Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior

Retomada da produção de autoveículos exige resinas com desempenho superior

O segmento automobilístico é para lá de importante para os transformadores.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), ele representou 8,1% do volume total de transformados pelo setor em 2021, algo em torno de 615 mil toneladas de resinas.

Além do volume expressivo da produção, vale ressaltar o valor agregado das autopeças, na maioria das vezes itens que exigem tecnologia avançada para serem produzidos.

O sucesso do plástico tem explicação.

Tornou-se irreversível o foco das montadoras na redução do peso dos veículos, o que proporciona aumento da autonomia e redução nas emissões dos automóveis que utilizam motores a combustão.

Com o advento dos veículos híbridos e elétricos, a demanda cresce ainda mais.

Além de menor peso, os materiais plásticos apresentam propriedades como resistência mecânica, isolamento elétrico, resistência à chama, química, térmica e à corrosão.

Outra vantagem reside na maior liberdade de design na fase de projeto, incorporação e integração de componentes e funções em um único produto e único processo de moldagem.

Para José Donizeti da Silva, diretor industrial da Plascar, as principais tendências do setor envolvem tecnologias e materiais que viabilizam a substituição de metais.

A Plascar, há seis décadas no mercado, produz para-choques, painéis de instrumentos, painéis de portas, consoles e componentes de iluminação, entre outras peças para automóveis e caminhões.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Unidade da Plascar em Betim-MG tem automação avançada

Conta com quatro plantas industriais, nas quais abriga um parque de injetoras com capacidades de força de fechamento de 70 a 3,2 mil toneladas, além de linhas de pintura, cromação, extrusão, termoformagem, prensas SMC e ferramentaria própria.

O diretor explica que o uso de materiais diferenciados, em geral compósitos reforçados com fibra de vidro e/ou fibra carbono, têm se apresentado como solução para diversas aplicações.

Entre elas, componentes de chassi e do powertrain, aplicações no habitáculo do motor e peças estruturais internas e externas.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Donizeti da Silva: resinas e compósitos substituem metais

“Tais tendências vêm sendo acompanhadas bem de perto por nós e já são incorporadas em alguns itens em fabricação, principalmente, para aplicações em caminhões”, destaca.

Ritmo de retomada – As gigantes mundiais da indústria química investem milhões de dólares na pesquisa e desenvolvimento de formulações sofisticadas de matérias-primas voltadas para atender os rigorosos padrões exigidos pelas montadoras.

Estamos falando de empresas como Braskem, Basf, Covestro, Radici e UBE, entre outras.

Hoje, os fornecedores de resinas que atendem esse segmento vivem expectativas positivas.

Depois de momentos bem difíceis gerados pela queda abrupta da venda de veículos, alguns aspectos dão a sensação de que o setor está iniciando um período de retomada.

Entre os dados positivos, se encontra o desempenho das montadoras. Elas devem fechar o ano no Brasil com resultados compatíveis com as expectativas otimistas dos representantes do setor.

Números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informam que de janeiro a outubro foram produzidos 1,962 milhão de autoveículos, número 7,1% superior ao dos 10 primeiros meses de 2021.

Pode-se acrescentar nessa análise dados bastante positivos ligados à produção de ônibus (27 mil unidades, número 69,8% superior ao do mesmo período de 2021), máquinas agrícolas (39,8 mil, +23,1%) e máquinas rodoviárias (21,1 mil, +36,6%).

O nicho de caminhões ficou próximo da estabilidade (132,2 mil, +0,2%).

Os resultados ainda estão distantes dos melhores dias do setor. Em 2019, antes da pandemia, de janeiro a outubro, foram produzidos 2,547 milhões de autoveículos.

Há cerca de uma década, o país fabricava em torno de 3,2 milhões de autoveículos por ano.

A crise das montadoras se intensificou de 2016 para cá, quando o cenário econômico proporcionou forte queda nas vendas, quadro bastante agravado a partir de 2020 com o surgimento da pandemia de Covid-19.

