Plásticos nos automóveis: Produção de automóveis cresce

E estimula a venda de máquinas

De onde menos se espera às vezes acontece algo agradável.

“O setor automobilístico vem nos surpreendendo positivamente. Apesar de hoje o Brasil estar fabricando um número menor de automóveis, o problema de falta de peças e fretes caros fez com que as montadoras resolvessem internalizar a produção de vários tipos de autopeças e isso está ajudando o setor de máquinas”, avalia José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Velloso também destaca o bom desempenho do setor automotivo quando o assunto recai na produção de ônibus, caminhões e máquinas agrícolas.

O raciocínio é um alento para os fornecedores de equipamentos para a transformação de plásticos.

“Houve mesmo a nacionalização de peças”, reconhece Marcos Cardenal, engenheiro de vendas da Wittmann Battenfeld, fornecedora de injetoras e máquinas para automatização de fábricas cujo carro chefe é o segmento automobilístico.

Ele ressalta, no entanto, que muitas montadoras ainda trabalham com ociosidade nas linhas de produção.

Plásticos nos automóveis: Produção de automóveis cresce ©QD Foto: iStockPhoto
Cardenal: injetoras devem ser mais produtivas e econômicas

“Não está uma maravilha, mas o mercado melhorou em relação ao período do auge da pandemia”, revela.

Cardenal explica que a procura por injetoras se concentra nos modelos que permitem a injeção de peças técnicas com maior produtividade e economia de energia.

“Os mais procurados são os da linha servo hidráulica MacroPower, com força de fechamento entre 400 e 2 mil toneladas”. Uma das exigências dos clientes se encontra no design e durabilidade das roscas.

“Hoje para a confecção das peças são cada vez mais utilizadas matérias-primas dotadas com elevadas quantidades de cargas e aditivos”.

Plásticos nos automóveis: Produção de automóveis cresce ©QD Foto: iStockPhoto
Velloso: montadoras voltaram a comprar autopeças por aqui

O engenheiro aponta outra preocupação que agita a Europa, a da necessidade de economia de energia.

O problema se agravou com a redução de fornecimento de combustíveis por parte da Rússia, consequência do conflito desse país com a Ucrânia.

Uma das novidades da empresa, apresentada na última edição da K’, na Alemanha, foi a de softwares voltados para o gerenciamento de energia das fábricas.

“Eles fazem com que a planta industrial trabalhe de forma mais econômica. Indicam, por exemplo, em qual máquina determinado molde deve ser instalado para que ocorra redução no uso de energia”.

Leve melhora – “O mercado automotivo brasileiro ainda não se recuperou totalmente das baixas demandas sofridas desde o início da pandemia de Covid-19.

Este ano não foi diferente, porém com uma leve melhoria, especialmente graças a projetos de empresas globais, que resultam em investimentos pontuais para novas linhas e substituições de equipamentos antigos”, explica Michel Carreiro, gerente geral da Sumitomo Demag do Brasil, multinacional fornecedora de injetoras.

Para Carreiro, a expectativa para 2023 é de que a retomada se confirme com maior intensidade.

“Há uma demanda represada”.

Tanto no mercado externo quanto no local, peças automotivas compõem em torno de 15% das vendas anuais da multinacional.

Plásticos nos automóveis: Produção de automóveis cresce ©QD Foto: iStockPhoto
Carreiro: procura é maior por equipamentos 100% elétricos

“Para esse nicho de mercado, a empresa comercializa máquinas para aplicações técnicas e de alta complexidade. São usadas na produção de peças como conectores, fixadores, clipes plásticos, componentes pintados e cromados, entre outras”.

De acordo com o diretor, os modelos mais procurados são os 100% elétricos IntElect e SE-EV-A, produzidos, respectivamente, na Alemanha e no Japão.

“Eles conferem extrema precisão em todos os movimentos, especialmente na injeção e plastificação. Moldam componentes complexos, fabricados com matérias-primas de engenharia de alto custo com baixos índices de refugo, mínimas variações de peso e baixíssimo consumo de energia elétrica”.

Em tempo: de janeiro a setembro a indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou receita 4,4% inferior à do mesmo período do ano passado.

Apesar de negativo, o resultado é bom, na avaliação de Velloso.

“A comparação se dá em relação ao excelente ano de 2021, que apresentou crescimento de receita de 21,6%”.

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