Plásticos Especiais – Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina

Parece distante do fim a estagnação dos plásticos nos veículos. A perseguição das montadoras por mais leveza (traduzida em menor consumo de combustível, portanto, menos emissões), flexibilidade de design (projetos mais arrojados), e ainda, por produtos de melhor desempenho, para dar conta dos requisitos impostos pela compactação no interior do compartimento do motor, encoraja a evolução tecnológica das resinas, resultando em contínuos desenvolvimentos voltados para o setor.

Plástico, Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Carro-conceito traz policarbonato da Sabic no lugar do vidro

A incorporação de plásticos de engenharia nos automóveis nacionais ainda não se equipara aos volumes integrados nos modelos produzidos no exterior, particularmente na Europa e nos Estados Unidos. Nos carros populares, exclusivos da indústria nacional, nota-se um crescimento acentuado por compostos de polipropileno com suas propriedades constantemente aprimoradas e mais competitivas com certos plásticos de engenharia (ver PM de abril de 2012, número 450, pág. 16).

“O PP, principalmente compostos, vem conquistando espaço nos segmentos A e B de baixa motorização, mas os

Plástico, Edson R. Simielli, Automotive Business Development & OEM Director South America da Sabic, Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Edson R. Simielli: carros sofisticados usam mais plásticos de engenharia

plásticos de engenharia continuam sendo preferidos nos veículos mais top, principalmente naqueles com maior conteúdo de eletrônica embargada, segurança, melhor acabamento interno, conforto para passageiros, designs arrojados etc.”, compara Edson R. Simielli, Automotive Business Development & OEM Director South America da Sabic.

Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria Frost & Sullivan, assina em baixo e aponta vantagens para as resinas nobres nos carros mais sofisticados. “Possuem mais peças opcionais, espaços internos e componentes que requerem os plásticos de engenharia”, argumenta.

O diretor da Sabic lembra que, além de possibilitar a redução de peso (ao substituir metal, vidro e outros materiais) e de custo (pela integração de peças e componentes), os plásticos atraem as montadoras também pelo aumento na vida útil das peças, sinônimo de prazos de garantia maiores, e ainda pelas melhorias de produtividade, conquistadas com a eliminação de pinturas ou redução de operações secundárias como soldagem, colagem e fixações, entre outras.

Ricardo Knecht, diretor-presidente da unidade de negócios Innovative Plastics da Sabic na América do Sul, endossa as opiniões. Para ele, conceitos como a redução de peso e, consequentemente, a eficiência energética de veículos devem nortear os desenvolvimentos também no Brasil. A substituição de peças metálicas e até mesmo vidros em veículos promete aumentar a demanda por plásticos de engenharia desta indústria.

Por conta desse contexto, a Sabic aumentou em cinco vezes a sua capacidade produtiva instalada em Campinas-SP, considerando os últimos dez anos; e, em 2011, inaugurou uma nova linha modular capacitada a produzir lotes menores e com cores customizadas. Outros planos contemplam a continuidade de tradução e produção local de novas tecnologias em materiais de alto desempenho.

O posicionamento da América do Sul como quarto maior mercado em vendas de veículos e sexto maior em produção automotiva e os investimentos previstos por esse setor até 2015 alentam o diretor-presidente em sua aposta no crescimento da demanda de plásticos de engenharia, que para ele deve acompanhar o aumento da produção de carros para os próximos anos no Brasil.

Não à toa, os principais desenvolvimentos anunciados pelos fabricantes de resinas especiais se endereçam às montadoras. Knecht, por exemplo, enumera uma série de produtos para aplicações automotivas que ele considera com forte potencial de crescimento, como a indicação da família de polieterimida (PEI), termoplásticos de alta resistência térmica, na fabricação de refletores de faróis automotivos; ou de blendas PBT/PC e ABS/PC, para moldagem de spoilers.

A excelente resistência térmica é um dos principais atrativos de formulações baseadas em PPO/PA, desenvolvidas e consolidadas no mercado sob a marca Noryl GTX. O material possibilita às montadoras substituir metal em peças como para-lamas e portinholas de tanque de combustível, com a vantagem de pintá-las na linha de montagem.

A extensa família Noryl incorporou um tipo de PPS flexível, cujas características o apontam como opção vantajosa na fabricação de “chicotes” automotivos. Entre os benefícios, Knecht destaca resistência à chama inerente à resina e a redução na espessura do produto final, com diminuição no diâmetro dos cabos.

