Plasticultura – Agronegócio em alta busca novos usos dos plásticos

Crise hídrica exige otimizar a irrigação e amplia usos do plástico na agricultura

Toda crise traz embutida uma oportunidade.

O surrado mantra motivacional está promovendo um boom na plasticultura brasileira.

Tal fenômeno é turbinado por dois fatores distintos, segundo empresários e pesquisadores, porém, intimamente imbricados em um processo de evolução qualitativa da economia agrícola e da indústria de transformação de plásticos.

De um lado o forte desempenho do agronegócio, movido pela valorização das commodities, capitaliza os produtores para investir no aumento de produtividade via irrigação.

De outro, a ameaça de falta de água induz os agentes econômicos – tanto do plástico como da agricultura – a desenvolverem e colocarem em uso soluções focadas na chamada “pegada hídrica” da agricultura, ou seja, produzir mais e melhor com menor consumo de recursos hídricos na irrigação.

Na prática, o que se busca é a elevação de ganhos de eficiência traduzidos no uso racional desse insumo natural e renovável, porém, nem tanto, face às mudanças climáticas e ao desperdício, combinada com tecnologias mais avançadas de irrigação.

Está claro que, do lado da indústria de plásticos, essa é a hora e a vez de ganhar espaço no campo por meio de produtos capazes de operar em consonância com essas novas tendências e que contemplem os fundamentos da economia circular, como prevê o engenheiro agrônomo e doutor e engenharia agrícola Antonio Bliska Júnior, pesquisador na Universidade de Campinas (Unicamp), e vice-presidente do Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla).

Os tubos de polietileno (PE) parecem estar na vanguarda da alavancagem dessa chamada “revolução azul” na agricultura, mas toda tecnologia que auxiliar os produtores, retirando de cena as variáveis que podem afetar a produção, como pragas e ervas daninhas, serão bem-vindas, diz Eduardo Bertela, gerente de marketing da Kanaflex Indústria de Plásticos e coordenador da Comissão de Marketing da Associação Brasileira de Tubos Poliolefínicos e Sistemas (ABPE).

O cenário abre imensas perspectivas de expansão para a irrigação e uso do plástico na agricultura, tanto que uma parceria estratégica entre a Braskem e a Fundação de Amparo ao Ensino e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), concretizada em março, angaria interessados na criação do Centro de Plasticultura.

A notícia divulgada no site da instituição informa que a inovação busca reunir empresas e o setor acadêmico com o propósito de produzir e disseminar pesquisa de nível mundial nessa área.

A Braskem optou por não falar sobre o assunto, mas o campo já vem sendo explorado por meio de outras formas de aproximação entre pesquisadores e representantes da iniciativa privada, motivadas igualmente pela “pegada hídrica”, como informou o professor Rubens Duarte Coelho, engenheiro agrônomo e orientador entusiasta de várias experiências bem-sucedidas nessa área, pela tradicional Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq) da USP (veja box adiante).

Plástico Moderno - Plasticultura - Agronegócio em alta busca novos usos dos plásticos ©QD Foto: Divulgação
Professor Rubens Duarte Coelho, engenheiro agrônomo e orientador

“Obviamente, o bom desempenho econômico do agronegócio brasileiro, tem propiciado o investimento dos produtores capitalizados em sistemas de adução de água para a agricultura. Isso vem correndo, principalmente com ênfase em superar os períodos de secas que tem se tornado mais frequentes e intensos, devido às variações cíclicas climatológicas de longo prazo e ao aquecimento global”, justifica Coelho, mestre em irrigação e drenagem e doutor em engenharia hidráulica.

O professor acrescenta que “o parâmetro que buscamos enfatizar é a eficiência do uso da água, ou seja: quantos kg de água gastamos para produzir um kg de produto agrícola. O melhoramento genético das plantas de interesse comercial tem ajudado também na melhoria destes índices”, acrescenta.

Alguns representantes de grandes e médias empresas são enfáticos em relação ao aumento da procura por soluções alinhadas com essa preocupação.

Plástico Moderno - Plasticultura - Agronegócio em alta busca novos usos dos plásticos ©QD Foto: Divulgação
Grasiela Devigili Meireles Moura, coordenadora de Marketing de Produtos da Tigre

“A maior parte da água doce utilizada pelo homem é destinada para a agricultura. Por isso, sistemas de irrigação que permitam o uso racional desse recurso são essenciais para o desenvolvimento sustentável. A demanda por sistemas de irrigação é cada vez maior dentro do nosso portfólio, que inclui ainda amplas linhas de produtos para construção civil e infraestrutura (saneamento)”, atesta Grasiela Devigili Meireles Moura, coordenadora de Marketing de Produtos da Tigre.

Para Carlos Sanches, diretor de marketing da Netafim Mercosul, “a irrigação abre uma fronteira vertical, possibilitando o crescimento em áreas já ocupadas, aumentando significativamente a produção destas fazendas”.

Plástico Moderno - Plasticultura - Agronegócio em alta busca novos usos dos plásticos ©QD Foto: Divulgação
Carlos Sanches, diretor de marketing da Netafim Mercosul

O executivo da líder mundial em irrigação, unificada com a Amanco desde 2018, acrescenta que “o Brasil tem muitas áreas ainda a serem exploradas para a agricultura comercial e que, provavelmente, deverão ser ocupadas nos próximos anos, expandindo-se assim horizontalmente”.

O supervisor de vendas de hidroponia da Tecnoperfil Plásticos, Rafael Menestrina, considera que o bom desempenho desse segmento atesta igualmente os avanços em tecnologia na agricultura, puxados pelo agronegócio.

Conhecida como cultivo sem solo, essa modalidade de plantio vem crescendo, em média, 20% a cada ano, segundo ele, proporcionando forte influência na comercialização de sistemas de irrigação.

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