Plásticos tem Previsão de crescimento tímido gera otimismo cauteloso entre os transformadores de resinas – Perspectivas 2018

Plástico Moderno, Plásticos - Previsão de crescimento tímido gera otimismo cauteloso entre os transformadores de resinas - Perspectivas 2018 ©QD Foto: iStockPhoto

O ano começa com perspectiva positiva para a indústria do plástico. O entusiasmo não é dos maiores, não se espera uma grande recuperação. Para os empresários do setor, a sensação é de que nos próximos meses deve ser confirmada a reversão da redução dos índices de atividade, que apresentou no biênio 2015/16 seu período mais duro. Os resultados do ano pesam nessa análise. Depois de dois anos somando quase 20% de queda na produção física, de janeiro a outubro de 2017, o setor registrou crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

Plástico Moderno, Roriz Coelho: exportação pode avançar mais com apoio da Apex
Roriz Coelho: exportação pode avançar mais com apoio da Apex

Ainda não foram totalizados os números do ano, mas a partir das estimativas dos resultados alcançados no último bimestre, a projeção para 2017 é de aumento de 2% na produção física e 3,2% no consumo aparente. Calcula-se que o faturamento tenha ficado na casa dos R$ 56,4 bilhões. O número de empregos deve ter crescido perto de 0,3% (em torno de mil vagas) em relação ao exercício anterior, número ainda bastante tímido se comparado com as 50 mil vagas fechadas nos dois anos anteriores.

“Entre os principais mercados consumidores da indústria da transformação houve crescimento generalizado no período e a perspectiva, para o próximo ano, é de manutenção da recuperação”, informa José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast. Ele cita os casos dos fabricantes de máquinas e equipamentos para plásticos, que cresceram 3,1%, alimentos (0,1%), bebidas (0,4%), eletrônicos (20,4%), artigos de higiene pessoal e limpeza (1,8%) e automotivo (16,1%).

Para 2018, a expectativa do dirigente é de crescimento de 3% na produção física, 0,6% em empregos e 4,3% no consumo aparente. “A continuidade da estabilidade econômica aliada às previsões positivas de importantes consumidores de transformados plásticos, como a construção civil e a indústria automotiva, influenciam as expectativas para 2018”, avalia. Em relação à macroeconomia, espera-se crescimento do PIB, redução da taxa de juros e taxas de inflação reduzidas. Esses fatores contribuem para um ambiente de negócios mais positivo.

“Segundo as expectativas de nossos associados, há otimismo em relação aos estoques de matérias-primas e produtos acabados, vendas e produção para os próximos meses”. Roriz Coelho ressalta, apesar das expectativas promissoras, que o consumo aparente do setor plástico deve voltar aos níveis de 2014 somente em 2024. “Foi forte o impacto da crise econômica”. Para exemplificar, lembra que no biênio 2015/16, dois dos principais clientes do setor, as indústrias de construção civil e automotiva, registraram recuo de 24% e 40%, respectivamente.

Balança comercial – Números da Abiplast mostram que, de janeiro a outubro de 2017, as exportações brasileiras cresceram 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado semelhante ao desempenho dos anos anteriores. Em média, o coeficiente de exportação do setor plástico é de 5%, representando negócios de R$ 2,82 bilhões. O índice reduzido indica falta de exploração do mercado exterior por parte das empresas nacionais. Tal fato está muito relacionado ao perfil da indústria brasileira do plástico, em torno de 95% formada por organizações de micro e pequeno porte, cujo objetivo é atender a demanda interna.

“Há dificuldades para as empresas começarem a exportar, muitas vezes relacionadas à falta de conhecimento sobre como prospectar esse mercado”, explica o presidente da Abiplast. Para aumentar a cultura exportadora, o setor conta nos últimos anos com o programa Think Plastic – Think Brazil, parceria entre a cadeia do plástico e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) que tem como objetivo o incremento das exportações de produtos transformados. O projeto prevê iniciativas para o desenvolvimento empresarial e promoção comercial, de forma a promover comunicação, inteligência e estratégia competitiva.

De janeiro a outubro de 2017, as importações de produtos transformados plásticos registraram crescimento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. O coeficiente de importação responde por 12% do setor, algo em torno de R$ 6,76 bilhões. O número revela crescimento significativo após período de forte recuo em 2015 e 2016. Nesses dois anos houve retração de 24% nas importações, fruto da demanda desaquecida no mercado interno. “Em termos de tecnologia, o Brasil possui todas as condições para fabricar os produtos consumidos no mercado doméstico. A indústria, porém, tem sido prejudicada pelo alto custo de produção, resultante dos preços das matérias primas, dos impostos, da logística e outros, que tornam o produto importado competitivo”.