Em paralelo, o setor, não só no Brasil, desde o ano passado enfrenta problemas graves de falta de componentes, em especial semicondutores.

O fato tem provocado paralisações em linhas de produção aqui e mundo afora. A escassez tem atrapalhado os negócios.

“A procura tem melhorado, as vendas poderiam ser superiores se não tivéssemos falta de peças nas linhas de produção”, resume Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea.

Para o próximo ano a escassez de componentes deve persistir, mas a expectativa é de que seja amenizada.

Ainda no período de janeiro a outubro, os emplacamentos de automóveis chegaram à casa dos 1,275 milhão de automóveis, dado da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

As vendas estão 3,2% menores do que as verificadas nesses meses no ano passado.

Com a forte falta de componentes ocorrida no último bimestre de 2021 e o bom histórico da procura por automóveis no mês de dezembro a expectativa é de fechar o ano com aumento nas vendas de 1%.

Para o setor de autopeças um fenômeno negativo internacional que ganhou força com a pandemia vem se transformando em trunfo.

A Covid provocou problemas graves de logística, com grande aumento no preço dos fretes internacionais.

Isso proporcionou o investimento, por parte da indústria automotiva, na nacionalização de um bom número de autopeças. O fenômeno causa reflexos positivos entre os transformadores de plástico.

Outro aspecto positivo é a perspectiva de lançamento de novos modelos de automóveis no futuro próximo.

Várias montadoras estão renovando suas linhas, o que deve gerar investimentos para a fabricação de um sem número de componentes inéditos.

Um sinal do que está por vir já vem sendo sentido pelas fornecedoras de moldes, que nos últimos meses viram aumentar os pedidos voltados para a produção de autopeças.

Um aspecto a ser ressaltado no mercado brasileiro é o da crescente procura por automóveis elétricos ou híbridos que utilizam eletricidade.

No ano passado foram vendidas 38,7 mil unidades desses autoveículos, contra 26,9 mil até outubro em 2021.

Em 2017, se resumiram a 2,7 mil. No caso de caminhões e ônibus, os elétricos e a gás viram as vendas saltarem de 51 unidades em 2017 para 224 no ano passado e 925 nos dez primeiros meses desse ano.

Os números totais não são significativos perto do total comercializado, mas o ritmo do crescimento impressiona.

Esse tipo de carro ainda não é produzido no Brasil. Mas as principais montadoras atuam de forma global e para se inserir na nova realidade precisam se adequar ao aumento da procura internacional.

Estudo realizado pela Anfavea em 2021 avalia que os veículos leves eletrificados poderão responder por de 12% a 22% do mix de vendas em 2030 no país, e de 32% a 62% em 2035.

Veículos pesados com novas tecnologias serão de 10% a 26% em 2030 e de 14% a 32% em 2035.

O estudo calculou que para atender essa demanda seriam necessários mais de R$ 150 bilhões em investimentos até 2036, valores distribuídos entre recursos para tecnologia e infraestrutura feitos pela cadeia automotiva, pelos produtores de combustíveis/energia e também pelo poder público.

Cinco por cento – O mercado automotivo é dos mais relevantes para a brasileira Braskem.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Rossi: portfólio inclui várias opções de resinas para o setor

“Praticamente 5% de nossas vendas de polipropileno e polietileno vão para este setor”, informa Bruno de Castro Rossi, líder comercial automotivo.

De acordo com o executivo, depois de um período bem difícil durante a pandemia, no segundo semestre desse ano as vendas para o setor iniciaram uma recuperação.

“A tendência é conseguirmos no mínimo empatar com 2021”.

Rossi explica que a empresa possui ampla gama de materiais para atender os diferentes e rigorosos requisitos especificados pelas montadoras.

“Temos grades com altíssima rigidez, materiais que proporcionam excelente resistência ao impacto, copolímeros heterofásicos de alto desempenho para o processo de injeção com superior resistência às marcas de fluxo e elevada resistência química e mecânica”.

