Plasticultura: Investimentos da indústria e esforço de especialistas ajudam no avanço da técnica

A tecnologia de uso dos plásticos na agricultura evolui aquém da velocidade desejada por especialistas de ambas as áreas, mas tem angariado, aos poucos, a simpatia dos agricultores que a testam e percebem que ela proporciona diversos benefícios, agrega valor e qualidade ao seu produto.

Plástico Moderno, Plasticultura : Investimentos da indústria e esforço de especialistas ajudam no avanço da técnicaPlasticultura – Há cerca de dez anos, um estudo identificava que a produção brasileira sob estufas ocupava algo em torno de 13 mil hectares e que havia aproximadamente 7 mil hectares cultivados com a aplicação filmes plásticos como cobertura de solo (mulching).

Esses números atualizados, aferidos por entidades ligadas ao agronegócio, chegam a 22 mil hectares de estufas e 14 mil hectares de cultivo com mulching.

Apesar do bom desenvolvimento da plasticultura, com mais áreas cobertas por agrofilmes, utilizados em estufas ou túneis de cultivo, e, mais recentemente, com a nacionalização da produção de silos-bolsas, ainda há muitos desafios pela frente.

Tais como o de enxergar os silos-bolsas como uma tecnologia e não como uma ferramenta temporária. “Não é um paliativo, é outra tecnologia, uma solução prática e completamente viável em termos de armazenagem, pois assegura iguais condições de armazenamento em relação ao sistema tradicional se corretamente carregado, obedecendo a um grau de umidade específico”, atesta o engenheiro agrônomo Antonio Bliska Júnior, presidente do Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla).

Ao pensar em plasticultura, o agricultor precisa entendê-la como um conjunto de tecnologias, uma agregando valor à outra.

Uma cobertura do tipo guarda-chuva com o uso de um filme plástico apenas com a intenção de proteger as culturas das intempéries é só um começo, algo mais rudimentar, e representa apenas uma possibilidade técnica da plasticultura.

Esse guarda-chuva pode e deveria evoluir para uma estufa, ou seja, o cultivo em ambiente fechado e com a possibilidade de monitoração climática. “Quanto mais vedado, maior é o controle”, explica o engenheiro agrônomo Antonio Bliska Júnior, presidente do Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla).

“Nosso país é muito quente, tem muito inseto, muita chuva e, desde que bem feito, conseguimos controlar esse ambiente”, comenta. Mas é claro que à medida que se agrega mais tecnologia, esse custo sobe. Porém, a relação custo-benefício vale a pena, como comprovam algumas culturas, como flores e hortaliças.

O cultivo protegido compensa por muitos aspectos além do resguardo das intempéries.

Sob o abrigo dos filmes plásticos, o agricultor consegue evadir a proliferação de vírus (por impedir o vetor de agir) e pragas, controlar a temperatura, a disseminação de luz e de calor, entre outras tantas variáveis climáticas.

Plástico Moderno, O uso do plástico controla o avanço de pragas - Plasticultura Agrícula
O uso do plástico controla o avanço de pragas

A cobertura plástica também protege o solo (mulching), contribuindo para restringir a aplicação de agroquímicos, (inibe o crescimento de ervas daninhas), impede a erosão, diminui a perda de adubo por lixiviação, retém água (reduz a perda de umidade por evaporação) e impede o contato de frutos e folhas com o solo.

Aliadas a tecnologias como sistemas de irrigação localizada, entre outras, se traduzem em menor custo, maior produtividade e qualidade dos produtos.

Pouca informação – Na opinião do engenheiro agrônomo, falta ao produtor conhecimento de que esse salto tecnológico compensa, de que o investimento dá retorno.

Além disso, ele ressente a escassez de profissionais habilitados, como engenheiros agrônomos e engenheiros agrícolas, capazes de dar suporte ao produtor.

“A falta de mão-de-obra está generalizada, há um gargalo também na mão-de-obra mais qualificada”, lamenta.

Seu trabalho persistente carrega muitos anos imbuídos de grande insistência para mostrar aos agricultores que a plasticultura é uma somatória de tecnologias.

Túneis de cultivo, estufas, sistemas de irrigação, cobertura morta de solo (mulching) são apenas alguns braços da técnica. “É essa visão do todo que queremos trazer para o produtor”, ressalta.

A proposta deve ganhar musculatura caso o governo de São Paulo endosse o projeto de Bliska para a implantação de um programa de plasticultura para todo o estado.

