Plásticos Especiais – com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios

As montadoras de veículos norteiam os principais desenvolvimentos em plásticos de engenharia e resinas de alto desempenho em todo o mundo. Fato consumado, os veículos carregam bom volume desses polímeros em seu peso e tudo aponta para que essa participação aumente ainda mais, para atender aos requisitos atrelados ao binômio leveza/performance, tradução para menor impacto ambiental, com benefício extra de maior liberdade de design. As novas formulações tanto de polímeros de engenharia como de alto desempenho denotam grande preocupação em cumprir requisitos cada vez mais críticos da indústria automotiva, principal reduto dessas categorias de resinas; porém, como um bom investidor nunca coloca todos os ovos em uma só cesta, assim os fabricantes dessas especialidades divisam outras aplicações nobres, com interesses em mercados férteis para o avanço desses materiais, como a exploração do présal, setor de óleo e gás e médico/hospitalar, entre outros.

Ovos de ouro – O descobrimento das riquezas do pré-sal não poderia ser mais oportuno e descortinador de uma oportunidade ímpar para os polímeros de engenharia e os de alta performance. Privilegiados com propriedades como alta resistência à corrosão e ao impacto, essas resinas e seus compostos podem assegurar o cumprimento de requisitos análogos aos conferidos pelos metais, com a vantagem da leveza.

A “A exploração do pré-sal oferece aos compostos de plásticos de engenharia e aos de alta performance uma importante oportunidade de crescimento, por conta de requisitos como resistência à corrosão, à pressão e ao impacto, entre outros”, opina Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria Frost & Sullivan. Essas propriedades aliadas à leveza do termoplástico em relação ao metal oferecem benefício particular na composição de equipamentos para uso em águas profundas, pelo agigantamento do porte.

A gerente sugere aos fabricantes de resinas um olhar cuidadoso à circunstância conveniente para novos negócios, propiciada por esse mercado emergente. Para ela, há boas chances de o poliacetal (POM) e os compostos de poliamida conquistarem espaço na fabricação de peças técnicas endereçadas ao segmento de óleo e gás, assim como peças aplicadas no processo de exploração reservam bons negócios para as poliftalamidas (PPA), sulfeto de polifenileno (PPS), polissulfonas (PSU), entre outros polímeros de alto desempenho.

Vários fabricantes atentos já se mostram dispostos a mergulhar em águas profundas. Expectativas de suprir em novos projetos parte da demanda gerada pelo pré-sal empolgam Marcelo Delvaux, Industrial Business Unit Manager da Ticona. Ele estima que a exploração dessas riquezas deva demandar mais de 30 mil quilômetros de tubulações flexíveis para a área de offshore nos próximos 15 anos.

Plástico, Alessandra Lancellotti, Research Team Leader Latin America da consultoria Frost & Sullivan, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios
Alessandra Lancellotti: divisa no pré-sal uma boa oportunidade de crescimento

O gerente fundamenta seu entusiasmo no fato de os materiais de barreira química aplicados atualmente nas tubulações não cumprirem os requisitos para a aplicação na exploração do pré-sal, de ambiente altamente agressivo, caracterizado por alta pressão (acima de 600 bar), problemas de permeabilidade, de compatibilidade química e de temperaturas muito elevadas. Questões que polímeros de alto desempenho, como o sulfeto de polifenileno, podem solucionar.

A propósito, o material está sendo avaliado para uso conjunto com aço inox nas tubulações. Aprovado, o PPS entraria como barreira química, para atuação conjunta com o aço, responsável pela resistência mecânica (impede que a tubulação colapse). “O polímero tem grandes possibilidades de ser aprovado, pois evita que tanto o gás quanto o óleo permeiem a tubulação”, explica Delvaux.

Ele convida o setor de óleo e gás a beneficiar-se com outro desenvolvimento para uso em cabos. Sua intenção é substituir o aço por um composto com fibra de carbono longa contínua (um semiacabado). “A proposta de valor consiste na redução brutal de peso, além da não corrosão”, argumenta.

Outra proposta parte da DSM Engineering Plastics e também visa a substituir o aço nos cabos por material mais leve, uma superfibra, produzida com polietileno de alta densidade e ultra-alto peso molecular, negócio dentro da empresa que carrega a marca do produto (Dyneema).