Outra preocupação é a de atender o mercado com soluções sustentáveis.

Os materiais oferecidos podem ser utilizados diretamente na produção das peças ou misturados com outros elementos, gerando compostos aptos para atender as exigências de várias aplicações.

Entre os lançamentos recentes, Rossi aponta algumas grades da família da marca Wenew que apresentam cerca de 40% de redução da pegada de carbono quando comparados a um material virgem similar.

Outro destaque vai para novas aplicações desenvolvidas com formulações da família I’m Green em dutos de ar, revestimentos de caçamba e reservatórios.

Também recentes são as soluções voltadas para materiais usados em componentes sujeitos a eletricidade, caso de coberturas das baterias convencionais.

Polímeros especiais – A alta tecnologia e inovação presente nos automóveis se traduzem em ótima oportunidade de negócios para o Grupo Solvay, que conta com divisão especializada na pesquisa e desenvolvimento de plásticos e polímeros especiais.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Savioli: motores turbo pedem resistência elevada ao calor

“O mercado automotivo é cada vez mais importante para nossas vendas aqui na região”, resume André Savioli, gerente do mercado automotivo da Solvay Specialty Polymers na América do Sul.

Ele aponta que os negócios em 2022 serão muito superiores, tendo alcançado dois dígitos de crescimento em outubro em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre as peças fabricadas com esses polímeros, o gerente aponta os sensores e conectores, que demandam materiais com alta resistência mecânica, elétrica e química.

Outro uso constante se dá em peças de motores menores turboalimentados, que precisam de resistência ao calor e elevado desempenho químico e mecânico.

Nos carros elétricos ou parcialmente elétricos, matérias-primas diferenciadas são usadas em vários componentes dos motores e também na fabricação das baterias.

Entre os produtos mais procurados da Solvay se encontram os das linhas Amodel, PPA bastante usado em componentes de transmissão; Ryton, indicado para componentes elétricos; Veradel, aproveitado em peças do sistema de iluminação; e Tecnoflon, aplicado em selantes como vedações e juntas automotivas.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Solvay fornece polímero para autopeças e borracha sintética para retentores

A empresa lançou recentemente os produtos Amodel Bios e Amodel Supremem, fabricados com bases poliméricas de fontes renováveis, além de um novo grade de PPA que suporta temperaturas mais elevadas que os similares convencionais.

Dezessete por cento – A indústria automotiva e de transportes ocupa papel de destaque para a multinacional Covestro, e representou 17% das vendas totais da empresa em todo o mundo no ano passado, ocupando o segundo lugar entre todos os segmentos atendidos.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Jéssica: policarbonato alcança grau de neutralidade climática

“Essa mesma tendência se repete no Brasil, temos uma relação de anos com os principais representantes do mercado”, informa Jéssica Martendal, head da área de plásticos de engenharia da Covestro Latam.

De acordo com Jéssica, apesar dos inúmeros desafios, houve crescimento expressivo das vendas esse ano.

A Covestro fornece uma série de produtos para esse mercado: policarbonatos, filmes de policarbonato e filmes termoplásticos para telas e displays; filmes de poliuretano para encostos de cabeça, apoio de braço e sistemas de apoio lombar; policarbonatos e filmes de policarbonatos para iluminação e outros.

“A principal novidade é a oferta do primeiro policarbonato climaticamente neutro da linha Makrolon RE. É uma solução pronta que atende a diversos mercados, incluindo a indústria automotiva, e apoia nossos clientes em suas metas de neutralidade climática e sustentabilidade”, diz a executiva.

Mais do que relevante – O setor automotivo é bastante relevante para a Basf, em especial no nicho formado por plásticos de engenharia, poliuretanos e PBT, entre outros materiais.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Schiavon: software de simulação ajuda a desenvolver projetos

“O setor corresponde a mais da metade dos negócios da área de plásticos de engenharia da empresa”, explica Jefferson Schiavon, diretor para negócios de transportes em materiais de performance para a América do Sul.