Com características similares ao terpolímero ABS, mas com maior resistência às intempéries, as resinas acrilonitrila-estireno-acrilato (ASA) e suas blendas concorrem, na opinião do executivo, como ótimas opções de matéria-prima para fabricação de autopeças exteriores com isenção de pintura, como carcaças de retrovisores ou grades frontais, entre outras.

Na substituição de almas metálicas de volantes, o vice-presidente indica o copolímero de policarbonato com siloxano. Ele aponta no produto excelente resistência ao impacto, processabilidade e facilidade na desmoldagem, sinônimos de menores ciclos de injeção em relação a outras resinas convencionais de policarbonato.

Outra aplicação com potencial de crescimento importante para o policarbonato nos automóveis se encontra na substituição de vidros. Tratase de linha especialmente desenhada para essa finalidade, que alia excelentes resistências ao impacto e aos riscos e à abrasão.

O longo cardápio ofertado por Knecht inclui também duas famílias de compostos. Uma baseada em polipropileno reforçado com fibras de vidro longas, com soluções de alta resistência mecânica para módulos frontais, módulos de porta e ainda retentores de painéis de instrumentos. A outra, de formulações especiais (linha LNP), entre as quais receitas que incorporam materiais lubrificados para aplicação em autopeças sujeitas ao atrito; ou de características antiestáticas, ideais para componentes do sistema de combustível.

Sem parar – A evolução da indústria automotiva abre constantemente novas portas, mas exige aprimoramento contínuo dos materiais, mesmo os plásticos de engenharia. Exemplo lembrado por Guert Ruecker, South America Automotive OEM Manager da Ticona, a maior agressividade dos biocombustíveis forçou o aperfeiçoamento do grade de poliacetal empregado em componentes do sistema para atender às novas necessidades da aplicação.

Plástico, Guert Ruecker, South America Automotive OEM Manager da Ticona
Guert Ruecker: itens de segurança hoje de metal são metas das resinas

A tendência nos novos modelos de veículos projetados pelas montadoras em optar pelos conceitos de módulos e integração de partes promete impulsionar os polímeros especiais, na opinião dele. “Peças grandes, estruturais, têm o esqueleto bem explorado em fibras longas”, exemplifica. A propósito, as fibras longas em composição com uma matriz polimérica conferem as resistências exigidas aos suportes de pedais. “Só o pedal do freio ainda é estampado com aço”, ressalta.

Ruecker admite que itens considerados de segurança, como encosto e assento, estão na mira da indústria do plástico, e lamenta que as estruturas atualmente exibidas em resinas de engenharia ainda se encontrem no campo do conceitual.

Oportunidade de curto prazo, ele vislumbra um conceito: o zero gap, sinônimo de ausência de folga entre a lataria e o para-choque, importado da Alemanha. Segundo explica, tratase de uma nova exigência de qualidade. Para atender a esse requisito, uma peça fixada entre a lata e o para-choque (bumper bracket), antes moldada com polipropileno, ganhou nova matéria-prima, o poliacetal, por sua elevada estabilidade dimensional, que elimina o problema.

Ele comemora também a homologação do polímero de cristal líquido para compor as molduras internas do farol, como substituto aos plásticos atualmente empregados, como poliamidas e PBT, sobre os quais sobressai em quesitos de resistência à temperatura, evitando embaçamento, provocado pela liberação de voláteis.

Ruecker ainda se anima com novo conceito proposto às montadoras denominado molded in color (moldado na cor), traduzido por ele como: injetou está pronto. Trata-se de moldar as peças com poliacetal ou PBT, resinas que permitem ser moldadas com o acabamento desejado e eliminam o processo de pintura. Segundo ele, a novidade começa a ganhar a confiança das montadoras e espaço em apliques, maçanetas e outras peças de acabamento.

Os polímeros de alto desempenho, caso da poliarilamida, também galgam seu espaço nas muitas oportunidades promovidas pelo setor automotivo. Sales Development Manager Automotive da Solvay, Mirelli Nose planeja conquistar espaço em aplicações em linhas e tanques de combustível para o grade Ixef BXT 2000, caracterizado por propriedades de baixa permeabilidade a fluidos automotivos e combustíveis, alta resistência química e mecânica e passível de ser processado por extrusão ou sopro. “O maior controle e as novas regulamentações para diminuição de emissões para o meio ambiente vêm trazendo muitas oportunidades para polímeros especiais”, atesta.

