Plasticultura – Materiais sintéticos ganham novos usos na agricultura

Consumo de plástico amplia espaço na agricultura

O uso do plástico na agricultura brasileira, incluindo irrigação e outras aplicações, ainda é baixo, em comparação com outros países, mas a demanda tem crescido, puxada pela evolução da matéria-prima e do agronegócio.

Empresários e pesquisadores estimam que o consumo agrícola situa-se entre 2% e 3% do montante de plástico consumido no Brasil, contra 5% nos Estados Unidos e Argentina.

Os dados disponíveis dão conta ainda de que o volume de negócios proporcionado pelas vendas de plásticos para irrigação atinge cerca de R$ 850 milhões por ano.

Quando computados outros usos, como estufas, mulching e outros, o faturamento anual alcança R$ 1 bilhão.

A qualidade dos insumos, tais como resinas, aditivos e, principalmente, design e processos de fabricação respondem parcialmente pelo bom desempenho do plástico tanto na irrigação como em outras aplicações na agricultura e mesmo no cotidiano das pessoas no meio urbano, segundo Antonio Bliska Júnior, vice-presidente do Cobapla. Filtros e emissores com mais tecnologia, por exemplo, têm maior durabilidade e demandam menos manutenção em função de entupimentos que eram comuns até há pouco tempo atrás, diz ele.

Os sistemas de irrigação localizada (gotejamento), adução de água (PVC), revestimentos de reservatórios de água, coberturas plásticas de estufas e de solos em campo aberto (mulching), além de produtos para embalagens, são as aplicações de maior destaque, complementa professor Rubens Duarte Coelho, da Esalq.

A demanda de plástico para instalações permanentes de longa duração, também será impactada positivamente pelas novas metas de saneamento estabelecidas pelo Governo Federal, para 2033, segundo ele.

Os tubos de PEAD, de parede lisa, e dreno de PEAD, estão entre os itens mais utilizados atualmente na agricultura, informa Eduardo Bertela, gerente de marketing da Kanaflex.

Os tubos são mais demandados pelos segmentos de fruticultura, olericultura (produção de hortaliças), floricultura e cafeicultura, em regiões mais secas, e, mais recentemente, na produção de cana.

Bertela explica que os tubos de PEAD são utilizados em redes pressurizadas, para condução de água por gravidade e em drenagem de áreas cultiváveis.

Nessas aplicações, em redes fixas enterradas ou não, o PEAD é recomendável devido à sua maior longevidade e resistência.

Por conta do crescimento acelerado do agronegócio e seu respectivo impacto no uso do plástico, a Tigre que em 2020 faturou R$ 4,2 bilhões, 20% mais que em 2019, espera fechar 2021 com R$ 5 bilhões.

Essa expectativa de crescimento é atribuída à relevância da irrigação no portfólio da empresa, cujo core business sempre esteve mais voltado para construção civil, mas que teve recuos em seus indicadores de crescimento, como explicou a coordenadora de marketing de produtos, Grasiela Devigili Meireles Moura.

“Atualmente contamos com sistemas fixos (juntas elásticas ou soldáveis) e portáteis, que podem ser desmontados na entressafra, dentre outros itens.

Disponibilizamos também aspersores de impacto e fixos (já referidos anteriormente).

A maior parte do nosso portfólio de irrigação é composta por itens feitos de PVC, contemplando produtos focados na economia de água e de energia, ganhos de produtividade do agronegócio e preservação do meio ambiente”, afirma a coordenadora.

O cultivo hidropônico está no centro da atenção da Tecnoperfil, responsável pela comercialização dos produtos da Hortivinyl.

A marca é reconhecida como líder neste segmento, segundo o supervisor de vendas Rafael Menestrina, situando-se entre os três maiores players no fornecimento de perfis e acessórios de cultivo hidropônico no Brasil.

