Plasticultura: Investimentos da indústria e esforço de especialistas ajudam no avanço da técnica

A tecnologia de uso dos plásticos na agricultura evolui aquém da velocidade desejada por especialistas de ambas as áreas, mas tem angariado, aos poucos, a simpatia dos agricultores que a testam e percebem que ela proporciona diversos benefícios, agrega valor e qualidade ao seu produto.

Plástico Moderno, Plasticultura : Investimentos da indústria e esforço de especialistas ajudam no avanço da técnicaPlasticultura – Há cerca de dez anos, um estudo identificava que a produção brasileira sob estufas ocupava algo em torno de 13 mil hectares e que havia aproximadamente 7 mil hectares cultivados com a aplicação filmes plásticos como cobertura de solo (mulching).

Esses números atualizados, aferidos por entidades ligadas ao agronegócio, chegam a 22 mil hectares de estufas e 14 mil hectares de cultivo com mulching.

Apesar do bom desenvolvimento da plasticultura, com mais áreas cobertas por agrofilmes, utilizados em estufas ou túneis de cultivo, e, mais recentemente, com a nacionalização da produção de silos-bolsas, ainda há muitos desafios pela frente.

Tais como o de enxergar os silos-bolsas como uma tecnologia e não como uma ferramenta temporária. “Não é um paliativo, é outra tecnologia, uma solução prática e completamente viável em termos de armazenagem, pois assegura iguais condições de armazenamento em relação ao sistema tradicional se corretamente carregado, obedecendo a um grau de umidade específico”, atesta o engenheiro agrônomo Antonio Bliska Júnior, presidente do Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla).

Ao pensar em plasticultura, o agricultor precisa entendê-la como um conjunto de tecnologias, uma agregando valor à outra.

Uma cobertura do tipo guarda-chuva com o uso de um filme plástico apenas com a intenção de proteger as culturas das intempéries é só um começo, algo mais rudimentar, e representa apenas uma possibilidade técnica da plasticultura.

Esse guarda-chuva pode e deveria evoluir para uma estufa, ou seja, o cultivo em ambiente fechado e com a possibilidade de monitoração climática. “Quanto mais vedado, maior é o controle”, explica o engenheiro agrônomo Antonio Bliska Júnior, presidente do Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla).

“Nosso país é muito quente, tem muito inseto, muita chuva e, desde que bem feito, conseguimos controlar esse ambiente”, comenta. Mas é claro que à medida que se agrega mais tecnologia, esse custo sobe. Porém, a relação custo-benefício vale a pena, como comprovam algumas culturas, como flores e hortaliças.

O cultivo protegido compensa por muitos aspectos além do resguardo das intempéries.

Sob o abrigo dos filmes plásticos, o agricultor consegue evadir a proliferação de vírus (por impedir o vetor de agir) e pragas, controlar a temperatura, a disseminação de luz e de calor, entre outras tantas variáveis climáticas.

Plástico Moderno, O uso do plástico controla o avanço de pragas - Plasticultura Agrícula
O uso do plástico controla o avanço de pragas

A cobertura plástica também protege o solo (mulching), contribuindo para restringir a aplicação de agroquímicos, (inibe o crescimento de ervas daninhas), impede a erosão, diminui a perda de adubo por lixiviação, retém água (reduz a perda de umidade por evaporação) e impede o contato de frutos e folhas com o solo.

Aliadas a tecnologias como sistemas de irrigação localizada, entre outras, se traduzem em menor custo, maior produtividade e qualidade dos produtos.

Pouca informação – Na opinião do engenheiro agrônomo, falta ao produtor conhecimento de que esse salto tecnológico compensa, de que o investimento dá retorno.

Além disso, ele ressente a escassez de profissionais habilitados, como engenheiros agrônomos e engenheiros agrícolas, capazes de dar suporte ao produtor.

“A falta de mão-de-obra está generalizada, há um gargalo também na mão-de-obra mais qualificada”, lamenta.

Seu trabalho persistente carrega muitos anos imbuídos de grande insistência para mostrar aos agricultores que a plasticultura é uma somatória de tecnologias.

Túneis de cultivo, estufas, sistemas de irrigação, cobertura morta de solo (mulching) são apenas alguns braços da técnica. “É essa visão do todo que queremos trazer para o produtor”, ressalta.

A proposta deve ganhar musculatura caso o governo de São Paulo endosse o projeto de Bliska para a implantação de um programa de plasticultura para todo o estado.

Entre outras ações, ele sugere a ampliação da linha de crédito para o cultivo protegido, de modo a tornar a iniciativa mais profissional. Já existe uma linha de financiamento para essa finalidade. “Mas, em termos de valores, é irrisória”, pondera.

O aumento dessa linha de crédito abre espaço para quebrar o paradigma de que o agronegócio está para as grandes culturas assim como a plasticultura está para o cultivo familiar, de subsistência. “Queremos mostrar que a agricultura é uma linha contínua, da pequena à grande escala, que tudo é agronegócio.”

A sua expectativa é de, adotado em São Paulo, o programa ser replicado para outros estados, com uma integração entre toda a cadeia: desde a pesquisa, as universidades, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), que é o órgão de extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, o instituto de pesquisa da própria Secretaria de Agricultura, as empresas fornecedoras das matérias-primas e o produtor rural.

“A ideia é que em cinco anos tenhamos em torno de 40 unidades de demonstração tecnológica localizadas no interior do estado de São Paulo, sendo 34 unidades de adaptação tecnológica e seis de produção em alta tecnologia.”

Segundo informa Bliska, hoje a Cati está capacitando técnicos para trabalhar com cultivo protegido por conta da expansão da produção de hortaliças, com a formação de agentes multiplicadores.

“Está funcionando em diversos municípios do Estado, com vários pontos de apoio para o produtor, garantindo uma abertura de mercado local, por exemplo, para abastecimento de merenda escolar, de presídios etc.”

De acordo com o presidente do Comitê, a plasticultura ainda tem maior peso em São Paulo, principalmente no segmento de flores; presença relativa no Rio Grande do Sul, por exigência do frio e influência cultural de agricultores de origens europeias; e começa a ganhar mais espaço em algumas regiões de Minas Gerais, onde alguns produtores de maior porte de tomate estão adotando a tecnologia.

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