Plásticos na saúde: Polímeros oferecem mais aplicações

Plástico Moderno - Afastadores cirúrgicos feitos de polímeros especiais da Solvay
Afastadores cirúrgicos feitos de polímeros especiais da Solvay

Polímeros oferecem mais aplicações para tratar pacientes com segurança

Impossível calcular o número de situações nas quais o plástico é aproveitado na fabricação de produtos de uso medicinal. O material está presente desde itens simples, como pequenos frascos para embalar remédios, aos mais sofisticados, caso de próteses fabricadas por meio de impressão 3D, dos órgãos artificiais como coração ou rim, cápsulas que se decompõem gradualmente para liberação controlada de seu conteúdo e até na alta tecnologia utilizada em aparelhos voltados para a medicina diagnóstica e o tratamento dos pacientes.

O plástico é fundamental para a segurança hospitalar. A utilização de produtos descartáveis como seringas, cateteres, bolsas de sangue, luvas e o uso do não-tecidos – em aventais, toucas, máscaras ou na proteção dos sapatos – reduzem o risco de contaminação no ambiente. Ele está presente ainda nas membranas plásticas semipermeáveis dos aparelhos de hemodiálise, nas lentes corretivas, nos aparelhos auditivos e em produtos odontológicos, entre outras aplicações.

“É possível afirmar que graças aos produtos feitos de plásticos inúmeras vidas foram e são poupadas diariamente no setor de saúde”, resume José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). O dirigente aponta algumas características das resinas que conferem relevância aos produtos fabricados. “Elas oferecem leveza, versatilidade, resistência mecânica e flexibilidade; acessibilidade, assepsia e possibilidade de esterilização; atoxicidade e durabilidade; além de estabilidade física, química e biológica, com as quais se obtém compatibilidade com tecidos e órgãos humanos”.

Trata-se de um mercado gigantesco, que movimenta cifras elevadas. De acordo com estudo feito em meados da década pela consultoria norte-americana Grand View Research, o mercado global de polímeros médicos deve chegar a 17,05 bilhões de euros até 2020. O crescimento desse nicho de mercado é calculado pela consultoria com taxa anual média de 5,6%. No Brasil não existem números oficiais sobre esse segmento. Para dar ideia do consumo, Roriz Coelho destaca a importância de alguns setores que possuem produtos voltados ao setor médico-hospitalar: perfumaria, higiene e limpeza (3,3% do consumo total de plástico no país), descartáveis (1,7%), farmacêutico (0,9%) e de têxteis e vestuário (0,9%).

Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, defende que a avaliação sobre a importância dos plásticos na área médica deve ser medida menos sob o aspecto de negócios, e sim no dos benefícios oferecidos. “Ele proporciona celeridade dos tratamentos, no valor agregado à inovação que torna os produtos competitivos e nos benefícios de logística, facilitando o transporte, armazenagem e o manuseio de produtos, entre outras vantagens”.

Como exemplo, Bahiense cita o caso do PVC, que se estima estar presente em 35% dos plásticos usados na área médica. Comparado ao volume de PVC fabricado no mundo, o percentual destinado para a área médica deve ser em torno de 1%. Com o PVC são fabricadas as bolsas de soro, sangue, cateteres, tubos endotraqueais, entre outros produtos, e essas aplicações trazem ganhos para a saúde e para a economia em torno da saúde. “Quanto mais rápida a recuperação do paciente, menos ele demanda tempo de leito, tempo de profissionais, de produtos e serviços”.

Pesquisa e desenvolvimento – Um quesito muito importante para a evolução do uso do plástico no setor da saúde é o surgimento de novas formulações de matérias-primas, o que proporciona a oportunidade para o plástico de substituir outros materiais, em especial vidro e metais. Nessa área entram em campo gigantes fabricantes de especialidades químicas, que não economizam investimentos em pesquisa e desenvolvimento para o surgimento de novas formulações.

Plástico Moderno - Rodolfo: plásticos reduzem possibilidade de contaminação
Rodolfo: plásticos reduzem possibilidade de contaminação

É o caso da Braskem, que aponta esse segmento de mercado como estratégico e importante. “As resinas plásticas representaram grande avanço para a medicina, a ponto de se tornarem imprescindíveis. Sua principal característica é a segurança no uso, que se reflete tanto no tratamento, como no uso de descartáveis, reduzindo consideravelmente a chance de contaminação a um custo extremamente competitivo”, define Antonio Rodolfo Junior, responsável por Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento do Mercado de Vinílicos.