Plástico Moderno - Plasticultura - Materiais sintéticos ganham novos usos na agricultura ©QD Foto: iStockPhoto
Rafael Menestrina, supervisor de vendas Hortivinyl

“Disponibilizamos mais de 15 produtos direcionados à irrigação, fabricados com material nobre, o PVC, incluindo uma solução completa em bancadas para o cultivo hidropônico, desde mesas de germinação até perfis e bancadas para a fase final de cultivo. Nosso carro-chefe são os perfis NFT (Nutrient Film Technique), que representam em torno de 90% dos negócios de hidroponia da Tecnoperfil”.

Por sua vez, o cultivo protegido, com foco em telas para proteção e sombreamento, responde pela maior parte dos negócios da Equipesca, segundo o gerente-adjunto de vendas Rogério Barbosa.

Dentre todos os modelos de telas vendidos, o que proporciona 50% de sombra é o principal, respondendo por cerca de 25% do volume de comercialização da empresa, enquanto os plásticos agrícolas representam cerca de 12%.

Esses incluem coberturas para o cultivo de uva, maçã, ameixa e pêssego, além de viveiros de mudas de plantas em geral.

A agricultura responde por 87% dos negócios da Netafim envolvendo a venda de itens fabricados de PVC, polietileno e emissores empregados em projetos especiais, informa o diretor de marketing Carlos Sanches.

Dentre os produtos voltados para irrigação, destacam-se os tubos gotejadores, os quais representam em torno de 58% do faturamento.

O restante fica por conta da venda de microaspersores, aspersores e nebulizadores, todos aplicados tanto em campo aberto quanto em cultivo protegido.

A empresa também disponibiliza produtos complementares, como por exemplo, tubos cegos de polietileno, válvulas de ar, válvulas hidráulicas, conectores, injetores de fertilizantes, hidrômetros e controladores.

“Com isso, fornecemos a solução completa ao cliente, desde a captação até a emissão de água, mas não os fabricamos”, explica Sanches.

Para o transporte de água, fornece o FlexNet, um tubo flexível de fabricação própria, com diâmetros de 2 a 12 polegadas, e para vazões menores, oferece os tubos cegos de polietileno, com diâmetro nominal de até 20 mm.

Os tubos PEAD e acessórios, para irrigação, também são vendidos pela Cimflex, além de dutos drenos destinados a projetos de drenagem de áreas com acúmulo de água.

O gerente comercial Jonathan Santos informa que os tubos podem ser adquiridos tanto em barras como bobinas, conforme a necessidade do cliente.

Seu portfólio disponibiliza ainda tubos lisos em PEAD, aplicados em adutoras de água dos pivôs de irrigação, e sistemas de distribuição para gotejadores, nebulizadores e aspersores.

Produtos para mineração, saneamento e telecomunicação também fazem parte do core business da companhia, acrescenta Santos.

Sob a perspectiva da sustentabilidade ambiental, o uso de plástico na agricultura, especialmente mulching, deve merecer muita atenção e cuidado, alerta o engenheiro químico Paolo Prada, secretário do Cobapla.

Por ser um filme fino, de 18 a 24 micrômetros, pode rasgar-se com facilidade no momento da retirada do campo, ou ficar muito sujo, agregando terra e dificultando a reciclagem.

Por conta disso, segundo ele, a entidade avalia a possibilidade de estimular o desenvolvimento de um projeto de reciclagem mais robusto em que os produtores de plásticos se comprometam com investimento, como ocorre com o destino final das embalagens de defensivos agrícolas.

Mais cedo ou mais tarde, acrescenta Bliska, vice-presidente do Cobapla, o ciclo de vida dos plásticos agrícolas terá que se enquadrar no âmbito da economia circular. Isso demandará, segundo ele, um novo posicionamento tanto dos empresários rurais como dos representantes da indústria do agronegócio em consonância com as boas práticas de ESG (Environmental, Social and Governance – Governança Ambiental e Social).

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