Ela também recorre à tendência de redução de peso dos carros e diminuição do tamanho dos motores para justificar a

Plástico, Felipe Medeiros, Sales Development Manager – Plumbing, Automotive and Chemical Processing da Solvay, Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Felipe Medeiros ainda vê muito espaço para os plásticos nos automóveis

aposta em materiais com maiores resistências mecânica e térmica, requisitos cumpridos por resinas como poliftalamida e poliarilamida. “Esses produtos vêm ganhando espaço nesse sentido”, relata, ressaltando que a boa estabilidade dimensional e a alta resistência fazem desses materiais ótima opção para substituição de metal e integração de componentes.

“Ainda existe muito espaço para substituição de metal por plástico nos veículos brasileiros. Materiais de engenharia e alto desempenho, desde que bem dimensionados, conseguem ter resistência mecânica tão alta quanto alguns materiais metálicos, como alumínio e magnésio”, diz Felipe Medeiros, Sales Development Manager – Plumbing, Automotive and Chemical Processing da Solvay. Só para exemplificar, peças como componentes de deslizamento (mancais integrais, selos dinâmicos, bronzinas e arruelas de encosto) representam um mercado importante para os polímeros de alto desempenho na Europa e nos Estados Unidos, mas ainda são pouco conhecidos no país.

Poliamidas – O bom e velho náilon mantém firme a disputa por novas brechas nos projetos automotivos, um dos seus mais apetitosos filões. A diversidade de opções é farta às montadoras, como a linha recentemente lançada de biopoliamidas da DSM. “Estamos desenvolvendo aplicações para o Ecopax, como a tampa do motor”, comenta Andrea Serturini, vice-presidente DEP Américas GM Latam.

Variedades da resina tipo 6 avançam por outros caminhos. Mais impermeável aos gases do combustível, o polímero responde pela condução do combustível ao tanque, moldando esse tubo (fuel lock). Desenvolvida pela DSM, na Europa e Estados Unidos, a aplicação garante segurança e menos impacto ambiental, de acordo com Serturini.

Para ele, a tendência dos carros elétricos desponta como boa oportunidade para os plásticos de engenharia. “Precisam ser leves e suas baterias idem”, ressalta. As várias poliamidas da empresa, que ainda inclui PA 4.6, candidatam-se a diversas vagas. Partes estruturais, como front ends e sustentação do motor elétrico, engrenagens, componentes de parte do motor e da transmissão, carcaças de baterias, entre outras, estão na mira do vice-presidente.

A propósito, a DSM assinou acordo com a Ravago-Entec, uma das maiores distribuidoras mundiais no ramo de plásticos, para distribuição no país de seus produtos, reproduzindo parceria mantida na Europa, Ásia, EUA e México. Com a parceria, a DSM planeja expandir sua atuação na América do Sul, com foco no Brasil, particularmente no campo dos produtos derivados de poliamida.

A empresa estima um consumo da ordem de 200 mil toneladas/ano dessas formulações, quase 60% concentrado no mercado brasileiro, onde pretende, em curto prazo, responder por 25% a 30%, apoiada pela capacidade logística e

Plástico, Rogério Colucci, gerente de marketing automotivo para a divisão de polímeros de performance, Plasticos Especiais - Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Rogério Colucci exalta nova tecnologia para polimerização do náilon

capilaridade da Ravago. Não à toa, seus projetos contemplam a construção de uma fábrica de compostos de PA no Brasil, prevista para entrar em operação até 2014 (ver PM nº 448, de fevereiro de 2012).

Os desenvolvimentos empreendidos nos laboratórios da Dupont América Latina endereçados ao setor automotivo, segundo Rogério Colucci, gerente de marketing automotivo para a divisão de polímeros de performance, privilegiam a substituição de partes metálicas com a manutenção das mesmas propriedades desses sistemas.

Com essa meta, Colucci aposta em uma nova tecnologia de polimerização do náilon, denominada Zytel Plus, desenvolvida recentemente e que resultou em um material com propriedades térmicas de trabalho constante em até 210 º C-220 º C, apto a incorporar sistemas até então limitados pelo quesito térmico ou custo de processo. “O desenvolvimento foi embasado nas megatendências da indústria automotiva por menos peso, redução de emissões e menor consumo”, aponta.

