Plástico

Plásticos especiais – Demanda por resinas de alto desempenho cresce e prognósticos se mostram promissores

Marcio Azevedo
14 de abril de 2008
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    Ainda pouco utilizados no Brasil, os polímeros de alto desempenho surgiram entre os anos 50 e os anos 70, como resultado de um esforço para melhorar as propriedades dos plásticos de engenharia. Dotados, em sua maioria, de cadeias compostas de anéis aromáticos ligados a pelo menos uma estrutura não-parafínica, além de poucas ramificações, possuem elevada estabilidade da ordenação molecular. Essa característica aromática recorrente nos plásticos de uso especial lhes confere elevada resistência mecânica e térmica, grande inércia química, retardância à chama e alta estabilidade dimensional.

    Mas como são polímeros com propriedades muito elevadas, com processos de fabricação complexos, e preço alto, seu uso se manteve restrito a nichos de mercado, como o aeroespacial e o militar, na maior parte dos últimos trinta anos. É difícil encontrar algum desses termoplásticos cujo consumo mundial chegue a 10 mil t/ano.

    Plástico Moderno, José Carlos Belluco, gerente de negócio da Basf para plásticos de engenharia na América do Sul, Plásticos especiais - Demanda por resinas de alto desempenho cresce e prognósticos se mostram promissores

    Belluco nota desenvolvimento local de projetos automotivos

    No entanto, com o movimento de grandes indústrias para países emergentes e o acirramento da competição global, essa situação está se modificando. Não que esses produtos high tech estejam próximos de se popularizar e passarem a ser comercializados em larga escala, mas se percebe um crescimento, ou surgimento, de demanda por resinas de alto desempenho em mercados antes fora do mapa para esse tipo de material, como o brasileiro.

    Um dos fatores dessa mudança no país é a decisão de algumas montadoras de automóveis de utilizar o conhecimento local para o desenvolvimento de novos projetos, principalmente nos últimos três anos, que possam ser exportados para outras regiões. Anteriormente, novas aplicações automobilísticas em plásticos surgiam nos centros de pesquisa das matrizes (via de regra, localizados nos EUA ou na Europa) e as subsidiárias eram limitadas a “copiar” o que era feito e decidido no exterior. Só após essa transferência de tecnologia era possível surgir a demanda local, mas esse panorama começa a se alterar. “Algumas montadoras locais já estão trabalhando em projetos avançados e vendo com outros olhos as inovações e as possibilidades de novas aplicações”, afirma José Carlos Belluco, gerente de negócio da Basf para plásticos de engenharia na América do Sul.

    No Brasil, bem como nos outros países denominados BRICS (Rússia, Índia e China), surge grande espaço para nichos consumidores de polímeros de alto desempenho, na opinião de Edson Simielli, diretor de marketing para a América Latina da Sabic Innovative Plastics, antiga GE Plastics. “As indústrias estão investindo nesse tipo de mercado. Elas estão saindo de países desenvolvidos para investir nos emergentes, e a indústria local começa a absorver tecnologia e necessitar materiais com maior desempenho”, comprova Simielli. Somam-se a esse fator positivo os prognósticos de crescimento acima de 10% de importantes setores consumidores de plásticos avançados, como a própria indústria automobilística, mas também o segmento médico-hospitalar, o eletroeletrônico e o de petróleo e gás.

    Embora o país esteja se tornando plataforma de exportação para a América Latina e até para a Europa em alguns desses setores, é o mercado interno o grande responsável por alavancar a expansão industrial, por isso a necessidade de inovação tecnológica, parâmetros superiores de qualidade e redução de custos é grande por aqui. O fato chamou a atenção até de um especialista alemão da Ticona em visita ao Brasil. “A empresa ficou satisfeita com a grande receptividade do Brasil para inovações”, relata Simone Orosco, gerente de marketing técnico da unidade brasileira da Ticona.

    Quem são eles – Se enquadram na denominação de plásticos de alto desempenho os materiais que ocupam o topo da pirâmide dos plásticos, onde figura lista longa de compostos, com destaque para a polibenzimidazila, as policetonas (poliéter-cetona e poliéter-éter-cetona), as imidas (poliimida, poliamida-imida e polieterimida), as sulfonas (polissulfona, polieterssulfona e polifenilssulfona), as poliamidas aromáticas, os poliarilatos, os polímeros fluorados (politetrafluoretileno, policlorotrifluoretileno, polifluoreto de vinilideno, copolímero de etileno e clorotrifluoretileno e copolímero de etileno e tetrafluoretileno), além dos polímeros de cristal líquido e o polissulfeto de fenileno.

    Plástico Moderno, Plásticos especiais - Demanda por resinas de alto desempenho cresce e prognósticos se mostram promissores

    Exatamente na ponta da pirâmide, ocupando o posto mais alto, está a polibenzimidazila (PBI). O material, desenvolvido em 1961 por H. Vogel e C. S. Marvel, despertou a atenção da NASA (a agência espacial norte-americana) e do laboratório de materiais da força aérea como fibra têxtil para aplicações aeroespaciais e em defesa, graças à sua estabilidade térmica e ao fato de ser não-inflamável. A então Hoechst Celanese criou os processos de polimerização industrial e de produção de filamentos. Em 1967, um incêndio em uma das naves Apollo causou a morte de três espaçonautas e precipitou a adoção do material pela força aérea dos Estados Unidos em 1969. Ele foi utilizado em diversas aplicações do programa espacial norte-americano, incluindo trajes de vôo, cinturões, correias e cordas. A disponibilidade comercial só ocorreu em 1983. Atualmente, ele é produzido exclusivamente pela PBI Performance Products, criada para adquirir o negócio da Celanese. A empresa fabrica grades de material virgem que podem ser utilizados na produção de semi-acabados para posterior usinagem, ou moldados, mas o último processo, uma formagem por compressão com altas temperatura e pressão, é patenteado.



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