Compósitos

Plásticos nos automóveis – Aplicações automotivas crescem

Jose Paulo Sant Anna
12 de novembro de 2020
    -(reset)+

    Plásticos nos automóveis - Aplicações automotivas crescem ©QD Foto: Divulgação

    Aplicações automotivas crescem em ritmo superior ao esperado pelo setor – Plásticos nos automóveis

    O avanço do uso de plásticos nos automóveis tem sido constante nas últimas décadas. Os fortes investimentos feitos pelas gigantes da indústria química em pesquisa e desenvolvimento de resinas mais leves, com melhores propriedades mecânicas, térmicas e químicas e capazes de serem processadas com maior facilidade têm sido fundamentais para essa tendência. Sem falar na possibilidade dessas resinas serem recicladas. O plástico predomina em especial nos painéis e revestimentos internos, nos para-choques e nos conjuntos de iluminação. Em menor escala, tem ganhado espaço entre componentes do motor e substituído peças técnicas antes feitas de metais. Com o surgimento dos carros elétricos em outros países, tem sido grande a presença do plástico na fabricação das baterias.

    Dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) revelam que o setor de automóveis e autopeças respondeu em 2017 (último ano com dados disponíveis) por 8,6% do consumo de transformados no país, atrás apenas da construção civil (22,5%) e da indústria de alimentos (20,3%). Esse percentual se manteve em patamar similar até o ano passado. Este ano pode sofrer variação negativa, a indústria automobilística tem sido das mais afetadas pela pandemia.

    O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) não divulga estatísticas relativas apenas a peças fabricadas de plástico. No geral, no primeiro semestre o faturamento do setor sofreu retração de aproximadamente 40% em relação ao mesmo período do ano passado. As vendas para as montadoras (com queda de 46%) e as exportações (queda de 43,7%) foram os nichos mais afetados. O mercado de reposição sofreu menos (16,4%). Estimativas da entidade indicam que os fabricantes de autopeças deverão encerrar o ano com receita 30% abaixo de 2019.

    Os números apresentados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) tampouco são animadores. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, houve queda de 44,8% na produção de veículos em relação ao mesmo período do ano passado. O quadro apresenta um lado positivo. A produção em agosto contou com alta de 23,6% sobre julho, o que indica alguma recuperação do mercado. Apesar disso, houve queda de 21,8% em relação a agosto de 2019. “Foi o melhor mês desde o início da pandemia e o pior agosto desde 2006”, explica Luiz Carlos Moraes, presidente da associação. A Anfavea avalia o futuro com cautela, a expectativa é de recuperação nas vendas nos próximos meses, mas em índices ainda distantes dos atingidos antes da pandemia.

    Plásticos nos automóveis - Aplicações automotivas crescem ©QD Foto: DivulgaçãoVantagens – “A presença do plástico nos carros tem aumentado acima da expectativa”, afirma Carlos Sakuramoto, diretor de manufatura e de materiais da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). Ele calcula, em média, que hoje cada automóvel apresenta em torno de 15% a 20% de seu peso em plástico.

    O crescimento deve se manter nos próximos anos. Para o diretor da AEA, o grande impulso ocorre da combinação do lançamento de novos grades de matérias-primas com a necessidade de produção de veículos mais leves, com melhor desempenho energético. Isso tem permitido a substituição de materiais como metais, couro e madeira em várias aplicações. Ou até mesmo a substituição de resinas usadas no passado por outras mais modernas – os para-choques atuais são tão ou mais resistentes e têm paredes de menor espessura do que os primeiros modelos feitos de plástico.

    Sakuramoto aponta outras vantagens do plástico. Uma delas é a possibilidade de produção de peças com geometrias bem complexas. “A flexibilidade dá às montadoras agilidade para alterar o visual de seus modelos”. Esse aspecto ganha força com a tendência da venda de carros cada vez mais customizados. O avanço da tecnologia do processo de injeção, bastante usado na confecção de peças, também ajuda a tornar o plástico mais competitivo.

    O avanço pode ser ainda maior com o desenvolvimento das pesquisas de uso de compósitos, o que no futuro pode levar o plástico a aplicações na estrutura dos automóveis, avalia Marco Colosio, especialista em materiais e diretor da Seção Regional São Paulo da SAE Brasil, entidade voltada para inovações e tendências voltadas para a mobilidade. “Ele deve ganhar muito fôlego quando tivermos a finalização das pesquisas de emprego do grafeno em sua formulação. As cargas de grafeno proporcionam ganhos em resistência mecânica e leveza e permitirá o uso do material em novos segmentos de produtos”.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *