Plásticos nos óculos – Sucedâneo do vidro nas lentes, o plástico agora avança a olhos vistos nas armações

Plástico Moderno, Plásticos nos óculos - Sucedâneo do vidro nas lentes, o plástico agora avança a olhos vistos nas armaçõesEm terceiro lugar entre os polímeros aproveitados na produção de lentes surge o trivex. Com resistência semelhante à do policarbonato, tem as vantagens de não ser sensível a solventes químicos e não distorcer as cores. Também exige a aplicação de vernizes, pois possui pouca resistência a riscos. “Existem vários outros polímeros no mercado, casos do stilys, sola lite e superfin. São polímeros novos e de grande qualidade, mas ainda pouco usados e com preços elevados”, acrescenta Lira. Todos esses polímeros chegam aos laboratórios de surfaçagem em blocos, com formatos adequados para as futuras operações de usinagem destinadas à transformação em lentes.

Surfaçagem – O processo de fabricação das lentes corretivas requer uma série de operações executadas dentro de rigorosos padrões de qualidade. Tudo começa pela escolha do bloco. “Existem mais de cem tipos de blocos fabricados com diferentes polímeros. Para cada tipo de lente corretiva existem blocos com propriedades ópticas mais adequadas”, conta Lira. A escolha se dá com base no formato da armação e considera, entre outros quesitos, o índice de refração do polímero com o qual a lente será produzida, fator determinante da espessura da peça, compatível com o grau de visão desejado.

Uma vez selecionado, o bloco recebe um filme aderente para proteger a superfície. Em seguida, é colocado nele um dispositivo que permitirá sua acoplagem a uma máquina de usinagem com comando CNC. Nessa máquina, o bloco é desgastado até adquirir a curva correspondente à receita oftálmica. “Ao sair da máquina, o bloco já é uma lente”, explica Lira.

A próxima etapa, a do pré-acabamento, corresponde a um polimento executado por um abrasivo sintético. A operação é realizada em uma máquina de elevada velocidade, em regime de baixa temperatura – na faixa entre 6ºC a 8ºC. A lente, então, recebe uma lavagem feita em equipamento abastecido com tanques de detergente com formulação especial e água desmineralizada. Depois sofre um processo de secagem por gravidade.

Em seguida, também em máquinas dotadas com comando CNC, a lente é cortada no formato da armação. Por fim, ocorrem operações de conferência e limpeza, aplicação de camada de verniz anti-risco e, no caso de lentes coloridas, da pintura. “Usamos 13 cores básicas de tintas à base de anilina, que podem ser misturadas de acordo com o tom desejado”, diz. A lente está pronta para ser montada na armação.

Plástico Moderno, Germano Coelho, chefe de produto da divisão de polímeros de alto desempenho, Plásticos nos óculos - Sucedâneo do vidro nas lentes, o plástico agora avança a olhos vistos nas armações
Coelho: composto de PA para armação

Matérias-primas – Os plásticos utilizados tanto na produção de armações quanto na de lentes, sejam estas corretivas ou não, são quase todos importados. No caso das armações, as grandes multinacionais alegam que o mercado brasileiro é muito reduzido para justificar a implantação no país de linhas de produção.

Uma das empresas atuantes no segmento óptico é a Evonik Industries Brasil (ex-Degussa). “Para esse mercado, temos um polímero com características únicas”, garante Germano Coelho, chefe de produto da divisão de polímeros de alto desempenho. Trata-se do composto de poliamida 12 Trogamid CX, indicado para a produção de armações transparentes ou opacas e para lentes de proteção contra o sol.

De acordo com o executivo, o diferencial da resina se encontra no fato de ela aliar a característica de ser amorfa, o que permite a produção de peças com altíssima transparência (acima dos 91%) e de contar com elevado grau de fluidez, facilitando ao usuário a moldagem da peça. Por ser semicristalina, possui elevada resistência mecânica e ao impacto, além de não sofrer ataques dos solventes utilizados para a limpeza dos óculos, caso do álcool isopropanol.

Plástico Moderno, Augusto Dornelles, gerente de marketing, Plásticos nos óculos - Sucedâneo do vidro nas lentes, o plástico agora avança a olhos vistos nas armações
Dornelles: concorrência chinesa incomoda

De acordo com Coelho, o Trogamid CX também tem densidade inferior à dos concorrentes, sinônimo de óculos mais leves. “Sua densidade é de 1,12 g/cm³, contra 1,20 g/cm³ do policarbonato”, exemplifica. O executivo aponta ainda outras vantagens. “As lentes feitas com o nosso polímero proporcionam maior proteção contra os raios ultravioleta e são mais resistentes às ações degradantes dos raios de sol”, completa.

A DuPont oferece para a indústria de armações de óculos a resina de náilon 6.12 (Zytel 153), os poliacetais elastoméricos Delrin 500T e Delrin 100 ST e a resina de poliéster Crastin T 700. De acordo com o gerente de marketing, Augusto Dornelles, a empresa conta no Brasil com alguns clientes importantes. “Vale lembrar que este setor sofre impactos de desempenho consideráveis por causa da importação maciça de óculos da China”, ressalta.

Dornelles destaca nas três linhas de produtos características que os tornam indicados para a aplicação. Para o gerente, permitem excelente processabilidade por injeção e proporcionam ótimo acabamento superficial. Também contam com excelente grau de tenacidade, o que representa um elevado alongamento na ruptura.

Além disso, apresentam resistência química aos solventes normalmente utilizados no mercado, como álcoois, detergentes e soluções alcalinas, entre outros. As três linhas não exigem cuidados muito especiais na hora da transformação. “Esses produtos necessitam ser processados dentro de suas faixas de temperaturas recomendadas. No caso do Crastin, é necessária uma desumidificação prévia”, ressalta.

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