Plástico

Plásticos Especiais – Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina

Maria Aparecida de Sino Reto
4 de junho de 2012
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    Outra aposta da empresa tem por foco os polímeros derivados de matérias-primas renováveis. Com base no processo de validação de uma peça, que inclui simulação das características de trabalho, em contato com parâmetros como temperatura, químicos, vibração, permeabilidade, contração, absorção de umidade, alongamento e retorno à posição original (memória), Colucci defende diferenças fundamentais e favoráveis aos biopolímeros, apesar das características similares das resinas convencionais. “Continuamente presenciamos casos em que os polímeros de fontes renováveis são superiores aos convencionais em várias características”, justifica e aposta na substituição, não somente por conta das características de sustentabilidade, mas pelas vantagens na aplicação final incrementadas pelas resinas de fonte bio.

    Como exemplo, ele menciona o tanque de reservatório do radiador desenvolvido pela Denso, no Japão, com náilon 6.10, que demonstrou características superiores aos náilons convencionais de cadeia longa na exposição química e sob alta temperatura, e ainda garantiu um custo menor no projeto.

    De olho no futuro próximo, Colucci aposta em projetos com motores menores, com maior rotação, sinônimo de maior demanda térmica interna, condições, na opinião dele, ideais, no desenvolvimento de novas peças plásticas, tanto para o Zytel Plus como para as resinas de fonte renovável. Sua confiança envolve também a capacidade brasileira de surpreender com alguns desenvolvimentos próprios. “O carro flex é um exemplo, e potenciais lançamentos de sistema de partida a frio, sem o tanque de gasolina, são uma grande inovação para o setor”, aponta.

    Ele lembra que o leque de produtos destinados ao setor pela empresa está além dos mencionados e abrange uma ampla gama de polímeros termoplásticos e elastoméricos aptos a suportar faixas de temperaturas elevadas e que possibilitam a configuração de peças sopradas.

    Poliamidas resistentes a altas temperaturas também norteiam as novidades da Radici. Luis Baruque, seu Sales Manager, apresenta ao setor linha de PA 6.6 resistente a altas temperaturas, até 210 º C em contínuo, com garantia de manutenção das propriedades mecânicas. O produto pretende substituir metais em aplicações em compartimentos de motor.

    Escassez de resina – No final de março, uma explosão destruiu instalações da Evonik, na Alemanha, onde a empresa produzia ciclododecatrieno, matéria-prima da PA 12, uma especialidade também polimerizada pela empresa. Além da interrupção de sua própria produção de PA 12, o acidente na Evonik atrapalhou os negócios de outras fabricantes da resina dependentes de sua matéria-prima e provocou uma escassez dessa variedade de poliamida no mercado global, essencial na produção de tubos de freios e de combustíveis, entre outras aplicações.

    O problema preocupa os fornecedores de autopeças moldadas com a resina. Em parceria com as principais montadoras globais, eles já procuram material alternativo à PA 12 para evitar uma interrupção forçada na fabricação de veículos.

    A solução pode estar a caminho. Ao menos é o que propõe o gerente da Radici. Como a situação faz a ocasião, ele planeja aproveitar o aperto na oferta global de PA 12 e vê essa brecha oportuna para a sua PA 6.10 assumir algumas aplicações, como tubos de freios e tubos de combustíveis. Como explica, a 6.10 não é um contratipo da 12, mas possui algumas características similares.

    A indústria automotiva conduz os principais desenvolvimentos empreendidos pela Rhodia, renomada fabricante de poliamidas, que também surge com novo material e candidato a suprir a falta da PA 12. A biopoliamida 6.10 carrega parte de sua matéria-prima derivada de óleo de mamona e compõe desenvolvimento recente em parceria com a fabricante de autopeças Dytech. O produto da Rhodia (denominado Technyl eXten) está sendo utilizado na confecção de tubulações para combustíveis, servofreio, embreagens e dutos de óleo para veículos leves e pesados. O bioplástico entra como alternativa à poliamida 6.12, de origem totalmente petroquímica, utilizada nessas aplicações.

    O diretor Marcos Curti da Silva observa o surgimento de novas aplicações para as poliamidas em peças estruturais, com foco em grades com alto teor de reforço de fibra de vidro e com propriedades atreladas à produtividade. Os projetos em andamento com clientes brasileiros envolvem aplicações dessas poliamidas como substitutas de outros materiais, segundo ele ressalta, com vantagens.

    Em parceria com a fabricante de autopeças Magneti Marelli, Curti projetou uma aplicação de poliamida reciclada para peças junto ao motor. Outros clientes da Rhodia ganharam maior produtividade no processo produtivo e eficiência energética com a indicação da tradicional poliamida Technyl na fabricação de peças de grande volume, como abraçadeiras. Peças como cárter de óleo, estrutura de bancos e sistemas de exaustão dos carros brasileiros estão na mira de Curti como próximos candidatos a acompanhar a tendência mundial e usufruir das benesses dos plásticos de alta performance.

    Evento estratégico – Reconhecida no país por suas borrachas sintéticas e especialidades químicas, a Lanxess planeja ampliar sua participação também como fornecedora de plásticos de engenharia, formulações baseadas em poliamida e polibutileno tereftalato, com principal foco no setor automotivo, que representa globalmente mais de 50% desse seu negócio. Para tanto, a empresa promoveu, em maio, workshop direcionado a esse mercado e estrategicamente realizado em Contagem-MG, por conta da concentração de indústrias automotivas na região.



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