Os projetos de Carlos Leão Leutewiler, Senior Account Manager da DSM Dyneema, contemplam o uso do material em

Plástico, Marcelo Delvaux, Industrial Business Unit Manager da Ticona, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios
Marcelo Delvaux: ressalta a excelente barreira química dos produtos

cabos de ancoragem para plataformas. Além de todas as vantagens mecânicas e químicas, o produto prima pela leveza – flutua na água –, vantagem nada desprezível em comparação aos cabos metálicos. O produto já ocupa espaço nos mercados de cabos de ancoragem, cabos rebocadores, entre outras aplicações.

O principal atrativo do produto fica por conta da resistência 15 vezes superior à do aço de alta qualidade. O fabricante ainda assegura resistência 40% maior em relação às fibras aramidas, quando comparados peso a peso. Outras características que favorecem o material na indústria petroleira e de gás são a elevada durabilidade, resistência à umidade, à radiação ultravioleta e ainda a produtos químicos.

A DSM fabrica e comercializa fios e lâminas com o polímero, também produzido por ela apenas para consumo cativo. Essas fibras ganham formatos de cordas, cabos, redes e lâminas ou placas, para as mais diversas aplicações, entre as quais offshore.

Produtora global renomada de polímeros de alta performance, a Solvay começa a ganhar terreno com esse negócio no país. “As condições de temperatura, pressão e agressividade química do ambiente de produção para o pré-sal são mais severas que as do processo atual”, infere Felipe Medeiros, Sales Development Manager – Plumbing, Automotive and Chemical Processing, vislumbrando aplicações para a ampla lista de polímeros nobres ofertada pela fabricante.

Ele exemplifica que mangueiras e sistemas de comunicação entre dispositivos de produção para o pré-sal requerem materiais que assegurem inércia química e barreira contra a permeação de fluidos, além de resistir a temperaturas elevadas de serviço e tensão de trabalho. “A pressão hidráulica mais elevada das linhas pede sistemas mais eficientes de vedação”, elucida. Questões que podem ser solucionadas com os ultrapolímeros. “Fornecem a resistência termoquímica necessária associada à resistência à abrasão para arruelas de backup e sedes de válvula para até 240 º C”, assevera.

As poliamidas da Rhodia (desde o ano passado incorporada à Solvay) buscam igualmente um lugar ao sol entre as plataformas de exploração do pré-sal, óleo e gás. O diretor Marcus Curti da Silva anuncia o lançamento do projeto denominado Opendea com foco na prospecção de novas aplicações nesses segmentos. “Temos uma recente conquista, porém não posso adiantar detalhes, mas a nossa área de P&D e as áreas de P&D da Solvay estão alinhadas nesse projeto”, relata.

Menos reticente, a italiana Radici admite projetos em desenvolvimento na sua linha de PA 6.10, material considerado por seu Sales Manager, Luis Baruque, de menor impacto ambiental e ideal para aplicações que requerem maior estabilidade dimensional, excelente resistência química, entre as quais revestimentos de tubos.

Eletroeletrônicos – O mercado não é novo, mas os plásticos de engenharia exibem fôlego para avançar nesse espaço com novas aplicações e se beneficiar do aumento de demanda do setor. Estudos da Frost & Sullivan apontam que essas resinas estão entrando com maior força nos eletroeletrônicos e componentes para computador, com tendência particular para puxar o consumo do terpolímero acrilonitrila-butadieno-estireno (ABS) e de sua blenda com policarbonato (ABS/PC). E a produção no país de tablets promete chegar como nova mola propulsora para as resinas de engenharia.

Depois de elevar os negócios nos eletrodomésticos, em especial os de linha branca, a melhora no padrão de vida e a ascensão de classe agora impulsionam o mercado de computadores. “O período de uso está encurtando e gerando aumento na demanda”, observa Alessandra, que aponta oportunidade de crescimento das resinas especiais na produção de componentes para computadores, mas atenta para outra necessidade, consequência dessa expansão, mas sinônimo de uma oportunidade de mercado: a reciclagem de plásticos de engenharia, afinal, os produtos descartados provocam um passivo ambiental que exige uma destinação adequada. Segundo ela, o índice per capita/ano de lixo eletrônico gerado no país atinge cinco quilos.

