única desvantagem é no inverno, porque atrasa um pouco o desenvolvimento da cultura por causa da baixa temperatura”, pondera. O filme preto e prata, no entanto, resolve essa questão: assegura os mesmos benefícios do preto e branco, sem, no entanto, baixar tanto a temperatura.

Na opinião do gerente, hoje, a maioria dos produtores consegue enxergar os benefícios de uma tecnologia diferenciada e se dispõe a pagar pelo custo maior. Para ele, o processo de extrusão dos filmes agrícolas, aliado às matérias-primas (resina e aditivos) empregadas na Electro Plastic, confere alta qualidade e durabilidade aos seus produtos, acima de doze meses.

Sem falsa modéstia, Iida acredita oferecer o máximo também no campo das coberturas para estufa. Afirma categórico: “Temos o melhor filme difusor (de luz) do mercado; mesmo o importado não atinge difusão semelhante à do nosso, que consegue atingir melhor difusão, em torno de 5% a mais, que os filmes disponíveis no mercado.” Como resultado, explica, o agricultor consegue o desenvolvimento mais uniforme de plantas e menos manchas nas pétalas, no caso de rosas.

Entre os filmes fabricados pela empresa, ele considera o difusor antivírus o mais técnico, por conta do bloqueio à passagem de algumas faixas de luz visíveis para os insetos transmissores de vírus. O bloqueio desorienta esses vetores, impedindo a sua atuação dentro das estufas (como a mosca branca e o trips). A retenção da passagem dos raios infravermelhos também melhora as condições climáticas dentro da estufa, sinônimo de desenvolvimento mais saudável das plantas.

Problema antigo dos agricultores que se habilitavam a investir em tecnologia diferenciada, os filmes antigotejos nacionais perdiam boa parte da propriedade muito antes de um ano de uso. A aditivação continua semelhante, mas a engenharia se desdobrou para acabar com o problema. A estrutura da estufa com angulação adequada à aplicação do filme permite o escoamento das gotículas. Iida explica como: “Em sete metros de largura de estufa, a flecha precisa ter 1,40 m de altura, o que elimina o problema de gotejo.”

Na opinião de Sganzerla, o filme antigotejo é bem útil na maioria das culturas, porém não é comercializado por ele justamente por causa da baixa durabilidade do efeito. “O aditivo é o mesmo usado aqui e no resto do mundo e ainda se espera melhorias na sua performance, pois há uma gradativa migração do aditivo e o efeito acaba em aproximadamente oito meses”, atesta.

Oliveira prefere não comentar a questão porque a Nortene não tem demanda para filmes antigotejo. O forte da transformadora são os filmes com proteção ultravioleta, difusores de luz e antivírus. A preocupação da empresa se voltou para uma dificuldade em prolongar a vida útil dos agrofilmes, evitando sua degradação pelo ataque de substâncias químicas derivadas dos defensivos agrícolas. Fruto desse interesse, a Nortene lançou uma linha de filmes resistentes ao enxofre e ao cloro com durabilidade (e garantia) de três anos, contra dois, no máximo dois anos e meio, dos convencionais, dependendo da cultura.

Outra novidade fica por conta de uma família de produtos dirigida a agricultores que buscam soluções mais técnicas. Trata-se da linha Maxilux, elaborada com uma formulação especial de polímeros e aditivos de última geração, resultado de doze anos de pesquisa em filmes com efeito difusor. “A aditivação é maior em concentração e variedade”, informa Oliveira. Esses filmes empregam a mesma tecnologia de processo da linha convencional Tricapa (produzida em três camadas, com opções variadas de aditivos) e são indicados para qualquer tipo de cultura.

Os agricultores interessados em repelir vetores de vírus associado ao efeito difusor podem optar pelo filme Maxilux A.V., que tem a capacidade de dificultar a entrada na estufa de insetos transmissores de doenças, pelo bloqueio do tipo de luz que orienta a locomoção desses vetores, acrescida às suas propriedades. Hoje, os filmes técnicos e as telas para sombreamento representam 40% dos negócios, estima Oliveira.

Atuante no setor desde 1986, a Poliagro tem nas vendas de filmes agrícolas e mantas especiais 70% de seus negócios. Dispõe de ampla linha de filmes agrícolas, até mesmo para aplicações em ambientes críticos e com garantia igual à de sua concorrência para a durabilidade de três anos. A família dos agrofilmes ainda incorpora tecnologias como difusão de luz, fotosseleção antivírus e antibotrytis. Este último é um dos diferenciais da Poliagro. “Evita o desenvolvimento nas plantas do fungo botrytis, que depende da luz, numa radiação entre 280 e 320 nanômetros. Este plástico tem uma aditivação que absorve esta radiação, evitando o desenvolvimento deste fungo”, explica Sganzerla. Segundo ele, o filme é indicado para estufas climatizadas e justifica: “Não pode ser aberta para que não entre a luz solar.”

Em sua larga bagagem conquistada no ramo, o diretor da Poliagro lamenta que esse mercado nunca tenha acompanhado o crescimento de outros setores usuários de plásticos, justificativa para muitas empresas desistirem de produzir filmes agrícolas e migrarem para a fabricação de filmes técnicos e embalagens. O persistente trabalho de formiguinha, porém, ampara as perspectivas alentadoras do mestre em plasticultura. “Há otimismo no setor de que o crescimento passe a acompanhar nos próximos anos o mesmo ritmo dos outros segmentos do plástico.”

 

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