Plásticos Especiais – com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios

Sua colega Mônica Martins, Account Manager – Packaging, Healthcare and Membranes, acredita no potencial das resinas especiais particularmente na produção de membranas para tratamento de água. “A excelente resistência química das polissulfonas e do polivinilideno fluorado combinada à estabilidade hidrolítica e à capacidade para operar em uma ampla faixa de pH tornam estes polímeros adequados para as novas tecnologias de membranas utilizadas na purificação de água, tratamento industrial, tratamento de resíduos e processamento de alimentos”, argumenta.

Por falar em processamento de alimentos, esse é um nicho no qual Marcelo Delvaux, da Ticona, aposta alto no poliacetal como substituto do aço inox em componentes de máquinas, tais como roscas sem fim, correias de transporte, perfis antidesgaste ou de deslizamento, estrelas de transporte e outros. “Percebemos o avanço do material por conta do aumento na demanda de semiacabados”, informa.

Para o gerente, o setor de mineração e siderurgia também pode usufruir mais dos benefícios dos plásticos especiais, particularmente na redução de peso e de consumo de energia. Delvaux atribui às resinas a possibilidade de aumentar o tempo de intervalo entre as manutenções das máquinas. “Uma matriz polimérica com fibras longas substitui o aço com vantagens no separador de minerais”, exemplifica.

O polietileno de ultra-alto peso molecular (PEUAPM), por sua propriedade altamente autolubrificante (sinônimo de antiabrasivo), constitui opção para revestir sistemas de transporte de minérios (calhas, silos, chutes). “A resina evita aderência e abrasão, protegendo o aço contra desgaste”, explica. O polímero também é apropriado para componentes de sistemas de transporte de outros produtos a granel.

As energias alternativas e o armazenamento de energia direcionam outros desenvolvimentos da Solvay, sob expectativas auspiciosas de Alexandre Guimarães, que considera promissores no país variados usos para os polímeros de alto desempenho, seguindo roteiro já traçado no exterior. “Há, no mundo, diversas aplicações de nossos materiais em painéis fotovoltaicos, especialmente nos filmes utilizados para encapsulamento das células, mas quase nenhuma produção local desses equipamentos”, justifica o seu entusiasmo.

Só agora a energia eólica começa a ganhar terreno no país, daí Guimarães entrever um enorme potencial de mercado a ser desbravado. E ele exemplifica uma aplicação promissora: filmes de polímeros fluorados, como o PVDF, protegem contra a corrosão e reduzem o coeficiente de atrito nas pás de turbinas eólicas.

Metal na mira – Responsável na Ticona pelos negócios de consumo, Simone prospecta oportunidades para os plásticos de engenharia em vários segmentos de mercado. A linha branca, particularmente, o maior subsegmento dentro de sua área de atuação, representa para ela um ótimo alvo. Entre as possibilidades, a gerente sugere substituir os metais em componentes estruturais/ funcionais e peças nas quais os plásticos cumprem os requisitos dos metais e ainda dispensam a pintura.

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Alexandre Guimarães: aplicações voltadas à energia são muito promissoras

Por conta da eliminação de retrabalhos, tratamentos superficiais e manutenção, associada a outras propriedades, as vantagens dos polímeros se estendem como opção vantajosa ao metal em muitas aplicações. Mecanismos internos de torneiras e válvulas, por exemplo, são bons candidatos para o poliacetal ou o sulfeto de polifenileno. “São garantia de não vazamento”, promete Simone, resguardada pela elevada estabilidade dimensional e resistência à abrasão e química (leia-se ao cloro) da resina.

Mais exemplos? Bicas e manípulos de torneiras e válvulas injetadas na cor, de acetal ou PBT, ganham em produtividade, graças, diz Simone, à eliminação da etapa de pintura e de refugos, e ainda há redução no custo de processo. Grelhas de piso (banheiro, quintal etc) também poderiam usufruir de idênticas vantagens, além de eliminar problemas de corrosão.

Satisfeita com o sucesso de uma cadeira do designer Guto Índio da Costa, que encontrou no compósito de polipropileno reforçado com fibras longas o material ideal para seu projeto, Simone explora novas oportunidades no segmento de móveis. O produto faz parte da linha Celstran, focada em formulações que privilegiam as fibras longas (de vidro, aço, carbono ou aramida), inseridas nas mais variadas matrizes poliméricas. A intenção de Simone é promover o composto na fabricação de cadeiras e carteiras escolares.

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