Ricardo Knecht, Diretor-presidente da unidade de negócios Innovative Plastics da Sabic na América do Sul,
Ricardo Knecht: aposta na ampliação de consumo dos eletroeletrônicos

Diretor-presidente da unidade de negócios Innovative Plastics da Sabic na América do Sul, Ricardo Knecht comemora o bom momento vivenciado no comércio de eletrônicos no país e endossa o ponto de vista de Alessandra nas razões para esse impulso. O aumento do poder de compra da população, além de contribuir para a aquisição de mais produtos, também estimula a procura por inovações e melhor qualidade – sinal verde para as resinas especiais, com desempenho diferenciado em propriedades, processamento e estética.

Por conta dessas expectativas, a empresa está trazendo para o mercado brasileiro algumas novidades, a maioria policarbonatos, entre os quais o copolímero CFR de alta transparência e resistência à chama, com classificação V0 para espessuras de parede inferiores a 1,0 mm e 5VA para espessuras de 3,0 mm. O diretor ressalta a ausência de aditivos bromados, clorados e de fosfatos, apontando-o como uma solução sustentável em produtos retardantes à chama, em conformidade com os principais protocolos ambientais, tais como a Restrição de Substâncias Perigosas (Restriction of Hazardous Substances – RoHS) e TCO99 Internacionais.

As solicitações para elevar a temperatura de funcionamento contínuo dos sistemas de iluminação por LEDs, a fim de obter maior eficiência do sistema, embasam o otimismo de Knecht para deslanchar novos grades de policarbonato da linha Lux: três transparentes e outros três para bulbos de lâmpadas e tubos de LED. De acordo com ele, as resinas Lux 2110T, 2010T e 2910T utilizam nova tecnologia que proporciona cores similares aos padrões tradicionais, com vantagem de maior estabilidade de cor e transmissão de luz, mesmo durante o processo de envelhecimento térmico. Ele ainda ressalta a retenção de mais de 98% de transmissão de luz inicial, até sob temperatura de 130ºC por mais de 5 mil horas. “Em exposição a faixas de calor mais típicas, entre 90ºC e 110ºC, a retenção de transmissão é ainda maior.”

O diretor-presidente ressalta que esses produtos proporcionam transmissão de luz aprimorada após envelhecimento térmico para baixos comprimentos de onda, típicos dos sistemas de iluminação por LED. Além disso, atendem à norma UL 94 com classificação V-2 para 0,8 mm de espessura de parede, e índice de inflamabilidade (glow wire flammability índex – GWFI) de 850ºC para um mm (de acordo com a norma 60695-2-12, da International Electrotechnical Commission – IEC).

De olho na tendência de miniaturização dos dispositivos eletrônicos, Knecht destaca o policarbonato copolímero da família HFD. Ele atribui ao material elevada fluidez, sem perda de tenacidade, e ressalta benefícios como maior flexibilidade de design, elevado desempenho termomecânico e ótimo acabamento superficial, mesmo nas peças de paredes mais finas. Em tempos de maiores cuidados ambientais, outro ponto relevante do produto fica por conta do uso de aditivos naturais.

O copolímero de policarbonato com siloxano, da série EXL, também atende às exigências impostas pela miniaturização. O diretor imputa ao polímero excelente desempenho mecânico, especialmente a resistência ao impacto sob baixas temperaturas e a facilidade na desmoldagem, sinônimo de menores tempos de ciclo de injeção. Por oferecer boa processabilidade, Knecht assegura à fabricação de peças com o copolímero geometrias mais complexas e de dimensões reduzidas, com o mesmo desempenho mecânico.

A cesta de produtos da Sabic endereçada ao setor eletroeletrônico ainda inclui a resina ABS e sua blenda com policarbonato. O diretor da empresa indica o grade MG8000SR do terpolímero, desenhado para propiciar alto brilho e elevada resistência ao risco, para aplicações como peças para computadores, eletrônicos e eletrodomésticos. Da família de blendas, Knecht chama a atenção para os grades da família CX, elaborados com a tecnologia do copolímero de siloxano aliada à elevada resistência à chama, com isenção de bromo ou cloro, e de acordo com a norma UL 94, classificação V0 para 0,75 mm de espessura. “Possui excelente equilíbrio entre fluxo e desempenho mecânico, permitindo a injeção de peças com paredes finas em diversas cores”, atenta o diretor.