O ganho de peso por veículo previsto pelo gerente na substituição de peças metálicas pela resina chega a 11 kg. “Muitos projetos ficavam limitados pelo coeficiente térmico das poliamidas convencionais, em torno de 150 º C”, compara. Entre outras peças predispostas à mudança, ele cita: cárter, filtros de óleo, sistema de exaustão, válvulas termostáticas, tampa de motor e dutos de ar para o sistema turbo.
Outra aposta da empresa tem por foco os polímeros derivados de matérias-primas renováveis. Com base no processo de validação de uma peça, que inclui simulação das características de trabalho, em contato com parâmetros como temperatura, químicos, vibração, permeabilidade, contração, absorção de umidade, alongamento e retorno à posição original (memória), Colucci defende diferenças fundamentais e favoráveis aos biopolímeros, apesar das características similares das resinas convencionais. “Continuamente presenciamos casos em que os polímeros de fontes renováveis são superiores aos convencionais em várias características”, justifica e aposta na substituição, não somente por conta das características de sustentabilidade, mas pelas vantagens na aplicação final incrementadas pelas resinas de fonte bio.

Como exemplo, ele menciona o tanque de reservatório do radiador desenvolvido pela Denso, no Japão, com náilon 6.10, que demonstrou características superiores aos náilons convencionais de cadeia longa na exposição química e sob alta temperatura, e ainda garantiu um custo menor no projeto.

De olho no futuro próximo, Colucci aposta em projetos com motores menores, com maior rotação, sinônimo de maior demanda térmica interna, condições, na opinião dele, ideais, no desenvolvimento de novas peças plásticas, tanto para o Zytel Plus como para as resinas de fonte renovável. Sua confiança envolve também a capacidade brasileira de surpreender com alguns desenvolvimentos próprios. “O carro flex é um exemplo, e potenciais lançamentos de sistema de partida a frio, sem o tanque de gasolina, são uma grande inovação para o setor”, aponta.

Ele lembra que o leque de produtos destinados ao setor pela empresa está além dos mencionados e abrange uma ampla gama de polímeros termoplásticos e elastoméricos aptos a suportar faixas de temperaturas elevadas e que possibilitam a configuração de peças sopradas.

Poliamidas resistentes a altas temperaturas também norteiam as novidades da Radici. Luis Baruque, seu Sales Manager, apresenta ao setor linha de PA 6.6 resistente a altas temperaturas, até 210 º C em contínuo, com garantia de manutenção das propriedades mecânicas. O produto pretende substituir metais em aplicações em compartimentos de motor.

Escassez de resina – No final de março, uma explosão destruiu instalações da Evonik, na Alemanha, onde a empresa produzia ciclododecatrieno, matéria-prima da PA 12, uma especialidade também polimerizada pela empresa. Além da interrupção de sua própria produção de PA 12, o acidente na Evonik atrapalhou os negócios de outras fabricantes da resina dependentes de sua matéria-prima e provocou uma escassez dessa variedade de poliamida no mercado global, essencial na produção de tubos de freios e de combustíveis, entre outras aplicações.

O problema preocupa os fornecedores de autopeças moldadas com a resina. Em parceria com as principais montadoras globais, eles já procuram material alternativo à PA 12 para evitar uma interrupção forçada na fabricação de veículos.

A solução pode estar a caminho. Ao menos é o que propõe o gerente da Radici. Como a situação faz a ocasião, ele planeja aproveitar o aperto na oferta global de PA 12 e vê essa brecha oportuna para a sua PA 6.10 assumir algumas aplicações, como tubos de freios e tubos de combustíveis. Como explica, a 6.10 não é um contratipo da 12, mas possui algumas características similares.

A indústria automotiva conduz os principais desenvolvimentos empreendidos pela Rhodia, renomada fabricante de poliamidas, que também surge com novo material e candidato a suprir a falta da PA 12. A biopoliamida 6.10 carrega parte de sua matéria-prima derivada de óleo de mamona e compõe desenvolvimento recente em parceria com a fabricante de autopeças Dytech. O produto da Rhodia (denominado Technyl eXten) está sendo utilizado na confecção de tubulações para combustíveis, servofreio, embreagens e dutos de óleo para veículos leves e pesados. O bioplástico entra como alternativa à poliamida 6.12, de origem totalmente petroquímica, utilizada nessas aplicações.

