Compósitos

Plásticos na saúde: Polímeros oferecem mais aplicações

Jose Paulo Sant Anna
13 de janeiro de 2020
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    Pesquisa e desenvolvimento – Um quesito muito importante para a evolução do uso do plástico no setor da saúde é o surgimento de novas formulações de matérias-primas, o que proporciona a oportunidade para o plástico de substituir outros materiais, em especial vidro e metais. Nessa área entram em campo gigantes fabricantes de especialidades químicas, que não economizam investimentos em pesquisa e desenvolvimento para o surgimento de novas formulações.

    Plástico Moderno - Rodolfo: plásticos reduzem possibilidade de contaminação

    Rodolfo: plásticos reduzem possibilidade de contaminação

    É o caso da Braskem, que aponta esse segmento de mercado como estratégico e importante. “As resinas plásticas representaram grande avanço para a medicina, a ponto de se tornarem imprescindíveis. Sua principal característica é a segurança no uso, que se reflete tanto no tratamento, como no uso de descartáveis, reduzindo consideravelmente a chance de contaminação a um custo extremamente competitivo”, define Antonio Rodolfo Junior, responsável por Engenharia de Aplicação e Desenvolvimento do Mercado de Vinílicos.

    As possibilidades de uso das resinas oferecidas vão de aplicações mais simples, como o uso de compressas estéreis para a cobertura dos ferimentos (curativos) a outras cuja fabricação exige obediência a normas mais rigorosas, como bolsas de sangue, cateteres, seringas, tubos, luvas, próteses, suturas, lentes de contato e membranas semipermeáveis para hemodiálise, além de máscaras e roupas em não tecidos.

    Os artigos hospitalares e farmacêuticos utilizam bastante três resinas oferecidas pela empresa: polipropileno (PP), polietileno (PE) e o PVC. O polipropileno é usado em um dos componentes produzidos em massa pelos transformadores do setor, a seringa descartável. “A resina também é aproveitada na fabricação de aventais, kits cirúrgicos, embalagens para esterilização, tampas, frascos e dosadores”.

    Outro plástico muito utilizado o polietileno, em especial pela sua altíssima pureza e pela não aplicação de aditivos em sua formulação. A leveza da embalagem, transparência e segurança no manuseio são outros benefícios proporcionados pelo PE. Ele é bastante indicada para a produção de frascos de soluções parenterais, como glicose. “Um dos grades oferecidos, o S0330, tem resistência térmica necessária para suportar as temperaturas presentes no processo de esterilização feito em autoclave e é totalmente destinado ao segmento de sopro de fármacos”.

    Plástico Moderno - Silveira: PP feito na Alemanha quer entrar nas bolsas de soro

    Silveira: PP feito na Alemanha quer entrar nas bolsas de soro

    O PVC, por sua vez, é dos polímeros mais empregados no segmento hospitalar. Seu uso em bolsas de sangue garante maior tempo de estocagem ao produto, além de facilidades de armazenamento e manuseio. O PVC também é encontrado em outros itens de consumo hospitalar, como bolsas de soro, mangueiras para diálise e troca de fluídos corpóreos, próteses mamárias provisórias, cânulas para traqueostomia, bolsas coletoras de urina, máscaras de oxigênio, aventais de proteção, luvas médicas, dentre muitos outros.

    Uma utilização paralela: na infraestrutura de áreas hospitalares produtos de PVC, como pisos, protetores de paredes para macas, revestimentos de parede e teto, dentre outros, têm importante presença no ambiente construído pelas características de acabamento liso, facilidade de limpeza e desinfecção, inércia química e durabilidade elevadas.

    Entre as novidades oferecidas pela Braskem, duas são mais recentes. Uma delas é o início da importação da resina Braskem MedCol V4020, de PP para o segmento de bolsas de soro. “Esse grade é produzido pela Braskem em uma de suas fábricas na Alemanha e foi um dos destaques da empresa na última edição da feira K”, informa Heitor Silveira Netto Trentin, gerente de contas Health Care . A outra é o lançamento da resina PF350GQ para o segmento de não-tecidos. “Ela permite melhor cobertura das fibras nas mantas para os segmentos higiênicos e médico-hospitalares”, diz Trentin.