Menor e melhor – Algumas aplicações também favorecem os polímeros de alto desempenho, como a poliarilamida (PARA), encontrada em chassis de celulares e smartphones, conquista obtida por propriedades como acabamento superficial, alta fluidez, resistência mecânica e coloribilidade. Com a tendência de miniaturização, a Solvay concentrou esforços para ampliar a resistência ao impacto do polímero sem alterar suas outras características, façanha obtida em grades de poliarilamida modificada (marca Kalix). Alexandre M. Guimarães, Commercial Manager South America – Specialty Polymers, indica essas variedades da resina para moldar peças com paredes muito finas e com exigências de grande precisão. “O que é fundamental quando se busca embutir cada vez mais tecnologia num espaço sempre reduzido”, comenta.

A previsão de expansão, com anúncio de novas fábricas no país para tablets e jogos eletrônicos anima a gerente de unidade de negócios para as áreas médica e de consumo da Ticona, Simone Orosco, que sugere para o setor o polímero de cristal líquido, apontado por sua propriedade antichama inerente e ainda por apresentar estabilidade dimensional e rigidez e resistência mecânica elevadas em espessuras de paredes muito finas.

Por conta de propriedades como flexibilidade intrínseca de elevada durabilidade, o poliuretano termoplástico (TPU) é considerado uma especialidade pela DSM, que oferece à indústria de eletroeletrônicos a resina tradicional e também uma opção derivada de fonte renovável. “São produtos aditivados, com formulações específicas que conferem classificação V0, manutenção da cor e propriedades mecânicas, entre outras”, elogia Andrea Serturini, vice-presidente DEP Américas GM Latam.

As poliamidas também disputam maior espaço nos eletroeletrônicos, motivação das novas formulações antichama, em acordo com as normas WEEE, RoHS e UL, isentas de halogênios e fósforo, desenvolvidas pela Radici. Segundo informa Baruque, a maioria de PA 6.6.

Outras criações da empresa envolvem produtos verdes, compostos de resíduos têxteis e carregados com cargas naturais, tais como cinza da casca de arroz. São produtos passíveis de uso em vários segmentos, entre os quais Baruque menciona o de eletrodomésticos e o automotivo. O gerente revela novo projeto ainda para este ano: fabricar compostos de PBT no país; e destaca outro já em andamento de PA 6.10. Os planos ainda contemplam investimentos na fábrica e em equipamentos.

Os holofotes nos produtos sustentáveis também atraem a Rhodia. As apostas da empresa envolvem biopoliamida com 62% de matéria-prima derivada de fonte renovável (óleo de mamona) e ainda uma linha que combina poliamida e PET reciclado, material caracterizado por Curti como de excelente desempenho e que embute como proposta atender à demanda de uma gestão mais estruturada dos materiais revalorizados disponíveis no mercado. A propósito, a instalação de uma nova unidade de compostos na fábrica da Rhodia, em São Bernardo do Campo-SP, propiciará em curto prazo ampliação de 15% na sua capacidade produtiva.

 

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Negócios de resinas de poliamida da Mazzaferro agora são Basf

Os negócios de polímeros de poliamida do grupo Mazzaferro, tradicional fabricante brasileiro da resina, agora pertencem à Basf. A empresa alemã anunciou a aquisição no início de maio, como estratégia para fortalecer a sua posição no mercado de resinas de engenharia na América do Sul, com especial atenção para o mercado brasileiro, sobre o qual há expectativas de forte alta na demanda por poliamida, na indústria automotiva e no segmento de extrusão.

A negociação, cujos detalhes financeiros não foram divulgados por acordo entre as partes, inclui uma unidade administrativa e fábrica com capacidade de polimerização da ordem de 20 mil toneladas anuais de PA 6, além de compostos de engenharia, em São Bernardo do Campo-SP.

