Plásticos nos Eletrodomésticos – Resinas e Sustentabilidade – Parte II

Parte II

Sustentabilidade

Cada fabricante de resinas plásticas, com base no seu portfólio de produtos, pensa em atender o setor de linha branca com algum diferencial.

A Braskem é um exemplo. Seu forte não é o segmento dos plásticos de engenharia, mas nem por isso ela deixa de se preocupar em atender esse nicho de mercado de maneira a proporcionar soluções aos clientes.

Plástico Moderno, Carbonaro: PP Maxio permite reduzir os ciclos de produção
Carbonaro: PP Maxio permite reduzir os ciclos de produção

“O setor de linha branca demanda da Braskem produtos de alto valor agregado; em muitos casos concorremos diretamente com plásticos de engenharia e compostos de alto desempenho”, explica Marcelo Carbonaro, gerente de conta responsável pelo segmento na Braskem.

O diretor enfatiza que, no caso da linha branca, a companhia petroquímica fornece tanto para multinacionais de grande porte, que possuem negócios globais, quanto para empresas nacionais que evoluíram e conquistaram espaço importante no mercado nacional e latino-americano.

“São marcas de reputação que, por estarem próximas do consumidor final, são muito sensíveis aos preços”.

Para ele, esse forte apelo alimenta os profissionais da Braskem responsáveis pelo desenvolvimento a obterem a evolução contínua dos produtos oferecidos.

É preciso que eles permitam maior eficiência no processo de fabricação das peças de forma a reduzir os custos operacionais dos transformadores.

“Na maioria das vezes, estamos lidando com peças técnicas de grandes dimensões, expostas a esforços mecânicos intensos em ciclos de vida muito longos.

O uso de copolímeros especiais é predominante, mas também são utilizados produtos clarificados e homopolímeros de alta cristalinidade”.

A Braskem conta com diversos projetos direcionados para este segmento. “Vale ressaltar o trabalho feito para atender um aspecto de muita importância e cada vez mais presente no nosso dia a dia, a sustentabilidade. Cada vez mais, o consumidor busca conhecer o impacto ambiental do seu consumo e reduzir a pegada de carbono dos eletrodomésticos é um objetivo na cadeia como um todo”.

Carbonaro destaca para essas aplicações as propriedades da linha Maxio, formada por resinas de polietileno, polipropileno ou EVA com menor impacto ambiental em suas aplicações. Destaque para as formulações de polipropileno. “Os produtos da linha proporcionam redução dos ciclos de injeção, consumo de energia e até redução de peso das peças em alguns casos”. No momento, a empresa trabalha no aprimoramento da linha para elevar as propriedades mecânicas das formulações.

Resinas e Aditivos para fabricação de embarcações

GuiaQD – Fornecedores de Resinas e Aditivos (consulte)

Poliuretanos e etc.

O mercado da linha branca é considerado de grande potencial de geração de negócios para a Basf. “Este mercado é composto por grandes empresas globais que detêm diversas marcas e temos, em nossa região, importante presença de grande parte dos players mundiais”, resume Vitor André Porto de Souza, coordenador de negócios de materiais de performance para bens de consumo para a América do Sul.

O lançamento constante de novas formulações voltadas para atender esse nicho demonstra a importância dada a ele pela empresa. A iniciativa pode ser comprovada pelo lançamento, em 2013, dos projetos de geladeiras com conceito Coolpure 1.0 e Coolpure 1.1, patrocinados pela Basf Poliuretanos.

O estudo foi voltado para demonstrar aos fabricantes de eletrodomésticos toda a versatilidade dos poliuretanos em aplicações as mais distintas. “Atualmente o PU é usado principalmente em funções de isolamento, mas a ideia do estudo é comprovar que o material pode ser aproveitado em muito mais funções, sem perder de vista a busca constante por materiais de maior eficiência energética e mais amigáveis com a natureza”.

Entre os sistemas de poliuretano rígido voltados para refrigeradores comerciais e de uso doméstico, como freezers e geladeiras, a Basf disponibiliza as linhas de agentes expansores Elastocool e Elastopor, formulados de forma a não afetar a camada de ozônio e promover eficiência energética.

Também são fornecidos os produtos da linha Elastan, aplicados como adesivos monocomponente para completa proteção e vedação das tampas superiores de máquinas de lavar roupas e louças. “Eles têm como principal finalidade proteger os sistemas elétricos da umidade deste ambiente”.