O diretor informa que a Basf vem aumentando sua presença nesse mercado a partir da recente aquisição global dos negócios de plásticos de engenharia do Grupo Solvay.

Com o acordo a empresa passou a ter capacidade local de polimerização de PA 6.6, compostos de PA 6 e PBT. Também conta com produção local de sistemas de PU.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Solvay fornece polímero para autopeças e borracha sintética para retentores

“O setor automotivo vem mostrando recuperação. Seguimos alinhados aos movimentos desse segmento e ganhando participação com novos projetos”.

Entre os produtos fornecidos, Schiavon destaca as famílias Ultramid, de compostos de poliamidas 6 e 6.6, Ultradur, de compostos de PBT, e Elastofoam e Elastoflex, de sistemas de poliuretanos. “Elas participam em diversas aplicações nos veículos”.

Em paralelo, a empresa oferece a linha Ultramid RC, portfólio de poliamidas com conteúdo reciclado. Também conta com o software de simulação chamado Ultrasim, indicado para o desenvolvimento de projetos junto aos clientes.

Lançamentos – “O volume de vendas para o setor automotivo gira em torno de 40% de nossos negócios, nosso maior mercado”, informa Luis Baruque, gerente de desenvolvimento e marketing do setor automotivo para a América do Sul da italiana Radici. Os principais produtos da empresa para este mercado são as poliamidas 6 e 6.6.

Plásticos no automóveis: Resinas com desempenho superior ©QD Foto: Divulgação/Solvay
Baruque: linha Renycle inclui PA 6 e PA 6.6 recicladas

“As vendas no ano de 2022 estão abaixo das de 2021 devido aos problemas gerados nas montadoras pela falta de componentes. A expectativa é de queda nas vendas de em torno de 5% em relação ao ano anterior”.

A empresa conta com lançamentos. Na última feira K’, realizada em outubro na Alemanha, foi apresentada a linha Renycle, formada por produtos de baixo impacto ambiental e alto desempenho.

Eles são obtidos a partir da reciclagem do PA 6 e PA 6.6 pós industrial e pós consumo. No ano passado, foi lançada a série Radilon Mixloy, blenda de PA/ABS, que pode substituir em determinadas aplicações o PC ou as blendas PC/ABS e PC/PBT.

“Os produtos Radilon Mixloy apresentam excelente resistência química, possibilidade de redução de peso das peças e ótima estabilidade dimensional”.

Aquisições – Com a aquisição e integração de dois locais de produção de compostos, um na Europa e outro na América do Norte, a japonesa UBE diversificou sua linha, antes formada por compostos de poliamidas a base de PA 6 e PA 12.

Agora, passa a oferecer também compostos de PP, PC, ABS, POM, PPS e PBT, polímeros bastante indicados para aplicações elétricas automotivas.

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Veloso: UBE ampliou portfólio para atender novas aplicações

“Trabalhamos com a maioria das montadoras a nível global, inclusive as brasileiras, para qualificar e homologar materiais de acordo com seus padrões e fornecer nosso melhor conhecimento”, explica Edgar Veloso, supervisor de vendas para a América Latina.

Um lançamento recente da empresa é um composto de PA 6 que pode ser aplicado em tanques de armazenamento de hidrogênio aproveitados em caminhões e carros, entre outras aplicações.

O grade se chama UBE Nylon 1218IU e foi desenvolvido em conjunto com a montadora responsável pelo primeiro carro de célula de combustível disponível comercialmente no mundo.

Veloso explica que entre as características dos produtos da empresa se encontram grades com propriedades indicadas para gerar tubos automotivos e sistemas de compostos que proporcionam melhores propriedades de barreira ao combustível.

Também existem formulações para sistemas de tubulação para resfriamento de baterias, conectores de alta tensão e caixas de carregador, algumas delas baseadas em PBT.

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