Entre outras ações, ele sugere a ampliação da linha de crédito para o cultivo protegido, de modo a tornar a iniciativa mais profissional. Já existe uma linha de financiamento para essa finalidade. “Mas, em termos de valores, é irrisória”, pondera.

O aumento dessa linha de crédito abre espaço para quebrar o paradigma de que o agronegócio está para as grandes culturas assim como a plasticultura está para o cultivo familiar, de subsistência. “Queremos mostrar que a agricultura é uma linha contínua, da pequena à grande escala, que tudo é agronegócio.”

A sua expectativa é de, adotado em São Paulo, o programa ser replicado para outros estados, com uma integração entre toda a cadeia: desde a pesquisa, as universidades, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), que é o órgão de extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, o instituto de pesquisa da própria Secretaria de Agricultura, as empresas fornecedoras das matérias-primas e o produtor rural.

“A ideia é que em cinco anos tenhamos em torno de 40 unidades de demonstração tecnológica localizadas no interior do estado de São Paulo, sendo 34 unidades de adaptação tecnológica e seis de produção em alta tecnologia.”

Segundo informa Bliska, hoje a Cati está capacitando técnicos para trabalhar com cultivo protegido por conta da expansão da produção de hortaliças, com a formação de agentes multiplicadores.

“Está funcionando em diversos municípios do Estado, com vários pontos de apoio para o produtor, garantindo uma abertura de mercado local, por exemplo, para abastecimento de merenda escolar, de presídios etc.”

De acordo com o presidente do Comitê, a plasticultura ainda tem maior peso em São Paulo, principalmente no segmento de flores; presença relativa no Rio Grande do Sul, por exigência do frio e influência cultural de agricultores de origens europeias; e começa a ganhar mais espaço em algumas regiões de Minas Gerais, onde alguns produtores de maior porte de tomate estão adotando a tecnologia.

Tradição no negócio

Quatro empresas renomadas suprem a maior parte da demanda nacional por filmes agrícolas: Poliagro e Plastisul, respectivamente de Esteio e de Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul; e as paulistanas Nortene e Electro Plastic.

Dono da Poliagro, Edilio Sganzerla carrega larga bagagem em plasticultura, tecnologia que ajudou a impulsionar no país. Um comentário seu no passado não perdeu a atualidade: a falta de interesse do poder público em pesquisar e estimular o uso do plástico na agricultura.

Os avanços são mérito de trabalho de formiguinha, com incentivos aos agricultores como o empreendido pelo Cobapla, e ainda de iniciativas dos fornecedores de matérias-primas (resinas e aditivos), dos transformadores, e também dos experimentos dos próprios agricultores.

Plástico Moderno, Pscheidt acredita no maior uso da irrigação por gotejamento
Pscheidt acredita no maior uso da irrigação por gotejamento

Para Vitor Hugo Schwaste Pscheidt, dono da Irrigaplas, sediada em Canoas-RS, representante comercial dos agrofilmes da Poliagro; dos sistemas de irrigação da fabricante uruguaia Gianni; e de produtos diversos da Itamil Plásticos, o mercado de agrofilmes é crescente, mas muito sujeito à valorização do produto agrícola, o que estimula os investimentos; e à mão-de-obra, que falta.

Ele atesta que a plasticultura fornece técnicas de cultivo que permitem produzir mais e em menos espaço, mas admite que o seu crescimento é tímido porque está atrelada à lucratividade do produtor local e se trata de um mercado instável.

Não só isso. O cultivo protegido e outros braços da plasticultura asseguram o crescimento de plantas de melhor qualidade, sinônimo de maior valor agregado, que se traduz em maior retorno financeiro.

Como ressalta Pscheidt, a irrigação por gotejamento associada ao plantio propicia ao agricultor um uso mais racional da água. “Possibilita uma melhor distribuição, com um menor volume de água.”

Além de cultivar com sustentabilidade, o agricultor reduz custos, com a economia de água e ainda minimiza o seu risco de perdas de colheita por estiagem.

Motivos suficientes para ele acreditar no avanço desse sistema nos próximos anos. “Há uma tendência para a disseminação da irrigação por gotejamento, com os outros tipos mais restritos a culturas que requeiram sistemas específicos”, aposta.

A empresa do ramo representada por ele, a Gianni, atua no negócio há cinco décadas e está presente no Brasil há 18 anos. Seu foco no país é justamente a irrigação por gotejamento.