As possibilidades de uso das resinas oferecidas vão de aplicações mais simples, como o uso de compressas estéreis para a cobertura dos ferimentos (curativos) a outras cuja fabricação exige obediência a normas mais rigorosas, como bolsas de sangue, cateteres, seringas, tubos, luvas, próteses, suturas, lentes de contato e membranas semipermeáveis para hemodiálise, além de máscaras e roupas em não tecidos.

Os artigos hospitalares e farmacêuticos utilizam bastante três resinas oferecidas pela empresa: polipropileno (PP), polietileno (PE) e o PVC. O polipropileno é usado em um dos componentes produzidos em massa pelos transformadores do setor, a seringa descartável. “A resina também é aproveitada na fabricação de aventais, kits cirúrgicos, embalagens para esterilização, tampas, frascos e dosadores”.

Outro plástico muito utilizado o polietileno, em especial pela sua altíssima pureza e pela não aplicação de aditivos em sua formulação. A leveza da embalagem, transparência e segurança no manuseio são outros benefícios proporcionados pelo PE. Ele é bastante indicada para a produção de frascos de soluções parenterais, como glicose. “Um dos grades oferecidos, o S0330, tem resistência térmica necessária para suportar as temperaturas presentes no processo de esterilização feito em autoclave e é totalmente destinado ao segmento de sopro de fármacos”.

Plástico Moderno - Silveira: PP feito na Alemanha quer entrar nas bolsas de soro
Silveira: PP feito na Alemanha quer entrar nas bolsas de soro

O PVC, por sua vez, é dos polímeros mais empregados no segmento hospitalar. Seu uso em bolsas de sangue garante maior tempo de estocagem ao produto, além de facilidades de armazenamento e manuseio. O PVC também é encontrado em outros itens de consumo hospitalar, como bolsas de soro, mangueiras para diálise e troca de fluídos corpóreos, próteses mamárias provisórias, cânulas para traqueostomia, bolsas coletoras de urina, máscaras de oxigênio, aventais de proteção, luvas médicas, dentre muitos outros.

Uma utilização paralela: na infraestrutura de áreas hospitalares produtos de PVC, como pisos, protetores de paredes para macas, revestimentos de parede e teto, dentre outros, têm importante presença no ambiente construído pelas características de acabamento liso, facilidade de limpeza e desinfecção, inércia química e durabilidade elevadas.

Entre as novidades oferecidas pela Braskem, duas são mais recentes. Uma delas é o início da importação da resina Braskem MedCol V4020, de PP para o segmento de bolsas de soro. “Esse grade é produzido pela Braskem em uma de suas fábricas na Alemanha e foi um dos destaques da empresa na última edição da feira K”, informa Heitor Silveira Netto Trentin, gerente de contas Health Care . A outra é o lançamento da resina PF350GQ para o segmento de não-tecidos. “Ela permite melhor cobertura das fibras nas mantas para os segmentos higiênicos e médico-hospitalares”, diz Trentin.

Plástico Moderno - Mônica: biofármacos abrem caminho para novas resinas
Mônica: biofármacos abrem caminho para novas resinas

Polímeros especiais – O mercado de saúde é estratégico para a Solvay. Por meio de sua unidade de negócios Specialty Polymers, há mais de trinta anos fornecedora de materiais para esse segmento, oferece ampla seleção de polímeros de alto desempenho. “Esses polímeros têm cada vez mais aplicações na área de saúde através da substituição de metais, vidro e outros materiais. Eles permitem redução de peso, flexibilidade no desenho das peças, facilidade na fabricação e a capacidade de diferenciar seus produtos e sua marca utilizando cores”, explica Mônica Martins, gerente do mercado Healhtcare na América Latina.

O portfólio da Solvay inclui polímeros sulfonados, policetonas de alto desempenho, poliamidas de alto desempenho, biomateriais implantáveis, polímeros de alta barreira e fluorpolímeros. Entre outras características, esses materiais podem ser esterilizados a partir de todos os métodos convencionais, incluindo vapor, óxido de etileno, peróxido de hidrogênio vaporizado e radiação gama. Podem ser aplicados em dispositivos e equipamentos médicos e odontológicos, instrumentos cirúrgicos, dispositivos implantáveis, componentes de processamento na biofarma, embalagens farmacêuticas ou nas membranas para hemodiálise.