Distribuidores – O mercado formado pelos distribuidores de resinas também tem previsão otimista para 2018, sentimento baseado no início de recuperação do mercado ocorrida no ano passado. “Fechamos 2017 com crescimento aproximado de 3,1%”, informa Laercio Gonçalves, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins (Adirplast). No ano, as vendas das empresas ligadas à associação são estimadas em 402 mil toneladas (faltam os dados consolidados de dezembro), contra 389,7 mil toneladas comercializadas em 2016.

O crescimento ocorreu de forma generalizada não somente entre as commodities, mas entre todos os produtos. Fazem parte da lista os polietilenos, polipropilenos, ABS, SAN, poliacetal, acrílico, policarbonato, poliuretano, EVA e poliamidas 6 e 6.6. As vendas dos associados da Adirplast respondem por cerca de 50% do varejo ou 10% do total de vendas de resinas no país. O varejo atende cerca de 20% da demanda, a comercialização dos outros 80% é feita diretamente pelas petroquímicas junto aos grandes transformadores. No ano passado, os associados apresentaram faturamento em torno de R$ 3,5 bilhões.

O otimismo do presidente da Adirplast também está ligado ao lançamento pela associação do Programa Pró-Distribuição, que será apresentado oficialmente no início do ano. “Esta é uma campanha nacional audaciosa focada na ética da compra de resinas plásticas, filmes BOPP-PET e de plásticos de engenharia pelo mercado de varejo”. O dirigente promete explicar todos os detalhes da ação no lançamento.

Máquinas e equipamentos nacionais – Não existem dados oficiais sobre o desempenho das empresas nacionais fornecedoras de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico. As informações disponíveis sobre o setor como um todo são fornecidas pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Dentro do estudo feito pela associação, existe a categoria máquinas e equipamentos para a indústria da transformação, na qual se encaixam, entre outros, os fabricantes de injetoras, extrusoras, sopradoras e outras utilizadas pela indústria do plástico. Esse nicho tem participação de 8,5% no total de vendas realizadas.

De acordo com a associação, a expectativa para 2018 é positiva, apesar de apresentar números menos favoráveis do que os de outros segmentos da indústria do plástico. A se confirmar em 2018 um aumento do PIB na casa dos 2,5%, os líderes da Abimaq acreditam em um crescimento entre 0,5% e 0,7% na venda de máquinas nacionais em relação a 2017. Seria o primeiro resultado positivo depois de quatro anos consecutivos de queda.

Para o presidente executivo José Velloso Dias Cardoso, alguns fatores colaboram com a visão positiva. Ele prevê estabilidade da economia com geração de empregos e inflação baixa, fatores que incentivam o consumo e podem colaborar com a retomada dos investimentos na compra de equipamentos. Não custa lembrar os ganhos em produtividade e economia de energia elétrica dos novos equipamentos, incentivo importante para quem está disposto a investir.

Plástico Moderno, Cardoso: estabilidade econômica estimula a venda de máquinas
Cardoso: estabilidade econômica estimula a venda de máquinas

A ressalva fica por conta dos índices de ociosidade dos diversos segmentos da indústria, ainda elevados e que não encorajam os transformadores a colocarem suas mãos nos bolsos. Tal dificuldade fica bem clara quando se analisa o desempenho do mercado interno. Nos dez primeiros meses do ano passado o consumo aparente caiu 20,4% em relação ao mesmo período de 2016, número bastante elevado. “O nível de investimentos no país necessário para o país crescer de forma significativa precisaria estar no mínimo na faixa dos 21%. Ele anda na casa dos 16%”.

De janeiro a outubro, a receita líquida das empresas do setor ficou na casa dos R$ 55,9 bilhões, valor 3,1% inferior ao do mesmo período do ano passado. Para Dias Cardoso, um aspecto que pode ser considerado positivo, detectado ao longo do segundo semestre, foi o da interrupção das quedas mais fortes verificadas nos primeiros meses do ano. Os negócios no segundo semestre se aproximaram da estabilidade. O nível de utilização da capacidade instalada chegou ao final de outubro aos 74,1%, no mesmo mês do ano anterior ele era de 65,6%.