A linha Elastollan se assemelha à fibra óptica e pode ser usada em projetos de iluminação interna do refrigerador e outras situações, caso dos puxadores com toque emborrachado ou de filmes voltados para o acabamento superficial externo dos aparelhos.

A união das tecnologias empregadas nas linhas Elastocool, Elastopor e Balindur pode ser aplicada de forma inovadora na fixação de painéis de isolamento a vácuo.

Além das soluções em poliuretanos, a Basf lançou recentemente a linha Ultramid Advanced N, de compostos de PPA aplicáveis em ambientes de alta umidade, como os encontrados em máquinas de lavar louças ou roupas e também em ambientes de altas temperaturas, como fornos. “É indicado para a produção de engrenagens e mecanismos de acionamento devido a sua alta resistência à abrasão e à fricção, além da altíssima estabilidade dimensional mesmo em ambientes de alta umidade e temperatura”.

De uso mais amplo para a indústria eletroeletrônica, a poliamida Ultramid B27 HM 01 é indicada para o recobrimento de fios e cabos elétricos, principalmente nos países que requerem a aprovação UL 94. Possui características técnicas de estabilidade térmica, resistência mecânica, química, ao impacto e à abrasão, além de alto brilho superficial.

O coordenador de negócios também destaca as resinas termoplásticas moldadas por injeção, extrusão ou sopro Ultramid (PA 6 e PA 6.6), Ultradur (PBT), Ultraform (POM) e Elastollan (TPU), indicadas para a fabricação de peças para a indústria elétrica e eletrônica. “São materiais com alta estabilidade dimensional e resistência às altas temperaturas, também disponíveis com reforço de fibra de vidro.

Eles podem ser aplicados em tomadas elétricas, conectores, revestimento de cabos, engrenagens e inúmeros itens de equipamentos industriais”.inúmeros itens de equipamentos industriais”.

Linha variada – Lanxess

A Lanxess, empresa que ganhou forte impulso a partir do realinhamento dos negócios químicos e plásticos da Bayer no início do século, conta com linha diversificada para o mercado da linha branca. “Temos diferentes materiais para essas aplicações”, informa Anderson Maróstica, gerente de serviços técnicos da área de materiais de alto desempenho.

Plástico Moderno, Maróstica: PBT consegue manter a cor original, mesmo sob calor
Maróstica: PBT consegue manter a cor original, mesmo sob calor

O trabalho em conjunto com os grandes fabricantes desse segmento para desenvolver soluções é uma das características da estratégia adotada pela empresa. “Aprovamos nossos materiais nos grandes clientes para ficarmos aptos a fornecer para os moldadores”.

Uma das linhas de produtos voltadas para atender esse mercado é a Pocan, formada por compostos à base de PBT ou blendas, como as de PBT+PET e PBT+ASA (acetato de estireno-acrilonitrila), entre outras.

Esses produtos são indicados para diversas aplicações. Para manípulos de fogões, por exemplo, indica-se o Pocan B1305, PBT sem carga de alto fluxo que permite a injeção de peças de paredes finas com ótimo acabamento superficial.

“Nesse caso o PBT apresenta vantagem frente às poliamidas. Quando usado em cores claras, ele não sofre oxidação, não apresenta variação de cor mesmo quando submetido a altas temperaturas”.

A linha de materiais Durethan, de compostos à base de PA 6 ou PA 6.6, também é indicada. “Podemos citar o Durethan BG30XH2.0, PA 6 com 30% de carga de fibra e microesfera com estabilização térmica. Este material é utilizado em puxadores de fogões e apresenta como principal vantagem obter contração menos anisotrópica do que materiais reforçados somente com fibra”.

De acordo com o gerente, ele proporciona à peça menor deformação e melhor acabamento superficial. “A microesfera de vidro porporciona melhor acabamento do que a fibra de vidro”. Outra propriedade desse material é a estabilização térmica, que garante propriedades mecânicas do material durante a toda vida útil do produto, mesmo quando submetido a altas temperaturas.

Entre as novidades, destaque para a chegada ao mercado de alguns produtos para peças que precisam de bastante resistência à flamabilidade.

Entre eles está o Durethan BKV20FN01 DUS013. Além de apresentar ótimo desempenho quando submetido a chamas, ele tem formulação livre de halogênios e permite, se necessário, aplicações de gravação a laser.