Plástico Moderno, Irrigação por gotejamento racionaliza o uso de água - Plasticultura Agrícula
Irrigação por gotejamento racionaliza o uso de água

No campo dos filmes, os que incorporam aditivos difusores de luz lideram as vendas da Irrigaplast para a Poliagro.

Em segundo lugar, ficam os filmes “commodities”, que possuem apenas estabilizadores à radiação ultravioleta. “O difusor proporciona melhor distribuição da luz dentro da estufa, o que melhora a fotossíntese”, explica.

Variedades de filmes de maior valor agregado, com aditivos de ação antifog (antigotejo), ou antiestática (que evita o acúmulo de poeira na superfície do filme) ainda têm demanda incipiente, não conquistaram a confiança dos agricultores.

A queixa maior é a de que o efeito tem pouca durabilidade, não acompanha a vida útil do filme. “Não existem aditivos que mostrem para os agricultores diferenças perceptíveis”, diz o representante.

Como, na avaliação dos agricultores, os benefícios têm curta duração, não compensam o investimento mais oneroso.

Mas ele observa uma tendência: a de aquisição de plásticos mais espessos, que se traduzem em maior durabilidade.

O agricultor já percebeu que não vale a pena comprar filmes finos, por conta do menor preço, porque na ponta do lápis, ele perde dinheiro. “A troca de filmes exige mão-de-obra especializada e o seu custo pode ser mais elevado do que o preço pago pelo filme”, pondera Pscheidt.

O que justifica a propensão à demanda crescente por filmes de maior espessura.

No caso do mulching, os agricultores já percebem as vantagens de utilizar filmes coextrudados (preto e branco) para o controle de pragas e existe um crescimento na procura por esse tipo, em detrimento dos mais comuns, inclusive os fabricados com plástico reciclado, contraindicado nessas aplicações.

Mulching sustentável – O conceito de sustentabilidade chega ao campo com opções de produtos elaborados com plástico biodegradável e a cobertura morta de solo feita com esse material pode beneficiar os agricultores além da sua contribuição para o meio ambiente.

Segundo informa a gerente de polímeros biodegradáveis da Basf, Karina Daruich, após a colheita, a retirada ou a lavagem do filme – requisitada no caso do mulching convencional – é desnecessária quando o agricultor opta pelo uso do filme produzido com o polímero biodegradável compostável certificado ecovio M, da fabricante alemã, indicado para essa aplicação.

Além disso, este tipo de cobertura pode se acumular no solo com o passar do tempo, como ressalta a gerente, dificultando cada vez mais a sua retirada e a preparação do solo para um novo ciclo de cultivo.

“Esses benefícios serão cada vez mais notáveis à medida que a utilização do mulching avança no Brasil, e devem ser avaliados de acordo com o tipo de cultura e espessura do filme.”

As resinas biodegradáveis da empresa já marcam presença no campo também em outras aplicações, entre as quais tubetes, potes de plantas, filme para silagem, fitas-semente, fitilhos, e ainda em sacos de fertilizantes.

Além da biodegradabilidade, como ressalta Karina, esses polímeros proporcionam economia de tempo e do custo para a retirada do plástico após o cumprimento da sua função.

A tecnologia facilita a vida do agricultor e ainda lhe dá maior produtividade.

Nas estimativas da gerente da Basf, o mercado brasileiro de plásticos agrícolas, considerando cultivos intensivos como flores e hortaliças, cresce em torno de 4% ao ano.

Além das aplicações mencionadas, Karina destaca o potencial nos segmentos de silos-bolsas para armazenamento de grãos.

Ela considera a tecnologia viável para grandes produtores e cooperativas e acredita que tende a se difundir no país, apostando nela como um meio para diminuir os gargalos logísticos ainda presentes durante o escoamento das safras.

Evolução significativa – Embora lento, o avanço da plasticultura é bem perceptível aos olhos de quem carrega uma bagagem de vinte anos nesse mercado, caso de Maria do Carmo Z. Simi, vice-presidente do Cobapla, que dedicou boa parte desse tempo à área de aditivos endereçados a esse setor.

Ela observa uma mudança significativa no uso da plasticultura, considerando a expansão das suas técnicas para além da proteção da cultura, bem como a evolução na qualidade e na adequação dos filmes.

“Hoje se percebe claramente as exigências quanto aos plásticos para esta aplicação, não somente para a proteção da cultura como também como agentes de modificação do ambiente interno do cultivo e de agentes de mudança de condições de solo, no caso de filmes para mulchings”, atesta.