As exportações colaboraram muito com a melhora do ambiente. Números da Abimaq registram que elas cresceram 13,1%, chegando ao patamar de US$ 7,3 bilhões. Para o dirigente da Abimaq, existem dois motivos para esse desempenho positivo, a despeito dos problemas de competitividade causados aos fornecedores nacionais pelo chamado “custo Brasil” e pela taxa de câmbio desfavorável – para ele, a indústria nacional precisaria do dólar na casa dos R$ 3,90 para as empresas chegarem ao nível de rentabilidade dentro dos conceitos normais do mercado.

Uma das explicações é a melhora da atividade econômica em mercados internacionais. Outra é o desempenho pífio do mercado interno. “Muitas empresas têm mantido parte de suas atividades voltada para as exportações como forma de se manterem no mercado. Isso acontece mesmo com a rentabilidade reduzida pela cotação da moeda nacional”. Os países da América Latina respondem por quase 44% do total exportado. Os Estados Unidos ficam com em torno de 20%, e os países da Europa absorvem 17%. O aumento das exportações para a América Latina foi de 13,1% no período de janeiro a outubro, bastante puxado pelas compras da Argentina, que cresceram 44,6% no período.

O quadro mais dramático dentro do cenário do mercado de máquinas e equipamentos é o dos empregos gerados. O setor encerrou o mês de outubro com 190,8 mil pessoas ocupadas, redução de 11,4 mil postos de trabalho em relação ao mesmo período do exercício anterior. Em outubro houve retração de 0,1% em relação a setembro, 46ª queda consecutiva nesse tipo de comparação. Desde 2013, quando o setor começou a enfrentar dificuldades, foram eliminados em torno de 90 mil postos de trabalho.

Máquinas e equipamentos importados – O estudo da Abimaq mostra forte queda nas importações no acumulado até outubro, na casa dos 19,9%. Elas movimentaram US$ 1,1 bilhão. Após 14 meses de queda consecutiva, as compras no exterior voltaram a crescer nos meses de setembro e outubro, o que demonstra a possibilidade de uma recuperação. Em outubro, elas aumentaram 2,3% em relação a setembro, mas ficaram 2,8% aquém das de outubro de 2016.

A recuperação, bastante modesta em relação à queda verificada nos últimos quatro anos, está concentrada em poucos setores. O de maior destaque é o das máquinas para a indústria de petróleo e energia renovável, que nos dez meses chegou a 36,2%. “O crescimento nesse nicho de mercado se deve muito às importações de tubos de ligas de aço”. A China manteve a primeira colocação entre os países fornecedores, com 18,3% do total, seguida pelos Estados Unidos (17,6%) e Alemanha (17,1%).

A Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei) conta com cerca de 70 associados. Ela realiza um estudo que leva em consideração o desempenho das empresas importadoras como um todo. De acordo com a entidade, as importações em bens de capital alcançaram US$ 14,6 bilhões no período de janeiro a novembro de 2017, número 13,5% inferior aos do mesmo período de 2016, quando ficaram na casa dos US$ 16,9 bilhões.

Não existem dados específicos nesse estudo sobre a importação de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico. Christopher Mendes, diretor financeiro da associação, acredita que as empresas do ramo voltadas dedicadas a esse nicho de mercado apresentaram resultados mais positivos do que indica a pesquisa. “Quem está sofrendo mais são as importadoras de máquinas voltadas para a produção de produtos metálicos”, explica.

Para chegar a essa conclusão, Mendes se baseia em sua experiência pessoal. Ele é diretor da Bravia, importadora de extrusoras, máquinas de corte e solda e de impressão de plásticos. “Converso com várias empresas ligadas ao meio do plástico e elas estão conseguindo bons negócios”. Como exemplo, ele cita a Haitian, maior importadora de injetoras do país, que acaba de se associar à Abimei. “A realização da Feiplastic no ano passado foi positiva para essas empresas”, emenda.

O diretor financeiro está otimista em relação a 2018. “A perspectiva é boa. A inflação está baixa, há estabilidade na economia”. Ele acredita que os resultados podem ser influenciados, de maneira positiva ou negativa, pelos eventos que devem “agitar” o ano. A realização da Copa do Mundo, para ele, não é lá muito bem-vinda. O torneio atrapalha a produtividade das empresas. As eleições têm um lado positivo. “É o último ano de mandato do presidente e governadores e eles sempre investem para entregar obras”. E um lado negativo. “O ambiente político pode atrapalhar os negócios”.

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