Poliamidas – Plásticos nos Eletrodomésticos

A RadiciGroup, empresa italiana com atuação em vários países, tem como carro-chefe a produção de diversos tipos de poliamidas.

Plástico Moderno, Baruque: opções em PA e PBT para suportar ambiente severo
Baruque: opções em PA e PBT para suportar ambiente severo

A empresa vê o mercado de eletrodomésticos em geral, entre eles os de linha branca, como um dos principais nichos para a comercialização de seus produtos. “O mercado de eletrodomésticos é forte consumidor de plásticos de engenharia, o que coincide com o nosso portfólio”, resume Luiz Baruque, gerente de marketing e desenvolvimento da empresa.

O executivo explica que, dentro do nicho de linha branca, a empresa é fornecedora de grandes fabricantes mundiais e também das principais empresas brasileiras.

Para esse segmento, a linha de produtos mais comercializada é a Radilon, formada por compostos termoplásticos à base de PA 6, PA 6.6, copolímeros, PA 610, PA 612 e poliamidas especiais para uso em temperaturas elevadas.

Os produtos podem ser reforçados com fibra de vidro ou carga mineral. “Eles apresentam elevada rigidez e resistência mecânica, tenacidade ao impacto, além de propriedades de deslizamento e desgaste, isolamento elétrico e resistência química”.

Outras duas séries de produtos muito utilizadas pela indústria de linha branca são a Raditer, formada por tecnopolímeros a base de polibutileno tereftalato (PBT) e a Heraform, composta por produtos desenvolvidos a partir de copolímeros acetálicos (POM). “As principais características dos produtos dessas linhas são alta resistência mecânica, excelentes propriedades térmicas, químicas e também a possibilidade de se obter ótimo acabamento superficial em diversas cores sem necessidade de acabamento posterior”.

Todos os produtos citados por Baruque são indicados para variadas aplicações. “Com elas podem ser confeccionadas polias, manipuladores, puxadores de fogão e caixas de engrenagens, entre outros exemplos”.

Entre os lançamentos mais recentes da empresa, o gerente ressalta a linha Radistrong, formada por polímeros de PA 6 ou PA 6.6 reforçados com fibra longa. “Por apresentarem propriedades mecânicas altíssimas, são compostos indicados para a substituição de metais, caso de componentes atualmente fabricados em alumínio, zamac ou zinco, entre outros”.

As novidades não param por aí. A linha Radilon Aestus, de polímeros à base de PPA, conta com formulações com baixa absorção de umidade, elevadas propriedades químicas e excelente resistência à temperatura. “Na mais recente edição da feira Fakuma, realizada em outubro na Alemanha, apresentamos o Raditek P, polímero de PPS autoextinguível com excelentes propriedades químicas e mecânicas mesmo após exposição a temperaturas elevadas”.

A indústria de equipamentos para a indústria do plástico também ocupa papel de destaque entre os fornecedores do setor de eletrodomésticos de linha branca. Na fabricação das peças são utilizados os principais meios de transformação – injeção, extrusão, sopro e termoformagem.

Com o aumento do aproveitamento de plásticos de engenharia, o uso de máquinas mais sofisticadas é altamente recomendado, oferece produtividade e economia de energia elétrica. O ambiente econômico, no entanto, não tem colaborado para a venda de tais equipamentos.

O segmento de linha branca, de acordo com dados da Eletros, tem operado nos últimos dois anos com utilização de capacidade instalada entre 76,5% e 78,3% (dados dessazonalizados). A boa notícia é o desempenho crescente nos últimos três meses de 2017. Em outubro, a ocupação foi de 77,5%, número que no mês seguinte subiu para 77,7% e em dezembro atingiu 78,3%.

Os dados não significam necessariamente a recuperação dos índices de investimentos que possam se transformar em aumento significativo da modernização das plantas fabris.

De acordo com a associação, no ano passado os investimentos em tecnologia aumentaram em meados de 2017, mas perderam força no final do ano. No mês de julho, 30% das empresas consultadas afirmavam que as condições de investimento haviam melhorado, e 63,3% consideravam a situação estável.

Em dezembro, esses números foram, respectivamente, 16,7% e 80%. As expectativas para 2018, para 26,7% dos entrevistados é de cenário melhor, enquanto 70% acreditam em situação estável.

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