No entender dela, a oferta atual de aditivos cobre todas as necessidades do setor e os produtores de agrofilmes disponibilizam essas tecnologias ao mercado.

“O que ainda carecemos no Brasil são de filmes de várias camadas e com diferentes aditivos no mesmo filme, mas estamos caminhando nesse sentido, com investimentos por parte dos fabricantes destes tipos de filmes”, comenta.

Os aditivos destinados a conferir resistência à radiação ultravioleta ao plástico lideram, segundo informa Karina, a demanda no agronegócio.

A solicitação por agentes de proteção ao raio infravermelho viria em segundo lugar, pois, como explica ela, “difratam a radiação responsável pelo aquecimento e queima das plantas”, lembrando que, “sem ação na regulagem da temperatura interna da estufa, somente na queima das plantas.”

Segundo ela, os transformadores também procuram pelos aditivos dos tipos antifog e antiestáticos.

Os primeiros agem de modo a evitar a formação de neblina na superfície do filme, bastante problemática, particularmente quando suas gotas caem na plantação e, com a radiação solar, ocorre o efeito lupa:

“Onde a gota cai há um aquecimento rápido e a formação de um ponto escuro de queima nesta região, o que compromete a qualidade das flores e plantas ornamentais.” A formação dessa neblina também impede que parte da radiação solar entre na estufa.

Ao evitar o acúmulo de poeira na superfície do filme, os antiestáticos contribuem para manter a qualidade da radiação solar que entra na estufa.

Mas ela admite que o efeito tanto do antifog como o do antiestático, dura cerca de um ano e não acompanha a vida útil dos filmes, em geral, de dois a três anos.

A baixa durabilidade do aditivo se explica pelo fato deles serem migratórios: eles fluem da estrutura do filme para a sua superfície, onde agem.

Ocorre que, com o tempo, esses aditivos sofrem alterações químicas, ou são lavados da superfície. Ela informa que já existe aditivo antiestático não migratório, mas o seu alto custo ainda o inviabiliza.

“Atualmente, trabalha-se na melhora destes aditivos e ainda se busca um ou mais que ajudem no controle da temperatura interna da estufa”, informa. A intenção é reduzir alguns graus centígrados dentro da estufa, na faixa entre 5oC e 10oC. “Mas são estudos, ainda não há disponibilidade comercial”, avisa.

Informa, ainda, a existência de pesquisas de cores diferenciadas para culturas diversas, tanto para estufas como para mulching. “Porém ainda não são totalmente aplicados em nosso mercado”, comenta.

Além da aplicação dos agrofilmes na proteção dos cultivos, ela ressalta que algumas colheitadeiras automáticas, em operação no país, estão exigindo filmes diferenciados para enfardar algodão e feno, um mercado novo para os produtores de filmes agrícolas.

“Neste caso, a necessidade de aditivação é somente para a proteção ao intemperismo, portanto, ultravioleta.”

Em perfeita sintonia com o presidente do Cobapla, ela reforça que a plasticultura agrupa outros segmentos além dos filmes.

Destaca o avanço na produção de tubos e componentes para irrigação, “um mercado crescente no Brasil”; a utilização do plástico no cultivo por hidroponia; e o desenvolvimento de embalagens especiais para a proteção e a conservação de frutas, verduras e legumes. “Ainda temos dificuldades para a utilização dessas embalagens em razão do seu alto preço, portanto, vemos o seu uso quase exclusivo para frutas para exportação e, boa parte delas é importada”, relata.

Currículo extenso – Renomadas fabricantes de aditivos atuam no agronegócio há décadas. A Cytec soma no ramo mais de 30 anos e a Clariant acima de 20.

Plástico Moderno, Aditivos da Cytec resistem aos agroquímicos por 15 meses em mulching...
Aditivos da Cytec resistem aos agroquímicos por 15 meses em mulching…

Gerente de vendas da primeira, Cássio Martins imputa à empresa a liderança global na estabilização de plásticos para uso agrícola: “Fomos a primeira a lançar um produto para a estabilização de filmes resistente à aplicação de agroquímicos”, relata, remetendo à época em que era utilizado o quencher de níquel, produto que conferia cor esverdeada aos filmes, e por longo tempo considerado a solução de melhor desempenho disponível no mercado.