“Hoje, as aplicações mais típicas no mercado nacional são as caixas para esterilização de instrumentos médicos e odontológicos, componentes e instrumentos, conectores para equipamentos de anestesia/respiradores e implantes (espaçadores de coluna)”, diz Mônica. Ele dá como exemplo o produto Udel P-1700 PSU, que por suportar a faixa de temperatura operacional necessária de -40°C a 138°C (-40°F a 280°F) pode ser usado em dispositivos assépticos sujeitos a condições criogênicas e esterilizações a vapor. “A transparência do material permite observar o fluxo de líquido através dos dispositivos, e sua combinação de alta resistência ao calor e estabilidade hidrolítica fornece uma vantagem importante sobre o policarbonato (PC), que é altamente suscetível a rachaduras por estresse, entre outras propriedades importantes”.

A gerente destaca o surgimento de um novo mercado, a indústria biofarmacêutica, responsável pelo desenvolvimento de imunoterapias para diversas doenças. “Nesta indústria, as demandas de materiais com qualidade, pureza, escalabilidade, flexibilidade e acessibilidade são excepcionais e a ampla gama de polímeros biocompatíveis e de grau médico da Solvay tornou a empresa líder nesse nicho de mercado”. As aplicações de bioprocessamento de uso único incluem filtração (membranas, aditivos e caixas de membrana), periféricos (conectores, tubos e caixas de sensores) e contenção (biorreatores e sacos de contenção final).

Mônica lembra que esses materiais são amplamente testados para garantir ótimo desempenho em situações críticas, como os indicados para equipamentos de uso único, cuja esterilização é feita a partir da irradiação gama. “Em alguns plásticos, a esterilização gama pode comprometer o polímero e aumentar a ocorrência de lixiviáveis e extraíveis, o que pode afetar a pureza e o desempenho dos biomateriais no processamento e nos pacientes”.

Um dos produtos da empresa, o Udel, permitiu à Nordson Medical desenvolver conexões assépticas para produtos farmacêuticos e bioprocessamento. “A polissulfona Udel P-1700 (PSU) foi escolhida para a nova série de acessórios de bioprocesso devido à sua biocompatibilidade, transparência, resistência e rigidez, ampla faixa de temperatura e compatibilidade com radiação gama (até 50 kGy) e esterilização a vapor”.

Policarbonatos – A Covestro considera o segmento médico como de extrema relevância no mercado nacional e global. Atua não apenas como fornecedora de matéria-prima, também opera como “co-designer” diante das oportunidades e desafios. “Por mais que o Brasil seja ainda reativo no que tange a pesquisa e desenvolvimento de aplicações médicas moldadas em plásticos, a Covestro vem motivando e apoiando todo desenvolvimento da área que apresenta um potencial de solução ao mercado de saúde”, explica Costábile Landim, diretor de desenvolvimento de marketing e vendas para nesse nicho de atuação na América Latina.

A empresa oferece soluções em termoplásticos, filmes, TPU, matérias-primas para adesivos, espumas e muito mais. O carro chefe da empresa para esse segmento se concentra em sua linha de policarbonatos. Seu portfólio é composto pelas linhas Makrolon, Bayblend, Makroblend, Apec, Baymedix e Platilon. Elas são indicadas para aplicações que podem variar desde a autoadministração de medicamentos, housings de equipamentos eletromédicos, cardiovasculares e de gerenciamentos sanguíneo, terapia renal, cirúrgico, respiratório, diagnóstico, dental e de bem-estar.

“O mercado brasileiro demanda prioritariamente resinas de PC destinadas à esterilização por ETO”, informa Landim. Esse tipo de esterilização utiliza o óxido de etileno e é indicada para os materiais termossensíveis cujas características físicas sejam incompatíveis com os processos convencionais de esterilização por vapor e alta temperatura. Ele cita como exemplo o produto Makrolon 2458, que pode ser aplicado em oxigenadores e componentes dos equipamentos de infusão intravenosa (conjuntos compostos por mangueiras, engates, conexões e agulhas usadas nas infusões de soro e outros procedimentos).

Os policarbonatos da Covestro também são apropriados para alguns dispositivos essenciais da moderna tecnologia médica, como canetas e bombas de insulina, inaladores, cuidados renais e controle do sangue, desfibriladores cardíacos e outros. Essas aplicações exigem propriedades de biocompatibilidade, durabilidade, higienização e esterilização, moldabilidade e pós-tratamento de peças moldadas, alta transparência, pureza, resistência química e térmica, entre outros requisitos.

“O próximo passo da inovação em aplicações médicas será a consolidação dos aparelhos conectados e de autoadministração de medicamentos e sistemas sem agulha”. Esses aparelhos necessitam de materiais com características como elevada capacidade de esterilização, maior resistência térmica e índice de fluidez capaz de absorver o desenvolvimento de componentes pequenos e de baixas espessuras. “Entre esses materiais destacamos a série Makrolon RX”.

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