O negócio adquirido soma-se ao portfólio já existente da Basf, produtora de PBT, POM, PSU, PESU, PPSU e compostos de PA. Esses produtos atendem diversas aplicações, em especial as elétricas e as automotivas. Outro negócio da empresa se refere a poliamidas para extrusão, com os polímeros PA 6, PA 6.6 e PA 6/6.6, destinados a mercados como embalagem, pesca e revestimentos para fios e cabos.

A Basf ressalva que outras atividades do grupo Mazzaferro (monofilamentos, equipamentos para pesca e utilidades domésticas) não fazem parte da transação, que ainda está sujeita à aprovação das autoridades brasileiras.

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Bastidores dos megaeventos– A Copa Mundial de Futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016 prenunciam bons dividendos para os plásticos especiais. Por conta desses acontecimentos, as resinas de engenharia divisam novas oportunidades na construção civil. Exigências desse setor por soluções inseridas no conceito de sustentabilidade e que atendam a requisitos mais rigorosos de segurança, como classificação V0 para propriedades antichama, alta resistência mecânica, à cor e à intempérie, aliadas à leveza e à facilidade de aplicação norteiam o desenvolvimento de novas aplicações e são a aposta do vice-presidente da DSM em bons negócios. “A indústria de construção civil hoje exige produtos com características mecânicas mais elevadas, maior durabilidade, resistência ao impacto, ao calor, à radiação ultravioleta e estabilidade dimensional”, infere Serturini.

Plástico, Andrea Serturini, vice-presidente DEP Américas GM Latam, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios
Andrea Serturini pretende negociar mais as resinas ecoamigáveis

Faz parte dos projetos dele o desenvolvimento de assentos para estádios, para os quais propõe duas linhas de poliamidas: uma de resinas convencionais, particularmente PA 6, e outra com forte apelo sustentável, de PA 4.10, denominada Ecopax, baseada 70% em matéria-prima obtida de óleo de mamona. Serturini salienta no produto verde características superiores de resistência ao impacto, ao calor e maior estabilidade dimensional. Além da construção civil, ele aposta na biopoliamida como matéria-prima para componentes da indústria eletrônica, tais como conectores e partes internas de celulares, entre outros. “A estratégia base da DSM é focar negócios em produtos sustentáveis”, atenta o vicepresidente.

Novas fronteiras – Longe dos holofotes dos estádios e com menos alarde, os plásticos especiais também cativam outras aplicações, como as cultivadas pela Solvay em linhas de água quente/fria em polietileno reticulado (PEX) com conexões de engate rápido em polissulfona (PSU) ou polifenilsulfona (PPSU). O maior ganho com os polímeros, na opinião de Felipe Medeiros, fica por conta do grande ganho no prazo de entrega para instalações prediais, aspecto interessante para construtoras de edifícios e condomínios horizontais. “A substituição metal-polímero pode, por exemplo, atingir válvulas e medidores, com as vantagens produtivas habituais, além da estabilidade dos preços desses polímeros, quando comparada à variação quase semanal dos metais”, compara.

Sua colega Mônica Martins, Account Manager – Packaging, Healthcare and Membranes, acredita no potencial das resinas especiais particularmente na produção de membranas para tratamento de água. “A excelente resistência química das polissulfonas e do polivinilideno fluorado combinada à estabilidade hidrolítica e à capacidade para operar em uma ampla faixa de pH tornam estes polímeros adequados para as novas tecnologias de membranas utilizadas na purificação de água, tratamento industrial, tratamento de resíduos e processamento de alimentos”, argumenta.

Por falar em processamento de alimentos, esse é um nicho no qual Marcelo Delvaux, da Ticona, aposta alto no poliacetal como substituto do aço inox em componentes de máquinas, tais como roscas sem fim, correias de transporte, perfis antidesgaste ou de deslizamento, estrelas de transporte e outros. “Percebemos o avanço do material por conta do aumento na demanda de semiacabados”, informa.

Para o gerente, o setor de mineração e siderurgia também pode usufruir mais dos benefícios dos plásticos especiais, particularmente na redução de peso e de consumo de energia. Delvaux atribui às resinas a possibilidade de aumentar o tempo de intervalo entre as manutenções das máquinas. “Uma matriz polimérica com fibras longas substitui o aço com vantagens no separador de minerais”, exemplifica.