Plástico Moderno, Martins: cresce a procura pelas especialidades
Martins: cresce a procura pelas especialidades

Com a evolução das pesquisas e conhecimento dos seus efeitos deletérios no meio ambiente, a Cytec descontinuou a sua produção.

Ao longo dos anos, a fabricante desenvolveu uma ampla linha de substâncias desenhadas para melhorar o desempenho até mesmo em condições consideradas bastante agressivas, não só para os filmes para estufas como também para mulching, silos-bags, tubos de irrigação, e outras aplicações na área agrícola. “Supera em muito o desempenho das soluções mais clássicas”, atenta Martins.

O fruto do desenvolvimento de novas técnicas e produtos destinados a ampliar a vida útil e a melhorar o desempenho dos plásticos possibilitou uma expansão significativa das áreas de cultivo protegido em todo o mercado latinoamericano.

O gerente da Cytec também constata que essa evolução conferiu à plasticultura maior confiança por parte dos agricultores, que atestam um grande aumento na produtividade e na qualidade do produto cultivado.

Plástico Moderno, Ghidetti aposta no avanço do cultivo protegido por estufas
Ghidetti aposta no avanço do cultivo protegido por estufas

Coordenador técnico da BU Additives para a América Latina da Clariant, Paulo Ghidetti tem parecer semelhante.

Um dos principais aditivos produzidos pela empresa para os agrofilmes são os estabilizantes à luz, comercializados sob a marca Hostavin.

“Os plásticos conseguiram aumentar as áreas de cultivo, as estações de crescimento e a localização de várias culturas, por meio dos filmes de cobertura dos solos e de estufas”,

declara ele, que aposta na demanda crescente da tecnologia e, consequentemente, por aditivos inovadores e de alto desempenho.

“Acompanhamos essa evolução, desenvolvendo novas moléculas e soluções para gerar valor agregado permanente aos produtores agrícolas”, diz.

Também tradicional no agronegócio, a Cromex acompanha o setor desde o início da sua história e o seu gestor de projetos e produtos,

Giovanni Polesel Dias, relata que nos últimos anos o mercado agrícola demandou novas técnicas na busca de maior produtividade e qualidade.

Esse mercado representa em torno de 20% dos negócios da fabricante de concentrados, com um potencial de crescimento animador, na faixa de 10% ao ano.

As outras produtoras de aditivos preferem não comentar quanto a plasticultura representa em seus negócios, mas Martins atribui à Cytec uma posição importante no mercado mundial de estabilizantes de radiação UV destinados às técnicas do uso do plástico no agronegócio.

“Atuamos no mercado latinoamericano, na Europa, no Oriente Médio e na África, e esse mercado corresponde a uma fatia considerável do nosso faturamento mundial.”

Animado com as perspectivas de crescimento da plasticultura, ele aposta na adoção de soluções de estabilização mais modernas, desenhadas para estender a vida útil dos filmes e lhes conferir alta resistência aos agroquímicos, particularmente no caso das culturas de flores.

“Nosso objetivo é crescer dois dígitos na nossa participação no mercado latinoamericano em 2014”, planeja.

Agroquímicos verdes, que causam um menor impacto no meio ambiente e estão sendo requisitados pela agricultura orgânica

O coordenador técnico da Clariant visualiza um crescimento interessante em especial no uso de estufas e observa uma tendência de maior emprego dos agroquímicos verdes, que causam um menor impacto no meio ambiente e estão sendo requisitados pela agricultura orgânica. “Participamos deste cenário com soluções inovadoras, que evitam a degradação dos filmes agrícolas pelo uso de agroquímicos e pela exposição aos raios UV, permitindo o prolongamento da vida útil das estufas agrícolas e, como consequência, menor troca dos filmes plásticos”, informa.

Uma solução personalizada de estabilizante à luz ultravioleta em amino éter, comercializado com a marca Hostavin Now, promete aos produtores de filmes agrícolas um alto desempenho em condições severas de exposição à luz.

De acordo com Ghidetti, a aditivação assegura uma maior durabilidade a esses filmes, requisito muito apreciado pelos agricultores, particularmente no caso de cobertura de estufas.

Como explica, o tempo de vida útil das estufas agrícolas sofre os efeitos de uma combinação agressiva: a radiação solar intensa durante o tempo de exposição e o aumento do uso de agroquímicos, como enxofre e químicos halogenados. “O Hostavin Now supera produtos standard do mercado em termos de resistência ao contato severo com agroquímicos, prolongando a durabilidade dos filmes”, garante.