O diretor Marcos Curti da Silva observa o surgimento de novas aplicações para as poliamidas em peças estruturais, com foco em grades com alto teor de reforço de fibra de vidro e com propriedades atreladas à produtividade. Os projetos em andamento com clientes brasileiros envolvem aplicações dessas poliamidas como substitutas de outros materiais, segundo ele ressalta, com vantagens.

Em parceria com a fabricante de autopeças Magneti Marelli, Curti projetou uma aplicação de poliamida reciclada para peças junto ao motor. Outros clientes da Rhodia ganharam maior produtividade no processo produtivo e eficiência energética com a indicação da tradicional poliamida Technyl na fabricação de peças de grande volume, como abraçadeiras. Peças como cárter de óleo, estrutura de bancos e sistemas de exaustão dos carros brasileiros estão na mira de Curti como próximos candidatos a acompanhar a tendência mundial e usufruir das benesses dos plásticos de alta performance.

Evento estratégico – Reconhecida no país por suas borrachas sintéticas e especialidades químicas, a Lanxess planeja ampliar sua participação também como fornecedora de plásticos de engenharia, formulações baseadas em poliamida e polibutileno tereftalato, com principal foco no setor automotivo, que representa globalmente mais de 50% desse seu negócio. Para tanto, a empresa promoveu, em maio, workshop direcionado a esse mercado e estrategicamente realizado em Contagem-MG, por conta da concentração de indústrias automotivas na região.

Além dos executivos da Lanxess, que discursaram a respeito dos benefícios da substituição do metal por plásticos de alto desempenho, também participaram do evento: Gerson Marinucci, da Comissão Nacional de Energia Nuclear do IPEN-CNEN/SP, que instigou os presentes para a tendência de os compósitos estruturais desbancarem o aço nos veículos, e Emerson Juni Diniz, da Magneti Marelli, que discorreu sobre tecnologia de iluminação.

“A substituição do aço pelo material foi puxada pela indústria de aeronaves, e os automóveis também vão impulsionar essa demanda daqui em diante”, declarou Marinucci, explicando se tratarem os compósitos estruturais de matrizes poliméricas reforçadas com fibras, especialmente de vidro, de carbono e aramida. Entre as principais vantagens, ele destacou: peso específico, elevada resistência mecânica específica, alto módulo específico, liberdade de formas, flexibilidade de projeto, elevada resistência à fadiga e estabilidade dimensional.

Plástico, Andreas M. Scheurell diretor-geral da América Latina para Semi-Crystalline Products Advanced Materials, ,
Andreas M. Scheurell: nova planta produzirá compostos de PA e de PBT no país

O diretor-geral da América Latina para Semi-Crystalline Products Advanced Materials, Andreas M. Scheurell, reforçou que a empresa é uma das principais fornecedoras mundiais de poliamidas e PBT e detalhou os planos de investir no país nessa área. Com partida prevista para o segundo semestre de 2013, a Lanxess produzirá compostos baseados nessas resinas em Porto Feliz-SP, onde já fabrica pigmentos inorgânicos à base de óxido de ferro.

Segundo informou, as instalações contarão com equipamentos de ponta, de tecnologia igual às de suas outras unidades congêneres e comportarão uma capacidade produtiva da ordem de 20 mil toneladas anuais, com maior participação (acima de 70%) no mix produtos de compostos de poliamida, resina mais demandada pelo mercado. Estimou, inicialmente, produção em torno de cem variedades, abrangendo composições de PA 6, PA 6.6 e copolímeros. “Dependerá da necessidade do mercado, mas pequenos volumes continuarão sendo importados.”

No entender do executivo, a atualização tecnológica pela qual passa a indústria automotiva, de redução de consumo de combustível (menos emissão de CO 2 ), mais itens de segurança, redução de custo e liberdade de design, pode se beneficiar das soluções propostas pela empresa: estruturas leves, com materiais capazes de cumprir requisitos de peças inseridas sob o capô. “O uso dos plásticos de alta tecnologia nos carros cresce da ordem de 7% ao ano”, estimou.