O polietileno de ultra-alto peso molecular (PEUAPM), por sua propriedade altamente autolubrificante (sinônimo de antiabrasivo), constitui opção para revestir sistemas de transporte de minérios (calhas, silos, chutes). “A resina evita aderência e abrasão, protegendo o aço contra desgaste”, explica. O polímero também é apropriado para componentes de sistemas de transporte de outros produtos a granel.

As energias alternativas e o armazenamento de energia direcionam outros desenvolvimentos da Solvay, sob expectativas auspiciosas de Alexandre Guimarães, que considera promissores no país variados usos para os polímeros de alto desempenho, seguindo roteiro já traçado no exterior. “Há, no mundo, diversas aplicações de nossos materiais em painéis fotovoltaicos, especialmente nos filmes utilizados para encapsulamento das células, mas quase nenhuma produção local desses equipamentos”, justifica o seu entusiasmo.

Só agora a energia eólica começa a ganhar terreno no país, daí Guimarães entrever um enorme potencial de mercado a ser desbravado. E ele exemplifica uma aplicação promissora: filmes de polímeros fluorados, como o PVDF, protegem contra a corrosão e reduzem o coeficiente de atrito nas pás de turbinas eólicas.

Metal na mira – Responsável na Ticona pelos negócios de consumo, Simone prospecta oportunidades para os plásticos de engenharia em vários segmentos de mercado. A linha branca, particularmente, o maior subsegmento dentro de sua área de atuação, representa para ela um ótimo alvo. Entre as possibilidades, a gerente sugere substituir os metais em componentes estruturais/ funcionais e peças nas quais os plásticos cumprem os requisitos dos metais e ainda dispensam a pintura.

Plástico, Alexandre Guimarães, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios
Alexandre Guimarães: aplicações voltadas à energia são muito promissoras

Por conta da eliminação de retrabalhos, tratamentos superficiais e manutenção, associada a outras propriedades, as vantagens dos polímeros se estendem como opção vantajosa ao metal em muitas aplicações. Mecanismos internos de torneiras e válvulas, por exemplo, são bons candidatos para o poliacetal ou o sulfeto de polifenileno. “São garantia de não vazamento”, promete Simone, resguardada pela elevada estabilidade dimensional e resistência à abrasão e química (leia-se ao cloro) da resina.

Mais exemplos? Bicas e manípulos de torneiras e válvulas injetadas na cor, de acetal ou PBT, ganham em produtividade, graças, diz Simone, à eliminação da etapa de pintura e de refugos, e ainda há redução no custo de processo. Grelhas de piso (banheiro, quintal etc) também poderiam usufruir de idênticas vantagens, além de eliminar problemas de corrosão.

Satisfeita com o sucesso de uma cadeira do designer Guto Índio da Costa, que encontrou no compósito de polipropileno reforçado com fibras longas o material ideal para seu projeto, Simone explora novas oportunidades no segmento de móveis. O produto faz parte da linha Celstran, focada em formulações que privilegiam as fibras longas (de vidro, aço, carbono ou aramida), inseridas nas mais variadas matrizes poliméricas. A intenção de Simone é promover o composto na fabricação de cadeiras e carteiras escolares.

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 Potencial promissor atrai os distribuidores

Bom termômetro de avaliação do desempenho dos plásticos de engenharia na transformação brasileira, a distribuição vem apostando alto nesse segmento. Prova disso, no ano passado, durante a exposição da Brasilplast, diversos distribuidores anunciaram a incorporação dessas especialidades em seus portfólios. E tamanha animação tem motivo..

 

 

De acordo com informações da Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas e Bobinas Plásticas de BOPP e BOPET (Adirplast), a participação dos plásticos de engenharia dentro do mercado distribuidor de resinas termoplásticas quase duplicou de um ano para outro: saltou de 6,3% (de um total de 509 mil toneladas) em 2010, para 11,2% (sobre 505 mil toneladas) em 2011.

Presidente da Adirplast, Laércio Gonçalves credita o avanço a novas oportunidades de aplicação para produtos de melhor desempenho por conta de um mercado mais ávido por produtos com características diferenciadas de aparência, durabilidade e atributos relacionados à funcionalidade, panorama que impulsiona o uso de matérias-primas mais sofisticadas em todas as cadeias produtivas. “Com o plástico não é diferente”, atesta, exemplificando: “O mercado de eletrônicos, como o de smartphones ou computadores cada vez mais portáteis, exige plásticos ultrarresistentes e leves, com aspecto capaz de agregar mais beleza aos equipamentos; o mesmo acontece no setor automotivo, no qual o plástico tem sido cada vez mais incorporado, até mesmo com características ecológicas.”

