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Plásticos – Previsão de crescimento tímido gera otimismo cauteloso entre os transformadores de resinas – Perspectivas 2018

Jose Paulo Sant Anna
3 de abril de 2018
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    Plástico Moderno, Plásticos - Previsão de crescimento tímido gera otimismo cauteloso entre os transformadores de resinas - Perspectivas 2018 ©QD Foto: iStockPhoto

    O ano começa com perspectiva positiva para a indústria do plástico. O entusiasmo não é dos maiores, não se espera uma grande recuperação. Para os empresários do setor, a sensação é de que nos próximos meses deve ser confirmada a reversão da redução dos índices de atividade, que apresentou no biênio 2015/16 seu período mais duro. Os resultados do ano pesam nessa análise. Depois de dois anos somando quase 20% de queda na produção física, de janeiro a outubro de 2017, o setor registrou crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

    Plástico Moderno, Roriz Coelho: exportação pode avançar mais com apoio da Apex

    Roriz Coelho: exportação pode avançar mais com apoio da Apex

    Ainda não foram totalizados os números do ano, mas a partir das estimativas dos resultados alcançados no último bimestre, a projeção para 2017 é de aumento de 2% na produção física e 3,2% no consumo aparente. Calcula-se que o faturamento tenha ficado na casa dos R$ 56,4 bilhões. O número de empregos deve ter crescido perto de 0,3% (em torno de mil vagas) em relação ao exercício anterior, número ainda bastante tímido se comparado com as 50 mil vagas fechadas nos dois anos anteriores.

    “Entre os principais mercados consumidores da indústria da transformação houve crescimento generalizado no período e a perspectiva, para o próximo ano, é de manutenção da recuperação”, informa José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast. Ele cita os casos dos fabricantes de máquinas e equipamentos para plásticos, que cresceram 3,1%, alimentos (0,1%), bebidas (0,4%), eletrônicos (20,4%), artigos de higiene pessoal e limpeza (1,8%) e automotivo (16,1%).

    Para 2018, a expectativa do dirigente é de crescimento de 3% na produção física, 0,6% em empregos e 4,3% no consumo aparente. “A continuidade da estabilidade econômica aliada às previsões positivas de importantes consumidores de transformados plásticos, como a construção civil e a indústria automotiva, influenciam as expectativas para 2018”, avalia. Em relação à macroeconomia, espera-se crescimento do PIB, redução da taxa de juros e taxas de inflação reduzidas. Esses fatores contribuem para um ambiente de negócios mais positivo.

    “Segundo as expectativas de nossos associados, há otimismo em relação aos estoques de matérias-primas e produtos acabados, vendas e produção para os próximos meses”. Roriz Coelho ressalta, apesar das expectativas promissoras, que o consumo aparente do setor plástico deve voltar aos níveis de 2014 somente em 2024. “Foi forte o impacto da crise econômica”. Para exemplificar, lembra que no biênio 2015/16, dois dos principais clientes do setor, as indústrias de construção civil e automotiva, registraram recuo de 24% e 40%, respectivamente.

    Balança comercial – Números da Abiplast mostram que, de janeiro a outubro de 2017, as exportações brasileiras cresceram 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado semelhante ao desempenho dos anos anteriores. Em média, o coeficiente de exportação do setor plástico é de 5%, representando negócios de R$ 2,82 bilhões. O índice reduzido indica falta de exploração do mercado exterior por parte das empresas nacionais. Tal fato está muito relacionado ao perfil da indústria brasileira do plástico, em torno de 95% formada por organizações de micro e pequeno porte, cujo objetivo é atender a demanda interna.

    “Há dificuldades para as empresas começarem a exportar, muitas vezes relacionadas à falta de conhecimento sobre como prospectar esse mercado”, explica o presidente da Abiplast. Para aumentar a cultura exportadora, o setor conta nos últimos anos com o programa Think Plastic – Think Brazil, parceria entre a cadeia do plástico e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) que tem como objetivo o incremento das exportações de produtos transformados. O projeto prevê iniciativas para o desenvolvimento empresarial e promoção comercial, de forma a promover comunicação, inteligência e estratégia competitiva.

    De janeiro a outubro de 2017, as importações de produtos transformados plásticos registraram crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. O coeficiente de importação responde por 12% do setor, algo em torno de R$ 6,76 bilhões. O número revela crescimento significativo após período de forte recuo em 2015 e 2016. Nesses dois anos houve retração de 24% nas importações, fruto da demanda desaquecida no mercado interno. “Em termos de tecnologia, o Brasil possui todas as condições para fabricar os produtos consumidos no mercado doméstico. A indústria, porém, tem sido prejudicada pelo alto custo de produção, resultante dos preços das matérias primas, dos impostos, da logística e outros, que tornam o produto importado competitivo”.



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