    Plástico Moderno - Mônica: biofármacos abrem caminho para novas resinas

    Mônica: biofármacos abrem caminho para novas resinas

    Polímeros especiais – O mercado de saúde é estratégico para a Solvay. Por meio de sua unidade de negócios Specialty Polymers, há mais de trinta anos fornecedora de materiais para esse segmento, oferece ampla seleção de polímeros de alto desempenho. “Esses polímeros têm cada vez mais aplicações na área de saúde através da substituição de metais, vidro e outros materiais. Eles permitem redução de peso, flexibilidade no desenho das peças, facilidade na fabricação e a capacidade de diferenciar seus produtos e sua marca utilizando cores”, explica Mônica Martins, gerente do mercado Healhtcare na América Latina.

    O portfólio da Solvay inclui polímeros sulfonados, policetonas de alto desempenho, poliamidas de alto desempenho, biomateriais implantáveis, polímeros de alta barreira e fluorpolímeros. Entre outras características, esses materiais podem ser esterilizados a partir de todos os métodos convencionais, incluindo vapor, óxido de etileno, peróxido de hidrogênio vaporizado e radiação gama. Podem ser aplicados em dispositivos e equipamentos médicos e odontológicos, instrumentos cirúrgicos, dispositivos implantáveis, componentes de processamento na biofarma, embalagens farmacêuticas ou nas membranas para hemodiálise.

    “Hoje, as aplicações mais típicas no mercado nacional são as caixas para esterilização de instrumentos médicos e odontológicos, componentes e instrumentos, conectores para equipamentos de anestesia/respiradores e implantes (espaçadores de coluna)”, diz Mônica. Ele dá como exemplo o produto Udel P-1700 PSU, que por suportar a faixa de temperatura operacional necessária de -40°C a 138°C (-40°F a 280°F) pode ser usado em dispositivos assépticos sujeitos a condições criogênicas e esterilizações a vapor. “A transparência do material permite observar o fluxo de líquido através dos dispositivos, e sua combinação de alta resistência ao calor e estabilidade hidrolítica fornece uma vantagem importante sobre o policarbonato (PC), que é altamente suscetível a rachaduras por estresse, entre outras propriedades importantes”.

    A gerente destaca o surgimento de um novo mercado, a indústria biofarmacêutica, responsável pelo desenvolvimento de imunoterapias para diversas doenças. “Nesta indústria, as demandas de materiais com qualidade, pureza, escalabilidade, flexibilidade e acessibilidade são excepcionais e a ampla gama de polímeros biocompatíveis e de grau médico da Solvay tornou a empresa líder nesse nicho de mercado”. As aplicações de bioprocessamento de uso único incluem filtração (membranas, aditivos e caixas de membrana), periféricos (conectores, tubos e caixas de sensores) e contenção (biorreatores e sacos de contenção final).

    Mônica lembra que esses materiais são amplamente testados para garantir ótimo desempenho em situações críticas, como os indicados para equipamentos de uso único, cuja esterilização é feita a partir da irradiação gama. “Em alguns plásticos, a esterilização gama pode comprometer o polímero e aumentar a ocorrência de lixiviáveis e extraíveis, o que pode afetar a pureza e o desempenho dos biomateriais no processamento e nos pacientes”.

    Um dos produtos da empresa, o Udel, permitiu à Nordson Medical desenvolver conexões assépticas para produtos farmacêuticos e bioprocessamento. “A polissulfona Udel P-1700 (PSU) foi escolhida para a nova série de acessórios de bioprocesso devido à sua biocompatibilidade, transparência, resistência e rigidez, ampla faixa de temperatura e compatibilidade com radiação gama (até 50 kGy) e esterilização a vapor”.



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