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Barreira à radiação – Além de reduzir a dimensão e oferecer maior leveza, os plásticos de engenharia constituem barreira às ondas (como raio X) e abrem novos horizontes na produção de componentes de equipamentos usados nas áreas médico/hospitalares. “São soluções para substituir o metal”, aponta Andrea Serturini, exemplificando que guias e colunas de sustentação das mesas de equipamentos de tomografia (ressalte-se que essas máquinas são produzidas com PA 4.6 da DSM.

Simone Orosco conquistou para o poliacetal da Ticona utilização prática recente no país: canetas para aplicação de

Plástico, Mônica Martins, Account Manager – Packaging, Healthcare and Membranes, Plásticos Especiais - com forte dependência das montadoras, o setor prospecta novos espaços para expandir negócios
Mônica Martins aponta vantagens para os plásticos em peças na área médica

insulina. E com o aumento do número de empresas produtoras de equipamentos médico-hospitalares no país, sobe, na opinião dela, o potencial para a substituição de metal pelos polímeros em aplicações consolidadas na Europa e ainda não desenvolvidas no Brasil e nos países da América do Sul, como peças de máquinas para filtragem de sangue, de radiologia e odontológicas, entre outras. “Alguns componentes desses equipamentos são produzidos no exterior com poliacetal, sulfeto de polifenileno, polibutileno tereftalato e outros polímeros”, menciona a gerente.

Os polímeros da Solvay também concorrem nas aplicações médico/ hospitalares. Mônica atribui às propriedades mecânicas, térmicas e químicas excepcionais e também à leveza, facilidade de design e processamento a tendência de crescimento contínuo dos polímeros de alto desempenho nessa área, particularmente substituindo metal, vidro e outros dispositivos de uso único e reutilizáveis.

O cardápio de especialidades da empresa inclui biomateriais, compatíveis para contato prolongado com o corpo humano. Mônica explica que são polímeros de alta performance, homologados em testes de biocompatibilidade, conforme definido pela ISO 10993:1. Segundo ressalta, esses polímeros não demonstram evidências de reatividade, citotoxicidade, intracutânea, sensibilização ou toxicidade sistêmica aguda e podem ser esterilizados utilizando-se todos os métodos convencionais.

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Polímeros substituem o metal nos instrumentos cirúrgicos

O potencial da área médico-hospitalar é tamanho que ela disponibiliza cinco famílias de polímeros de alto desempenho para atendê-la. Da polifenilsulfona (PPSU), ela ressalta a excelente resistência mecânica com uma temperatura de deflexão de calor (HDT) de 207ºC, ótima resistência química e capacidade para suportar mais de mil ciclos de vapor (esterilização) sem perda significativa de propriedades. A polissulfona se destaca por sua transparência e temperatura de deflexão térmica de 174ºC, alta resistência mecânica, boa resistência química e excelente estabilidade dimensional sob vapor e agentes oxidantes.

A combinação de excelente resistência (química e mecânica) e rigidez com acabamento excepcional caracteriza a poliarilamida, que ainda oferece alto fluxo no processo de injeção e flexibilidade de design, considerando paredes muito finas.

Duas famílias de cetonas atendem o setor: a de polieteretercetona (PEEK) e de poliariletercetona (PAEK). A primeira ocupa o posto de uma das resinas de maior resistência química disponíveis, com excelente resistência mecânica, rigidez, resistência à fadiga e HDT até 315ºC. A Solvay ainda fornece grades reforçados com fibras de vidro e de carbono. A segunda cetona se insere em uma família de produtos desenvolvidos sob medida, com propriedades compreendidas entre a polifenilsulfona e a polieteretercetona.

Igualmente de olho nesse filão, desde o ano passado a Sabic produz localmente materiais biocompatíveis e aprovados pela agência FDA (Food and Drug Administration), com foco em aplicações médicas, hospitalares e odontológicas, segundo informa Knecht.

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