Plásticos especiais – Demanda por resinas de alto desempenho cresce e prognósticos se mostram promissores

Descoberta acidental – Roy J. Plunkett era um pesquisador da DuPont encarregado de estudar freons. No final da década de 30, eles eram vistos como ótimas alternativas ao dióxido de enxofre e à amônia, que não raro envenenavam trabalhadores da indústria de alimentos. Após estocar gás tetrafluoretileno em cilindros sob baixas temperaturas para posteriores reações com cloro, Plunkett notou, ao tentar utilizar um deles, que o gás havia dado lugar a um pó branco. O ano era 1938, e Plunkett descobrira o politetrafluoretileno (PTFE), o primeiro fluorpolímero. Esse material é o mais comumente usado e tem o desempenho dos melhores na família, mas não é processável pelos métodos convencionais de fusão por aquecimento. No entanto, há várias alternativas termoplásticas. A Solvay Solexis, em uma de suas quatro unidades de negócio ligadas aos fluorpolímeros, comercializa quatro tipos básicos de resinas aptas a serem transformadas por todas as técnicas comuns de moldagem: o polifluoreto de vinilideno (PVDF) e o copolímero de etileno e clorotrifluoretileno (ECTFE), parcialmente fluorados; e os copolímeros de tetrafluoretileno com perfluoroalquilvinileter (MFA), ou com perfluoroalcoxivinileter (PFA), totalmente fluorados. Segundo as informações do gerente de conta Marcos Tristante, os materiais se caracterizam pelas altas resistências química, mecânica e térmica na faixa de -260ºC a 260ºC, e podem ser injetados ou extrudados facilmente em equipamentos convencionais (como os utilizados, por exemplo, para commodities como PVC e poliolefinas), sem necessidade de qualquer pré-secagem – os polímeros não absorvem umidade. Há ressalvas: nos tipos totalmente fluorados, recomenda-se a utilização de equipamentos com revestimento anticorrosivo, como os nitretados ou cromados. “São materiais que não requerem grande investimento, principalmente ante as características oferecidas”, destaca Tristante.

Dentre os fluorpolímeros vendidos pela Solvay Solexis no Brasil, assume a dianteira das vendas o PVDF, cuja principal aplicação é a produção das tubulações flexíveis (risers) encarregadas do transporte de petróleo cru do fundo do oceano para a plataforma de extração ou para as estações flutuantes. Esses tubos são compostos por uma estrutura multicamadas de aço e polímero e são projetados para ter longa vida útil, operando sob temperatura e pressão elevadas. O PVDF entra na camada de resistência à pressão, por estar qualificado a operar por 25 anos a 130ºC e 400 bar contínuos. Além disso, o polímero tem sido usado no país desde a década de 90 em válvulas de esfera, conexões e revestimentos de tanques e equipamentos para as indústrias química e petroquímica. As novas descobertas da Petrobras, que revelaram reservas em profundidades maiores e com diferentes tipos de óleo, demandam processos de extração sob temperatura e pressão mais elevados, fato que deverá favorecer a ampliação do consumo local de PVDF. O MFA e o PFA, na condição de materiais mais técnicos e com propriedades mais elevadas, também despertam boas perspectivas futuras, em virtude dessa demanda por desempenho crescente. Atualmente, eles são utilizados por aqui na produção de fios e cabos especiais e no revestimento de válvulas e bombas para a indústria química.

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