Trata-se de um produto novo, desenvolvido a partir de uma molécula criada pela Clariant e, como relata Ghidetti:

“Completamente diferente das alternativas disponíveis no mercado, oferece mais benefícios em comparação a outros produtos similares, como alta compatibilização com o plástico, melhor distribuição e incorporação do aditivo, sem efeitos de migração após a sua incorporação, e sem emissão de odores durante o processamento do filme.”

Além da novidade, o coordenador destaca a família de produtos AddWorks, composta por aditivos para a cadeia produtiva da indústria do plástico, e, dentro dela, a nova linha AddWorks AGC de aditivos para polímeros desenvolvida para atender aplicações diversas na agricultura, como lonas para estufas, silos-bolsas, filmes mulching e geomembranas.

Essas formulações personalizadas embutem uma extensa lista de benefícios. O coordenador técnico menciona alguns: melhor produtividade, menos custos com energia, estabilidade e durabilidade dos artigos finais.

Tendência clean – Os agricultores já se conscientizaram que os filmes não precisam ter coloração esverdeada/amarelada para ter maior durabilidade e resistência à radiação ultravioleta – tonalidade associada aos agrofilmes antigos, aditivados com o quencher de níquel.

Os aditivos responsáveis pela resistência aos raios ultravioleta não imprimem cor ao plástico. “Hoje existe uma forte tendência para a utilização de filmes claros, transparentes, sem pigmentação”, percebe Martins. O que melhora as condições para o agricultor.

As principais demandas hoje apontam para a busca de melhor transmitância no espectro mais baixo da radiação fotossinteticamente ativa (PAR), que, como explica Martins, compreende a faixa espectral da radiação solar de comprimento de onda de 0,4 a 0,7 mm, associada ao processo de fotossíntese e de crescimento das plantas; bem como a retenção por mais tempo de propriedades mecânicas, e em ambientes de alta concentração de agroquímicos.

A procura também contempla filmes com proteção à radiação inframervelho.

De acordo com o gerente da Cytec, por conta da procura por aditivos mais especializados e efetivos em doses menores, a fabricante criou a plataforma de produtos Cyasorb Cynergy Solution A há cerca de cinco anos e nela vem adicionando novos desenvolvimentos, especialmente formulados para cada tipo de aplicação final do plástico no mercado agrícola. São especialidades no formato de blendas com estabilizantes, absorvedores e antioxidantes em um só produto, de fácil manuseio e dosificação, disponíveis nas versões 100% ou 70% de material ativo.

Último desenvolvimento incorporado à série, o Cyasorb Cynergy Solution A440 destina-se especialmente à fabricação de filmes agrícolas com elevada exigência de resistência a agroquímicos e para uso em ambientes de extrema agressividade.

A fabricante informa que seu efeito perdura por mais de dois anos em filmes para estufas e até 15 meses em mulching.

Plástico Moderno, Aditivos da Cytec resistem aos agroquímicos por 15 meses em mulching...
Aditivos da Cytec resistem aos agroquímicos por 15 meses em mulching…

Martins ainda destaca o A430, caracterizado por uma alta proteção UV, uma elevada resistência a agroquímicos/fumigante, uma ótima transmissão de alta luz (sinônimo de melhor produtividade da cultura), e ainda uma excelente proteção térmica durante o processamento, extrusão e uso final.

E ressalta: “É isento de níquel.”

Plástico Moderno, ...e por mais de dois anos em filmes para estufas
…e por mais de dois anos em filmes para estufas

O vendedor técnico Fábio Leite destaca que a Cromex lançou no início deste ano um aditivo para ajudar a reter a temperatura dentro da estufa, com a intenção de contribuir com plantações que pedem calor para o seu desenvolvimento.

E, desde o ano passado, disponibiliza uma linha de estabilizantes UV específica para o agronegócio, desenhada para conferir alta resistência aos defensivos agrícolas e uma vida útil prolongada ao produto final.

De acordo com os seus executivos, a Cromex possui um extenso cardápio de masterbatches endereçados ao agronegócio: brancos específicos para estufas e silos-bags, pretos especiais para mulching e túneis, antiestáticos, antioxidantes, absorvedores de raios infravermelho, antifog, difusores de luz e auxiliares de fluxo.

Para contribuir no processo de produção dos filmes e na limpeza das máquinas, ainda oferece aditivos dessecantes e compostos de purga.

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