O gerente técnico da unidade de negócios HPM da Lanxess, Anderson Maróstica, acredita em uma demanda crescente de compostos de poliamida também nos carros compactos. Entre as possibilidades de inovação, ele mencionou pedais de

Plástico, Plasticos Especiais - Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Suporte de estepe moldado com PA reforçada pesa apenas 9 kg

embreagem e freio, este último um híbrido de alma metálica com poliamida, e destacou desenvolvimentos como filtros de combustível, já utilizados na Alemanha, e alojamento de air bag.

Para os filtros, a formulação sugerida (PA 6 reforçada com 30% de fibra de vidro e de carbono) pelo gerente sobressai pelas propriedades de dissipação elétrica e resistência à pressão. “Oferece o mesmo desempenho dos metais, com menor custo.” O material também pode ser uma alternativa à PA 12. Para desbancar o metal na peça em que o air bag fica alojado, o gerente aposta no desempenho de composto baseado em PA 6 com 40% de fibra de vidro e modificadores de impacto. “A aplicação já é vendida na Europa e está em testes no Brasil.”

Entre os diferenciais das poliamidas produzidas pela Lanxess, os executivos do evento salientaram a possibilidade de incorporar grandes quantidades de fibra, até 60%, graças à baixa viscosidade desses grades. Maróstica explicou que a formulação de PA 6 com essa quantidade de reforço mantém o mesmo índice de fluidez de uma PA 6 com 30% de fibra de vidro, com vantagens de maior resistência mecânica em peças de paredes mais finas, maior condutividade térmica, temperaturas de moldagem mais altas e ciclos mais curtos de produção. A tecnologia possibilita moldar uma peça de alojamento de estepe com apenas 9 kg.

Plástico, Anderson Maróstica, gerente técnico da unidade de negócios HPM da Lanxess, Plasticos Especiais - Montadoras movem novos desenvolvimentos na indústria de resina
Anderson Maróstica: briga para desbancar os metais em várias aplicações

“São especialidades, polímeros de alto fluxo, de alto módulo”, reforçou Robert Cunninghan, da área de desenvolvimento da Lanxess dos Estados Unidos. Apontadas, entre outras aplicações, como solução para módulo de óleo, ele destacou como principais benefícios a possibilidade de integração e reduções de peso e custo. No caso do cárter, defendeu a maior capacidade de resistência da resina ao óleo. “São soluções com integração de funções.” O desenvolvimento de cárter de óleo em PA já está na pauta de discussão com as montadoras nacionais.

Compostos de PA seriam soluções também para reduzir espessura de parede em front ends, que ainda poderiam se beneficiar de tecnologia híbrida (plástico/metal). “A escolha depende dos requisitos mecânicos; a peça precisa suportar todo o peso do capô”, explicou Maróstica.

Responsável pelo desenvolvimento de aplicações globais da unidade High Performance Materials, Martin Wanders apontou diversas vantagens para a tecnologia híbrida em relação ao metal: 10% a 50% de redução de peso nas peças, 10% a 40% menos custo, maior precisão e qualidade. Os benefícios podem se estender à barra de proteção de porta, suporte de coluna de direção e outras peças.

 

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Especialidade projetam crescimento de 5% ao ano

O desempenho de algumas resinas classificadas no topo da pirâmide foi alvo de estudo da Frost & Sullivan. A consultoria avaliou a demanda de poliéter-éter-cetona (PEEK), poliftalamida (PPA), sulfeto de polifenileno (PPS) e poliamida (PA) de alta temperatura no mercado brasileiro e detectou um volume total da ordem de 15 mil toneladas, no ano passado. Desmembrado em outra pesquisa, grupo que inclui ABS, poliamidas (PA), policarbonato (PC), poliacetal (POM), polibutileno tereftalato (PBT) e polimetilmetacrilato (PMMA), também aferido pela mesma consultoria, apontou consumo nacional em torno de 300 mil toneladas anuais.

Os dados, divulgados por Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria, ainda contemplam as blendas ABS/ PC e ABS/PA. A absorção delas pelo mercado brasileiro ficou entre 40 mil e 45 mil toneladas no ano passado.

A gerente prevê para os próximos cinco anos taxas de crescimento de 5% para os plásticos de engenharia. Para ela, a demanda de compostos tende a subir um pouco acima dessas expectativas. Só as formulações baseadas em poliamidas absorvidas pelo mercado equivaleram a quase 90 mil toneladas em 2011, indicam seus levantamentos.

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